Contato
1 Alister, William
Notas iniciais
Sério cara, ta muito calor e eu não estou pensando direito.
Boa leitura
Dia 05 de abril de 1998, eu tinha doze anos e estava indo pra escola. Foi onde e quando eu descobri que tinha um dom especial.
Eu queria poder dizer que era um menino que sofria bullying na escola, que era incorrespondido pela garota que amava e que ia mal na escola. Isso faria com que vocês tivessem pena de mim.. Faria com que gostassem de mim, mas eu tenho que ser sincero e mesmo que eu não goste de lembrar, eu não fui uma criança boa e inocente, fraca ou humilde, nada disso.
Na entrada da escola eu me encontrei com meus amigos, a trupe do Willam A. como eu gostava de nos chamar. Nós batíamos nos mais fracos, desrespeitávamos os professores, quebrávamos as coisas da escola e xingavamos todo mundo, com doze anos... Doze.
Agora imagine um fedelho inútil, irritante, egoísta, com dentes amarelos e meleca presa no nariz te olhando feio. Eu era exatamente esse tipo de moleque, capaz de destruir seu dia, sua paz, seu silencio, distorcer sua doce visão de garotinhos de doze anos e fazer você não querer mais ter filhos. E o pior era que eu me achava o máximo.
Todas as meninas da minha sala gostavam de mim. Pobres garotas que beijei naquela época, ou as que corrompi alguns anos depois.
Eu disse que foi nesse dia que eu descobri meu dom certo?
Tinha um garoto dois anos mais novo que eu, cujo nome eu não me lembro mais. Tinhamos um trato que era o seguinte: ele podia andar comigo e meus amigos se trouxesse dinheiro pra... você sabe, o lanche.
O problema é que naquele dia ele não trouxe, era o meu aniversario, e eu não tinha dinheiro. Eu fiquei puto da vida naquele dia, pode apostar, e sabe como é um pirralho puto da vida? Não? Era tipo assim:
_Seu burro, nerd feio! Não quero mais falar com você, não fala mais comigo! Não olha pra mim!_ este era eu... puto.
E sim, na minha época ser chamado de nerd era uma coisa horrível. Um dos piores insultos que alguém poderia levar.
Meus ‘amigos’ bateram nele por um tempo enquanto eu assistia, mas você sabe, brigas escolares não duram muito, só até a diretora ou o supervisor vir separar, principalmente quando eram no meio do corredor da escola, mas durante aqueles cinco ou seis minutos enquanto eu encarava o garoto caído, gritando, me encarando, eu senti uma dor de cabeça muito forte, e parecia que quanto mais tempo eu olhava para os olhos dele, pior era a dor mesmo assim eu continuei encarando ele e eu ouvia gritos na minha cabeça, os gritos dele o que era estranho já que ele não abria a boca.
_VocÊs estão ouvindo isso?_ perguntei a multidão que se juntava pra ver o pobre garoto apanhar.
_Ouvindo o que?_ perguntaram_ O menino nem gritando esta, ele está aguentando bem!_ diziam surpresos
Não era o que eu escutava.
PAREM! PAREM POR FAVOR! Parem! Parem...
Era o que eu ouvia...
Eu estava ficando assustado, chegava mais perto do garoto e a cada passo até ele eu ouvia algo diferente.
Eu odeio ser o aluno novo mãe, e se eles não gostarem de mim?
Este era ele.
Não se preocupe querido, se alguma coisa ruim acontecer você pode me dizer. Mas você vai arranjar amigos mais rápido do que você pensa, tenho certeza disso.
Esta só podia ser a mãe dele.
Olha você pode ficar com a gente durante os recreios.
E essa voz, era minha.
Foi aí que tudo ficou claro, eu estava lendo a mente dele, com certeza. E então, finalmente, o supervisor chegou pra separar a briga e quando passou na minha frente, rompeu o contato visual que eu tinha com o garoto, com isso a dor de cabeça parou, mas em consequência eu senti uma pontada final na cabeça tão grande que cai no chão no mesmo instante, como se aguente tivesse me nocauteado, e o moleque irritante que era eu havia desmaiado numa briga que nem participou, patético pra todo mundo, menos pra mim que estava apavorado comigo mesmo.
Eu acordei na enfermaria, se me lembro bem já era hora de ir pra casa, não tinha mais ninguém na escola a não ser os zeladores e a diretora que estava lá, do meu lado. Eu me sentei na cama e tentei evitar olhar nos olhos dela, não por medo de ler a mente dela, mas por que sabia o que ela ia dizer.
_Por que, William?_ ela perguntou
_Por que o que?
_Não se finja de bobo William, você sabe do que eu estou falando. Por que você é assim?
_Assim como?_ eu insistia em evitar olhar para ela
Ela suspirou, pegou uma cadeira e sentou bem na minha frente, e me fez olhar para ela colocando sua mão em meu queixo.
_Eu não entendo... O que aquele garotinho fez pra você?
_Ele não cumpriu a promessa!
_Que promessa?
Não respondi, tirei a mão dela do meu queixo e inclinei a cabeça.
_Will...
_Não me chama assim! Só meu pai me chamava assim.
Meu pai morreu quando eu tinha sete anos em um incêndio no local de trabalho, nunca soube como tudo começou e nem porque ele ainda estava lá sendo que seu horário havia acabado. É claro que eu não me conformei com isso, parte de mim achava que ele era um superespião secreto do FBI ou algo assim.
_Tudo bem... Me desculpe_ ela afastou a cadeira e se ajoelhou afim de ver meu rosto _ Por que aqueles garotos bateram nele? Você que mandou?
_Sim...
_Por que eles fariam uma coisa dessas se você é que estava zangado com o menino?
_Por que são meus amigos e-
_Não William, eles não são seus amigos. Amigos não fazem coisas ruins uns pelos outros, eles incentivam a fazer o bem, eles não são seus amigos!
Não respondi nada, só levantei a cabeça e fiquei encarando o teto enquanto ela me repreendia.
_ Eu estou preocupada com você, isso não é coisa que uma criança deveria fazer.
_Eu sou um adolescente, não uma criança!_ e isso é o que uma criança diria.
_ Eu poderia te suspender William, mas em vez disso eu vou separa-lo de seus amigos, se é que são amigos mesmo, não vai mais poder influencia-los a bater em ninguém e vai ficar sozinho._ ela disse, e eu nem me importei muito, acho que é porque eles não eram amigos o bastante pra que eu sentisse falta deles._ Olha, já está tarde, sua mãe está lá fora esperando por você.
Sai da cama e fui até a saída na enfermaria, mas antes a diretora me puxou pelo braço e disse:
_Eu só quero o melhor para você, certo?
Eu sorri e acenei com a cabeça. E por alguns segundos eu olhei nos olhos dela, eu não estava querendo ler a mente dela, e não parecia haver nada que escondesse em sua mente. Me virei e continuei a caminhar e lentamente sua mão se afastava do meu braço, mas enquanto ainda estávamos em contato eu ouvi.
Garoto imbecil, me fez perder meu te-
Parei de escutar quando já não sentia sua mão em meu braço. Quer o meu melhor é? Duvido.
E aquela foi minha primeira experiência com falsidade, foi quando aprendi que nem sempre as pessoas que dizem se importar com você, se importam.
Sai da escola e entrei no carro onde minha mãe me esperava, ela não falou comigo nem olhou pra mim, mas pode perceber o quanto estava decepcionada comigo, mas naquela época eu realmente não me importava com o que minha mãe pensava de mim, ao contrario de muitas crianças.
Ao chegar em casa, eu corri pro meu quarto tranquei a porta tirei minhas roupas e não, não fiz aquilo. Eu fui tomar banho. Eu era uma criança estupida, mas nunca maliciosa, safada ou coisa assim.
Eu me lembro daquele dia, mas não tanto quanto eu gostaria. Eu sei que no que restava dele eu e minha mãe não trocamos nem palavras, nem olhares.
E o que aconteceu depois? Acho que nos dois simplesmente fingimos que nada daquilo aconteceu e ficou tudo bem, nem se todos os problemas fossem resolvidos assim.
Mas uma coisa daquele dia não podia ser esquecida, eu li os pensamentos de duas pessoas, e eu sabia que aquilo havia acontecido através do olhar e do toque. Com o tempo eu parei de me assustar com aquilo e comecei a gostar.
Notas finais
;-;
Avisem, se for o caso.
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