Contaminados-o início. Rece of Survivors
2 Um susto no bosque
Notas iniciais
Finalmente chegou sexta, já posso sair para caçar. O dia não está muito ensolarado, algumas nuvens cinza cobrem uma parte do sol. Depois de sair do banheiro, coloco em minha bolsa de caça minhas facas, que eu uso para atirar, e também minha aljava de flechas. Faz em média um ano que pessoas relatam ter avistado contaminados perambulando pela mata onde eu caço. Por isso, pego também a arma que era do meu pai.
Encosto meu ouvido esquerdo na porta velha de madeira e ouço um som de respiração pesada, indicando que minha mãe e Zia estão dormindo, então, deixo um bilhete sobre a mesa de madeira da cozinha, percebo que ao lado está o pote onde ela guarda alguns biscoitos velhos, pego um dos biscoitos e saio andando da casa.
Conforme ando pela rua cinzenta, vejo indícios do mundo acordando. O homem que passa com seu carrinho de mão cheio das frutas que ele levará para vender, a senhora que vende café também já está montando suas coisas na calçada, um pássaro cinza que passa voando por mim e pousa sobre a ponta de um poste, enquanto ando, eu olho para aquele cilindro de concreto, um dos poucos que restaram, em seu entorno, algumas folhas e cartazes tremem com o vento, cartazes de papel já amarelado pelo tempo, ostentam a imagem não tão nítida da presidenta, quem não a conhece observa e se depara com a figura, logo percebe a generosa, humana e benevolente presidenta, mas não imagina o que ela realmente é.
paro de andar e viro para a direita, a fim de chegar ao limite da vila, onde não há mais casas, pelo menos desse lado, a primeira vez que cheguei aqui com meu pai, pensei que tínhamos atravessado toda a vila, pois eu não saia muito de casa sem ser para ir para a escola, logo encontro a árvore caída em que guardo meu arco, me lembro da última vez que vim aqui, da lágrima que escorria lentamente na superfície de minha bochecha, e descansava sobre minha bota naquele dia, até escorrer e se dissolver sobre a neve. A lembrança de meu irmão ainda machucava. Antes de Xander ficar contaminado, eu sempre o levava para o bosque para me ajudar a caçar coelhos, ele que escolheu o lugar para guardar o arco. Eu não iria mais chorar por conta disso.
Balanço a cabeça para os lados para apagar a memória e caminho em direção ao bosque. Desde que as pessoas começaram com os boatos de que havia contaminados, o bosque ficou totalmente desabitado, até chegaram a construir uma cerca com arame farpado e madeira, ninguém chega nem perto do lugar. Exceto eu, não tenho tanto medo de encontrar contaminados, afinal, faz muito tempo que não vejo um.
Depois de uma longa caminhada, consigo acertar um esquilo com uma faca e dois pássaros coloridos com minhas flechas, já é o bastante por hoje, pois vou voltar á noite, mesmo sendo bem perigosa, minha família precisa de comida e do dinheiro que eu conseguir vendendo um pouco da caça.
Paro para descansar sobre uma pedra, pois faz umas duas horas que estou caminhando, hoje não é um bom dia para procurar nada, aproveito e observo as penas dos pássaros, ótimas para vender na manhã seguinte.
Eu guardei tudo nas sacolas que guardo em meu sinto, amarrei todas, e contemplei o céu cinzento sobre as copas das árvores sabendo que não estava sozinha. Alguém estava atrás de mim, escondido sobre as sombras.
Minha respiração acelerou. Finalmente o invasor falou com uma voz neutra.
— O que você está fazendo aqui?
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