Conspiracy
3 Chapter 3 - Mikal
Luther, Frederick e Josh estavam sentados no sofá, em silêncio. A porta abriu e um homem entrou. O cabelo dele tinha um corte militar, a barba estava mal feita. Os olhos brilhavam. Um era verde e o outro era castanho. Quando os viu ali, puxou uma arma de dentro da calça e apontou para os dois, com um olhar curioso e maníaco.
–Quem são vocês? Frederick?
–Eu, Mikal. — o homem guardou a arma novamente. Eles deram um aperto de mão e se cumprimentaram com um abraço – Esse é meu amigo.
–Luther Stokes. — interrompeu.
–Como você me conhece?
–Como? Como acha que consegui a Wolf.
–Wolf? — perguntou o empresário, curioso.
–É como conhecem sua droga nas ruas. Myrkur é como vocês, ricos, conhecem. Nas ruas ela é chamada de Wolf. Ela está em fase de testes, mas…
–O que houve com seu olho?
–A sua droga. Ela fez isso.
–Como assim?
–Vocês testaram isso?
–Bom, ahn… Não. Roubaram ela antes! — ele disse, com uma ponta de sarcasmo.
–Seus funcionários não são confiáveis. — e deu de ombros – Deveria tomar mais cuidado, aumentar a segurança. Ter controle de entrada e saída, o material que levam para dentro e para fora da sua empresa. Limites de acesso entre eles, entre seus cientistas. Quem poderia manipular e utilizar ela em cobaia. Até nas suas mascotes deveria ter um controle. Ela é incrível. Vocês precisam ver cada detalhe da transformação que ela causa.
–Transformação? Você quer dizer como cuidar da minha empresa?
–Adoraria. Se ganhasse seu salário. Luther, estou ganhando muito com ela. Eu pedi para o Josh procurar uma nova casa para sairmos dessa. — e olhou em volta – Ou disso, como preferir. Imagina o que faríamos juntos, eu e você. Dominaríamos o mundo.
–Está tentando me convencer de uma parceria?
–Considere isso. Pense na minha proposta. O seu dinheiro, a sua inteligência, meu conhecimento e minhas habilidades. Seríamos os melhores. Os maiores. Poder, meu amigo.
–É provável. Mas não viemos falar sobre isso. — Frederick se manifestou.
–Como? — perguntou Mikal, confuso.
–Ah sim. — apressou Luther ao perceber o olhar do amigo – Queremos uma informação.
–O que quiser. Por quanto?
–Como é?
–Por quanto quer a informação? Quanto está disposto a pagar?
–Não trouxe dinheiro.
–Pela nossa amizade, Mikal. — pediu Frederick.
–Se eu agisse pela amizade, não teria nada agora.
–Você me deve.
–Você não cansa de esfregar isso na minha cara? Certo, certo. Fala.
–O que sabe sobre Peter Harmond? — Luther achou melhor ser direto.
–Vendi uma das minhas primeiras combinações estáveis de Wolf pra ele.
–O que? Quem te forneceu a droga?
–Não me lembro… Edward Lowell… Algo assim.
–Edward Lowery?
–Isso! — Mikal estalou os dedos.
–Filho da mãe! — rosnou Luther.
***
Samuel abriu os olhos lentamente. A luz forte o cegava. Quando se acostumou, conseguiu ver que Harvey estava amarrado em uma cadeira, de frente para ele. Quando olhou para o lado, quase soltou um grito de raiva. Elizabeth estava amarrada. E inconsciente.
–El! — ele disse, baixo.
–Já tentei isso.
–Harvey, o que houve?
–Não sei, apaguei antes de você. E sua perna?
–O que tem ela? — Samuel olhou para baixo e viu uma atadura manchada de sangue – Oh, o que houve? Ah sim, o tiro. Nossa, estou confuso.
–Com o que?
–A situação. Deveríamos… O pendrive. — ele puxou o braço para a frente e ele pouco se moveu.
Então percebeu que estava amarrado. Por um momento entrou em desespero, então respirou fundo e começou a pensar no que fazer. Olhou em volta e viu que logo atrás havia uma coluna de ferro com um parafuso pendurado. Ele torceu para que ele ainda estivesse afiado. Começou a roçar a corda e lentamente ela passou a ceder. Quando percebeu que estava frouxa, ele puxou e ela se desfez. Ele suspirou. Levou a mão até a perna da calça, perto do calcanhar, e sentiu algo. Respirou aliviado e puxou para fora. Seu canivete estava lá. Ele cortou as cordas do pé e ajudou Harvey. Quando estava terminando de cortar as cordas que prendiam o braço do amigo, a porta abriu.
–Ora, ora! Alguém tentou fugir. — disse um homem, entrando, seguido de outros três. Ele tinha o cabelo negro liso e os olhos eram da mesma cor, um tom mais claro. O terno estava impecavelmente limpo.
–Quem é você?
–Vamos dispensar as formalidades aqui, Gregory Daniels. Esses são Ryan Sykes, Riley Hoffman e Evan Saunders. Aproveitando, você foi trazido aqui por um homem chamado Edward Carver. Não quero esconder nomes, sem jogos entre nós.
–Edward Carver? O vice-presidente?
–Quem mais? Levem ele.
–Não vou. Não até soltar eles.
–Não? — Gregory andou firmemente na direção dele, que mantinha o canivete erguido da forma mais firme possível -Você quer negociar?
–Solte eles. Ou mato você.
–Segurem ele! — ambos os seguraram e o terceiro o desarmou.
–Me solte!
–Olhe o que faço com sua namorada. — ele se aproximou de Elizabeth e deu um tapa forte no rosto dela. Ela acordou, um pouco tonta.
–Sam? Harv? O que?
–Ela acordou, que linda. Você é muito bonita, garota. — Gregory disse. Então passou a mão próximo ao pescoço dela e enrolou o cabelo da garota na mão, forçando para a frente. Ela apenas soltou um grito de dor quando a corda a pressionou para trás.
–Solta ela! — ele se debateu, tentando escapar.
–Pensando bem, reaja mais um pouco. Quero me divertir com ela.
–Você não toque nela! — ele berrou. Se debateu mais, mas os dois o seguraram com força. Harvey conseguiu se soltar e aproveitou a chance para pegar o canivete no chão. Quando o outro homem percebeu o que ele faria, correu. Os dois que seguravam Samuel se surpreenderam e ele aproveitou para escapar.
–Harvey! — Elizabeth gritou ao ver que o amigo era atacado. A lâmina do canivete atingiu o terceiro homem na barriga. Gregory se virou, curioso.
–Evan? — perguntou o homem, soltando o cabelo de Elizabeth. Harvey recuou um passo, com a lâmina ainda em punho. Ele desviou de um dos homens e jogou o canivete para Samuel, que tentou pegar, mas a arma caiu no chão. Enquanto tentava pegar, Ryan o puxou para trás e ele se desequilibrou. Eles entraram em uma luta corporal.
–Você fica aqui. Depois que eu cuidar do seu namorado, cuido de você. — Gregory correu e pulou sobre os dois, que brigavam no chão, e pegou o canivete, se aproximou de Harvey, que agora enfrentava Riley, e agarrou ele pelo cabelo, afastando-o de seu capanga e colocando o canivete no pescoço dele – Pare, Samuel. Ou rasgo a garganta dele.
–Certo… — disse, tentando pensar em como escapar e ajudar o amigo e a namorada – O que o Carver quer de mim? Vocês já tem o pendrive.
–Não sei, ele não disse. Mas tenho uma vaga ideia do que seja.
–O que acha que é?
–Você é bom com códigos e criptografia?
***
–O que houve? — perguntou Frederick.
–Mikal, você vem com a gente. Temos que falar com seu fornecedor. — disse Luther, agitado.
–Mikal! — disse um homem entrando. Ele tinha os olhos castanhos e o cabelo espetado na mesma cor. Estava levemente constrangido – Desculpe, não sabia que você estava com… “Visitas”.
–Radd? Não, não é isso.
–Eu sou idiota, Mick? Você acabou de sair da minha casa e…
–Depois vocês discutem. Mikal, preciso de você na minha empresa. Agora!
–Por que? — retrucou ele.
–Porque seu fornecedor pode estar fazendo algo muito, muito ruim, nesse exato momento.
–Vai com eles, Mick. — sua voz estava carregada de sarcasmo.
–Ray, não fica assim. — ele disse, alisando o cabelo de Radd – Vamos.
–Vamos. Você fica, Josh. A coisa pode ficar feia.
–Certo. O Radd fica?
–Sim. — concordou – Eu fico.
–Frederick, eu e Mikal estaremos nesse endereço. Me liguem se precisarem.
–Me deseje sorte, Radd.
–Sorte, Mick. — e se despediram com um beijo. Luther parou por um minuto, parecendo confuso.
–O que houve, Stokes? — rosnou Mikal – Quer um beijo também? Vamos.
–Certo. — disse o empresário, sacudindo a cabeça – Vamos.
Desceram e entraram no carro. Quando chegaram na empresa, em pouco mais de dez minutos, subiram direto para o segundo andar.
–Lowery, seu desgraçado! — Luther agarrou um dos seus executivos pelo colarinho.
–Luther, que surpresa. O que houve? — seu sotaque era fortemente britânico. O cabelo castanho terminava em um topete pequeno na frente da cabeça. Os olhos eram mel e tinha um olhar diferente.
–Você me roubou. Você me fez confiar em você. Pra minha sala, agora.
Os quatro seguiram para a sala da presidência.
–Você entregou fórmulas e amostras do teste J236-27 para ele?
–Não. — disse Edward, se jogando de qualquer jeito na cadeira.
–Claro que entregou. — grunhiu Mikal.
–Por favor, senhor Harper, espere eu pedir para que fale. Você entregou ou não, Lowery?
–Não. Entreguei. Nada.
–Como ele tem, então?
–Alguém entregou.
–Ele disse seu nome.
–Estão armando para mim.
–Quem?
–Eu não sei, Luther. — e se levantou com um pulo – Como eu vou saber? Descubra!
–Como? Recebeu alguma ameaça?
–Por e-mail. Peça para que aquele seu amiguinho hacker faça a pesquisa pra você.
–Quem?
–Damon Harrison!
–Quem? — Luther repetiu, sem conseguir se lembrar.
–Damon Harrison! — ele gritou – Mande ele descobrir.
–Você o viu, Harper?
–Não, Luther. — respondeu o traficante.
–Então como sabe que era ele?
–Porque ela disse que foi enviada por ele.
–Ela? — questionou Edward.
–Sim, ela. Era uma mulher. Mas eu vi não o rosto. Ela usava uma máscara.
–E você não pensou em desconfiar? — resmungou Frederick
–Queria que eu pedisse a identidade dela? Se você não percebeu, meu trabalho não é exatamente algo legal! Eu não posso pedir para meus fornecedores se identificarem, se não quiserem!
–É, verdade.
–Claro que é verdade, Fred!
–Vocês podem parar de discutir? Vocês não perceberam nada? — disse Luther. Esperou a resposta, mas ela não veio – Por que ele foi ameaçado? Vocês não pensam? Lowery, por que te ameaçaram?
–Eu não sei.
–Eles pegaram um e-mail aleatório dentro da minha empresa pra chantagear um executivo aleatório pra culpar ele por um roubo sem pistas? Só eu que acho que isso não faz sentido? Mikal e Frederick, me esperem lá fora. Quero falar sozinho com ele.
***
Peter ouviu o som de batidas na porta. O efeito da droga estava passando. Mas aquela sensação, como um formigamento agradável no seu corpo, permanecia. Ele olhou e verificou quem era. Abriu a porta ao reconhecer.
–Lydia. — ela entrou. Seu cabelo dourado reluzia com a luz e parecia dançar quando ela andava. Os olhos eram de um tom de verde radiante que deixavam Peter mais tonto do que já estava com a droga. O perfume doce entrava pelas narinas dele e o deixavam anestesiado, ou mais do que já estava. A mistura de sensações era prazerosa para qualquer pessoa, de todas as formas. Fisicamente e emocionalmente. Sensorialmente, também. Ele se sentia desnorteado.
–Peter, tudo bem?
–Sim, Lydia. E você? Tudo bem? Sente-se. — e indicou o sofá. Ela se sentou e ele fez o mesmo, sentando-se ao lado dela.
–Sim. O que me conta?
–Não estamos longe tempo o suficiente para que eu tenha alguma novidade. Só fui demitido.
–Demitido?
–O idiota do Luther. Tanto moralismo. A propaganda de bom moço dele.
–Calma, Peter. — ela segurou as mãos dele quando ele cerrou o punho.
–Lydia, estou com muita raiva. Eu… — ele sentiu a língua enrolar por um momento.
–Você está realmente bem?
–Sim, deve ser efeito do remédio.
–Você está tomando algum remédio? Deixe-me ver.
–Não! — ele rosnou.
–Certo, desculpa, Peter. Por que ele te demitiu?
–Porque eu penso grande. Eu penso além de mim.
–É um ponto de vista. Seja mais específico.
–Ele não aceita que eu pense diferente dele. Ele não aceita que eu tenho mais atitude. Cheguei numa reunião e tentei descobrir se algum deles compartilhava do meu pensamento. Não, eles não compartilhavam. E ele chegou, ouviu e me acusou de traição. Traição! Logo eu!
–Calma, Peter. — ela acariciou os cabelos negros dele – Fica calmo, vai dar tudo certo.
–Obrigado. Mas me responde uma coisa. — e fez uma breve pausa.
–Claro, pode falar.
–Por que veio aqui? Você quase não me visita.
–Cumpri a nossa parte do acordo. E vim te trazer isso. — ela abriu a bolsa e tirou um cartão preto com letras prateadas, entregou para ele.
–O que? Não, você conseguiu?
–Claro! — e sorriu.
–Deus, Lydia! Obrigado.
–E eu não vim aqui só pelo cartão.
–Como? Veio pelo que?
–Por isso. — ela inclinou um pouco a cabeça para o lado e se aproximou dele, beijando-o.
Ele se surpreendeu com aquilo, mas não reagiu. Quando ela se afastou, ele a beijou de volta. Ela sorriu e mordeu os lábios dele suavemente. Ele deu uma leve risada e se levantou. Ela fez o mesmo. Ela o empurrou para o sofá, rindo, e correu para o quarto. Ele deu um sorriso e fez o mesmo, fechando a porta ao entrar. Ela estava sentada na ponta da cama. Ele se aproximou, e ela desviou. Ele caiu em cima da cama e ela o virou de barriga para cima, beijando-o de novo. Ela tirou a camisa dele, ofegando um pouco. Ele fez o mesmo com ela. Lydia se sentou no colo dele e ele a beijou calorosamente, rodando e jogando-a por cima da cama. Peter ficou sobre ela e a beijou outra vez.
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