Contos Diversos Volume 1.
2 Primeiro Conto - Homem Máquina
Capítulo 2 – A confissão.
Dali em diante, minha vida se tornou em um inferno, eles não necessariamente me matariam por tentar pesquisar algo fora de minha jurisdição, eles me torturariam para obter informações sigilosas seja aquelas que eles acreditam que eu roubei deles, ou até mesmo quem me mandou para cá e as informações do país que eu sirvo, sinceramente eu não entendia nada do que eles falavam, suspeitei que eles fossem me tratar como espião, mas eles queriam respostas e mesmo com o computador de detector de mentiras acusarem que eu estava falando a verdade eles não queriam aceitar, queriam apenas respostas.
Após alguns dias, para ser sincero nem sabia que dia e horário era, pois o local onde fui confinado é escuro, e é como se o tempo não passasse naquele lugar, todavia, a situação se piorava a cada minuto, em instantes era torturado por choques elétricos, ou até mesmo por torturas psicológicas e mesmo dizendo que eu não sabia mesmo o detector avisasse que eu estava sendo verdadeiro, eles permaneciam na interrogação e com isso fui me desgastando aos poucos.
Eles me injetavam a cada certo período uma substância em minha veia que me permitia sobreviver por tempos sem alimentos e líquidos, um tipo de substancia que a corporação Volta criou para viagens espaciais de longa data, onde era praticamente impossível levar alimentos mesmo que sejam perecíveis.
Quando eu estava pegando no sono, uma luz fortíssima embaçou a minha vista, quando comecei a acostumar com ela, um vulto estava na minha frente, não conseguia identificar quem ou o que, mas era o primeiro contato humano que tive após eu ser encarcerado, as interrogações era por mediação de alto falantes colocados na sala de confinamento.
– Pois bem, eu não tive escolha e tive que vir pessoalmente, afinal você não está tornando nada fácil, nem para mim ou pra você.
– Você já sabe minhas respostas, o detector mostrou que ela era verdadeira, já tem suas informações, como você pode ver eu não sei de nada.
– Logicamente, um dos assistentes encontrou uma falha nesse detector, e por isso eles denunciavam verdades em suas mentiras, agora irei repetir as perguntas anteriores e estarei de olho em qualquer sinal de seu corpo para averiguar se está dizendo a verdade ou a mentira.
– Isso não pode estar acontecendo, eu sempre andei na linha.
– Nosso banco de dados nunca provou isso.
– Meu perfil foi apagado por alguém, eu sei disso, meu cartão prova que eu existo!
– Primeira pergunta.
– Por favor, resolva... – Fui silenciado por uma descarga elétrica em meu corpo, aquilo me fez grunhir enquanto meu corpo compulsoriamente tremia sem parar.
– Você não tem direito a nada além de responder minhas perguntas, voltando, primeira pergunta.
Ele repetiu a mesma pergunta de vários dias atrás que eu incessantemente respondia, mas eles não acreditavam, a ponto de inventar uma desculpa que o detector estava com defeito.
– Você é um espião?
– Mas é claro que não! – Respondi com convicção.
A máquina denunciou mentira.
– Espera um pouco, isso está... – Novamente fui interrompido com uma descarga elétrica.
– Repito que você não tem direito a nada além de responder minhas perguntas, voltando, próxima pergunta, qual país você serve?
– Eu já disse que não sei!
A máquina denunciou outra mentira.
– Isso não pode estar acontecendo.
E outra descarga elétrica sem prévio aviso atingiu meu corpo.
– Responda qual país você serve.
– Eu já disse que não sou um espião, sou apenas um... – novamente uma descarga elétrica atingiu meu corpo.
Após aquela tortura que parecia durar uma eternidade, eles pararam com interrogatório, eles acreditavam que por eu ter levado muitas descargas elétricas isso iria comprometer a interrogação.
A luz se apagou e o vulto sumiu, pude fechar os olhos e tentar descansar.
O período de visita e interrogatório era periódico, sempre eles me deixavam descansar toda vez que eu alcançava o limite humano, eles não queriam me matar ou me dar uma morte dolorosa, eles queriam respostas e trabalharia para alcançar esse infame sentimento humano pela dor e humilhação.
Mal sabia que horas eram quanto tempo havia passado ou até mesmo o que acontecia lá fora, apesar de considerar que o mundo progrediria como sempre com minha ausência, isso se nota pelas pessoas que sumiram misteriosamente nos últimos anos onde ninguém notava sua presença, eu não os culpo, eu também não notava a presença deles, talvez por se preocupar com o próprio nariz, agora que estou na mesma pele que eles, eu torço toda vez que alguém sinta minha falta e faça algo a respeito disso. Não é estranho você precisar de ajuda quando você está na mesma situação daqueles que você ignorou? Não esperava pensar isso nos meus últimos momentos de vida.
Porque eu considerava como meus últimos momentos? Tenho certeza de que ninguém escapou com vida nessa situação, o sistema é implacável e eles fariam de tudo para eliminar qualquer ameaça do sindicato e até mesmo das máquinas.
Fui despertado por uma luz intensa em meu rosto e logo que imaginei que iria se iniciar mais uma fase do interrogatório e tortura naquele momento, já estava imaginando em vender alguma informação por liberdade, talvez entregar Johan por ter atiçado minha curiosidade sobre a verdade. A luz não era o que parecia, uma voz interrompeu minha reflexão ao dizer a seguinte sentença.
– Eu o encontrei.
Será que alguém havia notado minha falta? Será que eles vieram me resgatar por considerar que eu não existia na sociedade, ou até mesmo as minhas faltas do serviço estouraram e eles decidiram procurar por si só.
– Deixa ele aí, ele não é nosso objetivo.
– Mas ele é nosso ponto chave para nossa missão, precisamos levá-lo.
O que ele quis dizer com objetivo? Com missão? Estava tão desnorteado que mal conseguia separar uma ilusão ou realidade.
O vulto se aproximou de mim, mal conseguia identificar, pois não conseguia abrir os olhos por conta daquela luz incandescente queimando meus olhos.
– Vai estar tudo bem, iremos tirar você daqui.
Foram as últimas palavras que ouvi antes de apagar por completo, ou melhor, antes de identificar um rosto feminino e desmaiar por completo. Despertei em seguida sendo carregado por duas pessoas pelos ombros, eu me arrastava no chão e a dor de toda aquela tortura deixava meu corpo dormente, mal sentia minhas pernas direito.
Como era o país antes do sistema?
Eu tento imaginar um mundo sem o sistema, sem um rank, será que seria diferente? Ou melhor, será que seria melhor?
Consigo imaginar uma rua normal, com pessoas alegres passando por elas, outros atrasados pelo trabalho e a rotina é corriqueira, mas um homem acabará de roubar uma moça e tenta atravessar a rua depressa, e assim é atingido por um carro.
As pessoas se aglomeram em volta do acidente, uma pessoa comum chamaria a ambulância, mas eles apenas julgavam aquele criminoso.
– Alguém me ajude! – Gritava o ladrão ensanguentado.
As pessoas encaravam o sujeito com desdém, vitima do sistema? É só mais um vagabundo que deve morrer, eu posso ver os monstros interiores saindo de suas entranhas, o ódio por aquela pessoa que se tornou um inimigo apenas por roubar uma moça.
Onde deveria estar à diferença nesse sistema?
Logo em seguida cientista desenvolve uma máquina com 100% de acerto na perícia criminal, utilizando ela como um auxílio, eles poderiam determinar o inocente e o culpado por crimes hediondos de acordo com as provas obtidas no local do crime, essa tecnologia foi bem aceito pela sociedade e logo graças a esse auxilio, diminuiu a violência e a criminalidade naquele país em 50%.
Uma máquina incorruptível foi elaborada para substituir o tribunal jurídico e civil, com isso, a corrupção abaixou uns 75% naquela região, e todos estavam felizes deste então. Como uma máquina não trabalhava de acordo com suas necessidades, isso tornava o sistema mais eficiente. Não demorou muito para que máquinas auxiliasse o presidente a governar o país, e logo pediram para que aquela máquina o governasse de maneira independente deste então.
Os cientistas criaram o sistema perfeito, independente da interface homem máquina, e com isso o país prosperou, pois aquela máquina tinha maneiras eficientes de acabar com a miséria, aumentar a economia e até mesmo as relações comerciais com outros países, não demorou muito para que os outros países adotassem aquele sistema.
Um grupo de países recusa a adotar esse sistema por acreditar que tal máquina é de semelhança ao ser humano, ou seja, era sujeito a falhas, uma guerra política e psicológica é entravada pelo mundo, uma guerra onde alguns que diziam que é desumano as pessoas serem governadas por uma máquina enquanto outros acreditavam que o governo administrado por mãos humanas era sujeito a falha.
Era chamado à era da perfeição, não deveria haver erros, e quem errasse iria acarretar á uma falha no sistema, logo à máquina em si criou uma hipótese de rank onde pudesse manter as pessoas de bem, aquelas que se esforçavam para o bem maior. As pessoas aceitaram aquele sistema de imediato, enquanto outras se perguntavam como um programa de computador foi capaz de criar um projeto que pudesse beneficiar a todos.
Não sei por que comecei a pensar sobre essa história, logo percebi que essas informações não vinham de minha cabeça e sim de um receptor de fora, ou seja, alguém abriu algum livro histórico e começou a contar uma história.
Abri os olhos e vi a mesma moça que havia me salvado lendo um livro empoeirado sentado em uma poltrona, ao perceber que eu despertei, ela fechou o livro e depositou numa prateleira, e logo abriu um largo sorriso convidativo.
– Que história é essa? – Indaguei confuso.
– O homem máquina, meu conto preferido. – Disse a moça.
– Escrito por Doutor Goldman.
– Exatamente, não esperava que alguém adepto ao sistema pudesse conhecer esse livro.
– Em meus anos li artigos que não deveria acessar, eu me aproveitei das falhas do sistema, é por isso que eu estava em uma sala escura sendo torturado.
Ela riu, apesar de que eu não achava nenhuma graça.
– Doutor Goldman foi um cientista da era futurista, ele desenvolveu um programa que permitia criar um computador que pudesse escolher aquela opção mais viável para ela, ou seja, ele desenvolveu o primeiro programa de livre arbítrio artificial, apesar de odiar a ideia de pessoas serem comandadas por uma máquina.
– E esse livro foi à maneira de informar as pessoas os malefícios de ser comandada por uma máquina – completei.
– Dessa forma, ele acreditava que a máquina ao tomar o poder executivo, judiciário e penal, criaria um sistema onde se as pessoas não colaborassem seria eliminado na sociedade.
– Uma forma radical de eliminar qualquer ameaça que venha a quebrar o sistema. – Retruquei.
– Dessa forma eliminando a interface homem máquina que dá título ao livro.
Eu a encarei, não esperava que outra pessoa pudesse conhecer os livros proibidos do sistema.
– Mas não entendo, porque eu? Porque me salvou? Qual é minha utilidade?
– Tenho a resposta para todas as suas perguntas, você conhece a ideologia do Doutor Ronald Goldman.
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