Contos Diversos Volume 1.

14 Segundo Conto – As testemunhas.


Capítulo 4 – Hora da Revolta.

Eles estavam abismados vendo o corpo morto daquele sujeito, ou melhor, um deles o conhecia.

– Espera. Eu conheço esse sujeito, é o zelador da escola. – Concluiu Clarisse.

– A escola tem um zelador? – Indagou Tomas.

– Sim, mas ele era tão discreto que ninguém o reparava.

Na realidade o zelador era tão discreto que quando ele verificava uma das salas vazias com o intuito de encontrar algum pertence esquecido, um professor que achou que havia deixado à sala aberta trancou no lado de fora, o zelador sem a chave teve que sair pela janela o que ocasionou a queda dele do segundo lugar e ter quebrado o pulso. Uma senhora que passava por ali se espantou com o moço caído no chão.

– Ai meu Deus, você está bem? – Disse a senhora.

– Eu acho que não, por favor, chama ajuda.

– Pode deixar, vou chamar o pronto socorro.

Assim ela partiu e deixou o zelador estendido no chão.

– Tá legal, eu vou esperar.

Ele era tão discreto que a senhora havia esquecido completamente dele e foi direto para casa, deixando o esticado no chão, cansado de esperar por ajuda ele decidiu ir para o pronto socorro por si só, novamente, por ser discreto até demais ele não foi atendido e para piorar ficou trancado no hospital.

Na escuridão do hospital ele disse.

– Tá legal, eu vou esperar.

E essa é a história do zelador discreto.

Retornando a história atual.

– Está bem, essa história foi bizarra. — Comentou Tomas.

– E é mesmo.

– Estou cansado disso, vamos chamar logo a polícia. – Comentou Raul.

– Eles não vão acreditar mais na gente.

– Por isso que Clarisse irá pessoalmente. – Explicou Raul – E vamos permanecer aqui, caso o assassino retorne para levar o corpo em outro lugar e nos faça de idiota.

– Boa, Raul, ótimo plano, Clarisse, você vai nos cooperar?

– Mas é claro, se isso ajudar trazer Douglas de volta.

Foi uma pontada no coração de Tomas.

– Mas é claro, nós iremos trazer ele de volta.

– Ótimo, eu irei então.

– Eu não concordo com esse plano aí não. – Comentou Lucas.

– Você só quer ver a Beatrice novamente.

– Também.

– Então fique quieto no instante.

– Dessa vez eu posso ir? Minha jornada triunfal não será interrompida por mais ninguém? – Indagou Clarisse.

– Pode ir Clarisse.

Assim Clarisse partiu, deixando os três cuidando daquele corpo, enquanto eles esperavam pela Clarisse retornar com um dos policiais para averiguar o corpo, o corpo em si se mexeu.

– Tá legal, quem foi que espetou essa estava no meu peito.

Os três gritaram desesperados e correram para fora da cabana. Eles ficaram em prontidão, observando o corpo que se movimentava lentamente.

– Ele está vivo não está? Ele não é um morto vivo, não é? – choramingou Raul.

– Mas é claro que não, morto vivo não fala.

– Mas ele disse algo sobre estaca no peito, só pode ser um vampiro. – Comentou Lucas curioso.

– Vampiros não sobrevivem na luz do dia, e isso nem sequer existe. – Sussurrou Tomas.

– O que vamos fazer? – Indagou Raul. – E se ele jogar alguma praga de morto ou coisa assim, eu estou com medo.

– Parem de ser chorões, isso significa que o zelador não morreu melhor ajudarmos ele.

Tomas tremendo de medo foi em direção ao corpo, um passo de cada vez.

– Você não é um morto vivo vampiro, não é?

– Mas quanta imaginação. – O zelador vomitou sangue. – Vai me ajudar ou não?

– Primeiro quero saber quem fez isso com você.

– Se não percebeu, eu perdi muito sangue.

– Não muda de assunto.

– Minha vista está ficando embaçada e eu estou sentindo muito frio.

– Diga logo, é questão de vida ou morte.

– Eu estou morrendo aqui, por favor, chama ajuda.

– Se você dizer quem fez isso com você, podemos descobrir onde Douglas está.

Assim o zelador morreu por hemorragia.

– Ótimo, ele voltou a dormir, agora perdemos a única testemunha que viu o assassino.

– Ele está morto agora?

– Eu não sei...

– Toca nele. – Pediu Raul.

– Eu não vou tocar nele.

– Pare de frescura.

– Porque você não o toca?

– Eu poderia, mas tenho medo que ele me ataque ou coisa assim.

Clarisse retorna com um policial enquanto eles discutiam quem iria tocar nele.

– É mesmo, realmente existe um assassino em série.

O policial verificou o pulso e as pálpebras.

– Ele morreu agora pouco, se algum tempo atrás alguém trouxesse algum enfermeiro para aplicar os primeiros socorros, ele teria chances de sobreviver, algum de vocês não chegaram antes disso?

Todos disseram quase ao mesmo tempo.

– Não, acabamos de chegar agora, nós o encontramos morto aqui.

– Entendo.

Assim o policial chamou seu colega no rádio e pediu por uma ambulância de IML

– Eu preferia que vocês permanecessem aqui como testemunhas.

Os três amigos concordaram em deixar aquela situação com os policiais, talvez eles conseguissem resgatar Douglas.

Após testemunharem o ocorrido e sobre o desaparecimento de Douglas, eles decidiram deixar isso nas mãos da polícia, logo à fama de mentirosos se diluiu com o tempo e eles apenas esperavam a notícia de que Douglas estaria são e salvo.

No dia seguinte Raul não apareceu na aula, eles estavam preocupados e logo ligaram para casa deles, mas ninguém atendeu.

– Isso quer dizer que Raul foi pego também? – Indagou Clarisse.

– Isso não pode estar acontecendo, porque alguém pegaria o Raul? Ele é chato pra caramba.

Tomas recebeu uma ligação, e era do celular de Raul, desesperado ele atendeu.

– Raul, onde você está?

– Foi mal, eu tinha viajado com meus pais, vou ficar um tempo fora.

– Sério? Mas devia ter avisado antes, e porque sua voz está estranha?

Uma gargalhada encerrou a conversa entre os dois.

– Foi mal, não consigo imitar aquele idiota.

– Quem é você?

– Apenas um homem que pretende destruir a vida de cada um de vocês por terem me flagrado escondendo aquele corpo.

– Mas azar o seu, já conseguimos convencer a polícia, não vai demorar muito para que você pare na cadeia, você acabou de perder o jogo.

– É mesmo? Diga-me quantos de vocês irá desaparecer até a polícia me achar?

Estava na cara que Tomas estava perdendo o jogo, e isso o deixava irritado, mesmo com a polícia atrás desse lunático ele sabia muito bem que ele e as pessoas em sua volta não estavam seguros.