Consequências

19 Nada apaga as cicatrizes do passado


Notas iniciais
Oi gente, um capitulozinho após o natal de presente para vocês, espero que vocês gostem.

Taila sentiu vontade de dar um passo para trás, pois além de sentir-se desconfortável por Choi Young Do estar tão perto, seu coração ainda insistia em se acelerar. Ela olhou para ele com determinação, tentando esconder qualquer sentimento que seu coração pudesse lhe denunciar.

–Eu nunca vou te dizer de quem eu gosto.

Ele levantou o corpo deixando-o ereto e disse em seguida:

–E por que não? É alguém que eu conheço? Como o Myung Soo?

–Quê? — Ela sorriu de indignação. — Claro que não é ele. Eu nem falo com o Myung Soo direito para poder começar a gostar dele.

–Poderia ser amor à primeira vista — brincou ele sorrindo. — Acho que você combina bastante com o Myung Soo.

–Não começa. Eu também não sairia com um garoto que ficou em centésimo lugar nas notas finais.

–Como você sabe disso?

–A Lee Bo Na me disse, enquanto ela falava o quanto o namorado dela era inteligente — ela foi até a sua escrivaninha enquanto continuava falando. Choi Young Do estava se segurando para não rir. — Ainda bem que ele e o Park Soo Yong não são da mesma turma, senão iria ser uma confusão por causa de notas.

–Então você realmente não gosta de homens com nota ruim?

–Não! — Ela respondeu com seriedade.

–Ah — lembrou-se ele de algo e disse ainda segurando a risada — você sabia que o Kim Tan também já pertenceu ao centésimo lugar, isso foi no primeiro semestre.

–Como?

–Viu — ele esticou seu braço e deu-lhe um tapinha de leve no ombro — eu ainda acho que você daria muito certo com o Myung Soo.

Ela jogou uma quantidade enorme de cadernos e papéis sobre ele, que segurou imediatamente. Ele avaliou a quantidade de materiais, esquecendo-se do assunto que estavam falando.

–O que é isso?

–Sua lição de casa. Eu fiz possíveis lições de casa que os seus professores podem passar, assim caso eu não tenha tempo de fazer, você já tem tudo pronto.

–Por que você fez isso?

–Fiz o quê? Ah, eu pensei que ia ser bom para você e para mim também. Mesmo depois de te escravizar eu não poderia parar de fazer as suas lições, afinal, eu ainda moro na sua casa — ele começou a folhear o material, e ficou sério de repente. Uma curiosidade o invadiu. Uma curiosidade que ele já tinha há muito tempo, mas nunca teve coragem de perguntar.

–Como você consegue fazer uma lição de casa de uma série à frente da sua? E fazer tudo muito bem?

Ela sorriu abaixando o olhar para as coisas na mão de Choi Young Do.

–Eu aprendo muito rápido. Eu aprendi coreano muito rápido e qualquer coisa intelectual muito rápido. E por isso as pessoas me odeiam.

–Você é maluca, por que te odiaram por isso?

–Isso me lembra uma coisa que aconteceu a muito tempo. Eu me lembro como se fosse ontem quando eu ainda morava no Brasil e eu fui para uma escola nova e nessa escola havia um grupo de garotas que competiam bastante com suas belas notas. Eu não fui recebida muito bem na escola, mas nas provas do primeiro bimestre, eu acabei tirando a maior nota da turma. Essas garotas ficaram furiosas. Um dia depois da aula, eu fui ao banheiro e ouvi as garotas entrando. Elas estavam me procurando — era respirou fundo, quando ela aspirou, Choi Young Do percebeu que ela estava tremendo e seus olhos começaram a se encher de lágrimas. — Elas me gritavam e sabiam que eu estava lá dentro. Eu tranquei a porta do banheiro para que elas não me encontrassem, mas elas começaram a chutar a porta até arrancar a trava. Duas delas me arrancaram do banheiro, elas eram cinco garotas. E começaram a me bater, me chutavam o tempo todo e me diziam para sumir de lá e que não queriam me ver nunca mais. Elas me chutavam tanto no meu estômago que a única coisa que eu lembro era de sentir dor e cuspir sangue ao mesmo tempo. Uma delas depois me ergueu pelos cabelos e me fez olhar para o espelho e disse que ali não era o lugar para uma garota como eu. Depois disso ela empurrou a minha cabeça contra a pia do banheiro e eu só me lembro de acordar no hospital. Depois disso a minha mãe entregou a minha guarda para o meu pai.

–É sério isso? Quer dizer, você realmente passou por isso?

–Sim, mas já faz muito tempo. O que foi? — Percebeu que ele a olhava fixamente sério. De repente ela entendeu o motivo, o estômago dele fez um barulho enorme e alto que ela chega se espantou. Ele estava com fome e aquilo só poderia significar que ela era quem ia fazer o almoço.

A diretora marcou uma reunião com as mães dos alunos do segundo e terceiro ano. Ela queria organizar o que iriam preparar para os alunos fazerem após as provas e para isso precisavam da contribuição dos pais. Assim que elas chegaram, a diretora começou a explicar exatamente o que estava planejando para proporcionar aos alunos. A princípio, a ideia dela havia sido que todos os alunos se organizassem para fazer um acampamento novamente, mas o novo professor de educação física dos alunos do segundo ano sugeriu que os alunos fizessem uma viagem ao Japão, pois ele havia proposto ensiná-los algumas técnicas japonesas de luta.

–Uma viagem ao Japão no meio do semestre? Isso só pode ser uma piada — começou Esther, a mãe de Rachel. — Acredito que devemos pensar em um evento em que não disperse tanto esses alunos.

–Eu penso o mesmo — concordou a diretora.

–Acredito que pode ser uma boa ideia — disse a mãe de Jang Yang Mi — essas crianças costumam ficar muito estressadas durante o ano. Uma viagem para o Japão pode ser muito boa para elas após as provas.

–Com licença — Roberto entrou na sala sem bater. Ele era o único homem ali presente. — Eu vim participar da reunião de pais, espero que tenha um espaço para mim.

–Temos sim — começou a diretora, levantando-se e indicando um lugar para ele ao lado de Esther.

–Obrigado, ele sentou-se sorrindo para as mães. Esther virou o rosto para o outro lado para evitar olhá-lo, enquanto a mãe de Yang Mi agradou-se da bela aparência de Roberto.

–Desculpe incomodá-lo, mas o senhor foi a única pessoa responsável pela senhorita Monteiro que conseguimos encontrar.

–Não se preocupe, eu agradeço por estar aqui.

–Então — ela retomou o assunto — devemos decidir qual o destino dos alunos, para que possamos saber com o que devemos nos preocupar. Eu gostaria de deixar entre vocês, se deveríamos fazer novamente o acampamento ou a viagem ao Japão.

–Uma viagem ao Japão? — Murmurou Roberto interessado. — Diretora, por que ao invés de uma viagem ao Japão não levamos nossos alunos para uma viagem ao Brasil?

–O quê?! — Todas as mães ficaram indignadas com tal proposta.

–Você quer que nossos filhos façam uma viagem ao Brasil no meio do semestre? Só pode ser brincadeira. Ainda mais todas essas crianças juntas, sabem o que eles podem fazer em um país tão distante? — Começou Esther indignada olhando diretamente para Roberto.

–Acredito que uma viagem ao Japão não será muito diferente de uma viagem ao Brasil. Aposto que quase todas vocês já devem ter conhecido o Brasil, qual seria o problema de patrocinarmos a viagem dos alunos para lá?

–Eu nunca ouvi algo assim antes.

–O que lhe faz sugerir tal viagem, senhor Roberto? — Perguntou a diretora educadamente. — Algum motivo em especial?

–Não, quer dizer, eu gostaria de levar a minha filha ao Brasil depois de tanto tempo, mas acredito que uma viagem escolar seria muito mais atrativa para ela.

–E como dividiríamos os gastos para essa viagem?

–Diretora! — As mães que estavam contra protestavam.

–Eu pagarei tudo! — Todas as mães olharam para ele espantadas.

–Como? — A diretora ficou mais espantada ainda. — O senhor tem certeza do que está dizendo? Estamos com uma cota muito maior de alunos esse ano do que ano passado.

–Não se preocupe, preciso somente dos dados dos alunos e o que precisaremos providenciar, mandarei meu secretário vir buscar as informações.

–Está bem! — Disse a diretora, anotando algo. — A viagem ao Brasil será o que faremos para os nossos alunos.

–Diretora?! — Algumas mães continuaram protestando.

–Não se preocupem, não acredito que muitas escolas coreanas tenham providenciado tal viagem aos seus alunos. O colégio Jeguk pretende dar o melhor aos alunos, então acredito que essa viagem pode sim ser uma boa ideia.

Após a reunião terminar, Roberto foi um dos últimos a sair da sala da diretora, pois tinha que terminar de organizar o que iria oferecer aos alunos e quanto tempo de viagem. Assim que saiu da sala da diretora, encontrou os seus seguranças do lado de fora o esperando. Colocou as mãos nos bolsos e caminhou como um típico CEO.

Parou de andar assim que viu Esther caminhando em direção a saída, procurando em sua bolsa as chaves de seu carro. Mandou que os seguranças permanecessem aonde estavam e correu em direção a ela. Quando estava cada vez mais próximo, diminuiu os passos e caminhou como se estivesse apenas passando por ali.

–Senhora Lee?

–Sim? — Respondeu distraída, mas quando se virou para trás, mas assim que se virou, não conseguiu evitar o desconforto. — Ah, Roberto Monteiro, o que você quer comigo?

–Apenas entender o motivo da minha presença incomodá-la tanto.

–Nenhum motivo em especial. Agora, se me der licença — ela tentou sair, mas ele segurou firme o seu braço. — O que você está fazendo? — Perguntou ela assustada.

–Apenas me dê um motivo.

–Me solte! — Ela puxou seu braço de uma vez, sua expressão era de raiva, enquanto a de Roberto era de deslumbre. Esther seguiu o seu caminho, nervosa por tal audácia de Roberto.

Ele colocou a mão no peito, os seguranças se aproximaram dele preocupados. Apenas observou Esther partir, sem sequer olhar para ele, enquanto ele não tirava os olhos dela. Enquanto a observava, respirou fundo e disse para si mesmo:

–A Taila pode ficar brava comigo, mas acho que agora eu acredito em amor à primeira vista.

O novo professor de educação física mandou que todos os alunos do segundo ano vestissem suas roupas de educação física próprias para nadar. Ele levou todos para a piscina em frente ao refeitório. O professor era jovem e bastante bonito, o seu belo físico estava chamando bastante a atenção de todas as garotas.

–Olá turma, meu nome é Min Kyung Jae, como vocês sabem eu estou substituindo o outro professor que precisou sair, então, espero que vocês cuidem de mim.

–Sim! — Disseram os alunos após o líder da turma comandá-los, em seguida todos se curvaram diante do professor.

–Para a nossa primeira aula, decidi trabalhar primeiros socorros com vocês. Vamos trabalhar com afogamento, qual a primeira coisa que se deve fazer quando uma pessoa está afogando, a forma correta de salvá-la e de prestar os primeiros socorros.

–Professor! — Chamou um dos alunos. — Será que podemos fazer respiração boca-a-boca também?

–Claro — disse o professor com seu olhar prático, mas os alunos comemoraram com segundas intenções. — Antes de mais nada formem duplas para mim.

Taila nem pode sequer pensar em quem ia escolher, sentiu o seu braço ser puxado de uma vez por Park Soo Yong. Assim que os alunos terminaram de fazer suas duplas, o professor percebeu que todos fizeram duplas com pessoas do mesmo sexo, com exceção de Taila e Park Soo Yong.

–Antes de mais nada, um de vocês terá que pular na água e fingir estar se afogando, todos vocês sabem nadar, não é? Não precisamos de um afogamento real para ninguém aprender — alguns alunos riram da piada do professor. — Vamos começar com Oh Min Ki e Go Seung Ji.

Um dos alunos pulou na água e o professor começou a explicar todas as técnicas de salvamento a eles. Antes que ele pudesse sequer terminar, a professora Jeon Hyun Joo interrompeu a aula e pediu ao professor Min para que ele desse uma aula aberta para a sua turma, já que ela estava com problemas urgentes para resolver. Ele sorriu e aceitou educadamente, pediu que ela mandasse a sua turma descer e se juntar aos seus alunos. Seus alunos cobaias ainda estavam dentro d’água esperando o professor continuar a aula.

Os alunos desceram de mau-humor, muitos ali preferiam ter a aula da professora Jeon Hyun Joo, do que do novo professor, que estava fazendo seus alunos entrarem na água mesmo fazendo frio. Ele avisou logo para os alunos que eles poderiam apenas assistir a aula se quisessem, ninguém ali era obrigado a participar.

Choi Young Do foi o primeiro a se sentar e recusar participar da aula, seguido por Rachel e diversos outros que queriam apenas assistir. Kim Tan queria muito participar da aula, mas se recusou após sentir a temperatura da água da piscina. Chan Eun Sang já estava pronta para se juntar a eles, quando Kim Tan a barrou dizendo que a roupa que eles estavam usando era muito curta e chamaria muito a atenção quando ela se molhasse. Ela resolveu se sentar emburrada.

O professor Min terminou de explicar usando a primeira dupla. Ele ensinou todas as técnicas para se retirar uma pessoa da piscina com segurança. Agora ele ia chamar uma segunda dupla para poder repetir corretamente tudo o que ele havia acabado de ensinar:

–Taila Monteiro e Park Soo Yong vocês são os próximos.

Os dois pararam em frente a piscina.

–Você pode ir primeiro Taila, eu serei seu herói.

–Que herói o quê? Você é quem vai ser a princesa em perigo — ela empurrou-o para dentro da piscina, que fingiu exatamente que estava se afogando.

–O típico caso de colocar a pessoa em perigo para salvá-la. Vão anotando crianças — dizia o professor com bom-humor. — Taila antes de você começar, eu quero dizer uma coisa, como você é uma garota e ele um rapaz...

Enquanto o professor começou a dar dicas para Taila, distraindo os seus alunos. A atuação de Park Soo Yong estava tornando-se cada vez mais real. O que despertou imediatamente a atenção de Kim Tan, que se lembrou de quando Taila estava se afogando no mar e por pouco não a perdeu de vista.

–Aquilo não é uma atuação — disse Kim Tan.

–Mas como ele aceitou entrar na água se ele não sabia nadar? — Indagou Chan Eun Sang. — Alguém precisa ir lá logo.

–A Taila não sabe salvar alguém que está afogando...

–Lembre-se disso, agora vá buscar o Park Soo... — continuou o professor.

Eles ouviram um barulho alto de alguém pulando na piscina e indo em direção a Park Soo Yong que já estava quase desmaiado. Assim que saiu da água com o rapaz, Kim Tan conferiu os seus sinais vitais colocando seu ouvido perto do nariz dele. Todos correram para perto, mas o professor mandou que eles se afastassem assim que viu que Kim Tan estava seguindo corretamente o protocolo de primeiros socorros. Fazendo corretamente a massagem cardíaca e a respiração boca-a-boca, que ele hesitou em fazer, mas as circunstâncias o levaram a concluir tudo.

Park Soo Yong abriu seus olhos devagar, sentindo uma leve ardência causada pelo cloro na água. Sua garganta estava dolorida e também seus pulmões. Ele estava zonzo, mas assim que conseguiu se recuperar, se deu conta de que Kim Tan era quem estava à sua frente e não Taila como ele havia planejado.

–Park Soo Yong — chamou o professor — você está bem?

–Estou — ele disse tentando se sentar. Kim Tan o empurrou de volta e disse:

–É melhor que você fique um pouco deitado.

Ele empurrou violentamente a mão de Kim Tan e disse sério, sentando-se imediatamente:

–Eu não preciso da sua ajuda.

Todos ficaram indignados pela reação dele. O professor só estava pensando que ele já poderia ser demitido no seu primeiro dia de trabalho, pois não havia dado atenção o suficiente aos alunos e descobrir se sabiam ou não nadar.

–Park Soo Yong! — Começou Yang Mi nervosa. — Como você ousa falar assim com o sunbae? Não vê que ele salvou a sua vida?

–Se fosse para eu ter a ajuda desse cara, eu preferia ter morrido. Tudo o que você e aquele cara ali — olhou para Choi Young Do que já estava ao lado de Taila — fizerem por mim de agora para frente não vai mudar o passado.

–Eu... — tentou falar Kim Tan sentindo um forte remorso dentro de seu coração. Choi Young Do sentia o mesmo, assim como Moon Joon Young não havia lhe perdoado, ele sabia que também não receberia tão cerdo um perdão de Park Soo Yong.

–Tudo o que vocês fizeram, não só para mim, mas para diversos outros bolsistas é desumano. Eu não ligo se vocês se arrependem, nada vai tirar as cicatrizes que eu tenho aqui...

Uma mão foi estendida para Park Soo Yong. Uma pessoa que queria tirá-lo dali naquele instante. Ele apenas segurou firme na mão daquela pessoa, levantou-se com dificuldade e seguiu-a para onde ela o levasse. Ninguém impediu que eles seguissem em frente.

Notas finais
Bom, gente, espero que vocês tenham gostado desse cap enorme, mas que abordou o tema mais tratado em The Heirs, que foi o Bullying. E o pai da Taila sendo estranho como sempre kkk, espero que vocês tenham gostado e o que vocês estão esperando para o próximo, será que a viagem para o Brasil vai acontecer? Quem estendeu a mão para o Park Soo Yong? Espero que vocês estejam tão ansiosos como eu. Vejo vocês no cap 20.