Contos Diversos Volume 1.

12 Segundo Conto – As testemunhas.


Capítulo 2 – Hora de investigar.

O dia seguinte os quatro amigos decidiram assistir as aulas, eles estavam aterrorizados e não conseguia pensar em jogar baralho em um celeiro que foi testemunha de um crime bizarro em suas vidas, diferente de Lucas, ele estava se divertindo com toda aquela situação. Os professores acharam estranho o fato de que os quatro amigos estivessem assistindo a aula naquele momento e logo até pensou que eles haviam dado um jeito em suas vidas e tiveram a certeza de que matar a aula não seria ideal para as suas vidas.

No entanto eles passaram despercebidos pelos alunos da escola, Lucas até tentou fazer uma piada ou outra sobre prostíbulo, mas poucas risadas ele pode tirar naquela situação, eles estavam tensos demais para brincar durante a aula.

No intervalo das aulas eles decidiram se encontrar em algum lugar que tivesse ninguém e discutir sobre o que fariam dali para frente após serem testemunhas de um crime, decidiram se encontrar no terraço, aquele local foi palco de inúmeras reuniões ilegais gerado a drogas e pornografia, e agora era uma reunião para saber como eles iriam predizer dali em diante. Douglas iniciou a conversa, citando sobre uma ligação de um sujeito esquisito.

– Algum de vocês recebeu a ligação de alguém suspeito?

Todos negaram a situação, e Douglas voltou a dizer.

– Então, eu fui o único que recebeu a ligação?

– Do que você está falando Douglas? – Indagou Tomas.

– Sabe, recebi uma ligação de um maluco que deve ter assassinato aquela mulher e disse que sabe que nós o observamos ele esconder o corpo naquele feno, por isso ele levou o corpo para a lagoa mais próxima.

Os três se entreolharam e logo Tomas gritou.

– Você o que?

– Cara, que demais! – Concluiu Lucas.

– Como assim cara, explica isso direito. – Comentou Raul.

– Ele disse que iria nos caçar um a um por sermos testemunhas de seu crime, eu disse, pode vir, nós venceremos você em seu jogo sujo, ou algo assim.

– Mas que merda, estamos ferrados! – Choramingou Raul.

– Ninguém está ferrado. – Acalmou Tomas. – Douglas, você marcou o telefone em sua bina?

– Estava número privado.

– Interessante. – Pensou Tomas. – A única ideia que eu tenho é que essa ligação partiu de uma empresa privada ou coisa do gênero, isso pode ser vindo da delegacia de polícia ontem de alguém que queria nos zoar por passar uma denuncia falsa para eles.

– Algum tipo de brincadeira? – Indagou Lucas.

– Exatamente.

– Mas se a ligação for real? – Indagou Raul

– Aí estamos encrencados. – relutou Lucas.

– Ou, podemos iniciar a investigação entre nós, e descobrirmos o futuro culpado deste crime.

– Mas que merda Tomas, pare de dizer loucuras, não somos investigadores, vamos apelar para a polícia novamente nem que precisamos arrastar o corpo do defunto até a porcaria da delegacia deles.

– Não se exalte, precisamos bolar em um plano, aliás, ficamos em situações mais surreais do que agora na nossa vida.

– Como a vez que penduramos inúmeros pássaros mortos na coordenadoria, aquilo foi bizarro. – Comentou Raul.

– Ou quando espalhamos boatos de um assassino em série na região o que causou histeria geral, passou até na TV. – incluiu Douglas. – Aquele dia foi louco.

– Eu conheço alguém que pode nos ajudar. – Concluiu Tomas.

Eles decidiram ir até um laboratório forense perto da praça central, Os três se perguntavam qual era o plano de Tomas e toda vez que alguém perguntava diretamente para ele, Tomas dizia.

– Esperem, vocês saberão meu plano.

Eles chegaram até o laboratório, onde Tomas se identificou na portaria, ele queria falar com Beatrice e não demorou muito para que o porteiro liberasse a entrada para eles.

– Quem é a Beatrice? Indagou Douglas.

– Você irá conhecê-la.

– Para com esse mistério estúpido e compartilhe sua ideia.

– Para que tanta afobação, eu já disse que você irá conhecê-la.

Assim eles seguiram até alcançar uma porta espelhada, uma mulher esbelta de cabelos negros que vestia um jaleco saiu por aquela porta espelhada, segurava vários documentos que ela deveria dar baixa, e no fim Lucas sentiu seu coração palpitar.

Uma mulher linda de cabelos negros exuberantes que trabalhava em dissecar corpos era demais para Lucas, o máximo que Lucas dissecou foi um sapo raquítico na fazenda do seu tio, e saber que uma mulher daquele porte pudesse abrir corpos de gente era demais para seu coração.

Logo a imaginação fértil surgiu em sua mente, ele imaginou ambos dissecando corpos ao som de uma música romântica, seu devaneio despertou quando Raul estalou os dedos perto de seu rosto.

– Para de babar, está sujando o chão.

– Desculpa. – Disse de maneira envergonhada, era a primeira vez que Raul o via tão tímido.

– Há quanto tempo prima. – Comentou Tomas que estava de braços abertos, mas seu ritual foi interrompido com a mão de Beatrice impedindo seu caminho.

– Só por dizer isso quer dizer que você quer alguma coisa.

– Que crueldade, você vai passar a imagem para eles que só falo com você apenas para pedir favores.

– E não é verdade?

– Bem, sim, mas...

– Caso encerrado e voltem para a escola, o I.M. L não é lugar de crianças.

– Não seja chata.

– Estou no meu turno Tomas, não irei participar em suas brincadeiras.

– É questão de vida ou morte.

– Como assim?

Um olhar preocupado surgiu em seus olhos.

– O que o tio andou aprontando.

– Não foi ele, fomos nós.

– Ah, mas isso não é novidade.

– Vai nos ajudar ou não?

Beatrice trocou de pé de apoio, aquilo poderia significar muitas coisas, e uma delas é um “estou atrasada, fala logo menino”.

– Fala logo menino.

Não falei?

– Então, é que ontem, enquanto matávamos aula.

– Sabia que vocês haviam feito bobagem, resolva com seus pais, não vou passar por aquele vexame de mãe tarada na sua escola.

– Veja pelo lado bom, você alegrou muitos jovens naquele dia, mas essa não é a questão, estou falando de um assassinato?

– Como assim?

Beatrice enrugou a testa, uma expressão do tipo, “não acredito que chegou ao ponto de matar alguém”.

– Não acredito que você chegou ao ponto de matar alguém?

Não ti disse?

– Não, somos idiotas, mas não somos loucos, estou falando que presenciamos um assassinato e para piorar nem a polícia acredita na gente.

– Trouxemos um fio de cabelo da vitima para ver se você pudesse tirar o DNA ou algo assim e identificar ela, talvez tenha uma pista do assassino. – Explicou Raul.

– Vocês estão brincando de detetive? Aliás, sabia que é crime se intrometer no trabalho da polícia.

– É porque nem a polícia acredita na gente e Douglas já recebeu uma ligação de ameaça de morte, e você é nossa única esperança.

Beatrice relutou em aceitar o pedido de ajuda.

– Eu não sei, tenho tanto trabalho a fazer. – Disse enquanto enrolava a mecha de cabelo no dedo.

– Por favor, Beatrice, você é a melhor pessoa nesse ramo, não pediria ajuda a você se não fosse verdade.

Beatrice tem um ponto fraco que fez interromper inúmeros casos amorosos, ela é fraca em relação ao elogio, ela é capaz de fazer basicamente tudo por você deste que tenha a palavra certa, deste que saiba elogia-la no momento certo, e esse momento é quando ela está enrolando a mecha de cabelo no dedo, aquilo indica claramente que ela se sente vulnerável e insegura, e é o momento certo para o ataque.

Seu rosto corou e ela abaixou a cabeça.

– Já que você diz. – Ela pega o fio de cabelo na mão de Raul. – Farei o que pede, mas esse teste vai demorar uns dois dias para resolver.

– Sem problema, tempo é o que não nos falta, eu espero.

– Agora não me amolem mais, vão embora.

– Obrigado Beatrice, você é sensacional.

Nesse instante Beatrice tropeça de emoção.

– Para de me bajular, está me deixando sem graça.

Outro ponto fraco dela é que ela é completamente desastrada quando está sendo elogiada.

Os dias e semanas se passaram e Tomas, Raul e Lucas estranharam quando Douglas faltou nos dias seguintes, quando decidiram ligar para casa dele, a sua mãe lhe disse que há dias ele não voltava para casa, eles temeram o pior, eles temeram que aquela ligação fosse verídica e que o assassino foi atrás de seu primeiro alvo, o bobalhão da trupe, Douglas.

Eles haviam vistos muitos filmes de terror e aquilo se repetia nas suas vidas, era como se a vida real copiasse a arte ou vice versa, talvez o primeiro a criar um roteiro de terror passou por essa situação aonde gradativamente seus amigos iam sumindo, um a um, até sobrar ele e ele darem de cara com o assassino em série, ele dá um jeito de impedir o assassino, mas ele de alguma forma foge ou desiste de sua caça, e o mocinho tem seus dias de paz até que o filme ganhe uma ótima bilheteria e novas sequencias são produzidas, tirando a paz do mocinho daquele filme de terror, ou se encerra ele morrendo no final.

– Estamos praticamente em um filme de terror. – Choramingou Raul.

– Não podemos deixar o braço a torcer, vamos resolver esse problema e tenho certeza de que Douglas de alguma forma esta seguro, mas isso depende de nós. – Comentou Tomas.

– Quando é que vou ver aquela doutora gostosa de novo. – balbuciou Lucas.

– Mais respeito com minha prima. – Resmungou Tomas.

O celular de Tomas vibrou e ele decidiu atender.

– Deve ser sua prima gostosa, me deixa falar com ela. – Implorou Lucas.

– Não enche! Alô?

– Você não vai acreditar no que descobrir sobre essa pessoa.

– O que? – Indagou Tomas preocupado.

– A amostra do fio de cabelo que vocês trouxeram pertence à Samanta Souza, uma mulher de 27 anos, ela é advogada e mora na cidade vizinha, mas tem um problema.

– Como assim?

– Ela morreu a mais de vinte anos.

Aquilo foi um choque para Tomas, como alguém mataria uma pessoa que já morreu há vinte anos? E pela aparência daquela moça, era como se tivesse morrido naquela cela e não há vinte anos, Tomas não sabia o que estava havendo e para piorar, ele não sabia se um dia veria seu amigo de novo algum dia.

– Pergunta para ela se ela está livre no sábado à noite. – Pediu a Lucas.

– Cala boca Lucas, está interrompendo minha epifania.