Conspiração
4 "Revele-me o mundo, mas me de a escolha de caminhar sozinho em meio á escuridão."
Notas iniciais
Revele-me o mundo, mas me de a escolha de caminhar sozinho em meio á escuridão.
– Safira, conhece seu pai, na Zona Fria, que era um lugar desolado, lá criavam projetos tecnológicos que iam contra todos os mandamentos divinos e até mesmo do homem.
– o que quer dizer com isso?
– eu trabalhava numa espécie de tecnologia biológica até que resolve expor ao seu pai os projetos, ele foi um salvador, salvou varias pessoas e crianças, isso faz muitos anos, então foi quando criamos esse lugar com apoio de algumas outras pessoas importantes, naquela época surgiu uma documentação contra todas as formas de cultura de expressão que fosse contraria ao regime ditatorial do governo, pessoas religiosas e de varias etnias foram quase dizimadas até que aos poucos retirávamos inocentes da prisão e fugitivos e criamos essa sociedade, refugiada do mundo lá fora.
– você diz que meu pai foi um salvador e isso tudo parece tão...
– surreal, eu sei que seu pai mantinha segredos de você do mundo, mas tudo que ele fez foi manter um mundo melhor pra você.
– me mantendo distante!
– não lhe mantendo segura, os Braven são poderosos, influentes e dominadores, se o mundo soubesse o que eles fazem o que são o caos seria tomado de novo.
– e porque não saber?
– já viu, um homem que controla tudo ser desmascarado, já ouviu uma organização iludir e persuadir o mundo de tal forma que tudo que você faz, ouvi, diz, pensar e monitorado.
– o que esta tentando dizer?
– que todos são controlados, mas nem imaginamos que somos as leis, as regras e as normas, são para nos manter seguros ou são para nos manter controlados. Quem obedece não é uma ameaça apenas o que estão contras.
– as reportagens mostram que vocês são assassinos.
– quem anda por ai com armas e aeroplanos sobre voando o céu, monitorando seus corpos somos nós?
Uma voz do outro lado fez com que Yarra saísse apressado me deixando com uma senhora com luvas e vestido longos, andamos pelo corredor até uma plantação, as luzes eram projetadas por lâmpadas fortíssimas que imitava o brilho do sol que um dia era tão luminoso, uma rápida observação me fez perceber que a energia era geotérmica, ou seja, vinha do subsolo e a água também, como eram poucas e havia muita gente era controlada.
Ela me encaminhou até uma cesta e falava rápido demais em uma língua estranha ou a muito perdida, tinha uma pele clara, olhos puxados e um cabelo negro escorrido que já apresentava fios brancos, ela falou e não conseguia entender nem mesmo com todos os esforços, era oriental já havia estudado, porém não tinha pratica e nem compreensão.
A voz de um homem veio até mim, o loiro estava se aproximando com cautela e trocou algumas palavras com a senhora até se dirigir a mim.
– ela esta pedindo para pegar a cesta e apanhar os alimentos puxando da raiz, se estiver grande e consistente esta bom para o consumo, mas para ter certeza é melhor tirar um pouco a casca e verificar se está branco.
Ele voltou a falar com a senhora que saiu imediatamente.
– como conseguiu entende-la?
– e fácil, muitos anos de convívio nos adquire pratica.
Fiquei sem graça Lucas Schott era bonito e robusto e seus olhos azuis eram charmosos e límpidos como uma água transparente. Seguir para a plantação o aviso de Angélica me atingiu no mesmo instante que o admirei, como a dor da cacetada da Killer, ele puxou o meu braço de leve.
– ouvi dizer que está no cientifico, parece que o Yarra vai lhe mandar ser professora.
– eu não sei, ele quer que eu me adapte e aprenda algumas coisas como...
– apanhar no ringue e atirar de raspão na Shawanne.
Meu rosto corou e ele esboçava um sorriso zombador como ele sabia disso e como ele estava sendo tão rude comigo, virei às costas e pensar que eu estava gostando dele.
– desculpes, fui um pouco rude é que a informação de seu tiro de raspão foi o comentário do dia.
Virei com meus olhos o fuzilando, parecia que ele se divertia comigo, ou melhor, com o meu dia de cão.
– acho que estou sendo bastante popular, ou a piada da vez, a verdade Lucas é que estou bastante sobrecarregada se você não percebe uma hora eu estava bem na minha vida na outra fugindo e em seguida apanhando da sua namorada.
– minha... O que?
Droga... Acho que falei demais, ele voltou a falar um pouco menos sorridente e mais serio.
– eu sei como é isso me desculpe!
– desculpas, todos aqui parecem estar com um pé atrás comigo e eu não deveria estar, eu não conheço vocês, vocês não me conhecem e parece que todos querem me matar sem falar no meu carrasco pessoal, ainda estou sem meus amigos, minha família e meu pai estão mortos e há anos eu não o vejo, estou sozinha, em pânico e não posso nem ficar só porque estou cercada em meio a uma prova de avaliação.
Ele me olhou perplexo e deixou seu ombro cair sem perceber as minhas lagrimas escorriam do rosto, minha sorte que todos pareciam estar acostumados com ataques nervosos ou não entendiam uma palavra do que eu falava e o mais cabível tinha trabalho a fazer, ele me envolveu num abraço reconfortante por algum momento e logo após me soltou me olhando ainda assustado, naquela imagem de não sei o que fazer.
Abriu um sorrisinho falando: — estava esperando por um ataque de nervos a qualquer momento que bom que não tinha uma arma em punho.
Enxuguei minhas lagrimas e até soltei um riso nervoso e ele se afastou até ir embora deves, parecia que todos estavam apressados, mas aquele dia não pareceu melhorar, apanhei os alimentos e me sujei toda e sem falar na oriental que falava rápido e me mandava fazer sempre alguma coisa, sair para raspar e limpar os alimentos e me encontrei na cozinha, era auxiliar de mais mulheres que falavam rápido que cobriam todo seu cabelo apenas deixando o rosto, eu estava suando naquele calor e achava que elas desmaiariam a qualquer momento, Angélica veio até mim carregando utensílios e limpando o chão.
– cansada?
Tirei o suor da testa nunca havia trabalhado tanto e pensar que eu reclamava do castigo de arrumar o quarto.
– bastante.
– vamos jantar e acho melhor você tomar um banho esta fedendo.
Caramba, dês da manha não tomei, banho fiz todas aquelas aulas, passei pelo lugar e abracei o Lucas não era de imaginar que ele se despediu de mim com tanta pressa. Cheirei minhas axilas e podia ter morrido apenas de cheira-las havia uma bomba nuclear de baixo dos meus braços.
– acho que preciso urgente de um banho.
Fomos até os banheiros e enfrentei a fila novamente ninguém falava comigo até um momento que uma morena de longos cabelos cacheados me fazer uma pergunta.
– foi você que deu um tiro de raspão na Shawanne?
Minha nossa, eu seria lembrada para sempre disso.
– sim, infelizmente!
– infelizmente, a Shawanne é uma vaca, pena que não atingiu a Killer.
Era impressão minha ou estava fazendo amizade.
Dei um sorriso, poderia ser comprometedor mostrar a minha solidariedade a repulsa pelas garotas. Mais duas surgiram e minha nossa, elas eram grandes e tinham curvas bem delineadas e fortes, ambas eram morenas e tinham olhos claros.
– ainda me lembro da minha primeira briga levei uma surra que mal conseguia andar.
Não conseguia imaginar aquelas duas meninas, apanhando, eu me imaginaria apanhando delas.
– você vai se sair melhor na próxima à verdade é que a Killer só esta fazendo isso para intimida-la é a forma dela de dizer fique longe do Lucas, quando na verdade ela deveria é parar de dar tanto em cima dele enquanto ele nem gosta dela.
A conversa se seguia e era impressionante saber a vida de tanta gente e tantas especulações apenas em alguns banhos, todos diziam que Lucas havia namorado Killer e depois a dispensado, falavam que o Gabriel era amante da Shawanne e que a qualquer momento ela apareceria gravida, Angélica não gostou nenhum pouco da conversa ela saiu logo que as atenções se voltavam ao moreno bravo.
O jantar foi repleto de conversas alguns riam e brincavam sobre a minha atuação de hoje, o garoto de antes parecia ganhar as piadas e a atenção sobre a ironia das vantagens e desvantagens de estar comigo, meu corpo começou a protestar e a clamar por cama, o que parecia visível nos outros todos dormiam cedo e acordavam mais cedo ainda.
Cair na cama e dormir, o calor e a cama dura já não era problema eu poderia dormir no chão ou na mesa de jantar que pra mim já estaria ótimo. Acordei com alguém ao meu lado na cama coberto de um casaco preto com capuz, iria gritar até ele tampar a minha boca e seus olhos me soarem familiar era o Lucas no meu quarto, meu deus, será que eu precisava de outro banho.
– você esta bem melhor pelo que parece?
Fiz uma afirmação positiva com a cabeça e ele soltou delicadamente a minha boca.
– desculpe, por invadir o seu quarto.
– na verdade o da sua irmã também.
Ele se levantou e pós a mão no bolso do casaco, me levantei um pouco, ele já estava indo embora novamente e não pude deixar de saber.
– já vai?
– sim, preciso ir, se alguém me encontrar no quarto de uma garota mesmo que seja a da minha irmã, ficaremos bem encrencados.
– claro!
Fui me deitar de novo até que a sua voz voltou.
– não quer ir comigo a clareira?
– o que é a clareira?
– te explico lá.
– não vai te encrencar me levar lá?
– não, se ninguém nós pegar.
Poderia ter me amedrontado novamente a ideia de uma nova ideia de fuga na ultima vez havia me deixado bem encrencada, porém gostaria de fazer isso e de estar com ele.
Ele abriu a porta do quarto e olhou todos os lados até que pudéssemos sair, deu a mão e eu o segurei, caminhávamos atentos, ou melhor, ele estava quase fui pega por seguranças que patrulhavam a área, ele me puxou e fui de encontro à parede, seu corpo foi ao encontro do meu, estava muito escuro e a tensão do seu corpo fez o meu coração saltitar não sabia se era o medo de ser pega o a proximidade dele, mas estava ficando sem ar tendo ele assim desse modo. Lucas se desprendeu e puxou meu braço ao perguntar.
– você esta bem?
– sim, só me assustei.
– eles já foram mais atenção ou seremos pegos.
Caminhamos um pouco mais até chegar ao elevador, ele passou a mão e digitou alguns números. Uma voz robótica surgiu e ele a respondeu “reconhecimento”, entramos no elevador e ele segurava a minha mão pude senti-la suadas, o elevador se moveu e eu quase cair pelo movimento brusco, ele me segurou pelos braços e pude sentir seu folego na minha cabeça.
– calma!
Levantei a cabeça e encontrei os seus olhos brilhantes acompanhados de seu sorriso doce. O elevador parou e as portas se abriram ele me levou até o que podia ser uma montanha ou uma serra, o local era íngreme e bem escuro, contudo o céu parecia descer, as arvores pareciam estar vivas e as luzes salpicavam emergindo do brilho da lua. Contrair meus braços em torno de mim o frio aqui chegava a ser violento assim como o ruivo dos ventos, ele retirou o seu casaco e me cobriu gentilmente.
– obrigado!
Ele se encostou a margem daquelas pedras frias e olhava para a lua, cheio de sentimento.
– eu era uma criança, quando os militares invadiram a nossa casa, meu pai foi acusado de ter conspirado contra o governo, mas a única coisa que fez foi dar alimentos a rebeldes que fugiam e passavam fome, meu pai lutou contra o absurdo de ter a casa invadida e quando menos se pensava eles atiraram nele, minha mãe e eu fomos levados até a prisão e separados logo após, passei duas semanas num campo de concentração e nem queira saber o que aconteceu comigo, até que fui levado para cá, a minha mãe havia chegado pouco antes e estava prestes a ter Angélica, foi a ultima palavra que ela pronunciou antes de morrer e mesmo que ache que esta sozinha no mundo Safira você não estar, pois lá no fundo ainda vai haver pessoas que se importam com você e você se importa, então viva por eles e por você.
Instintivamente eu não sei, eu o abracei e ele retribuiu, não sei se ele chorou e nem por quanto tempo ficamos assim até que ouvir o elevador e ele me afastou, de longe eu saberia quem era Killer pisou firme no chão e a sua voz parecia de um leão.
– aqui é um observatório, não um lugar de amantes.
– só fui amostra-la o lugar.
– e ficar de abraços!
– chega, Killer nos já vamos.
Ele me deu a mão e apertou o botão do elevador, eu estava no canto oposto do dela e mesmo assim sentia o ar esquentar.
– irei contar a Yarra sobre isso, ele não vai gostar nada de ter novatos aqui.
– fale o que quiser o quanto quiser, eu não me importo Killer.
A porta se abriu e nos dois entramos deixando uma Killer raivosa, seu olhar foi bem claro de que isso não ficaria assim e que eu pagaria bem caro, sentir engolir seco e meu coração disparar, eu seria o alvo de sua ira.
– desculpe pelo escanda-lo!
– não, eu que peço, ter lhe abraçado desse modo e ter aceitado vim aqui eu o deixei encrencado certo?
– não se preocupe, eu converso com o Yarra.
– eu estou dizendo com ela.
– Killer, por deus, porque todo mundo pensa que a gente namora.
– vocês não namoraram?
– não, nos não namoramos e nunca tivemos nada.
– não mesmo?
– trocamos alguns beijos há um tempo e algumas pessoas viram e se espalhou que namorávamos, mas nos nunca tivemos nada, além disso, porque o interrogatório?
– eu queria saber qual vai ser o grau da surra que ela vai me dar.
Eu acabei rindo e ele também, até que o elevador parou e ele me levou até o quarto.
– desculpe de novo!
Deitei-me e soltei um grande suspiro quase dramático.
– pensando em como enfrenta-la amanhã?
– pensando em como sobreviver amanhã, se eu quiser fugir você me ajuda.
Ele me cobriu com o lençol e sentou ao meu lado. Abrindo um sorrisão, resolve fugir do assunto.
– Lucas, obrigado por ter me compartilhado a sua vida e me amostrado que a coisas importantes para ainda se viver.
– de nada.
Ele se levantou sutil e foi até a porta.
– Boa noite, Safira!
– Boa noite, Lucas!
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