Consequências
29 O encontro
Notas iniciais
Quando Taila chegou ao hospital, correu para os braços de Choi Young Do, que estava apreensivo na sala de espera. Ao ver o estado da namorada, ficou preocupado. Sabia que aquela viagem estava sendo muito mais difícil para ela, do que uma simples viagem escolar. Kim Tan não havia entrado. Havia voltado para o hotel para trocar de roupa e também buscar Chan Eun Sang que estava ainda se divertindo na praia.
—O que aconteceu Young Do?
—Ele simplesmente desmaiou nos meus braços após a briga de vocês. Eu fui tentar conversar com ele, mas ele desmaiou antes de eu conseguir falar alguma coisa. E levando em conta o estado dele...
—Os senhores estão acompanhando o senhor Roberto Monteiro? — Uma enfermeira se aproximou.
—Sim, eu sou a filha dele — respondeu deixando o namorado de lado e dando completa atenção a mulher.
—O médico quer falar com a senhorita.
—Está bem.
Ela se afastou, enquanto ele se sentou novamente nas cadeiras da sala de espera. Assim que chegou em frente ao médico, ele estava com uma expressão séria e cansada.
—Então, você é a filha do senhor Roberto Monteiro.
—Sim, sou eu.
—Como é o seu nome?
—Taila.
—Taila, o seu pai já acordou e está bem — ela respirou aliviada. — Mas depois de receber os exames, nós percebemos que seu pai está com um tumor de grau avançado no cérebro e pelo que nos parece ele não está sendo tratado.
—Eu sei, ele é muito teimoso, eu não sei o que fazer para ele aceitar fazer o tratamento.
—Tente convencê-lo logo, pois nesse ritmo, a expectativa de vida dele está diminuindo a cada dia. Nós podemos dar no máximo mais uns três meses de vida, isso se ele tiver um bom tratamento. Caso contrário, a expetativa dele vai se reduzir a um mês, no máximo.
—Eu vou convencê-lo — disse séria. No fundo estava desesperada com aquela notícia.
—Está bem! Vá falar com ele agora, você me parece cansada.
O médico saiu caminhando lentamente em direção a outro quarto. Taila caminhou em direção ao quarto de seu pai. Abriu a porta devagar. Ele estava deitado olhando para a janela, estava impaciente.
—Pai, você está bem?
—Estou... — ele respondeu ríspido, mas parou de falar, assim que sentiu os braços de sua filha envolvendo seu corpo com força. — Taila o que você está fazendo?
—Pai, por favor, comece o tratamento.
—Taila, eu não preci...
—Por favor — ela o apertou mais, era possível ouvir o barulho de seu choro.
—Está bem, eu vou fazer esse tratamento, mas não precisa chorar — ela o soltou e lhe deu vários beijos no rosto. — Você é exagerada demais. Pode pedir para o seu namorado entrar?
—O Choi Young Do?
—Claro, apresente-o ao seu pai, ou vai continuar namorando como uma filha independente?
Ela apenas assentiu. Se preparou para caminhar em direção a porta quando sentiu a mão quente dele segurar em seu pulso, parou e olhou para ele atenta.
—Me desculpe filha, pela nossa última discussão. Eu sei que já faz tempo que eu não tenho agido como um pai, mas eu fiquei transtornado desde a última vez que você se machucou e eu...
—Eu já sei — lançou lhe um olhar compreensivo. — Eu já sei de tudo, eu realmente fui falar com a minha mãe sobre isso.
—Eu sei que você foi. Mas o que eu quero é que... desde que eu descobri que estava doente, eu quero que nós tenhamos uma vida diferente, mas eu nunca tive coragem que falar para você. Vamos recomeçar filha! Como se a nossa viagem para os Estados Unidos nunca tivesse acontecido!
Ela apenas sorriu e assentiu. A expressão séria e deprimida de seu rosto, se encheu de alegria com aquele sorriso sincero. Choi Young Do ficou um pouco nervoso quando Taila o chamou a pedido de seu pai. Não fazia ideia do que esperar de um pai como Roberto, seu pai era severo, mas não como Roberto. Roberto era uma pessoa única aos olhos de Choi Young Do.
—Pai, acho que você já conhece o Choi Young Do de vista.
—Claro que conheço, mas nunca fomos devidamente apresentados — ele estendeu a sua mão, e Choi Young Do apertou-a se curvando ao mesmo tempo.
—É um prazer conhecê-lo.
—Então Choi Young Do você sabe que eu estou morrendo, não é? Então, você vai cuidar bem da minha filha, não vai?
—Vou sim senhor — Roberto fez cara de desconfiado. — Não magoe a Taila, está bem? Ela é a minha única filha. E uma coisa que me fez admirar vocês dois, é que mesmo nunca impedindo minha filha de namorar homens pobres, ela nunca se interessou por nenhum deles. Incrível como o Kim Tan largou duas pretendentes ricas por uma pobre. Você não concorda comigo Choi Young Do, que mulheres não gostam de nós homens, elas gostam de nosso dinheiro?
—Pai! — Gritou indignada.
Choi Young Do arqueou a sobrancelha e começou a rir no mesmo instante em que Roberto gargalhou. Taila sabia o porquê de seu pai fazer tal afirmação, mas ficou muito feliz que ele estava fazendo aquilo para se dar bem com Choi Young Do. Seu coração se encheu de alegria, vendo-os fazendo piada um para o outro.
Após o jantar, todos os alunos se prepararam para dormir. Taila ao contrário, saiu escondida após receber as ordens da diretora para irem dormir. Mandou uma mensagem para que Choi Young Do a encontrasse no saguão do hotel. Ficaria escondida perto da entrada, ela sabia que seria fácil se esconder, já que fazia aquilo direto para fugir de seu pai.
Ele desceu com cuidado para não ser visto pelos seguranças de Roberto, que também estavam vigiando os alunos. Estava usando uma calça jeans preta, uma de suas favoritas e sua jaqueta de couro, também favorita. Deixou seu cabelo caído na testa, já que Taila havia lhe dito que ele ficava mais bonito assim.
Atravessou a porta da frente, após colocar seus óculos escuros, não se importando se era noite ou não. Ficou parado esperando-a em frente ao hotel. Taila se aproximou dele, abraçando-o por trás. Ele retirou os óculos ao mesmo tempo que ela o soltou e ficou de frente para ele.
—Depois eu que sou o delinquente, não é?
Ela apenas sorriu, pegando na mão dele.
—Vamos?
—Para onde?
—Ter um encontro. Nós não tivemos nenhum momento sozinhos desde que chegamos aqui, não quero que essa viagem seja desperdiçada.
—Você tem certeza que quer ter um encontro? Você passou por coisa de mais para um dia.
—Ei! Quem é você e o que fez com o meu Choi Young Do? Desde quando você é tão bonzinho?
—E desde quando você é tão negligente com a sua saúde? — Disse ele, cerrando os dentes e bagunçando completamente o cabelo dela com uma de suas mãos.
—Vamos, antes que os seguranças desconfiem.
Ela praticamente o puxou, mas alguns passos depois, ele soltou a mão dela e pousou-o no ombro em seu ombro e assim começaram a caminhar despreocupadamente pelas ruas do Rio de Janeiro.
—Taila — começou ele, após caminharem por vinte minutos — é verdade que aqui no Rio de Janeiro é muito perigoso.
—É claro que sim — ele parou imediatamente de andar com uma expressão preocupada. — O que foi Young Do? Devemos tomar cuidado, mas ainda podemos andar um pouco por aí. Qualquer coisa, eu uso meus golpes de luta mortais.
—Você acha mesmo que tem alguma chance?
—É claro que tenho. Eu treinei.
—Taila você é pequena e fraca para lutar com qualquer pessoa — ele se aproximou, seu olhar parecia sincero. — Então, porque você e seu pai não param com essa bobagem de testes agora?
—Você está dizendo que eu não posso passar em um teste do meu pai?
—Não, se for o tipo do teste que eu estou pensando.
—Você é mesmo um idiota. Vamos encerrar esse encontro por aqui.
—Claro que não, você vai ter um encontro comigo mesmo à força.
—O quê?!
Ele nem sequer esperou, abaixou-se quase se ajoelhando no chão, pegando-a pela cintura e colocando-a rapidamente sobre seu ombro e se levantando em seguida. Ela começou a gritar para ele parar, mas logo parou. Lembrou-se que os gritos de uma mulher no Brasil àquela hora da noite, mesmo que ainda fossem nove da noite, já podiam significar sinônimo de violência. Ela conseguiu o fazer colocá-la no chão, após atravessar a rua, em direção ao calçadão com ela no ombro.
—Você é mesmo um maluco! Encontro à força... — ela olhou em volta e admirou a lua cheia, em seguida pegou na mão dele e disse sorrindo. — Vamos para a praia!
—Como?
Ela praticamente saiu correndo, o puxando junto. Sentiram seus pés pesarem com o tempo. Estavam de tênis e havia entrado bastante areia dentro deles. Assim que eles pararam, puderam ter uma ótima visão do mar, apenas observando-o iluminado pela luz da lua.
—É realmente lindo! Tão lindo quanto era em Los Angeles.
—Você viu o mar à noite com o Kim Tan também? — Perguntou sério, era obvio que estava com ciúmes de uma maneira mais quieta.
—Sim, mas agora é diferente. Antes, sempre que eu olhava para a lua eu me distraia e acabava tropeçando em algo, lembrando do dia em que o Kim Tan cuidou de mim. Mas a partir de hoje, eu vou sempre me lembrar de você e de hoje.
—Ah, como você é melosa — resmungou ele, mas no fundo estava completamente feliz pelos sentimentos de Taila serem seus, e não mais de Kim Tan. — Eu estou derretendo.
—Você é realmente irritante!
—Não é que eu não goste, mas é porque eu banco o tipo bad boy, não tenho tempo para dedicatórias de amor.
—E para o que você tem tempo então?
Ele passou rapidamente o seu braço em volta da cintura dela e a puxou, trazendo o corpo seu para perto do seu, apoiando-o deitado sobre os seus braços. Ele sorriu da mesma forma que havia sorrido para Chan Eun Sang antes de jogá-la completamente na piscina, mas desta vez, ao invés de seus braços se soltarem, o seu rosto se aproximou do dela e seus lábios se tocaram, com suavidade e carinho. Em um beijo forte e intenso. O vento frio que batia neles com as gotículas do mar, não e não estava conseguindo impedir o calor de seus corpos.
Taila interrompeu aquele beijo, um pouco ofegante. Ele também estava.
—Young Do é melhor a gente parar.
—Por quê? — Sentiu-se incompreendido.
—Porque beijos assim podem evoluir para outras coisas e não está na hora que isso aconteça.
—Você realmente... — ele a colocou em pé enquanto falava. — Quer dizer que além de uma namorada melosa, ela ainda é uma pervertida.
Ela apenas sorriu, se sentando na areia. Ele também se sentou e os dois ficaram observando o mar. Depois eles se deitaram juntos, ela se deitou sobre o braço dele e ficaram olhando as estrelas brilharem. De mãos dadas.
—Eu adorava fazer isso com a minha mãe, quando eu era pequeno — começou Choi Young Do sorrindo — observar as estrelas.
—Eu também, mas eu olhava ao lado da minha irmã, que ainda era um garoto na época.
—Como? A sua irmã foi um garoto?
—Eu não te contei? — Ela não conseguiu ver a expressão dele, mas já imaginava que ele estava surpreso. — Meu irmão se chama Marcelo, mas ele passou a se vestir como uma garota quando ele completou treze anos, eu ainda tinha oito na época. Ele disse que sempre sentiu inveja das minhas roupas e queria vestir roupas iguais as minhas. Young Do você quer visitar a minha família amanhã?
—Eu posso?
Ela sorriu, antes que ele aproximasse seu rosto novamente e seus lábios pudessem se tocar.
—Young Do quando foi que você se apaixonou por mim?
—Nossa — ele até mesmo ficou zonzo com uma pergunta tão repentina — você não pode me perguntar algo mais objetivo?
—Eu só queria saber o que foi que eu fiz que te fez esquecer a Eun Sang.
—O que foi? Eu não sei, acho que uma das coisas foi que você me deixava intrigado a cada dia, eu não sabia quem você era e você era perigosa, você até mesmo me deu um soco.
—Mas você me assustou.
—E daí?! — Ele estava indignado. — Só porque uma pessoa aparece de repente, ela merece ganhar um soco?
—Está bem, me desculpe, Choi Young Do.
—E uma coisa me deixou irritado.
—Irritado?
—Sim, o fato de você gostar do Kim Tan. Como você podia gostar daquele cara e gostar também da Chan Eun Sang? Eu me perguntava isso todos os dias. E uma última coisa, você é uma louca que poderia ter subido na moto de qualquer cara, mas eu fico feliz por você ter vindo direto para mim.
Ele envolveu seus braços em volta do corpo dela, deixando seus corpos colados um ao outro. Ela não recusou aquele carinho.
—Depois eu que sou melosa.
—Eu não sou meloso — resmungou.
—Claro que não, meu bad boy.
Ela colou seus lábios aos dele novamente e moveu seus lábios devagar e com bastante suavidade. E assim passaram um longo tempo de seu encontro forçado, até dar a hora de voltar para o hotel.
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