Contos Diversos Volume 1.

11 Segundo Conto – As testemunhas.


Notas iniciais
segundo conto, as testemunhas. Boa leitura.

Capitulo 1 – Hora do assassinato.

A pior coisa que a vida tem em lhe proporcionar é a responsabilidade de ser alguém na vida, a grande pressão familiar em saber o que você quer ser quanto crescer e outras bobagens que sempre enchem a cabeça do adolescente em dúvida, esse fato que acabei de contar pode se encaixar perfeitamente nestes quatro garotos jogando truco na cabana há alguns metros atrás da escola que eles deveriam ir.

Um grupo de quatro amigos que cansado da vida rotineira prefere gastar seu tempo em jogos de baralho e papo furado, uns com reais intenções, deixar de ser o que seus pais desejam que devam ser. Seu nome é Tomas.

Aqueles que apenas estão em uma crise de rebeldia repentina, e que está insatisfeito com a vida, seu nome é Douglas.

Aqueles que querem ver apenas o circo pegar fogo, se denominando o palhaço da sala, e ocasionalmente consegue realizar o papel muito bem até chegar o ponto em levar suspensões, seu nome é Lucas.

E aqueles que acreditam em uma vida perfeita caso siga a linha, mas se sentiu completamente enganado que a vida não é bem assim, e que aqueles que são prestigiados são apenas os malandros da vida, seu nome é Raul.

– Truco! – Disse Douglas.

– Cai dentro. – Desafiou Lucas.

A intenção deles eram apenas se divertir, aulas chatas não os agradavam e a vida na escola tornou-se mais monótona quando a diretoria aplicou um sistema de monitoria, o lema da monitoria era “Seja amigo da escola, denuncie o que estiver errado”, graças a isso Lucas visitou mais a sala da diretoria do que seu próprio lar.

Eu queria contar mais sobre esses quatro garotos que tiveram seu destino preso em uma linha tênue de mortes, violências e ilegalidades, mas acredito que esse ponto está reservado em uma história a parte, afinal de contas é uma história muito complexa, a vida deles é complexa por si só, apenas quero destacar o dia em que algo bizarro aconteceu na cabana que mudaram a vida dele deste então.

Um barulho chamou atenção dos quatros, eles pararam de falar para ouvir com maior clareza o barulho e o rangido da porta se repetiu, no inicio eles acreditavam que algum professor houvesse descoberto seu esconderijo onde eles passavam matando aula ao invés de estudar e por isso os quatros se esconderam no feno daquela cabana.

Com os olhos atentos eles observavam o andar de baixo e viram um homem de meia idade carregando uma sacola pesadíssima para dentro da cabana, um rastro de sangue mantinha no chão e seus braços estavam encharcados daquele mesmo sangue.

Douglas não sabia o que fazer e Tomas o ajudou a calar a boca, se aquele homem descobrisse que estava sendo bisbilhotados eles não sabiam o que aquele homem iria fazer, é capaz de que ele arranje mais quatro sacolas para guardar corpos.

O homem suspeito olhou para os lados e jogou feno por cima daquela sacola, “como se alguém não percebesse um rastro de sangue até o feno”, pensou Tomas, assim o homem saiu daquela cabana e deixou os quatros atônitos com aquela situação. Eles esperaram os passos do homem suspeito se distanciar e decidiram descer a escada até o andar de baixo.

– Mas que merda que aconteceu aqui?

Tomas falava palavras de baixo calão toda vez que ele se estressava ou ficava com medo, uma prática muito incomum já que ele cresceu em uma família rica.

– Acabamos de presenciar um crime, estamos marcados.

Raul era o mais negativo entre os quatro, por isso ele nunca participava de trotes com os alunos, pois acreditava que seria detido pela diretoria, isso reforçou sua ideia quando uma vez ele foi realmente pego pela diretoria por fazer bobagens...

– Cala boca Raul, ninguém está marcado, vamos verificar o que tem dentro da sacola, talvez não seja um corpo, talvez seja algum animal morto que ele achou na rua e decidiu guardar, você sabe como esses caipiras são.

Douglas era fascinado em humor negro, e consequentemente criou o hábito de dizer coisas que o fariam considerar ele de racista, machista e homofóbico, apenas o grupo de amigos que ele estava entendia como um humor diferenciado.

– Ou, vamos pegar o olho desse animal e mandar via correio para Professora Catarine, dizendo que estamos com o filho dela e se não pagar o resgate iremos mandar as partes do corpo dele via correio.

Lucas era o mais sádico entre os quatro, um completo sem noção, o terror da escola com brincadeiras insanas e cruéis, ele foi tratado recentemente de esquizofrenia, e tem uma leve psicopatia em sua mente, apenas seus amigos e seus familiares conseguem controlar seu lado insano e cruel.

– É melhor verificarmos o corpo primeiramente.

Tomas tirou o feno e logo abriu a sacola, ambos se assustaram e correram para trás, era um corpo de uma mulher, seu rosto demonstrava muita dor e um não tinha um de seus olhos.

– Olha só, parece que alguém teve a ideia de arrancar o olho dela primeiro do que eu...

– Para de ser idiota Lucas, isso é sério, devíamos chamar a polícia. – Disse Raul.

– Do jeito que a polícia é com a gente, eles vão acreditar que nós é que matamos a mulher. – Comentou Tomas.

– Não vamos perder mais tempo, vamos avisar a polícia sobre esse crime.

Assim, os quatros decidiram seguir até a delegacia de polícia onde ele encontrou o delegado Jonas, delegado Jonas não iam com a cara dos quatro, pois eles haviam pregado uma peça que custou a paz de todos daquela cidade, logo ele se sentiu insatisfeito ao ver eles.

– O que vocês querem? Pregar uma peça estúpida?

– Não senhor, agora é sério, nós presenciamos um assassinato. – explicou Tomas.

– E o corpo está no celeiro atrás da escola. – Disse Raul.

– Eu só estou acompanhando os quatro. – Comentou Lucas.

– E qual a probabilidade de que isso seja uma brincadeira é altíssima.

– Olha, eu entendo porque você está desconfiando da gente, mas isso é sério, você precisa nos ajudar.

Jonas relutou em acreditar neles, mas os quatro amigos estavam realmente preocupados sobre esse crime, ou eles fingiam e muito bem.

– André, venha cá.

– Sim delegado. – Disse um homem de barbicha.

– Quero que acompanhe esses jovens até a cena do suposto crime, me deixe a par da situação quando conseguir provas.

– Está bem.

Os quatros seguiram com o policial na viatura até o celeiro, e quando chegaram lá, se surpreenderam.

O corpo não estava mais lá, nem mesmo o rastro de sangue e para piorar, eles ganharam fama de mentirosos para delegacia inteira.

– Muito engraçado crianças. – André ligou para o delegado explicando a situação.

Assim a viatura partiu deixando os quatro no celeiro com mais perguntas do que respostas.

– O que aconteceu aqui? – Indagou Tomas confuso.

– Será que aquilo foi fruto da nossa imaginação? – Indagou Raul.

Enquanto os três discutiam sobre o corpo desaparecido, Lucas vasculhava o feno a procura de qualquer pista de que havia um corpo naquele lugar, Lucas com esforço encontrou um rastro e logo o seguiu, quando percebeu ele havia parado na lagoa do parque central.

– Acredito que foi engenhoso da parte dele. – Comentou Lucas.

– Lucas, onde você estava? – Comentou Raul que logo o encontrou perto da lagoa.

– Parece que o corpo da mulher está afundado nessa lagoa.

Tomas era o único que sabia nadar entre os quatros, e mesmo recusando o pedido deles decidiu o fazer, ele realmente encontrou o corpo afundado na lagoa e puxou para a margem do rio onde seus amigos o ajudaram a puxá-la.

Assim os quatros ficaram encarando o corpo sem vida daquela mulher, ao tirar o resto da sacola percebeu que ela estava nua.

– O que faremos? A polícia não acredita na gente. – Comentou Douglas.

– Talvez possamos investigar por si só. – Comentou Tomas.

– Eu sugiro queimar o corpo, se eles não acreditam na gente, então vamos nos livrar das provas – sugeriu Lucas.

– Enquanto a família dessa pobre moça, aposto que eles ainda têm esperança de que a moça possa retornar para casa. – Comentou Raul.

Tomas sentiu que estava sendo vigiado e por instinto ele olhou para trás, mas nada viu apenas as moitas que dançavam de acordo com o vento, ele notou algo de esquisito naquela brisa ou até mesmo o fato de estarem sendo vigiados era aceito naquele momento.

Por um momento ele desconcentrou da situação e quando olhou para seus amigos, percebeu que eles tentavam colocar o corpo para dentro do lago.

– O que estão fazendo?

– Se livrando da prova, vamos deixar onde o cara deixou talvez a polícia o encontre e procure por si só. – Explicou Lucas.

– E é isso que vai acontecer? Nós sabemos da identidade do assassino e vamos deixar barato? O que vocês fariam se ele machucasse alguém da sua família.

– E o que você sugere. Tomas? – Indagou Douglas.

– Eu não sei talvez arranjar um jeito de pegar o culpado, mesmo que a polícia não acredite na gente, podemos resolver nós quatro.

– Tomas, pare de sonhar, não somos detetives ou investigadores profissionais, somos apenas alunos que gastam seu tempo jogando baralho.

Tomas foi convencido pelos três que aquilo não valia a pena, com o tempo eles esqueceriam o ocorrido e talvez um dia a polícia encontrasse o corpo dela e depois descobrisse o culpado, aquilo não seria da noite para o dia, mas não custa nada acreditar.

No entanto esses quatro rapazes não teriam como se livrar desse pesadelo, do fato de presenciarem o assassinato e para piorar, um deles recebeu uma ligação misteriosa.

Douglas atendeu, após a mãe de ele gritar inúmeras vezes para que ele atendesse, ele respondeu com grosseria e logo atendeu ao telefone.

– Alô?

Uma respiração ofegante saia da outra linha.

– Eu disse Alô.

– Você acha mesmo que vai se safar?

– Quem é?

– Quem você acha?

– Talvez um idiota me passando um trote.

Uma gargalhada sinistra veio do outro lado da linha.

– Vocês foram testemunhas de um assassinato, e não posso deixar vocês vivos, vou caçar vocês um a um, só esperem e verão.

Douglas derrubou o telefone no chão, a gargalhada cruel podia ser ouvida mesmo não encostando o telefone no ouvido, ele retomou a calma e pegou o gancho.

– Muito bem, você quer jogar? Então eu vencerei você no seu próprio jogo, vamos ver se você tem tanta sorte assim em acreditar que pode nos fazer de idiota.

O sujeito atrás da linha ficou sem entender a reação de Douglas.