Contos Diversos Volume 1.
13 Segundo Conto – As testemunhas.
Capítulo 3 – Hora da verdade.
Os amigos de Tomas ficaram completamente atônitos com aquela notícia, de certa forma eles então não acabaram de presenciar um assassinato, e sim de um psicopata que tem mania de desenterrar corpos e escondê-los em baixo de feno em um celeiro qualquer de sua preferência. Agora eles deviam se preocupar com o sumiço de Douglas.
– Isso não faz nenhum sentido, quer dizer que o cara segurou ela por vinte anos e depois o matou? – Comentou Raul.
– Segundo a Beatrice, o corpo dela foi cremado, ou seja, não tem como o corpo dela existir a não ser em cinzas. – Explicou Tomas.
– Mas que droga está acontecendo? – Comentou Raul.
– Você perguntou para ela se sábado a noite ela vai estar livre? – Indagou Lucas.
– Eu irei repetir. Você não vai sair com minha prima.
– Porque não? Eu sou um bom partido.
– Porque ela não gosta de pirralhos.
– Qual é. Você nem sabe o que ela gosta aposto que você não quer ser meu cunhado.
– Ela é minha prima, não irmã seu idiota.
– Dá para vocês calarem a boca? Não sabe em que situação nós chegamos?
Ambos calaram a boca, Tomas notou que Raul estava tão desesperado quanto eles, e por isso ele queria resolver esse problema o mais rápido possível.
– Douglas desapareceu, um maluco está usando corpos que supostamente são “falsos” para causar um terror desnecessário, e vocês tem tempo ainda de discutir quem pode ou não sair com a prima gostosa de Tomas.
– Mais respeito Raul.
– Vamos resolver esse problema, sim ou não?
Ambos ficaram cabisbaixos, eles tinham outros problemas a resolver ao invés de discutir sobre quem Lucas deve ou não sair.
– Finalmente encontrei vocês, suas pestes.
Professor Rodolfo era o professor que mais pegava no pé daqueles quatro amigos, ele dizia que era para o bem deles, mas Tomas sabia que era mentira, um acordo na escola fez com que Rodolfo participasse mais na vida escolar de seus alunos, o acordo seria que a avaliação interdisciplinar deveria ter uma aprovação de aproximadamente 90% da sala para considerar o ensino satisfatório, e caso os 90% dos alunos não consigam a aprovação no teste aplicado pela diretoria, eles entendem que é o professor que não está trabalhando direito e desconta de seu salário um tipo de multa, sendo que eles não ganham tanto assim, logo Rodolfo decidiu pegar no pé dos bagunceiros de sua turma e sempre entrava no caminho de Tomas e os outros.
– Professor Rodolfo. – Disse Tomas surpreso. – O que faz aqui?
– Eu é que pergunto, a aula começou há dez minutos. – O professor olhou para os três e logo sentiu falta de um integrante. – Onde está aquele idiota de óculos?
– Está mencionando o Douglas?
– Exatamente.
– Ele ficou muito doente e está faltando por um bom tempo.
– Entendo. – O professor se virou e caminhou até a escadaria. – Espero que ele não venha mais na escola, aquele inútil está diminuindo a reputação do meu ensino.
Tomas cerrou os punhos, ele queria muito socar a cara daquele sujeito por ter caçoado de seu amigo, ou melhor, de ter caçoado de alguém que talvez esteja morto nesse exato momento.
– E ainda espera que nós o respeitemos, não tem capacidade de instigar conhecimento e culpa o aluno por isso.
O professor parou de andar e voltou a dizer.
– Suas palavras serão válidas quando tirar uma nota altíssima no teste interdisciplinar, por ora eu irei considerar a sua transgressão uma maneira de diminuir a qualidade de meu serviço, e vão logo para sala, antes que eu chame o coordenador.
O professor fechou à porta que dava acesso a escadaria e deixou os três com os próprios demônios refletindo o quão idiota aquele professor era.
– Que imbecil desgraçado. – Reclamou Raul.
– Vamos nos preocupar com ele depois, Raul, me desculpe eu devia me preocupar com coisas de suma importância como o sumiço de nosso amigo.
– Está bem, eu devo desculpas por gritar com vocês e faltar com respeito com sua prima.
– Você tem algo a dizer Lucas?
– Apenas que quero sair com sua prima, brincadeira, vamos resolver isso logo.
Eles assistiram à aula do professor antes de tudo, com uma raiva nos olhos, eles não poderiam ser impedidos pela coordenadoria em procurar pelo seu amigo, tudo era questão de tempo naquele instante.
Quando o sinal tocou, todos partiram exceto Tomas que ficou no caminho, ele vagarosamente arrumava em suas coisas enquanto o sol ia se pondo e mergulhava á sala em uma laranja vivo.
– Estou com saudades de suas brincadeiras estúpidas Tomas.
Disse Clarisse que estava na porta da sala, uma garota sardenta de cabelos ruivos e olhos negros como a noite.
– Clarisse, o que faz aqui?
– Esperando você pregar uma peça no professor Rodolfo, é esse seu objetivo ao permanecer na sala até essa hora.
– Na verdade não, eu apenas... –Ele não sabia o que dizer, principalmente não sabia esconder seus sentimentos pertos daquela garota, o que o deixava corado e fazia-o suar frio, seus braços tremiam constantemente, nem parecia o menino que junto com quatro malandros, causava o terror na escola.
– Você sabe me dizer por que o Douglas não está vindo mais para a escola?
Foi aí que ele errou, ele havia esquecido que Clarisse só tinha olhos para Douglas, logo ele começou a se arrepender em procurar por ele, afinal, se Douglas estivesse fora da jogada, ela poderia olhar diretamente para ele. Mentalmente ele se arrependeu e se sentiu como o pior amigo do mundo ao pensar dessa forma, seu melhor amigo estava desaparecido e ele apenas pensava em “furar o olho” dele, se aproveitando da situação diante da Clarisse.
– Se eu dizer, você não vai acreditar.
– Sou toda ouvida. – Disse Clarisse ao cruzar os braços.
Tomas respirou fundo e começou a contar.
– Certa vez matamos aulas para nós quatro jogarmos Truco, isso foi uma das aulas do professor Rodolfo, nós decidimos ir para a cabana perto da escola jogar por lá mesmo, no entanto um senhor estranho entrou nessa cabana levando um corpo escondido dentro de uma sacola, nós escondemos entre o feno e observamos todo o ato dele, o senhor foi embora e decidimos chamar a polícia para avisar sobre o corpo, chegamos lá e conversamos com o delegado, ele entendeu nosso ponto de vista e mandou um de seus homens para averiguar o caso e ao chegar o corpo não estava mais ali, o policial achou que era uma brincadeira de mau gosto, você sabe como nós somos, causamos dor de cabeça até para os policiais, continuando, ele foi embora e avisou o delegado e disse que não ia confiar na gente, nós discutíamos como um corpo havia sumido do celeiro até que Lucas encontrou o corpo no lago mais próximo, nós decidimos deixar para lá e esperar que a polícia encontrasse o corpo por si só, Douglas recebeu a ligação de um cara estranho e o cara disse que sabia que estávamos observando enquanto ele escondia o corpo e disse que iria caçar um a um, ficamos desesperados, fomos até o corpo e pegamos um fio de cabelo, apresentamos para minha prima que trabalha no departamento de corpo de delito e forense e depois de eu a bajular com elogios ela decidiu nos ajudar, nesse meio tempo Douglas sumiu, nós ligamos para a mãe dele e ela disse que Douglas não voltou para casa, entramos em choque e enquanto Lucas falava para mim o quanto minha prima era gostosa eu recebi a ligação dela e ela explicou que o DNA é de uma pessoa que foi morta há vinte anos e seu corpo “original” foi cremado, e agora não sei o que fazer, Douglas sumiu esse maluco está à solta e temos ainda um acesso de um corpo que fisicamente é impossível de existir pelo fato de estar cremado.
Tomas respirou pesadamente, após dizer toda a história ele ficou completamente sem ar, Clarisse o encarava com um olhar de dúvida.
– Sabia. Você não iria acreditar.
– Está bem, eu acredito.
– O que? – Indagou Tomas surpreso.
– Isso realmente é terrível, precisamos encontrar Douglas custe o que custar.
Nesse instante Tomas recebe outra ligação. Era Raul.
– Fala Raul.
– Vem na cabana atrás da escola rápido, você não vai acreditar.
Assim Raul desligou, deixando Tomas em duvidas.
– O que aconteceu? – Indagou Clarisse curiosa.
– Eu não sei, o Raul pediu para irmos à cabana.
– E o que está esperando? Vamos logo.
Assim os dois foram até a cabana, Raul e Lucas estavam lá, enquanto Lucas tinha um brilho no olhar, Raul estava completamente perplexo.
– O que houve?
– Olha.
Raul apontou para o corpo que estava em cima do feno na cabana, o sujeito estava morto e fedia, um papel pregado no peito dele estava escrito em sangue o seguinte.
VOÇÊS SERÃO OS PRÓSSIMOS.
– Que terrível, o assassino é um analfabeto. – Comentou Clarisse.
Os três olharam simultaneamente para ela se perguntando que tipo de comentário foi aquele.
– Mais um corpo? Que beleza, podemos entregar uma parte do corpo para Beatrice, vou poder ver ela e falar pessoalmente sobre o encontro de sábado à noite.
Tomas tentava decidir o que era pior, um corpo de um homem no mesmo celeiro onde aquele senhor escondeu um corpo, o comentário de Clarisse sobre analfabetos, ou a tentativa de marcar encontro de Lucas com sua prima...
Fale com o autor