Conspiração
3 “o desespero é a maior arma da morte o temor a da aflição e a angustia a da perca.”
Notas iniciais
“o desespero é a maior arma da morte o temor a da aflição e a angustia a da perca.”
A voz surgiu persistente na agitação dos meus turbulentos sentidos.
– não se mova ou eu atiro!
Minha nossa se eu não tivesse comido tão pouco nos últimos dias defecaria agora.
– ponha as mãos atrás da cabeça e se levante devagar qualquer movimento apressado eu atiro.
Tentei ir devagar o máximo que pude o que não foi difícil as minhas pernas tremiam e meus movimentos eram rígidos nem sei como de cara conseguir me levantar.
– agora se vire lentamente!
Os 180º graus que dei foram tão aflito e temeroso, mas de cara a visão de um chapéu vermelho com o nome Nike, uma regata verde musgo e uma calça de mesma cor carmesim invadiram meus olhos e com isso a imagem de uma mulher por dentro do chapéu os cachos castanhos tomavam forma sendo preso em um coque desorganizado e o rosto coberto por um pano verde grama cobria-lhe o rosto ainda deixando os olhos castanhos escuros de fora.
Um homem se aproximou e nem conseguia me virar para olhar ou responder a arma continuava apontada pra mim e aquela mulher me encarava.
– ela deve ser quem adicionou o rastreador, vejam as coisas dela!
De imediato falei um “sim, fui eu que acionei.”, girando para o lado e deparando com um lindo homem de olhos azuis de cabelos dourados curto, mas ainda alongado de regata branca e calça preta. Acabei não vendo muito e nem admirando o bastante der repente um dor aguda atingiu minha cabeça e minha vista escureceu, acordei com água em meu rosto com a mesma mulher que me apontava à arma me fitando.
– finalmente acordou bela adormecida.
Se esse era o tratamento que davam aos que socorriam preferia voltar a minha casa e ser caçada até a morte, arquejei o corpo acariciando a cabeça que no lóbulo das costas e um hematoma surgia.
– levante-se logo, precisamos partir!
Nem conseguia olhar na face do belo rapaz de antes, podia reparar que todos eles já haviam revistado as minhas coisas, não eram muitos uma garota de short e regata usando o mesmo modo de se encobrir que a minha agressora, dois rapazes magros e um velho com um GPS na mão que apontava onde estávamos. Recompus-me rápido e ao fitar a minha agressora, uma revolta surgiu.
– você iria me matar?
– na verdade salvei sua vida, não seja tão ingrata.
Ela saiu de perto de mim e todos tomaram seu curso para mais dentro da mata circulando o rio, todos portavam armas muitos deles mais que uma, e eu me perguntava se estava numa emboscada ou numa salvação, o que estava achando pouco provável minha cabeça latejava e ainda sentia o calombo crescer, eu iria é morrer lentamente.
Andamos por horas até chegar a um ponto rochoso e um dos magricelas, exigir que estendesse as mãos, ele passou uma maquina e da minha mão direita o aparelho apertou e sugou o microchip implantado em mim, abrir a boca para gritar e logo um pano cobriu, o loiro estava com a mão sobre a minha boca, claro que não era bem a mão havia um pano entre nós, ele deveria ter uns dezessete ou dezoito e eu era muito nova para ele.
– você esta bem?
Balancei a cabeça com um sim e me esforcei para engolir as lagrimas, mas como a minha mão doía e sangrava não me atreveria a olhar para baixo, pois com toda certeza desmaiaria, ele passou o pano da minha boca para minha mão e ordenou que a apertasse pra me conformar avisou que estávamos pertos.
O acampamento feito de madeiras e as casas bem rusticas se misturavam a paisagem, ficavam quase imperceptível, entramos em uma a direita uma das menores se podia ver quatro das principais, caminhei até dentro, um espaço vazio com apenas uma cama de solteiro, o velho passou entre nós e separou dois pedaços de madeira que abriu espaço para um painel pequeno digital, ele mexeu e digitou algo e no chão as tabuas de madeira se abriram, assim como os meus olhos de surpresa, e um painel de metal subiu todos se posicionaram nela e rapidamente o painel desceu foi um solavanco tão forte que pensei ser arremessado, sentir uma mão se apertar no meu braço e o loiro estava me segurando, a descida os painéis eram de vidro ou um material tão transparente quanto e eu pensando que eram rústicos.
Não se podia ver muita coisa a maior parte estava encoberta por um metal grosso, o velho girou um painel digital que apareceu nas paredes o elevador se moveu para a direita rumo a uma parede de ferro grossa, fechei os olhos e gritei, quando abrir ainda estava respirando e humilhada, todos os presentes riam da minha interpretação de terror até o loiro.
As placas de metais se abriram e todos caminhavam até a sala do chefe, um senhor alto com cicatrizes feias pelo rosto, usava uma camisa de mangas azul e uma calça jeans escura com sapatos.
– você deve ser a Safira Groom?
Eu me retive da ultima vez levei uma coronhada acho que poderia levar uma bala agora. O senhor de cicatrizes, tinha uma pele escura e os olhos mais ainda e riu com a minha relutância.
– acho que alguém já a ensinou a não falar muito.
Fiquei calada mais uma vez, contudo a minha mente respondia “do modo mais doloroso possível.”. Não gostei da expressão dele era como se eu ainda tivesse muito que aprender e a minha cogitação de possível foi pro além.
– pode se acalmar todos aqui são amigos, você não sabe ainda, mas está em casa, vai ser difícil se acostumar, mas logo vai aprender e se sentir segura.
Talvez se me dessem uma arma e me mantivesse longe da loira mortal eu ficaria. Ele caminhou pela sala e apresentou casa um, o magrela a direta se chamava Antônio e o outro Moniz, a de short e cabelo escuro Shawanne, a minha agressora Killer (que ironia) e o loiro Lucas Schott, o nome dele era tão lindo quanto ele, o velho se chamava Jofrey e o homem de cicatriz Yarra, pelo visto vinha de uma etnia quase extinta do antigo mundo.
Todos saíram e Yarra me chamou para se sentar a mesa e tomar um café com biscoitos e aceitei de bom grado.
– sei o quanto esta assustada eu era uma criança também quando cheguei até aqui, quando a minha família foi morta e eu tive que amadurecer cedo...
Ele falava tanto sobre medos e sofrimento, mas nada era tão evidente quanto ás marcas deixadas dela.
–... Sabe Safira, eu conheço o seu pai, acalme-se eu sabia quem ele era, me atrevo a dizer melhor que você, contudo era um homem bom e nos ajudava muito.
Fiquei visivelmente abalada, ele falava como se o era fosse de um passado o qual não havia presente, estar aqui, descobrir esse lugar, me intrigava as coisas e as duvidas de até quem sou. Ele respirou fundo até dizer.
– Safira querida o seu pai está morto, ele foi descoberto e o aniquilaram.
– como sabem?
– ele perdeu a comunicação conosco, se perdeu de nossa segurança e a ultima vez que se comunicou disse que o estavam caçando.
– ele falou algo a mais?
– nada com sentido, apenas uma palavra “cabeça de dragão”.
– cabeça de dragão?
– sim, não sabemos o que é, e nem porque disse isso, mas queria que fosse dito a você.
Era bem a do meu pai, morrer como um enigma, meu peito se afundou, todo mundo uma hora morre a única certeza é que não vivemos para sempre, mas sentir a perca é uma dor que nos faz perseguir a eternidade.
– posso ir me deitar um pouco, estou cansada e suja.
– claro você também tem que digerir algumas informações.
A porta se abriu logo depois que me levantei, havia corredores enormes e uma escada lateral.
– desça as escadas e você será encaminhada ao seu quarto.
Desce a interminável escada de metal, tudo ali era e no ultimo degrau o movimento de gente para o jantar era vigoroso. Alguém esbarrou em mim eram duas crianças felizes e sentir inveja daquela alegria. Uma moça veio logo atrás com um vestidinho vermelho e um rabo de cavalo marcando sua enorme cabeleira loira, ela me lembrava de minha amiga.
– olá, sou angélica e você é?
– Safira.
– vamos jantar Safira.
– acho melhor não, estou um pouco indisposta...
Ela me ignorou completamente e me puxou pelo braço até o grupo de adolescentes mais próximos, agora ela me lembrava de muito a minha amiga.
Sentei constrangida pelo momento, querendo fugir e me enterrar no quarto para chorar.
– pessoal essa é a Safira, ela é nova por aqui.
Havia um turbilhão de gente em cada lugar, a mesa que estava se estendia e se ampliava e as pessoas chegavam aos montes. Um dos garotos, um ruivo simpático foi o único a falar, todos pareciam desconfiados e também quem poderá.
– é claro, uma garota tão linda assim não seria tão facilmente esquecida.
Sim e galante, mas seu aspecto era tão jovem quanto o meu. Um homem chegou com roupas num vestido muito diferente falando.
– que iniciem as preces.
Todos abaixaram as cabeças e apertaram as mãos, fazendo preces silenciosas ao seu deus, havia alguns que falavam em sussurros com idiomas e modos distintos, os poucos compreensivos pediam a deus proteção e bênçãos para seguirem bem e saudáveis até sua morte. Muito inspirador e também diferente. Após as preces todos pegaram as suas comidas e tratei de por a minha, ainda curiosas para saber o que ocorria, coloquei pão e ovos, um pouco de uma matéria branca que provinha das raízes de uma planta e uma carne que vinha de um vegetal, soja, o qual abocanhei de imediato seu gosto era excelente, o meu jantar foi um banquete passar tanto tempo racionando e comendo ração militar degrada o seu paladar.
Angélica me levaria até meus aposentos, até que ela chamou minha atenção para o homem que chegava de roupas pretas cobrindo o seu corpo torneado, seu cabelo era rapado e já estava crescendo tinha a aparência forte e sedutor numa mescla de homem das cavernas e guerreiro era bonito sem duvida e a sua cor bronzeada era um deleite para os olhos, ele se aproximou do loiro, Lucas Schott que se levantou e o seguiu, eles não estavam tão longe de mim e nem tanto se podia ver com clareza.
– ele é lindo não é?
Parei para pensar em qual ela estava falando, mas me interrompeu.
– por Deus, o moreno, alto e musculoso, ele se chama Gabriel Fallerin, e é tão lindo, mas tire os olhos que é meu.
Umas risadas repercutiram na mesa e umas zombarias de seu amor platônico.
– e quem é o loiro que ele chamou?
– há Lucas o meu irmão mais velho, mas uma dica tira o olho que a Killer é apaixonada por ele e te daria uma surra se visse você o olhando desse jeito.
Já deu, pensei comigo, mas não falaria em público. Seguir ela até o dormitório que tinha duas camas num espaço apertado, ela começou a tirar o vestido até que eu protestei.
– o que esta fazendo?
– esse é o meu quarto e agora o nosso.
– no... O que?
– sim, aqui não tem muitos quartos a disposição individual, então Yarra, me pediu para ceder o meu com você.
– obrigado por dividir seu quarto com uma estranha.
– tudo bem, sempre quis ter uma irmã mesmo.
Acabou o meu plano de chorar sozinha no quarto e de ficar sozinha, o espaço era pequeno. As camas a cada ponta tomavam quase que a totalidade, havia um minúsculo roupeiro feito de madeira, um criado mudo que ficava no meio de nos com um abajur e por ai parava os moveis a iluminação era forte da lâmpada no teto e a ventilação vinha de uma pequena grade quadrada com uma espécie de ar condicionada fraco, era o bastante para não morrer de calor, mas não para se sentir frio.
Dormir de exaustão, o colchão era duro e nem de longe lembrava o macio que me deitava todos os dias antes de tudo isso, entretanto não era o chão duro da mata o estranho era que estava sentindo a falta daquele frio, retirei quase todas as minhas roupas somente fiquei de regata e calça que já estava pensando em retirar.
De manhã acordei com as pisadas de Angélica no chão e me levantei preguiçosamente.
– acordou pronta para o primeiro dia aqui?
Poderia dizer não, que seria mais verdadeiro, porém mostrei meu lado positivo e abrir um sorriso meio torto, ela me levou para fora do quarto e no corredor pode ver quantos quartos e pessoas vagavam, todas as meninas estávamos no lugar das meninas, corremos para o banheiro que era coletivo, fiquei um pouco apreensiva com tantas mulheres se banhando e caminhando com tanta naturalidade, fomos para o café da manhã e então a minha opressora vinha e minha direção, por deus, me devolvam o chip quero ir pra casa.
– hoje, você vai fazer luta e tiro ao alvo, conversar com os chefões, ver as atividades do grupo e experimentar cada um até o final do dia e lembrei conhecer a escola, quantos anos você tem mesmo?
– quatorze, mas acabei com a escola, eu faço o cientifico.
– que bom, mas uma nova professora.
Olhei ao redor e parecia que todos me olhavam boquiabertos pelo menos os que puderam ouvir ai já estava eu sendo eu. Levantei-me quando a assassina me chamou veemente, alguém falou para o chefão que ela me bateu cadê a segurança alguém já podia me dar uma arma.
A primeira etapa era uma chacina, eu podia criar um holograma e ser a primeira da turma de toda a história da academia, mas na luta eu era uma negação.
Minha oponente era Shawanne, antes de partir para o combate corpo a corpo sugerir que me ensinasse uns golpes, mas o método aqui era pratica e não teórica e eu nunca fui boa em Ed. Física, nem em nada que movimentasse o corpo.
– vamos gênio, você pode fazer melhor.
Olha quem dizia à cachorra que me bateu, e eu já estava no chão pela milionésima vez, o que ela queria que eu chorasse, pois se levasse mais um soco era isso que faria.
– já chega amanhã, você aprende alguns golpes, está me dando pena a sua fragilidade.
Finalmente, sair de lá para golpear facas e atirar em latas e conseguir errar todos os alvos e ainda bater de raspão em Shawanne mesmo ela estando muito longe dos alvos, foi ai que me dispensaram, achei que Killer acreditava que a próxima seria ela e eu gostaria mesmo que fosse.
Fui visitar os chefões na verdade Yarra foi o único que realmente queria falar comigo e continuar a conversa que não estava disposta a continuar, mas desta vez fomos passear pelo lugar que era um mundo subterrâneo fantástico um refugio para quem fugia do governo e de suas leis. Tudo estava interligado e as outras cabanas na verdade eram acessos a varias terminações do lugar que passavam pelo ponto central a que entrei e mais três principais dormitórios, alimentos e armas está que ficava no meio das outras e se distribua a todos os lugares era lá também que ficava o centro de tecnologia do lugar, os grandes detalhes ele não deu, todos mantinham segredos de tudo que funcionava, havia também as menores que eram para utilidades de fugas e religiosas, as cabanas rusticas e mascaradas eram saídas para o mundo exterior, mas será que só elas eram?
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