Notas iniciais
Boa leitura, espero que gostem

Quando minha mãe morreu, meu pai me dizia: Olhe para o céu, querida. Sua mãe está bem ali, olhando para você. Então, toda noite eu e ele olhávamos para o céu, e eu mandava beijinhos para minha mãe. Dois anos depois, meu pai resolveu que estava na hora de recomeçar. Ele se casou com Miranda Clark, e eles tiveram um filho.

Depois que isso aconteceu, meu pai parou de olhar para o céu comigo. Ele só tinha olhos para Miranda e Daniel. Uma noite, quando eu estava saindo para fazer o mesmo que fazia todas as noites, ele me puxou. Disse que tudo era uma bobagem. Que minha mãe estava morta. Que ela nunca mais ia me ver mandando beijinhos para ela. Chorei. Chorei uma noite inteira. Isso foi o bastante para meu pai se arrepender de suas palavras.

Uma semana depois, meu coração ainda doía. Eu tenho 17 anos mas eu não conseguia me desgrudar da lembrança dela, não era fácil para mim aguentar tudo aquilo. Nessa mesma semana, minha tia Amber, irmã de meu pai veio nos visitar. Ela ainda não conhecia Daniel. Depois que ela viu o bebê, meu pai a chamou na sala de jantar e começou a sussurrar com ela. Logo depois, ela se levantou, caminhou até mim e mandou eu fazer as malas.

E, agora eu estou aqui. Olhando de dentro do ônibus, para o céu estrelado. Me lembrei de todas as noites que olhava para aquele mesmo céu, e conversava com minha mãe. Meu momento com ela. Minha tia estava ao meu lado, lendo um livro sobre cowboys.

- Por que chora, querida? Sente falta de seu pai?- Ela me perguntou, me fazendo com o que eu percebesse que chorava.

Tia Amber estendeu um lenço para mim, que eu peguei rapidamente.

- Não sinto falta de papai. Sinto falta de minha mãe. Ela era a única que se importava comigo.- Eu respondi, tristemente.

Ela acariciou meu rosto, e eu pude sentir um carinho que nunca mais havia sentido.

- Sim, ela se importava com você. Ela te amava. Eu me importo com você, seu pai se importa com você.

Eu neguei com a cabeça.

- Meu pai não se importa, tia. Ele só importa com Miranda e com Daniel.

Ela me olhou com pesar. Minha tia não falou mais nada. Ela sabia que era verdade. Meu pai só se importava com sua nova família. Tia Amber, de repente, estendeu seu livro para mim. Franzi o cenho. Ela riu.

- É para você ler. Pode parecer desinteressante, mas vai te distrair. Você não pensará em seus pais ou em outras coisas que te entristeçam.

Peguei o livro e li seu título. "Os Cowboys e as Rosas". Olhei o verso do livro e vi que era a história de amor entre uma patricinha mimada e um cowboy. Olhei para minha tia de lado.

- Clichê.- Afirmei, dando de ombros.

- Clichê.- Ela concordou.

Comecei a ler, e tia Amber tinha razão. Apesar de ser clichê, aquele livro me distraiu. Esqueci de todas as minhas tristezas por um tempo .

[...]

Olhei para o relógio. Eram 5:30 da manhã. Tia Amber dormia e roncava ao meu lado. Pelo que lembro, nossa chegada estava prevista para 5:40 da manhã! Estávamos perto da casa de Tia Amber! Comecei a me preparar para chegar no destino. Mudar de cidade não era fácil, principalmente para A Cidade Grande. Era tudo novo, casa nova, amigos novos (Ps: Não tenho amigos). Peguei o livro de minha tia, coloquei na mochila. O ônibus finalmente estava parando. Cutuquei tia Amber para ela acordar.

- Tia, chegamos!

-Hum?-Ela estava grogue de sono.

Quando ela sentiu que o ônibus parou, ela arregalou os olhos.

- Oh, chegamos! Venha querida! Vamos para casa!

Ela saltou de seu assento, puxando o meu braço. As pessoas nos olhávamos como se fôssemos loucas. Eu acho que eu deveria concordar.

Assim que descemos, sinto o chão asfaltado. Se fosse na minha cidade anterior, assim que eu descesse eu pisaria na lama. Até chegar em casa, sua roupa estaria um desastre total. Aqui não. Aqui é tudo limpinho, arrumadinho e bonito.

- Uau!- Eu disse, encantada.

Minha tia riu ao meu lado, e acenou com a cabeça para um táxi.

- Vem, vamos pegar um táxi e vamos para casa. Você vai amar.

A acompanhei e entramos no táxi. A cidade era incrível. Tinham lojas caras e chiques, e tia Amber falou o caminho todo que viríamos aqui, comprar roupas e sapatos novos. Não sei se mencionei, mas tia Amber era estilista. Ganhava bastante, por isso estava sempre bem vestida.

Assim que chegamos em seu apartamento, eu fui prestando atenção nos detalhes. Muitas pessoas com sacolas, árvores e carros caríssimos. Assim como o apartamento de tia Amber.

- Chegamos!! Fique a vontade, querida. Temos sorvete, batatas para fritar congelada, e muitas outras coisas. É só procurar.- Ela falou, enquanto se jogava no sofá.

Andei pelo apartamento. Era estranho. Uma nova casa. Tia Amber, ainda no sofá, pegou seu celular e se distraiu com ele. Fui até o corredor, e vi uma porta com o meu nome na frente. Ri balançando a cabeça e entrei no lugar.

Tinha tanto rosa, que chega doía os olhos. Fiquei tonta ali. Coloquei a mala no canto, junto com minha mochila. Olhei para a cama e vi uma caixinha em cima dela. Minha tia havia comprado um IPhone para mim! Sério? O telefone já tinha duas mensagens. As duas de meu pai.

“Chegou bem?”

“Querida?”

Visualizei as duas, mas não respondi. Ele quis se livrar de mim, me mandando para cá. Agora EU quero me livrar dele.

Tomei um banho e coloquei um pijama de coelhinho. Peguei o IPhone e procurei coisas aleatórias na internet. Acabei indo parar no YouTube, assistindo um vídeo de como fazer Bolo de Morango. E isso me deu fome. Muita fome.

Fui para cozinha e revirei a geladeira de tia Amber. Tinha um bolo confeitado (Provavelmente feito por Clara, a cozinheira de tia Amber), e sorvete no congelador. Não pensei duas vezes. Cortei um pedaço do bolo, e coloquei uma bola de sorvete do lado. Saí comendo.

Fui para a sala, ver o que tia Amber fazia. Ela ainda estava no sofá, com o celular no peito, dormindo. Me aproximei dela, e puxei o celular do seu peito. Coloquei o celular na mesinha de centro. Voltei para o meu quarto.

Enquanto comia, percebi que tinha mais uma mensagem de meu pai.

“Me responda, Layla”

Comecei a digitar furiosamente.

“Estou muito bem, obrigada. Finalmente deixei de ser um fardo para você e Miranda"

Enviei a mensagem, larguei o celular e comecei a comer. Meu quarto tinha uma TV de sei lá quantas polegadas, um notebook e uma mini estante com alguns livros. Liguei a Tv, e fiquei assistindo um tempão.

De repente, o vento abriu minha janela. Bufei e levantei para fechá-la. O lugar que minha tia morava, era muito tranquilo. Apesar de terem vários badboys e patricinhas. A minha janela ficava de frente para uma casa, grande e imponente. Arrisquei um olhar para lá, e vi um garoto parado. Ele olhava para o nada. Ele parecia ser alto e musculoso. Tinha jeito de atleta. Eu fiquei o encarando por um tempo. Não sei se ele sentiu que eu o observava, porque ele se virou para mim. E sorriu. Assustada, fechei a janela e corri para minha cama.

Notas finais
Até sexta.