Contos
1 Estupro
Notas iniciais
Leila saia do pub noturno em que estava com seus amigos, andando a pé para sua casa em plena madrugada de terça feira. Ela ignorava os mendigos — que a encaravam com um apetite sexual ao umedecer os lábios ressecados com suas línguas imundas — o cheiro de esterco e esgoto que eles exalavam, os ruídos da noite – apenas mais um rato correndo pelo outro lado da rua, procurando outro animal para roer e se alimentar. Mas ela achava impossível ignorar as sombras que seu corpo fazia, transformando a noite em um negro ainda mais escuro que o ébano, provocando-lhe calafrios. Agradecia pela mente nebulosa que agora tinha, graças ao Martini, às duas tequilas, às quatro vodkas e às duas cervejas que bebera com seus colegas de faculdade. Leila caminhava tão despreocupada que não vira nada ao passar pelo beco escuro no meio da quadra.
Entre dois prédios que bloqueavam a entrada de luz, atrás de um container de lixo, no ponto mais obscuro daquele local, um homem alto se escondia. Pablo observava Leila com atenção, ignorando totalmente o cheiro de comida podre e velha à sua frente, ignorando os ruídos de animais arrancando pedaços de carne de um cachorro morto ao seu lado, larvas saindo pelo corte transversal à barriga do animal. Para Pablo, Leila era a única coisa que merecia sua atenção. Ele então saiu de seu esconderijo e a seguiu. Com tanto álcool em seu sangue, Leila não notara que estava sendo observada, muito menos seguida. Apenas andava e entrou no beco por onde ficava a entrada dos fundos de seu prédio, porém notou grande dificuldade para encontras as chaves dentro de sua bolsa. Quando finalmente as tocou com a ponta do dedo, Pablo tapou a boca dela com força, forçando seu corpo contra ela, pressionando-a contra a parede do prédio. Ela tentava lutar, balançando os braços de qualquer jeito que conseguia, o pânico se instalando cada vez mais por dentro de seu corpo, fazendo-o ficar cada vez mais excitado. Ele passava a mão pela lateral do corpo dela, descendo até chegar à barra do vestido, beijando o pescoço dela e as vezes sussurrando em seu pescoço palavras como “delicia”, “não se preocupe” e “você vai gostar”.
Ao subir o vestido de Leila, Pablo parou sua mão no seio dela. Leila então tentou mais uma vez o empurrar para longe dela, ele se desequilibrou com a força dela e deu um passo para trás para não cair. Aproveitando, ela tentou correr, mas assim que ela saiu, ele a segurou pela mão e a jogou no chão. “Assim fica mais fácil.”, ele disse, a calça já aberta. Leila, chorando, tentou engatinhar para longe, em uma tentativa desesperada de se salvar, mas Pablo logo se deitou sobre ela, violando-a. Inevitavelmente, ela soltou um grito de dor, de desespero, enquanto ele apenas gemeu e tapou-lhe a boca. Disse que se a escutassem, ele teria que matar, ela tentou ficar o mais quieta possível, ainda tentando se debater enquanto sentia o nojo de si mesma crescendo. Leila se odiava por ser tão distraída, e odiava esse homem por romper-lhe a virgindade de modo tão brusco.
Ele, por outro lado, se odiava por ter que fazer isso, mas o desejo que sentia pela moça do pub de todas as terças feiras era impiedoso e o que ele sentia agora era o suficiente para fazê-lo se sentir melhor. Ele podia notar que ela era virgem, pois estava tão... Apertada. Seu corpo estava totalmente tenso, mas ele sabia quando as mulheres eram virgens apenas de penetrá-las.
Ela chorava e soluçava, ele gemia e idolatrava o corpo dela enquanto isso. Quando ficou satisfeito, deixou sua marca ali mesmo, dentro dela, e foi embora, dando um leve beijo no nariz dela enquanto Leila chorava e soluçava. Ao ficar sozinha, no beco escuro da cidade, atrás de seu próprio prédio, perto de sua casa, Leila apenas ficou parada, soluçando e chorando. Sentindo nojo de toda a sua vida, desejando que tivesse morrido ali mesmo. E depois de tanto choro, dormiu ali mesmo, no escuro em que os medos mais profundos a seguravam.
Apenas mais uma terça feira comum ocorreu na cidade.
Notas finais
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