Consequências
13 Inseguro
Notas iniciais
O abraço de Choi Young Do era quente e confortável, aquelas palavras fizeram Taila desejar nunca mais deixá-lo, ele realmente se importava com ela mesmo que demonstrasse isso de sua forma torta. Ela não conseguia entender, mas seu coração saltitava, quase da mesma forma que quando via Kim Tan há anos atrás.
Os dois permaneceram em silêncio após as palavras de Choi Young Do. Era mais importante aproveitar aquele momento em silêncio do que deixar que as palavras os estragassem.
Há alguns metros dali, Park Soo Yong estava apenas observando-os. Seu olhar estava fixo no casal, e uma de suas mãos estavam inquietas dentro de seu bolso. Fechou seus olhos vagarosamente e respirou fundo. Pegou o celular em seu bolso e com um pouco de nervosismo discou um número, após pegar o papel em seu outro bolso.
–Alô? — falou a pessoa do outro lado da linha.
–Senhor Roberto Monteiro? Mudei de ideia, acho que eu quero sim participar desse teste.
O telefone do outro lado foi desligado imediatamente, ele continuou parado olhando para os dois, ainda com o telefone pendurado na orelha. Ele respirou fundo novamente e disse diretamente para Taila, mas quase em um sussurro para si mesmo:
–Você é a minha heroína Taila e eu não estava mentindo quando disse que estava gostando de você, mas eu prometi que enquanto eu estivesse vivo, eu me dedicaria a acabar com a vida do Kim Tan e do Choi Young Do. Eu nunca imaginei que você estaria no meio dessa história um dia.
No dia seguinte, Kim Tan saiu cedo de casa, sua mãe ficou preocupada, pois ele não havia dito aonde estava indo. Assim que chegou ao seu destino, os seguranças da casa deixaram que ele entrasse sem ser anunciado ou sequer perguntar ao dono da casa. Afinal, os dois já haviam sido grandes amigos.
Kim Tan ficou esperando na sala, quando avistou Choi Young Do descendo as escadas com o cabelo levemente desarrumado, ainda de pijama, bocejando e espreguiçando seu corpo enquanto andava.
–O que você quer a essa hora aqui na minha casa?
–Como assim o que eu quero? — falou com a voz firme. Colocou as mãos nos bolsos da calça, estava usando mais um de seus famosos suéteres. — E vim buscar a Taila! Acha mesmo que eu ia deixar ela ficar morando aqui com você?
Choi Young Do soltou uma gargalhada e depois lançou um olhar irônico para Kim Tan:
–Acho que você chegou atrasado. Se você tivesse vindo há um tempo atrás, eu entregaria ela sem pensar duas vezes, mas pensando bem, você já me tirou a Chan Eun Sang, acho justo eu receber uma recompensa por isso.
–Você acha que a Taila é um tipo de brinde por acaso? — Kim Tan aproximou-se furioso, encarando-o.
–Quer que eu responda?!
Kim Tan não conseguiu se controlar e deu um forte empurrão em Choi Young Do, que acabou caindo no chão. Por pouco não acertou a mesa de vidro que estava próxima.
–Eu não vi...
–Ei, vocês dois! — gritou ela, descendo as escadas rapidamente, ainda usando pijamas, que era a camisa velha de Choi Young Do, e com o cabelo completamente bagunçado e mais volumoso que o comum. — Kim Tan o que você está fazendo?
–Eu deveria colocar os meus seguranças pra te por pra fora daqui! — falou Choi Young Do se levantando. — Mas eu não vou fazer isso. Só não agrida o dono da casa, isso magoa.
A forma sarcástica de Choi Young Do, deixava Kim Tan ainda mais furioso. Taila aproximou-se dos dois e ficou tentando impedir que eles fizessem contato visual um com o outro, seria uma forma de impedir uma possível briga.
–Eu vim buscar você! — disse Kim Tan olhando diretamente para ela.
–Desculpa Kim Tan, mas eu não posso deixar o Young Do. E pior, eu não quero me encontrar com o meu pai na sua casa e o seu pai me dá arrepios.
–Mas eu... — ficou sem palavras. Ele não esperava tal reação dela. — Você não precisa se preocupar com isso...
–Não importa, eu prefiro continuar morando aqui com o Choi Young Do.
–O quê? Você sabe que não é bom você ficar morando sozinha com ele.
–Ela já mora aqui há mais de um mês — começou Choi Young Do sendo ignorado por Kim Tan.
–Você sabe do que esse cara é capaz?
–Na verdade, acho que eu já conheço o suficiente do Young Do. E eu... eu... não quero morar na mesma casa que você ou que a sua namorada. Eu prefiro morar com o meu pai, quer dizer, se ele quisesse morar comigo.
–Mas Taila...
–Você já terminou? — Choi Young Do entrou na frente dela, encarando Kim Tan que estreitou os seus olhos para olhar para ele. — Você se faz de idiota ou o quê? Você sabe que ela gosta de você e mesmo assim você vem aqui pedindo para que ela more com você. Eu pensei que você entendesse os sentimentos dela por você.
–O que você tem a ver com isso? — a voz de Kim Tan estava ríspida. Choi Young do estreitou seus olhos e sua respiração pesou na mesma hora.
–Não comece com gracinhas. Eu deixei você ficar com a Chan Eun Sang e você quer mesmo levar uma garota para morar com você. Já que os sentimentos da sua grande amiga não fazem diferença para você mesmo, e os sentimentos da sua namorada? Ciúmes, insegurança, desconfiança... é exatamente isso que você quer fazer?
–Você não sabe nada sobre a Taila e eu não pense que isso é uma brecha para você se aproximar novamente da Chan Eun Sang. A não ser que você queira morrer.
–Então qual é a sua decisão? Ficar com as duas?
–Eu nunca faria isso. Isso é não é o feitio de um homem — ele aproximou-se de Taila e segurou em seu pulso e disse para ela olhando diretamente para Choi Young Do. — Vamos Taila, não importa aonde você more, contanto que você fique longe do Choi Young Do.
–Para com isso! — ela girou o seu braço e conseguiu fugir facilmente daquela mão que teimava em apertar o seu pulso. — Isso é uma decisão minha.
–Kim Tan! — uma voz soou após um estrondo da porta da frente. Um segurança a estava acompanhando e deixou-a entrar assim que Choi Young Do fez um sinal com as mãos, avisando que estava tudo bem ela entrar. — O que você está fazendo?
–Chan Eun Sang? — disseram os três ao mesmo tempo. Kim Tan continuou: — O que você está fazendo aqui?
Ela não disse uma palavra sequer, apenas aproximou-se dele e segurou firme em seu o braço e perguntou:
–O que você está fazendo aqui?
–Eu estou conversando com eles. A Taila não pode ficar morando aqui com o Choi Young Do...
–Que diferença faz agora? Já faz tanto tempo que ela está morando aqui.
–Espera, você sabia disso?
–Sabia.
Todos ficaram assustados, eles não faziam ideia de que ela sabia. Taila aproximou-se de Choi Young Do, afastando-se dos dois para que eles pudessem conversar melhor.
–Por que você está fazendo isso comigo? Desde que a Taila chegou aqui você não faz nada a não ser se preocupar com ela. Ela é mesmo tão mais importante assim para você? — começou ela em um tom mais alto que o comum. Seu rosto foi aos poucos ficando mais vermelho, como se com aquelas frases despejadas, um sentimento guardado estivesse sendo colocado para fora.
–Eun Sang do que você está falando? Você sabe que ela é como uma criança... — seu olhar estava confuso, ele sentia-se culpado pela tristeza e insatisfação da namorada. — E também... a nossa relação nunca mudou.
–Mesmo? Então sou só eu quem está sentindo isso? Ver você tão preocupado com uma garota que eu nem conheço é tão comum assim para você? Então você não vai se importar se eu sair com o Choi Young D...
Ela preparou-se para dar um passo em direção a Choi Young Do, mas Kim Tan segurou firme seu braço. Taila nunca sentiu-se tão confusa e desesperada naquele momento. Se Kim Tan e Chan Eun Sang terminassem, ela poderia tentar fazer Kim Tan mudar de ideia ao seu respeito, mas não era isso que ela estava sentindo. Além de desejar que os dois permanecessem juntos, ela tinha medo que a opção de Chan Eun Sang fosse Choi Young Do.
–Você faria isso mesmo? Você está mesmo querendo destruir tudo aquilo que a gente construiu?
–Eu estou destruindo? A única coisa que eu estou fazendo é ficar quieta no meu canto e observando como você age. Desde que a Taila chegou aqui a sua única preocupação é o que ela está fazendo, com quem ela está...
–Você sabe que ela é minha amiga. Nós nos conhecemos há muito tempo...
–Uma amiga que você sequer disse quem era. Você sequer tocou no nome durante o ano passado inteiro. E que você nunca quis me contar sequer como a conheceu. Ela era mesmo tão importante assim para você?
Taila aproximou-se de Choi Young Do sentindo-se culpada por tudo o que estava acontecendo e perguntou a ele:
–Young Do o que a gente faz para fazer eles pararem de brigar?
–Nada — ele respirou fundo. — É a primeira vez que eu me sinto mal por algo assim estar acontecendo entre eles, mas não há nada que a gente possa fazer agora.
–Eu não posso deixar que eles terminem por minha causa!
Mesmo após a tentativa falha de Choi Young Do segurar seu pulso, Taila foi em direção aos dois que ainda estavam discutindo.
–... Você não confia em mim? Por que eu faria algo para te magoar.
–Chan Eun Sang! Kim Tan! — Taila aproximou-se e curvou-se diante de Chan Eun Sang. — Me desculpe por aparecer assim do nada e atrapalhar o namoro de vocês. Desde o início essa nunca foi a minha intenção. Por favor não termine com o Kim Tan, ele nunca foi tão feliz lá nos Estados Unidos como ele está agora depois que te conheceu — ela levantou a sua cabeça para olhar nos olhos de Chan Eun Sang, enquanto os rapazes mandavam que ela parasse. — Obrigada por cuidar do Kim Tan como um dia ele cuidou de mim e se você tiver algum problema comigo, nós podemos conversar sobre isso agora!
–Está bem, agora chega gente! — Choi Young Do puxou Taila pelo braço para perto dele. — Vocês estão fazendo esse escândalo dentro da minha casa às sete e meia da manhã por um assunto que já está desagastado. Se vocês dois querem terminar, terminem, eu não tenho nada a ver com isso. E a Taila só vai sair daqui da minha casa no dia que ela quiser sair, afinal, eu não posso perder a minha escrava porque o Kim Tan quer.
–Escrava? — murmurou Kim Tan para si mesmo.
–Você tem razão — disse Chan Eun Sang, ainda abalada pela discussão com o namorado. — Mas eu posso te fazer uma pergunta?
–Para mim? — perguntou ele confuso.
–Sim.
–Claro.
–O que prende você a Taila para você querer ela perto? Ela por acaso roubou o seu coração?
–Eu...
–Chan Eun Sang vamos conversar lá em cima? — Taila interrompeu-o de propósito. Seu coração encheu-se com o medo de que a resposta de Choi Young Do fosse negativa. Ela sentiu medo de que ele dissesse palavras cruéis para ela e que não houvesse ninguém em que ela poderia dividir aquele sentimento de rejeição.
–Podemos sim.
Taila seguiu em frente. Chan Eun Sang foi logo atrás dela para saber o caminho. Tanto ela quanto Kim Tan sabiam que eles iriam ter uma conversa séria mais tarde, mas agora era a hora dela saber tudo sobre a história deles. A história que ele nunca quis lhe contar.
Os dois observaram a partida delas em silêncio.
–Por favor — começou Choi Young Do — não magoe a Chan Eun Sang.
–Não vou. Eu não seria digno de ter o coração dela se eu fizesse isso. Mas já que você não respondeu para a Chan Eun Sang, responda para mim. Você sente algo pela Taila?
–Eu não vou mentir para você. Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas eu sinto que não posso ficar longe dela porque ela vai estar em perigo longe de mim... eu não sei se eu estou ou não gostando dela como uma garota, ou se eu esqueci a Chan Eun Sang, mas o que eu sei é que eu quero protegê-la. Eu deixei o seu caminho livre com a Eun Sang, agora eu peço para você deixar o seu caminho livre para mim com a Taila.
Kim Tan aproximou-se dele com uma expressão séria.
–Você pode não saber o que você está sentindo, mas eu sei que mesmo com o seus defeitos, eu sei que você não faria mal a uma garota. Mas eu não sei se você é digno da minha confiança. A Taila é como a minha irmã mais nova, então... você vai ter que conquistar esse caminho.
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