Consequências

28 Os "surtos" da Taila


Notas iniciais
Saudades da fanfic gente? Calma que logo essa demora de esperar duas semanas vai terminar, só preciso terminar meu estágio e terei mais tempo para a fanfic *-*.

Taila estava caminhando no calçadão, com seu braço entrelaçado ao de sua irmã mais velha. Que estava muito mais feminina que da última vez em que a havia visto.

—Você está com raiva da nossa mãe?

—Não! Eu apenas queria entender o meu pai. Acho que agora eu posso entender porque ele não quis morar comigo, mesmo nunca me deixando ir para longe dele...

—O seu pai é um maluco Taila, ele sempre foi exagerado em tudo. Sendo amando, sendo odiando, sendo qualquer coisa.

—Eu sei, e há coisas que ele fez que não vão me fazer perdoá-lo, como quase me matar afogada, mas não consigo odiá-lo porque se não fosse ele, eu não teria conhecido o Kim Tan e principalmente o meu amor, Choi Young Do.

—Eu quero conhecer esses dois, eu amo asiáticos. Acredita que eu passo o dia todo vendo dramas legendados?

Taila sorriu, percebeu que morando na Coreia, ela havia visto pequenos pedaços dos famosos dramas coreanos.

—Mas por que você entende a mente doente do seu pai?

—Porque nossa mãe e eu somos muito parecidas. Acredito que ele está tentando me fazer ser forte de um jeito que ele nunca foi, mas acho que os perigos que ele me colocou podem ser de certa forma, um jeito que ele queria ver a nossa mãe.

—Ai! Taila, isso me assusta! Eu nem acredito que você passou por isso. Volte a morar com a gente, eu prometo que vou te proteger, como sua irmã mais velha.

—Você é a irmã mais velha mais fofa que existe, ou o irmão — brincou, sabendo que a irmã fingiria estar brava. Ela lhe deu um tapinha no braço. — Mas eu não posso abandonar nem o meu pai, nem o Choi Young Do. Eu sempre fui uma idiota que fugia deles.

—Pare de se culpar por eles te afastar. A culpa é deles, principalmente do seu pai. Bancar a compreensiva não vai mudá-los em nada.

—Eu sei — Taila estava engasgada, parecia que sua cabeça estava cada vez mais confusa. Elas pararam para observar os alunos brincando na praia. Eles gritavam e se divertiam bastante. Algumas pessoas até mesmo tiravam fotos de suas brincadeiras, fingindo estar tirando fotos da praia. — Preciso tirar uma última coisa a limpo, antes de que tudo isso se resolva e poderemos viver bem.

—O que é?

—Conversar com o Kim Tan.

—Vá em frente — ela passou o braço em volta do pescoço de Taila e a abraçou forte. — Depois de você resolver isso, venha jantar comigo e a mamãe, nós sentimos muito a sua falta e queremos passar um tempo com você.

—Eu vou, vou levar o meu namorado comigo.

—Não vejo a hora — ela a soltou sorrindo, empolgada. — Já disse que eu adoro orientais, então, cuidado!

—Eu te mato se você me roubar o Choi Young Do. Eu aprendi golpes mortais graças a um treinamento do papai.

—Você vai mesmo enfrentar uma garota que já foi um cara um dia?

As duas apenas gargalharam uma para a outra. Taila caminhou em direção à praia e Marcela apenas a acompanhou com o olhar. Kim Tan estava surfando ao lado de Jay. Chan Eun Sang, estava sentada debaixo de uma sombrinha os observando. Assim que Kim Tan saiu da água caminhando e conversando com Jay, Taila se aproximou correndo.

—Kim Tan posso falar com você?

—Claro — ele sorriu, fincou a prancha na areia e apoiou seu braço nela.

—É particular — eles estavam falando em coreano, então Jay não entendeu uma palavra sequer. Taila então se virou para ele e disse em português: — Jay será que eu posso falar com o Kim Tan um momento?

—Claro. Já que agora eu posso falar português, beija logo ele e fica com ele, e deixa que eu consolo a namorada linda dele.

—Jay! — Ela gritou dando-lhe um tapa no ombro. Ele levantou as suas mãos em sua defesa e anunciou em inglês:

—Já estou indo.

—Eu ainda não me conformo que o Jay saiba português e eu não — resmungou Kim Tan.

Ela sorriu e disse:

—Mas ele não fala coreano.

—E você sua chata, desde quando você aprendeu a falar três línguas? Isso é realmente injusto. Por que não me espera naquele quiosque ali — ele apontou — vou avisar a Chan Eun Sang e já estou indo.

—Está bem!

Taila se sentou e pediu uma água de coco. Havia recebido informações demais para apenas um dia, sua cabeça estava doendo e fingir estar bem, estava fazendo seu peito doer. Tudo o que ela queria, era contar tudo para alguém. Assim que ele chegou, ela acenou com um sorriso. Ele se sentou e foi logo roubando sua água de coco, bebendo no mesmo canudo que ela havia bebido.

—Ah, como eu estou cansado.

—Claro, surfando o dia todo, quem não ficaria.

—Parece até que voltamos àquela época — ele sorriu. — Mas você queria conversar comigo sobre o quê?

—Sobre nós dois! — Ela disse tão rápido que ele engasgou com a sua água, tendo mil pensamentos.

—Nós dois?

—Kim Tan você conhece o meu pai? Você conhece tão bem a ponto de já terem tido uma conversa séria? — Ele arregalou seus olhos, parecia se sentir encurralado. — Você realmente me salvou quando eu me afoguei?

—Do que é que você está falando? Claro que eu salvei — ele parecia tremer enquanto falava.

—Tem certeza? Por que meu pai me mandou falar com você sobre aquele dia?

—Ele falou? Ele realmente te mandou falar comigo?

Ele engoliu a água de coco com dificuldade. Colocou o coco sobre a mesa e depois as suas duas mãos também sobre a mesa e disse olhando para os seus dedos que se mexiam.

—Eu tenho dificuldades ainda de me lembrar do que aconteceu, porque foi tudo muito rápido. Eu estava surfando como sempre. Eu tinha apenas quinze anos. Eu era um moleque ainda. Eu vi a lancha e vários homens tendo dificuldades para encontrar alguém perdido no mar. Eu mergulhei e consegui te ver. Você estava indo cada vez mais para o fundo. Quando eu te puxei para cima, eles vieram me ajudar. Eu tentei te reanimar na lancha até chegarmos a praia. O seu pai chegou logo depois desesperado, eu realmente pensei que você fosse morrer, porque já havia passado tempo demais. Ele gritava o tempo todo para te salvar e quando você acordou, ele se escondeu no meio da multidão. Eu te levei para minha casa. E quando você foi embora, ele me procurou, dizendo que eu devia cuidar de você, porque você se apegaria a mim. Eu fiquei um pouco apreensivo porque eu não sabia o que estava acontecendo e ele me disse que foi um erro e que ele nunca se perdoaria por ter te colocado em perigo daquela forma. E que eu devia cuidar de você da forma que ele devia ter cuidado. E que depois daquele dia nunca mais agiria da mesma forma novamente — as lágrimas caíram de seus olhos como duas agulhas. Nunca haviam doido tanto para saírem. A dor em seu peito estava cada vez mais forte. — Ele estava muito mal, e eu não pude não aceitar cuidar de uma garota que parecia uma boneca como você. Eu nunca havia tido uma amiga ou uma irmã naquela época. E como o seu pai havia me pedido, eu devia cuidar de você e eu ainda era noivo... quanto mais eu lembrava do desespero do seu pai, mas eu lembrava que eu não podia machucar você porque eu nunca me perdoaria. Taila, você viu que quando eu cruzei essa linha, eu te machuquei. E quando o seu pai soube, ele me procurou e disse que eu havia falhado no teste dele, mas um dia ele me traria você de volta, muito mais forte do que eu já havia te visto.

Ela não conseguia pronunciar uma palavra sequer, sua respiração estava ofegante. Tudo o que ela queria era ir para o lugar mais alto que existia e gritar bem alto. Ela simplesmente se levantou e saiu correndo, Kim Tan tentou correr atrás dela, mas foi inútil. Ela correu para as rochas perto da praia, queria apenas ficar em um local alto, um lugar deserto, só queria ficar sozinha.

Ao chegar lá em cima ela gritou, gritou alto para que o mar pudesse ouvir o seu desespero. O segredo que ela acreditava guardar, era muito menor do que o segredo que todos aqueles que ela amava haviam guardado dela. Sua cabeça estava doendo e seu peito estava doendo, doendo tanto que ela nem podia imaginar.

—Ah, você está aí — uma voz veio detrás dela. Seu peito doeu, tudo o que ela queria era que aquela pessoa sumisse. Pela tonalidade da voz, ela já percebeu quem era.

—Yang Mi, vá embora.

—Embora? Você sabe como o Choi Young Do Oppa me encheu para tentar te encontrar? Taila, o seu pai...

—Eu não quero ouvir — ela gritou como uma criança, colocando as mãos nos ouvidos. — Some daqui!

—O que você tem? Aconteceu alguma coisa? — Ela se aproximou de Taila, que parecia estar transtornada e isso a deixou completamente preocupada.

—Não se aproxime de mim — ela correu em direção ao mar, mas as rochas eram muito altas e quase formavam um precipício, mas não era tão alto a ponto de matar uma pessoa. — Sai, Yang Mi!

—Taila, o seu pai está...

—Pare! — Ela gritou tão alto que era possível que algumas pessoas que estavam na praia ouvissem. Começou a chorar imediatamente, Yang Mi conseguiu se aproximar e abraçá-la.

—Você vai se machucar! — Murmurou para Taila. Que estava chorando em seus braços.

—Por que Yang Mi? Qual é o meu problema?

—O que você tem? — Ela a segurou enquanto ela se sentava em meio as pedras. — Quer que eu chame o Choi Young Do Oppa?

—Não! — Ela gritou rapidamente. — Não agora. Ele não ia entender, provavelmente ele ia pensar que eu não gosto dele, mas é exatamente o contrário.

—Eu não estou entendendo nada, você não pode mesmo me contar?

—Se eu te contar você vai encontrar uma brecha para tirar o Young Do de mim e se isso acontecer, eu te mato!

—Você acha que eu seria capaz de fazer algo assim?

—Acho. E sabe por quê? Porque eu conheço esse sentimento, eu posso ver que você gosta mesmo do Young Do, mas eu não posso deixá-lo ficar para você. Eu preciso mais dele.

—Mas Taila... por quem é que você sentiu isso? Esse sentimento de amor-não-correspondido?

—Por quem? Essa é fácil, pelo Kim Tan!

—Pelo Kim Tan sunbae?! — Ela arregalou seus olhos espantada. — Por isso vocês eram tão próximos?

—Parece que só agora eu entendi tanta proximidade entre a gente.

—Taila vamos para o hotel, acho que agora você está mais calma. O Choi Young Do Oppa estava preocupado com você e com o seu pai.

—O que aconteceu com o meu pai?! — Ela arregalou seus olhos, segurando na gola do vestido de Yang Mi.

—Você vai descobrir quando chegarmos.

—Fala logo Yang Mi! Agora eu preciso saber, eu já estou bem. Isso que você viu, foi o que meu pai chama de “surtos da Taila”, agora fala logo.

—Ele estava no hotel e desmaiou nos braços do Choi Young Do Oppa. Ele me mandou vir te buscar, já que você esqueceu seu celular.

—Essa não!

Ela praticamente saiu correndo, deixando Yang Mi para trás, ainda sentada. Taila estava com o rosto inchado e vermelho. As pessoas que a viam ficavam preocupadas. Ao vê-la entrando desesperadamente em um taxi, Kim Tan correu para falar com ela, após pedir que Jay cuidasse de Chan Eun Sang.

Ela não lhe deu ouvidos e entrou no taxi fechando a porta imediatamente. Ele abriu a porta antes que o motorista desse partida no carro e entrou também no taxi. Se sentou ao lado dela que estava novamente chorando.

—Taila o que eu te disse te magoou tanto assim? Eu pensei que...

—Kim Tan, o meu pai está... ele está morrendo — ele arregalou seus olhos preocupado.

—Como assim?! O que ele tem? Ele sofreu algum acidente? Ou ele está... doente?

Ela apenas assentiu, escondendo seu rosto nos braços dele, ele a abraçou forte, passando a mão levemente em seu cabelo. Ele sabia que se ela perdesse o seu pai, nada a faria ser forte o suficiente para superar.

Notas finais
Então gente, vocês gostaram? Não esqueçam de deixar um comentário. Vejo vocês no proximo, beijos