Consequências
12 O inesperado
Notas iniciais
–Choi Young Do? — murmurou quase sem voz. — Você...
–Você não queria que eu voltasse? — ele fechou vagarosamente os seus olhos. — Agora fique quieta!
Ela não sabia o que dizer após aquele estranho abraço repentino, mas ela sabia que ele não faria aquilo se não tivesse um grande motivo. Mesmo ainda não tendo convivido com ele tanto quanto conviveu com Kim Tan, ela podia sentir que ele estava sendo sincero com suas palavras.
Ela fitou a lua, a mesma lua que ao observá-la, tropeçou e se machucou. Agora ela estava observando-a com o abraço mais aconchegante que ela já havia recebido na vida. Naquele momento agradeceu e desejou que nada em sua vida fosse mudado, pois não estaria ali se algo tivesse sido diferente.
No dia seguinte, Taila chegou ao colégio cedo, suas pernas ainda estavam com vestígios de sua queda e ela acabou vestindo o seu uniforme de educação física para cobrir as pernas machucadas e não ter que responder a nenhuma pergunta.
Ela sentou-se em sua carteira na sala de aula, mas em seguida se levantou e parou-se de frente à janela e ficou observando o sol e o pátio da escola. Conseguiu ver Park Soo Yong chegando, preferiu permanecer quieta a chamá-lo para conversar. Quando virou-se para trás, viu Jang Yang Mi entrando irritada na sala, ela estava com as bochechas infladas, respirando pesado, enquanto batia com força os pés no chão. Ela jogou sua mochila sobre a sua mesa, sentou-se e apoiou a cabeça na mesa e escondeu seu rosto em meio ao seus braços.
–Choi Young Do idiota... — ela murmurava para si mesma enquanto estava ainda com a cabeça baixa. Taila não conseguia ouvir o que ela murmurava. Agora estava diante de um grande dilema, se iria até ela e perguntava o que aconteceu, ou se simplesmente ignorava-a, já que ela não havia percebido que ela estava na sala também.
Taila resolveu optar pelo mais fácil. Caminhou em passos lentos e leves em direção a porta. Ela não sabia se iria conseguir sair logo daquela sala, mas era tudo o que ela queria. Taila estava fazendo bem a sua trajetória, quando ouviu um barulho muito similar ao choro de uma pessoa. Realmente havia acontecido algo com Yang Mi e ela não estava mais conseguindo ignorar. Aproximou-se dela e tocou sua cabeça. Sentou-se na cadeira da frente virada para trás, olhando diretamente para a menina que estava com o rosto completamente inundado de lágrimas.
–Você está bem Yang Mi?
–Eu tenho cara de quem está bem?! — gritou irritada. Taila nem sequer mudou sua expressão. A garota estava muito mal para poder dar ouvidos a uma pergunta tão óbvia. — Eu acho que sou muito burra mesmo.
–O que exatamente aconteceu?
–O Choi Young Do furou comigo ontem... — a expressão de Taila, não foi nada mais nada mesmo do que surpresa. Ela sabia que ele havia tido um bom motivo para faltar, mas o abraço que ele havia lhe dado mais tarde era a prova de que ela também tinha culpa pelo atraso dele ao seu encontro. Tudo o que passava em sua cabeça era que ele iria pegar o taxi para ir ao seu encontro, mas ele me chamou para irmos para casa, pensou. — Ele nem sequer me ligou para desmarcar. Eu estou com raiva. O pior é que eu nem tenho coragem de me declarar para ele. O que eu faço Taila?
–Quê? — ela foi resgatada de uma vez de seus pensamentos distantes. — Do que você está falando?
–Como assim do que eu estou falando? Eu estou falando que o Choi Youn...
–Eu tenho que ir Yang Mi! — ela levantou-se no mesmo instante e deixou a sala. Os outros alunos já estavam chegando então a escola estava movimentada. Assim que passou pela porta Taila se esbarrou-se em Park Soo Yong, mas nem sequer percebeu que era ele e continuou o seu caminho.
–Taila! — Jang Yang Mi foi até a porta procurar por ela, mas quando chegou encontrou, além dos alunos andando apressados pelo corredor, Park Soo Yong parado em frente à sua sala. — Você é novo aqui?
–Sou! Acabei de ser transferido. Começo amanhã, mas resolvi dar uma olhada no colégio. O que aconteceu com aquela menina que ela saiu correndo agora mesmo?
–Eu sei lá. Ela está se comportando como uma maluca hoje. Ela nem sequer ouviu enquanto eu estava conversando com ela e de repente saiu correndo.
–É mesmo? E o que vocês estavam conversando?
–Isso não é da sua conta! — ela preparou-se para voltar para a sala, quando ele segurou firme em seu braço. Ela apenas olhou para a mão dele com um olhar de indiferença. Ele soltou seu braço no mesmo instante. — O que você está fazendo?
–Por favor, me diga o que você sabe. Quer dizer, pelo menos me diga, você estavam por acaso conversando sobre o Choi Young Do?
–Como você sabe disso? Quer dizer, eu não sou obrigada a dizer nada a vo...
Os olhos dele caminharam em volta do corredor procurando por algo que ele pudesse reconhecer. Assim que percebeu que havia algo errado, ele saiu correndo, ele não sabia para onde estava indo, mas sabia que deveria estar lá.
–Que dia estranho hoje! — comentou Yang Mi sem sequer saber de nada do que estava acontecendo.
Taila corria para encontrá-lo, mas não conseguia vê-lo em lugar nenhum. A única pessoa que encontrou sem sua intenção foi seu segurança. Acabou se esbarrando nele e por isso mesmo percebeu que seu pai estava novamente no colégio.
Ele aproximou-se da filha e abraçou-a com um sorriso radiante. Ela não estava muito feliz ao ver o pai, mas se comportou como se estivesse. Após uma longa e falsa conversa, os dois se afastaram dos alunos que já estavam indo para a sala de aula e ele começou a falar com uma voz e um tom muito mais alto que o comum.
–Então quer dizer que finalmente o Kim Tan descobriu que você está morando na casa do filho daquele hotel...
–Eu sabia que não haveria tempo nenhum. Você ainda está me espionando...
–Para de falar assim mocinha! Estamos na Coreia e você deve falar formalmente comigo.
Ela respirou fundo para poder aguentar o tom que seu pai falava.
–O que o senhor quer?
–Muito melhor, muito melhor mesmo. Eu só vim aqui conversar com um de seus amigos...
–O senho....
–Não se preocupe. O amor da sua vida está a salvo. Eu não vou dizer nada a ele, apesar de eu ainda preferir que você morasse com ele do que com esse outro cara.
–Por favor, fala logo o que você quer?
–Eu vim te trazer isso — um dos seguranças entregou uma papelada nas mãos de Roberto que passou imediatamente para as mãos de Taila. — Então Taila Monteiro, você aceita participar de mais um teste?
A aula havia sido longa, Taila nem sequer havia conseguido falar com Choi Young Do após falar com seu pai. Yang Mi estava o tempo todo contando sobre suas mágoas para ela, mas ela nem sequer estava mais se importando com aquilo. Tudo o que ela estava preocupada era com os papéis sob a sua mesa. Ela não sabia se estava na hora de seguir em frente, ou continuar com aquilo. Aquilo só a estava fazendo mal, mas em momento algum ela estava sendo obrigada a fazê-los. Por isso mesmo, nunca considerou seu pai inteiramente responsável por eles, mas nunca tirou a responsabilidade de que tudo aquilo só estava acontecendo por causa dele.
Assim que a aula acabou ela foi a primeira a deixar a sala de aula e foi a primeira a deixar o colégio. Ela não queria se encontrar mais com Choi Young Do, e muito menos com Kim Tan, que nem sabia o que era aquilo.
Ela pegou um taxi e foi passear pela cidade. Ela foi para um dos belos parques de Seul e ficou sentada em um banco pensando. Jogou sua mochila do seu lado e permaneceu com aquele envelope gigante na sua mão. Lá dentro havia instruções de tudo o que iria passar e aqueles papéis eram a prova de que ela estaria isenta de qualquer risco de morte, mas que machucados graves poderiam ocorrer. Ela já havia cansado de ver papéis como aqueles e nunca um teste daqueles havia ido bem.
–O que isso? — uma voz grave vinha de trás dela. Ela não sabia quem era, mas reconheceu o timbre da voz e mesmo não tendo certeza de quem era, disse sem olhar para trás:
–Um teste! Espera, eu não deveria ter te respondido a essa pergunta.
Ele deu a volta e sentou-se ao lado dela.
–Como não?! Eu te carreguei ontem nas minhas costas depois de você me tacar uma pedra e você ainda nem sequer me disse obrigado.
Ela respirou fundo, mas não estava sentindo o clima pesar, mas sim estar ficando cada vez mais leve.
–Está bem, obrigada por cuidar de mim ontem à noite.
–Era você quem deveria estar cuidando de mim. Você é a minha escrava!
–E você é o meu escravo.
Ele sorriu, coçando a cabeça em seguida dando um ar de confusão ao momento.
–É mesmo! Eu tinha me esquecido desse detalhe. Isso está confundindo a minha cabeça.
–Nem me fale — ela sorriu de volta para ele.
–O que é isso? Matéria da prova?
–Não — sorriu — na verdade, é sim. É a explicação de como o teste vai ser, onde vai acontecer e como vai acontecer, mas eu não posso abrir enquanto eu não tiver certeza se eu vou ou não fazê-lo.
–É tão ruim assim? Assim... não faz muito sentido você fazer isso para mim, mas eu ainda não entendo os motivos.
–Nem eu — ela sorriu sem graça. — Choi Young Do...
–Acho que você já pode parar de me chamar pelo meu sobrenome — disse ele de repente, evitando olhar para ela, enquanto ela tentava fazer o mesmo mas não conseguia. — Acho que já somos próximos o suficiente para você me chamar apenas pelo meu nome quando estamos sozinhos.
Ela sorriu.
–Está bem, Young Do. Você não tinha nada importante ontem?
–Claro que não, por quê?
–Tem certeza? Porque eu acho que você se esqueceu de se encontrar com alguém ontem?
–Com alguém? — ele lembrou-se logo do dia em que estava no estúdio de Myung Soo e Jang Yang Mi apareceu do nada e convidou-o para um encontro. — Nossa eu me esqueci daquela menina. Ela provavelmente vai querer me matar... mas pensando bem, ninguém naquele colégio além do Myung Soo gosta de mim mesmo.
Ela preferiu ficar quieta, enquanto seu coração estava gritando por dentro, dizendo que ela também se importava com ele.
–É uma pessoa a menos para eu me importar. Agora só falta uma pedra no meu sapato para me livrar.
–Não precisa falar assim de mim também — bufou virando-se de costas para ele. Seus olhares estavam distantes, mas seus sorrisos foram sincronizados. Eles pareciam estar cada vez mais próximos um do outro. — Young Do, eu gostaria de tirar um pedido que eu fiz a muito tempo.
–Que pedido?
–Se eu estiver em perigo, você me protege?
–Não! — a resposta dele foi tão rápida que ela nem sequer conseguiu captá-la direito.
–Quê?
–Eu não quero arriscar a minha vida. Eu ainda gosto muito de mim.
Ela respirou fundo. Ele sabia como estragar qualquer momento especial que houvesse entre eles. Ela levantou-se imediatamente e ficou de pé de costas para ele e disse:
–Bom, pelo menos eu tenho o Kim Tan... e o Park Soo Yo...
Ela sentiu a mão firme e quente dele apertar firme o seu pulso, com um puxão inesperado e forte, ele fez ela voltar para trás e sentar-se de volta no mesmo lugar em que ela estava. Taila assustou-se com a reação repentina dele, mas ele estava com uma expressão preocupada.
–Por favor, não se aproxime mais do Park Soo Yong, ele não é o que você pensa.
–Choi...
Ele puxou-a em sua direção e o corpo dela ficou inclinado e deitado sobre o corpo dele, que permanecia ereto. Uma das mãos dele estava novamente em suas costas e a outra encostando na sua cabeça, movendo-se suavemente no seu cabelo.
–Desde que você subiu na minha moto, eu percebi que você era uma pessoa inocente. Desde aquele dia eu assumi a responsabilidade de te proteger, mesmo que você não saiba disso.
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