Consequências
18 O amor pode ser complicado
Notas iniciais
O fim do ano estava chegando, e as pessoas já estavam se preparando para o Réveillon. Taila e Kim Tan resolveram passar o natal juntos, já que todos os outros estavam com suas famílias e os dois praticamente não estavam perto de suas famílias, até porque para Kim Tan o natal não deveria ser comemorado em família, e por isso mesmo ele decidiu convidar Taila para fazer algo na noite de natal. Ela aceitou após ter sido rejeitada por seu pai, que havia passado o natal trabalhando.
Na noite de Réveillon, Jay juntou-se a eles com a sua nova amiga Jesse. Todos resolveram festejar na praia, já que eles praticamente passavam quase o seu tempo todo lá. A praia estava lotada. Assim como as praias brasileiras ficavam nas noites de Réveillon. As pessoas estavam bastante empolgadas para o próximo ano que viria. Taila estava ao lado de Kim Tan, era como haviam passado o resto do ano, mais próximos do que nunca. Ela acreditava que ele estava começando a mudar de ideia a seu respeito, ou pelo menos estava se esforçando para isso.
Jay se aproximou deles animado de braços abertos, deu-lhes logo um abraço bem forte. Taila lembrou-se de como o Réveillon era animado com a sua mãe e a sua família. Mas ela não estava arrependida de estar ali, ao lado de Kim Tan. Se ela estava ali, foi apenas escolha dela estar e consequência de suas escolhas.
–Você está bem Taila? — Perguntou Jay, ainda com o braço pousado sobre o seu ombro.
–Estou — disse ela sorrindo. Mesmo os seus joelhos ainda estando completamente arranhados.
–E você ainda quer aprender a surfar sendo que não consegue ficar de pé em cima de um skate — resmungou Kim Tan, bebendo um pouco da cerveja que estava na sua mão.
–Eu só escorreguei, está bem?
–Sei. Você não leva o menor jeito para isso.
–Como se você levasse...
–Eu surfo o dia todo, como eu não iria dar conta de ficar em cima de um skate?
–Galera, calma! — Disse Jay com uma voz branda. — Vocês dois andam brigando por cada besteira. Pega leve aí Kim Tan!
Ele deu um leve tapa no ombro do amigo e voltou para o meio das garotas que estavam o acompanhando. Kim Tan estava um pouco sério, Taila nunca o havia visto daquela forma, era como se ele estivesse nervoso para algo. Ela apenas ignorou-o.
–Kim Tan!
–O que é? — Ele estava a cada momento mais próximo dela, já que o lugar estava ficando apertado, pois estava chegando mais gente.
–Sabe o que a gente faz na noite de Réveillon no Brasil?
–Não, o quê?
–Nós temos o costume de pular sete ondas para dar sorte.
–É mesmo?
–Sim — ele sorriu e passou o braço sobre o ombro dela. — Por que você está agindo assim de repente?
–Assim como?
–Assim... como se você fosse o meu namorado.
Ele tirou a mão dele do ombro dela, olhou para baixo e pigarreou desconfortável. Taila arrependeu-se amargamente do que disse. Quando a contagem chegou ao zero e finalmente chegou o ano de 2011, o primeiro fogo de artificio subiu ao céu, explodindo a sua beleza. Taila ficou admirada, sempre amou fogos de artificio.
A sua atenção foi completamente roubada, quando ela sentiu alguém puxando o seu braço com força. Quando ela se viu, estava com seu corpo bastante perto do de Kim Tan que aproximou lentamente os seus lábios dos dela. Taila havia sido pega de surpresa e o beijo de Kim Tan havia sido tão mágico e forte. Os lábios macios dele e o desejo de realizar aquele sonho a fez se derreter completamente ficando com o corpo completamente mole. Enquanto um dos braços dele passaram em volta de sua cintura, o outro estava com sua mão entrelaçada entre os cabelos encaracolados dela. Ela nunca imaginou que algo como aquilo iria acontecer na sua vida. Ela tinha certeza que Kim Tan era o dono de seu coração, ele e somente ele.
***
No dia seguinte, Kim Tan acordou em sua casa, estava uma completa bagunça e sua cabeça estava doendo bastante. Jay e várias garotas estavam espalhadas pela casa dormindo. Ele se levantou tentando se lembrar do que aconteceu à noite após os fogos de artificio, não se lembrava de nada. Mas sorriu ao se lembrar do beijo que deu em Taila. Estava mesmo disposto a tentar gostar dela, mas estava em dúvida se esperava por seus sentimentos, ou se arriscava algum relacionamento com ela.
–Cara! — Jay apareceu como um vulto ao seu lado. Kim Tan levou um susto, mas não fez nenhum barulho para não acordar as garotas, apenas colocou a mão no peito e massageou-o. — Essa noite foi demais. A Jesse está doida para ficar com você.
–Eu não estou afim Jay.
–Como assim cara? Ela é linda. E você não ficou com ninguém por esses dias. Que sentido faz você ficar andando por aí com a Taila se você mesmo disse que só gosta dela como amiga? Você poderia parar de enrolar a menina e deixar ela encontrar alguém legal.
–Desde quando você sabe dar conselhos?
Ele sorriu batendo no ombro do amigo.
–Eu posso ser maluco, mas eu não sou idiota.
Os dois saíram rindo da cozinha e voltaram para o hall da casa. Jesse havia acabado de se levantar, ela aproximou-se dos dois, que não deixaram de avaliar o belo corpo que ela tinha.
–Bom dia rapazes.
–Bom dia — respondeu Kim Tan.
–Muito bom — respondeu Jay pendurando-se no ombro de Kim Tan. — Jesse por que você e o Kim Tan não conversam um pouco? Eu já volto.
Assim que Jay saiu de perto deles, Jesse e Kim Tan sorriram, um para o outro, sem graça. Eles não sabiam se seguiam o conselho de Jay ou se apenas ficavam parados olhando uma para a cara do outro.
–E então Kim Tan você quer conversar?
–Eu não vejo por que não.
Ela passou os seus braços em volta do pescoço dele ao mesmo tempo em que ele pousou as suas mãos na cintura dela. Os seus lábios se encostaram com muita rapidez, eles sentiram uma sensação de urgência naquele beijo, suas cabeças giravam de um lado para o outro. Kim Tan havia evitado beijar alguém daquela forma há muito tempo, mas nem sabia o que a Jesse tinha que ativou todos os sentidos do seu corpo de uma forma intensa.
–Taila! — Gritou Jay ao vê-la. Kim Tan soltou-se de Jesse naquele instante com os olhos arregalados. Não entendeu sua própria reação, mas estava torcendo para que ela não tivesse visto nada. — Você chegou bem na hora para a gente se divertir...
Ela estava para olhando na direção de Kim Tan. Seu olhar era de decepção e surpresa. Saiu correndo. Não havia ouvido uma palavra que Jay havia dito. Tudo o que ela queria era sair dali e apagar aquela cena da sua mente. Ele largou Jesse para trás e correu atrás de Taila. Aquelas escadas se tornaram longas demais e perder a Taila estava muito mais perto do que ele havia imaginado.
–Taila, espera! — Gritou assim que cruzou a porta da frente.
–Esperar o quê? — Ela parou, ele acelerou o passo para alcançá-la e assim que conseguiu, segurou seus braços e disse arrependido.
–Isso que acabou de acontecer foi um erro.
–Erro foi o que aconteceu ontem à noite — os olhos dela já estavam encharcados, ela puxava seus braços para fugir dele, mas não conseguia. Nunca havia conseguido fugir quando ele a segurava. — Você brincou com os meus sentimentos, você é mesmo um idiota. Eu pensei que você realmente havia se tornado uma pessoa melhor, mas eu duvido que isso vá acontecer.
–Isso não é verdade.
–Agora eu entendo, esse é o sinal para eu te esquecer. Tudo o que nós vivemos juntos, esqueça. Porque será o que eu vou fazer. A partir de hoje, continue agindo como se nunca tivesse me conhecido...
–Taila por que você está fazendo isso?
–Por quê? — As lágrimas desceram com velocidade dos olhos dela. — Por que você me beijou ontem à noite se ia beijar outra mulher hoje de manhã? E você ainda tem coragem de falar mal do Jay, mas vocês dois são idênticos. Me deixa em paz, nunca mais me procure novamente.
Ela conseguiu se soltar, pois ele afrouxou as suas mãos. Tanto ela quanto ele estavam com seus corações dilacerados. Kim Tan estava sentindo culpa, naquele momento, vendo Taila deixando-o para trás. Ele percebeu que até a pessoa que você mais confia pode te deixar, lembrou-se naquele momento de Choi Young Do. Entendeu que ele deveria ficar sozinho, esse era o seu destino.
Taila pegou um taxi ali perto, seu peito estava doendo. Nunca havia sentido tanta dor como aquela na vida. Pediu apenas para que fosse levada para o hotel em que estava hospedada. Precisava de um tempo para dormir e pensar no que iria fazer agora da sua vida.
***
Roberto ouviu batidas na porta de seu escritório. Como de costume pediu para que a pessoa entrasse. Quando viu quem era ele se assustou, levantando-se imediatamente de sua cadeira e indo em direção a ela. Não imaginava que a filha iria aparecer ali logo no feriado de ano novo.
–O que você está fazendo aqui Taila?
–Eu quero ir embora! — Disse ela, sentando-se na cadeira em frente à mesa dele. — Para o mais longe possível.
–Tem certeza? Você vai mesmo abandonar o seu amigo surfista assim? Mesmo depois do que aconteceu ontem à noite? — Ela olhou desconfiada para ele. Levantando a as mãos com um sinal de paz, ele disse se defendendo: — Você acha mesmo que eu iria deixar você solta por esse mundo sem estar te vigiando? Você ainda é a minha filhinha e eu tenho que cuidar de você.
Ela revirou os olhos. Roberto ajeitou-se na cadeira e perguntou colocando pés sobre a sua mesa.
–E para onde você quer ir?
–Qualquer lugar, só quero ficar longe dos Estados Unidos.
–Está bem! Eu vou mandar os meus secretários organizarem os papéis e vistos. Decida-se para onde você vai que eu vou decidir o que você vai fazer lá.
***
Chan Eun Sang estava atentamente olhando para Taila que agora havia abaixado o olhar. As sensações de contar essa história a fizeram sentir como se estivesse vivendo aquilo novamente
–Essa é a minha história com o Kim Tan. Foi isso que nós dois passamos nos Estados Unidos há quatro anos atrás. Espero que continue tudo bem entre nós...
–Obrigada, Taila. Obrigada por ter me contado tudo. Mas eu gostaria de te fazer uma última pergunta... — Taila ergueu seu olhar atentamente — Você ainda tem sentimentos pelo Kim Tan?
–Olha Chan Eun Sang, eu mentiria para você se dissesse que eu o esqueci por completo, mas mesmo depois de tudo o que aconteceu, acho que o Kim Tan e eu sempre seremos aqueles amigos que fugiam da aula para ir para a praia. E é o que sempre seremos. Você estava com ciúmes de mim?
–Eu — ela ainda estava séria, mesmo em meio ao sorriso brincalhão de Taila — não estava com ciúmes, apenas curiosa...
–Ei vocês duas! — Entrou Choi Young Do sem cerimônia no quarto de Taila. — Vocês acham que me atrapalharam dormir e vão ficar o dia todo fofocando?
–O que você pensa que está fazendo aqui dentro? — Levantou-se Taila da cama irritada.
–Não se preocupe Young Do — começou Chan Eun Sang com a voz baixa, olhava para ele, que lhe via como um diamante. Os olhos dele brilhavam ao olhar para ela. Taila conseguiu perceber isso e seu coração se avassalou pelo maior sentimento que ela já havia sentido na vida, o ciúme. — Eu estou de saída.
–Chan Eun Sang... — Kim Tan apareceu na porta, com uma expressão de preocupação, mas ao mesmo tempo de medo.
Chan Eun Sang não disse uma palavra sequer, apenas abaixou um pouco a cabeça, andou em direção a ele e envolveu-o com seus braços. As lágrimas desceram pelos seus olhos. Kim Tan olhou assustado para Taila, pois sequer imaginava do que elas haviam conversado.
–Eu não quero te perder! — Ela disse com a voz engasgada. Ele abraçou-a forte, fechando os seus olhos, aliviado, disse:
–Você nunca vai me perder. Me desculpe se eu não disse quem...
–Está tudo bem — Taila e Choi Young Do apenas observavam-nos se entreolhando o tempo todo, como se já pudessem se comunicar daquela forma. — Você não precisa me dizer nada.
–Vamos conversar lá fora?
–Vamos.
Os dois seguraram em ambas as mãos e desceram para conversarem em um lugar que não houvesse plateia. Taila e Choi Young Do permaneceram no mesmo lugar em que estavam como se fossem duas estatuas.
–Você podia ter aproveitado esse momento — começou Choi Young Do com a voz em um tom bastante grave, um tom muito incomum. — Se você tivesse envenenado a Chan Eun Sang, você poderia ficar com o Kim Tan agora.
Ela sorriu, abaixando o olhar.
–Foi exatamente o que eu pensei, desde a hora em que a Chan Eun Sang entrou na discussão. Se eles terminassem eu poderia ficar com o Kim Tan, mas eu duvido que isso aconteceria. Nossa amizade é maior que qualquer coisa e eu posso sentir que o que sente pela Chan Eun Sang é amor de verdade.
–Por que sempre que nós somos chutados a gente pensa dessa forma? “O que importa é que eles sejam felizes”.
–Não fale como se eu fosse a única que foi chutada.
–Não estou — o olhar dele estava preso nela. Ela sentia um aperto no coração ao ver que ao olhar para ela não existia um brilho ao ver Chan Eun Sang.
–E também, eu acho que já gosto de outro cara.
Ele aproximou-se dela em passos lentos com as mãos nos bolsos. Ele curvou-se diante dela deixando seus rostos frente a frente e com uma voz suave ele perguntou:
–E quem é esse cara?
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