Conspiracy
1 Chapter 1 - Discovery
Ele deu um passo para a frente. Ele era muito pálido e seu cabelo preto encaracolado fora cortado recentemente. Os olhos castanhos provocavam o amigo, como se o desafiasse. Esse era careca, tinha o olho pequeno e apertado atrás dos óculos. Era muito mais baixo que o outro. Eram separados por uma pequena mesa onde estava um tabuleiro de xadrez. O resto da sala estava na escuridão e uma luminária clareava o jogo.
–Sua vez, Scott. — disse o careca.
–Muito bem, Lucius. — ele levou a mão até o cavalo e o moveu — Xeque Mate.
–Boa, Scott. — Lucius deu um sorriso triunfal e se levantou. Andou um pouco na escuridão e encontrou uma parede, acendendo a lâmpada que iluminaria o cômodo. Era uma sala. Um sofá estava próximo da parede e no outro lado estava uma estante com uma enorme televisão no meio.
–E mais uma vez, Scott Fleming venceu Lucius Wynn.
–Não cante vitória tão cedo, rapaz. — e riu — Acho que já vou.
–Ok. Te acompanho até a porta. — ele levou Lucius até a porta e se despediu. Um estouro ecoou pela rua e ele achou que fosse o escapamento de algum carro. Mas mudou de ideia ao ver o amigo caindo de joelhos e depois, tombando para o lado.
–Scott! — gritou o careca.
–Lucius? Lucius? — ele se aproximou do amigo e olhou para ele. Estava ferido. Scott tirou o celular do bolso e digitou o número da emergência.
–Qual a sua emergência? — disse a voz do outro lado.
–Meu amigo foi baleado. Mandem ajuda, rápido. — ele estava nervoso.
–Qual sua localização, senhor?
–1434 Smith Street, Franklin.
–Certo, qual seu nome, senhor?
–Scott Kearney Fleming. Rápido, por favor.
–Ajuda está indo, senhor. – e a ligação foi encerrada. Ele guardou o telefone.
–Scott… – gemeu Lucius.
–Poupe suas energias.
–Não, Scott. Eu não vou sobreviver. E se eu sobreviver agora, me matariam quando possível.
–Quem? – ele se sentiu confuso.
–A… Na minha casa… Procure no meu quarto uma caixa… Está escrito HWE… Encontre ela. Nela terá um telefone… Diga o que houve… Só a entregue para Jonathan Hartley.
–Eu não vou te deixar aqui.
–Se não for agora, você morrerá também. Entregue.
–Lucius. Não vou.
–Vá! – Lucius gritou segundos antes de um homem sair de um beco de frente para a casa. Scott tirou a chave do bolso dele, se levantou com um salto e correu para a casa do amigo, duas quadras dali.
Abriu a porta e se trancou lá dentro. Andou para o quarto dele. Entrou e começou a revirar o cômodo. A caixa estava dentro do armário. Ele a tirou e colocou sobre a cama, tirando cuidadosamente o material lá dentro. Estavam algumas pastas e, no fundo, um grosso livro.
–Rekordbuch. – ele leu na capa.
Abriu. Dentro estavam várias páginas cheias de nomes, endereços, telefones e e-mails. Um barulho na porta da frente chamou a atenção dele. Começou a arrumar o material dentro da mochila e percebeu o que era o som. Tentavam arrombar a porta. Ele se apressou e correu para sair. Foi se esgueirando até os fundos mas o som da porta da frente cedendo e arrebentando era assustador. Scott conseguiu correr até a outra saída, mas um homem o alcançou. No fim do corredor, atrás dele, estava o mesmo homem que saíra do beco.
–Parado! Scott, parado. Não se mexa. – ele se perguntou como o estranho saberia o nome dele e percebeu que seu amigo praticamente gritara.
–Olha, eu preciso sair. Você está invadindo minha casa. Meu dinheiro está lá em cima.
–Essa não é sua casa. Me dê a mochila.
–Certo, certo. Me perdoe, senhor Hartley. — um fio de esperança o dava coragem.
–Pareço Jonathan Hartley?
–Não sei. Não consigo ver seu rosto direito nessa escuridão.
–Pare de conversa. Jogue a bolsa.
–Devo entregar a bolsa para Jonathan Hart… – o tiro foi certeiro. O acertou na testa e ele caiu. O homem guardou a arma e se aproximou do corpo. O sangue começou a escorrer e o assassino tirou a mochila antes que ela se sujasse. Abriu e confirmou que tudo estava lá. A jogou no ombro e saiu.
***
Ele tinha um cabelo loiro escuro e seu rosto tinha uma barba por fazer. Seus olhos verde-esmeralda brilhavam de entusiasmo. Ele puxou o notebook do colo e colocou sobre a mesinha de cabeceira. Ele deu um sorriso pelo canto da boca e enviou. Trabalhou naquele programa por pouco tempo, mas qualquer coisa, até o menor projeto que fizesse, como esse, daria uma enorme satisfação quando funcionasse. E agora…
–Estou dentro. – a informação de que o e-mail fora aberto e o programa fora instalado com sucesso o obrigou a se parabenizar — Você é um gênio, Samuel Faulkner.
–O que está aprontando, Sam? – uma garota entrou. Seu cabelo era ruivo natural. Seus olhos eram azuis. Ela sabia que um ruivo de olhos azuis é uma combinação rara.
–El? – Elizabeth Farley era a namora dele – Eu? Aprontando? Nunca. – e riu.
–Vamos, Sam. O que está aprontando? – e deitou ao lado dele na cama de casal.
–Enviei um backdoor para o Starbucks. Café de graça! – e fez uma dancinha.
–Não faça isso. Por que um vírus? Tem um Starbucks aqui na esquina.
–Não pagamos. Me prenda por querer café de graça.
–Deveria. – disse ela mordendo os lábios.
–El… Você não sabe o que eu penso quando você faz isso.
–Quero descobrir. – ela se aproximou e o beijou. Ele a puxou para mais perto, colocando a mão na cintura dela. Estavam começando a ofegar.
–Quer? – ele sussurrou para ela – Deixe-me mostrar.
–Sam… — e passou a mão pelo rosto dele. Se aproximou do cinto e se afastou novamente. Ele segurou a cintura dela com mais força — Sammy… – ela disse com um leve gemido. Elizabeth passou a mão por ele o segurou pelo cabelo. Ele se arrepiou quando ela o beijou no pescoço.
–Sam, eu… Oh… — um rapaz entrou. Ele tinha o cabelo castanho e o nariz fino. Os olhos eram da mesma cor do cabelo — Constrangedor… Desculpem eu… Eu volto mais tarde.
–Para de palhaçada, Harv. — Harvey Mcknight era o melhor amigo de Samuel. E seu braço direito.
–Eu não queria atrapalhar vocês, desculpa. Eu volto mais tarde. — Elizabeth saiu de cima do namorado e arrumou o cabelo. Ao sair, passou perto de Harvey e bagunçou o cabelo dele.
–Terminamos nossa conversa depois, Sammy. — ela disse dando uma piscadela para ele e dando uma mordidinha sensual nos lábios, antes de fechar a porta.
–Terminamos! — ele gritou, retribuindo a piscada – Então, Harv. Conseguiu?
–Claro que consegui, Sam. — tirou um pendrive do bolso da calça – Trabalhando?
–Um backdoor.
–Para? — disse entregando o dispositivo para ele.
–Café de graça. Quer?
–Você sabe que eles não entregam, não sabe?
–Não entregam? — ele fez uma cara de decepcionado – Achei que entregavam.. Bom, pelo menos tentei. Posso pedir um Starbucks Card de graça.
–Ótimo. Pode sim. Aproveita e pega um expresso com chantilly pra mim.
–Pode deixar.
–Ainda não entendi o motivo de você ter hackeado o Starbucks.
–Por que? Estava entendiado.
–Só? — disse, um pouco cético.
–Não, café de graça. Mas você poderia ter me avisado que não entregavam. — e riram.
–Você ainda não me disse o que tem no pendrive. — falou Harvey após alguns minutos de silêncio.
–Eu também não sei. — e girou o pendrive entre os dedos – Quer descobrir?
–Se você não se incomodar…
–Vamos lá. — ele colocou o pendrive em uma das entradas e abriu a pasta. Olhou para saber o que poderia fazer – Um executável, dois arquivos de texto. Nada demais.
–Abra os arquivos. — incentivou Harvey, um pouco receoso.
–Certo. HWE? Que droga é essa?
–Pergunto o mesmo, Sam. Vai abrir?
–Claro que vou. — e clicou. Estava em alemão – Entende alguma coisa?
–Uma palavra ou outra. Não sou muito bom, desculpe. Não posso traduzir nada demais.
–Tudo bem, Harv. O outro talvez esteja em inglês. — fechou esse arquivo e abriu o outro. Uma sequência de nomes e lugares seguidos por palavras aleatórias eram o corpo do texto.
–É um código. Washington usava isso. É como uma cifra de césar, mas em vez de substituir uma letra por outra em uma sequência, substitui um nome por uma palavra aleatória não relacionada.
–Como você sabe isso?
–Gosto de história. — e deu um sorriso para o amigo.
–Então, Harv, temos um código. Abro o executável?
–Se quiser.
–Vou abrir. — fechou o outro arquivo de texto e abriu. A tela piscou e um texto verde num fundo preto apareceu na tela. — A HWE dá as boas vindas para você. Seu computador está sendo rastreado remotamente. Se sua localização for confirmada e segura, pressione enter.
Samuel pressionou.
–Obrigado por confirmar. A mensagem a seguir é gravada. – ele leu. Logo após, uma voz feminina saiu da máquina. Falava em um alemão com um sotaque carregado.
–Sam? — Elizabeth entrou – Estou atrapalhando?
–Não mesmo, El. Venha. — ele fechou o arquivo.
–O que estavam fazendo?
–Nada, só curiosidade. Sam, isso estava na sua área de trabalho? — disse Harvey, apontando para um icone que acabara de aparecer. Samuel clicou e abriu. Era um arquivo com o código de um programa. Ele analisou o código.
–Não, não. Não! El, ligue pro Jonathan.
–Quem?
–Jonathan Hartley. — ele removeu o pendrive e se levantou – Diga que preciso falar com ele rápido. É uma questão de morte.
–Não seria vida ou morte? — questionou Harvey.
–Não é esse o caso. Ligue para ele, El. Harv, pegue minha moto e me espere lá na frente. Já estou indo. — ambos foram fazer o que ele mandou. Samuel guardou o pendrive no bolso e pegou um cartão de crédito. Digitou algo no telefone. Pouco menos de cinco minutos depois, chegou uma resposta. Ele correu e o amigo o esperava na entrada da casa – El, saia de casa, certo? Vá para a casa da sua irmã.
–O que está acontecendo, Sam?
–Eu não posso explicar. Tenho que ir. Te amo, El. — e a beijou.
–Também te amo. — ele subiu na moto e saiu com o amigo.
***
Peter ajeitou o terno risca de giz. Ajeitou o anel de formatura no dedo e penteou os cabelos negros para trás. Os olhos eram pretos e seu nariz era fino. A orelha era um pouco pontuda. Ele se virou para os homens atrás dele. Todos estavam sentados em torno da mesa da sala de reuniões.
–Eu sou Peter Harmond, seu vice-presidente. Eu sou a lei aqui, certo?
–Na verdade, senhor. É o nosso presidente. — disse um homem se levantando. Ele era branco, com o cabelo vermelho fogo encaracolado, olhos verdes, o rosto era triangular e o queixo era pontudo. Ele disfarçava as sardas com um pouco de maquiagem, achava que elas o deixavam com um ar infantil. Seu crachá mostrava o nome de Dylan Walsh.
–Senhor Walsh, não. Eu sou a lei. Ele não é ninguém.
–Apenas seu superior. — retrucou o homem.
–Ele não é ninguém. — a porta atrás dele foi aberta silenciosamente e um homem entrou. Era um homem moreno e alto, por volta de 1,90 m; seu cabelo era castanho-escuro e levemente ondulado na ponta, ia até os ombros. Tinha o rosto largo, os olhos castanhos eram atentos, como o de uma raposa atrás da presa, um nariz pequeno e a barba foi cortada naquela manhã. Vestia um terno cinza escuro, quase preto, e usava um anel de marfim incrustado com uma esmeralda. Seu crachá mostrava o nome, Luther Stokes, e sua função, presidente.
–Como assim? Ele não é ninguém? — desafiou Walsh.
–Eu controlo ele. Ele faz o que eu quiser. Eu mando nessa empresa de verdade. E eu e ele estamos acima das regras dessa empresa, entendem?
–Quem faz tudo o que você quiser? — disse o homem que entrara.
–Senhor Stokes? Eu estava explicando para eles como algumas pessoas poderiam agir dizendo que manipulam pessoas importantes.
–Não foi o que eu entendi. E quero deixar claro que sou um funcionário dessa empresa. — e se virou para os que estavam sentados — E assim como todos que trabalham na Stokes Genetical estou submetido. Essa empresa não nasceu de um dia para o outro. Quando meu pai a fundou, ela não era nada. Era um homem com um microscópio. Hoje somos a maior empresa de biogenética do mundo. Ele não fez isso sozinho. Vocês o ajudaram. Vocês me ajudaram. Essa empresa não estaria onde está sem os executivos dela. — se virou para Peter – E sem seu vice-presidente. Ou melhor, seu ex vice-presidente. Você está demitido, Peter Harmond.
–Por que?
–Porque conspirou contra mim.
–Eu tenho direitos.
–Ótimo. Peça para seu advogado contatar os meus.
–Você não pode me demitir.
–Por que? Nada me impede. Seus direitos não importam, Harmond. Saia da minha empresa.
–Não! — ele guinchou em resposta.
–Pegue suas coisas, limpe seu escritório e saia da minha empresa.
–Você precisa de mim.
–Não torne isso um escândalo. Não quero arruinar sua reputação. Quero que pegue suas coisas e saia em silêncio. Quero te poupar da humilhação de ser arrastado pelos seguranças até a saída.
–É assim, Luther.
–Sim. É assim, infelizmente. Saia.
–Não faz nenhuma objeção contra eu te chamar de Luther?
–Não. Só demonstrou uma leve má educação, mas como não sou mais seu chefe, não.
Peter abriu a boca para uma réplica, mas preferiu ficar quieto. Deu um olhar incisivo para Luther e um leve sorriso para todos.
–Vou pegar as minhas coisas. — e fez uma reverência exagerada – Me permite, majestade?
–Com toda a honra. — retrucou o presidente. Peter ficou vermelho, não sabia se de raiva ou de vergonha. A sala foi enchida por murmúrios e risadas abafadas. O homem virou as costas e saiu, resmungando alguma coisa – Silêncio. — ordenou após a saída do funcionário. Todos se calaram.
–Senhor. — Dylan levantou a mão.
–Sim, senhor Walsh.
–O senhor realmente falou sério? Sobre demitir o Harmond.
–Sim, falei. Espero que ele esteja pegando as coisas dele nesse momento, sem arrumar problemas. Uma coisa, Walsh, e todos vocês prestem atenção, que não suporto, é uma traição. Eu suspeitava que ele estava conspirando contra nós, só tive a confirmação hoje. Agora, senhores. Vamos para o motivo dessa reunião: uma droga experimental foi roubada do nosso laboratório. E está sendo distribuída de forma ilegal nas ruas. Ela pode dar… Hum… Habilidades únicas para os usuários. Eles a chamam de Myrkur. Isso é islandês para Escuridão. Agora, doutor Yiang, por favor. Venha nos explicar.
***
Samuel deu um pulo da moto sem esperar o amigo parar completamente.
–Harv, me encontre no quinto andar. Diga que está comigo.
–Certo, Sam. Cuidado. — e o amigo subiu pelo elevador
Harvey estacionou e se preparou para subir. Quando se aproximou do elevador, um homem o parou, puxando-o pelo braço. Ele se virou e quando viu, prendeu a respiração inconscientemente. O sujeito estava todo de preto. A única coisa visível era seu rosto. Os olhos tinham um tom estranho, meio acinzentado, meio azulado, e o cabelo era castanho encaracolado.
–Me dê o pendrive.
–Eu não estou com o pendrive.
–Você vai subir e pegar com seu amigo, Samuel. Descer sozinho e me entregar, certo?
–Não. — o homem sacou uma pistola com um silenciador e apontou para o queixo dele.
–Ou você faz isso ou seu amigo vai encontrar seus restos espalhados pelo estacionamento.
–O que me garante que não vai me matar quando eu descer?
–Nada. — virou as costas e saiu andando. Harvey ouviu o estalo da porta abrindo e entrou. Quando a porta se fechou e ele se viu seguro, conseguiu respirar aliviado. A música do elevador o irritava. Quando chegou ao quinto andar, correu para uma enorme sala no fim do andar. A secretária o parou.
–O que deseja? — disse ela, com um sorriso mecânico.
–Preciso falar com Jonathan Hartley.
–O senhor tem horário marcado?
–Não, é uma emergência.
–Ele está em uma reunião, senhor.
–Com Samuel Faulkner? Estou com ele.
–Vou confirmar, senhor. — ela ligou. Harvey tamborilou os dedos na bancada enquanto aguardava a resposta – Ele permitiu sua entrada, senhor.
–Obrigado. — ele desviou da mesa e entrou no escritório – Sam, senhor Hartley. Temos um problema.
–Qual? — Jonathan parecia ter pouco mais de 40 anos, os cabelos negros encaracolados começavam a ficar grisalhos. Tinha um olhar grave e os olhos eram pretos. Tinha um pequeno corte no queixo.
–Querem o pendrive. Me ameaçaram no estacionamento pra levar o pendrive.
–Vou mandar alguns homens lá.
–Ele te reconheceu, Sam.
–Como? — retrucou, incrédulo – Droga. Tenho que ligar para a Elizabeth. Se ele me reconheceu, vai ser fácil chegar até ela.
–Ligue. Eu vou chamar a segurança. — após as ligações, Jonathan parou por alguns segundos e olhou para os dois, encarando-os – Samuel. Harvey. Preciso mostrar algo para vocês.
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