Conspiracy
2 Chapter 2 - Attack
Jonathan os guiou até o último andar. Quando ficaram de frente para uma porta de ferro, ele passou um cartão no leitor. Uma luz acendeu, ficando verde. Colocou a digital, a segunda luz fez o mesmo. Disse seu nome e a terceira luz acendeu. Aproximou o olho de um pequeno leitor e a quarta luz acendeu. Então digitou a senha no painel que acabara de sair da parede. A quinta luz acendeu e a porta abriu sem fazer nenhum barulho.
–Segurança nunca é demais. — disse, sorrindo para os dois, que olhavam surpresos para a cena.
Entraram. A sala era enorme, na verdade, era uma série de pequenas áreas de trabalho com dois laboratórios ao fim. Parecia ser maior do que realmente era. Internamente, tinha uma escada levando até um grupo de laboratórios no nível superior. Jonathan os guiou até o segundo nível.
–O que é isso? — perguntou Samuel, um pouco confuso. Harvey não conseguia falar.
–Essa é a alma da minha empresa. Laboratórios.
–Laboratórios? De?
–Ah sim! Químicos.
–Químicos?
–Químicos e tecnologia. O vírus do pendrive foi criado aqui. Você reconheceu a assinatura?
–Sim, por isso vim entregar. O que é HWE?
–Não posso falar sobre isso com você agora.
–Por favor. Me arrisquei pra te entregar isso. Meu amigo arriscou a vida dele para avisar que estavam atrás do pendrive. Eu mereço uma explicação.
–Não é hora.
–Agora, Jonathan. Você se esquiva de respostas concretas toda vez que falo contigo.
–Não, Samuel!
–Sam, deixa.
–Não, Harv. Ele tem que me explicar
***
O homem entrou na recepção com seu sobretudo preto e um chapéu na mesma cor.
–Quero falar com Jonathan Hartley. — disse para a secretária.
–Ele saiu, senhor.
–Eu sei que ele está aí. Ele tem algo que é meu.
–Senhor, pode vir conosco? — falou um segurança se aproximando dele. Outro chegou pelo outro lado. Ele deu um sorriso cínico pelo canto da boca e seus olhos brilharam.
–Claro, como quiserem. — e os acompanhou até uma pequena sala.
–Qual seu nome? — perguntou um deles.
–Meu nome? Por que? Estou sendo acusado de algo? — ele ajeitou as luvas que usava.
–Ainda não. Apenas diga seu nome. Nos mostre uma identificação e deixe-nos fazer uma revista em você. Ou pode tentar fugir e ser baleado.
–Matthew Hunter. — e agarrou um deles pelo pescoço e girou para o lado, com um estalo. O outro instintivamente levou a mão até a arma e sacou, mas foi atingido por um golpe certeiro na garganta e caiu, sufocando. O assassino saiu tranquilamente e voltou para a recepção.
–Ele não está, senhor. Saiu um pouco antes de o senhor chegar. Acompanhado de dois jovens.
–Samuel Faulkner e Harvey Mcknight?
–Sim. Como sabe? — retrucou a secretária, confusa.
–Onde eles estão? — disse rispidamente.
–Não posso dar essa informação.
–A senhorita não está entendendo. — ele abaixou a voz para um sussurro — Você e o seu noivo estão correndo risco. Não me atrapalhe.
–Como sabe que eu tenho um noivo.
–Eu vi a aliança. Onde está o Jonathan Hartley.
–Eu não sei, ele não disse.
–Ligue e descubra.
–Eu não posso.
–Por que?
–Ele pediu que não fosse atrapalhado.
–Faça algo. Encontre ele. — e deu um tapa leve na mesa.
–Não posso.
–Não? — e puxou uma parte do sobretudo para trás, mostrando uma arma.
–Você não pode usar isso aqui dentro. — ela sussurrou – Se fizer, vai gastar sua munição e os seguranças vão matar você, ou te prender. Não pode matar todos.
–Certo. — ele sorriu pelo canto da boca. Seus olhos cinzentos brilharam maliciosamente. Ele se virou e entrou no elevador. Tirou uma pequena esfera de um dos bolsos e jogou dentro da sala. A sincronia foi perfeita: quando a porta fechou, a esfera estourou liberando um gás incolor. Em pouco tempo, as pessoas na sala começavam a ficar tontas e desmaiar.
***
Luther encerrou a reunião e esperou todos saírem. O último a sair foi impedido por ele. Era um homem de olhos verdes e cabelo castanho curto, grosso, um rosto anguloso e olhos estreitos, um nariz pequeno e uma covinha no queixo. Usava um amuleto de marfim por debaixo do terno.
–Espere, Howell. — Frederick Howell era o CKO* da empresa.
–Sim, senhor Stokes.
–Você poderia me responder uma coisa? Desculpe se minha pergunta for suspeita, mas…
–Estou aqui para isso.
–Acha que o Harmond pode estar envolvido? Com o roubo.
–Eu não posso acusar, senhor.
–Não é uma conversa formal. Eu só quero sua opinião.
–Por que?
–Por que você é um dos que eu mais confio dentro dessa empresa. Eu odeio admitir, mas estou em dúvida, meu amigo. Eu não sei se agi certo.
–Ele conspirou contra você, ele é ambicioso, por isso você está certo. Mas se ele realmente tem relação com o roubo, alguém teria que ter habilidades para desenvolver a droga na rua.
–Verdade. Ele não poderia fazer sozinho. Talvez alguém da empresa esteja ajudando ele.
–Eu tenho uma ideia. Eu, antes de chegar aqui, trabalhei com negócios… Não oficiais, se é que me entende. Eu conheci dois homens com habilidade para fazer isso.
–Quem? Onde posso encontrá-los?
–Não, eles são perigosos. Eu vou, eles me conhecem.
–Então vou com você, Howell.
–Mikal Harper e Radd Griffin.
–Ele se chama Radd?
–Não sei se são os verdadeiros nomes, mas é como os conhecem. Como eu os conheço.
–Onde posso encontrar eles?
–Você não pode, senhor Stokes.
–Onde você pode encontrar?
–Eu te aviso quando conseguir entrar em contato com eles.
–Por que não pode me falar?
–Você vai procurar eles sem mim.
–Não vou. Você acha que eu me arriscaria?
–Pra provar que está certo? Claro que sim. Nesse ponto, você e o Harmond são parecidos. Vocês morrem pra poderem provar que estão certos.
–Não me compare com ele.
–Mas são, senhor.
–Certo. Se você acha isso, está tudo bem. Mas não somos parecidos. Eu tenho princípios.
–Talvez ele também tenha.
–Tem? Não tenho certeza.
–Talvez possamos descobrir no futuro. Teremos chances.
–O que quer dizer com isso?
–Não sei. Intuição?
–Pode ser. — Luther acenou com a cabeça e deu um leve sorriso – Pode ser.
***
–Então, vai explicar ou não, Jonathan?
–Sam, esquece. — retrucou Jonathan. Um som de estouro ecoou pelo prédio – Temos que sair. Ele veio atrás de você, Harvey.
–Você escapou dessa vez, Jonathan. Mas quando tivermos chance, você vai me explicar.
–Certo, mas tenho que estar vivo para isso. Eu tenho que fazer outra coisa. Quero que peguem a Elizabeth e a levem pra minha casa. Estarão seguros. Encontro vocês lá o mais rápido possível e prometo que explico tudo. — disse enquanto corriam para o estacionamento.
–Rapazes. — ouviram quando chegaram lá.
–Matthew? — disparou Jonathan, incrédulo.
–Eu mesmo. — e sacou a arma – O pendrive, por favor.
–Não. Samuel e Harvey, saiam daqui, não é com vocês.
–Não, não. Do contrário. É com vocês. Vocês trouxeram o pendrive.
–Peguem a moto e saiam. — Jonathan sussurrou – Rápido!
Samuel e Harvey correram na direção da moto sob os disparos de Matthew. Jonathan aproveitou a deixa e correu na direção dele para desarmá-lo. Deu um único golpe e a arma foi lançada para o lado. O assassino deu um salto para trás, desviando de um soco, e acertou o oponente com um soco no estômago. Jonathan se dobrou de dor e outro soco o acertou, dessa vez no rosto. Ele fraquejou, a visão embaçada e tonto pelo golpe. Ele tropeçou para trás, tentando se manter de pé. Outro golpe, dessa vez no peito. Ele entreabriu a boca, soltando um gemido sem som e caiu de joelhos. Levou a mão direita direto ao coração e caiu deitado no chão.
–Commotio Cordis. — e pegou a arma do chão. Olhou na direção da saída do estacionamento mas eles já haviam escapado. Ele suspirou e se virou para sair.
***
–Harvey! O Jonathan, temos que voltar pra ajudar ele.
–Ele pediu para que levássemos a Elizabeth para a casa dele. Droga, polícia. — um cerco policial estava alguns metros a frente.
–Fale para eles que aquele homem está lá. Ele pode ter machucado o Jonathan.
–Certo. — o policial os parou e seguiu o procedimento padrão. Documentos, verificou.
–Podem passar.
–Policial, por favor, temos um problema. O nosso amigo foi atacado lá atrás.
–Qual o nome dele? Vamos verificar.
–Jonathan Hartley. — gaguejou Harvey.
–São eles. — e fez um aceno com a cabeça. Os outros policiais se aproximaram.
–Não, não! — Samuel gritou quando um deles tentou se aproximar demais – Vai, Harv!
Harvey acelerou com a moto e os policiais dispararam.
–Nos pneus! — gritou o primeiro.
O garoto acelerou mais. Um dos tiros passou muito perto, então uma viatura se aproximou, vindo de frente. Em uma manobra impulsiva, ele virou a moto de lado, em direção ao cerco. Quando se viu encurralado, acelerou na direção do carro que aparecera recentemente. Um dos disparos atingiu o pneu traseiro, que soltou um estouro alto. Ele tentou manter o controle, mas a moto girou na pista. Tentou parar, mas não conseguiu. Acelerou, tentando escapar. O aro traseiro arrebentou a proteção de borracha e passou pela pista soltando faíscas. Bateram de frente com a viatura. Harvey foi jogado para a frente e Samuel para um dos lados. Sam ainda tentou se levantar para correr, mas uma dor intensa na perna o parou, fazendo ele cair, com um urro de dor. Ele olhou para baixo e viu o sangue escorrer. Foi atingido. Harv atingiu o para-brisa da viatura, mas saiu apenas com os cortes superficiais do vidro. Ele deslizou para o lado do carro, mas um homem saiu de dentro e o segurou. Ele se debateu, xingando e chutando. Viu a visão ficar turva e escurecer após um golpe forte na cabeça.
***
Luther e Frederick saíram da empresa com uma desculpa qualquer. Agora, seguiam de carro para o prédio onde encontrariam Mikal e Radd.
–Você realmente pode fazer o que quiser aqui, senhor Stokes.
–Não, Howell. Como eu disse na reunião, até eu devo obedecer as regras. Eu tenho que dar o exemplo. Concorda?
–Claro, claro. Mas mesmo assim, mentiu para onde vamos.
–Não menti. Disse que precisava resolver um assunto importante. Eu vou resolver um assunto importante. Só omiti o detalhe de que vou encontrar com um… Traficante. — sua voz estava carregada de nojo e arrogância.
–Assim como você, ele tem um negócio.
–Ele tem. Tenho certeza que ele tem. Mas eu não mato pessoas com overdoses.
–O que as suas pesquisas fazem além de genética? Você não os torna imortais. Isso, é aqui. — ele indicou um pequeno prédio de três andares. Desceram e seguiram para o último. Frederick bateu à porta e um homem abriu. Ele era um jovem, de dezesseis anos, seus olhos estavam vermelhos, mas parecia ser de chorar. O cabelo negro estava bagunçado e vestia um suéter marrom.
–Quem são? — perguntou o garoto.
–Viemos falar com Mikal Harper. — retrucou Frederick.
–Tio Fred? — o garoto reconheceu a voz e pulou no pescoço dele, abraçando-o com força.
–Josh! — ele respondeu, abraçando de volta – O que houve com você?
–Meu pai. Ele… Ele me machucou. — disse, com os olhos levemente úmidos, ignorando Luther.
–Machucou? Como? — o jovem virou o rosto e tinha uma enorme marca vermelha de um tapa.
–Deus… Josh, o que houve?
–Meu pai e o Radd brigaram. Ele descontou em mim. Pelo menos não tentou fazer o que faz com o Radd. Ele não faria, não comigo vivo.
–O que? Ah! Certo, entendi. Bom, posso ver o que posso fazer por você. Seu pai está aí?
–Não. Ele foi atrás do Radd. O que houve?
–Posso entrar e esperar por ele?
–Claro. E... — ele olhou e viu Luther – Quem é você?
–Luther Stokes.
–Esse nome é familiar. O perfume caro, um Avant Garde. Vestindo um Desmond Merrion legítimo. Tenho certeza que é rico, influente, inteligente e audacioso. Gosto do seu jeito.
–Como você sabe tanto? — perguntou Luther, curioso.
–Tenho um pai traficante, isso melhora seu olfato. E cresci entre falsificadores. Sei que estilo é tudo para se enganar alguém. Entrem. Esperem meu pai.
***
Peter abriu a porta de casa, entrou e a trancou. Pegou uma roupa confortável no armário e se trocou. Abriu um pequeno compartimento escondido debaixo da cama. Dentro havia uma maleta marrom escura. Ele a tirou e a colocou sobre a mesa. Quando a abriu, algumas seringas, com um líquido branco perolado dentro, descansavam no acolchoado interno. Ele pegou uma e guardou a maleta. Sentou-se na poltrona da sala.
–Eu precisava disso.
Ele esticou o braço esquerdo e a agulha penetrou a pele. Quando a sentiu na veia, começou a pressionar o embolo o mais lento possível, fazendo o líquido fluir. Em poucos segundos, antes de chegar na metade do líquido, um arrepio frio passou pela sua coluna e ele suspirou. A substância circulava pela corrente sanguínea e quando chegou no cérebro, ele tremeu levemente. Seu corpo teve um pequeno espasmo. Ele tentou manter o ritmo da respiração, mas ofegava. A sensação era tão prazerosa que ele diria que era vinte vezes melhor que qualquer coisa que sentiu. Ele tremeu novamente e mordeu os lábios, quase gemendo. Quando a seringa ficou vazia, ele a tirou e colocou sobre uma mesinha ao seu lado. Jogou a cabeça para trás e deu um leve gemido, respirando fundo. Ficou recostado, ofegando, e com os lábios entreabertos.
Seus olhos soltaram uma faísca dourada e ele adormeceu.
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