Consequências
20 Hora de deixar o passado no passado
Notas iniciais
Todos permaneceram à beira da piscina observando a pessoa que segurou firme na mão de Park Soo Yong, levá-lo para longe. Kim Tan permaneceu agachado na mesma posição em que estava enquanto tentava salvar Park Soo Yong. Sentiu um grande remorso invadir seu coração, aquelas lembranças de praticar bullying ao lado de Choi Young Do poderiam nunca o deixar em paz.
Choi Young Do estava ao máximo tentando não demonstrar reações ao lembrar do que havia feito de ruim, não só a ele, mas também a muitos outros bolsistas. O professor estava batendo firme o pé no chão e resmungando irritado pelo acontecido. Depois daquele acontecimento talvez ele não poderia nem sequer ser efetivado no colégio como um professor regente.
Kim Tan se levantou de uma vez, em meio aos cochichos dos colegas, principalmente dos alunos do segundo ano, que não conheciam muito bem a história deles. Apenas com o olhar e balançando a cabeça para o lado, na direção do refeitório, chamou Choi Young Do para conversar. Assim que os dois saíram, a turma começou a se dispersar, cochichando diversas versões do que Choi Young Do e Kim Tan poderiam ter feito para Park Soo Yong.
—Taila! — Ela se assustou ao ser chamada pelo professor. Estava apenas distraidamente observando a cena. Mesmo sabendo que Park Soo Yong era a vítima, ela estava enfrentando um dilema que apareceu do nada em sua mente. Se Chan Eun Sang não existisse, qual dos dois ela consolaria? — Você pode dar uma olhada no Park Soo Yong? Estou preocupado com ele.
—Está bem!
Ela seguiu o caminho que eles traçaram, provavelmente aquela pessoa não poderia tê-lo levado para outro lugar a não ser a enfermaria.
***
Choi Young Do estava com as mãos nos bolsos caminhando com a cabeça baixa. Kim Tan também estava com a cabeça baixa, mas tocando seus lábios com as pontas dos dedos o tempo todo, como costumava fazer quando estava pensando.
Pararam um de frente para o outro, quando chegaram aos fundos do colégio, em um lugar que seria difícil de alguém ouvir a sua conversa. Kim Tan respirou fundo, fechando os olhos antes de começar:
—Você acha que o que aconteceu aqui hoje pode ter sido nossa culpa?
—Não! — Cruzou os braços, encarando Kim Tan com superioridade. — Eu soube que ele passou por uma cirurgia há pouco tempo e ainda estava em fase de recuperação. Ele pode não estar pronto ainda para entrar na água.
—Cirurgia? Ele passou mesmo por uma cirurgia? Nesse caso, deveríamos ver como ele está.
—Pode ir na frente — dizia Choi Young Do ainda sério —, eu vou ficar observando o jardim um pouco.
—Está bem.
Kim Tan tomou o caminho de volta. Ele conhecia Choi Young Do o suficiente para saber que ele estava preocupado com algo. Eles não eram mais melhores amigos como já foram um dia, então sentiu que seria estranho ter uma conversa profunda com Choi Young Do.
***
Na enfermaria, Taila acabava de chegar com passos lentos. Estava somente pensando em toda o seu esforço para conseguir esquecer Kim Tan, mas nada o tirava de seu coração e o que pareceu por um minuto é que nunca o havia amado tanto em toda a sua vida. Embora o seu coração já estivesse batendo forte por Choi Young Do não considerava aquele sentimento como o que sentia por Kim Tan. Acreditava que o que estava sentindo por Choi Young Do não passava de uma simples atração.
Assim que chegou a enfermaria parou na porta ao ouvir as vozes dos dois conversando.
—Você é um idiota Park Soo Yong, como você pode falar daquele jeito com um sunbae? — Era possível ouvir os barulhos dos tapas que ela dava nele e até mesmo espiá-los pela greta da porta. — O Kim Tan sunbae ainda salvou a sua vida.
—Eu não precisava da ajuda dele. Eu preferia morrer logo naquela piscina...
—Para... de... falar... bobagens — ela começou a dar-lhe uma sequência de tapas. — Você é estupido? Porque não falou que você não sabia nadar?
—Porque eu sei nadar — ela parou de gritar e abaixou os braços no mesmo instante, surpresa. — Eu não sei o que aconteceu, mas talvez a temperatura da água deve ter feito algo com o meu corpo, porque eu não estava conseguindo boiar. Eu simplesmente não sei o que pode ter acontecido. Será que a minha cirurgia tem algo a ver com isso?
—Se você fez uma cirurgia há pouco tempo, por que está vindo para o colégio? Você quer se matar? — Deu-lhe mais um tapa, gritando cada vez mais alto. Ninguém a irritava mais que Park Soo Yong.
—E daí? O que você tem a ver com isso? Vá cuidar dos seus sunbaes.
Yang Mi preparou-se para lhe dar mais um tapa com força, mas respirou fundo e disse virando-se de costas:
—Está bem. Faça o que você quiser da sua vida.
Assim que ia dar o seu primeiro passo, ela sentiu a mão quente dele tocar seu pulso. Ela virou o rosto devagar com um olhar furioso:
—O que você quer? — Gritou nervosa.
—Obrigado.
—Como? — Virou-se de frente para ele mudando a sua expressão para surpresa novamente. Ele a puxou em sua direção, a fazendo se desequilibrar e cair sentada na cama. Ele aproximou seu corpo do dela e a abraçou, sentindo conforto e um calor que seu corpo estava precisando, pois ele ainda estava molhado.
—Obrigado por me tirar do meio daqueles dois. Eu realmente esperava que outra pessoa me tirasse de lá, mas eu fico feliz que você tenha feito isso por mim.
—Você sabe que eu fiz isso pelos sunbaes, não sabe?
—Não importa, eu vou fingir para mim.
Taila permaneceu observando Park Soo Yong abraçando Yang Mi, nunca imaginou em sua vida que eles fossem próximos. Tudo o que eles faziam era brigar o tempo todo como dois inimigos, mas no fundo eles se importavam um com o outro.
—O que você está fazendo aí? — Uma voz murmurou perto de seu ouvido, a fazendo pular para trás com um grito. — Não grita — disse ele com a voz aveludada. Tocando suavemente a sua mão nos lábios dela.
Taila finalmente se deu conta de que a pessoa que estava a sua frente era Kim Tan. Completamente molhado.
—O que você está fazendo aqui?
—O professor me pediu para ver como o Park Soo Yong está. A Yang Mi está cuidando dele. Olha só para você, você está completamente molhado — ela entrou na enfermaria e pegou uma toalha dentro do armário, tentando não fazer barulho para não despertar a atenção dos dois, que agora parecia estar bastante séria. Park Soo Yong estava contando a ela o que Choi Young Do e Kim Tan haviam feito com ele na época em que praticavam bullying.
Assim que saiu da enfermaria, ela jogou a toalha sobre a cabeça dele e começou ela mesma a ajudá-lo a se secar. Ele segurou as mãos dela por um instante e suavemente tirou-as de sua cabeça, sorrindo ele disse:
—Acho melhor eu fazer isso antes que as pessoas comecem a pensar demais.
—Tem razão — ela sorriu, abaixando o olhar no mesmo instante. Kim Tan sabia o que aquele olhar significava. Jogou a toalha sobre ela e disse:
—Para de ficar me olhando com essa cara.
—Ei! — Ela jogou a toalha de volta nele, ajeitando o seu cabelo. — O que você está fazendo? Meu cabelo é ondulado, ele bagunça com muita facilidade.
—Taila por que me dá um abraço?
Ele estendeu seus braços, por um instante ela pensou que ele apenas queria abraçá-la como quando viviam nos Estados Unidos. Mas logo entendeu qual era a intenção dele ao querer abraçá-la.
—Kim Tan! — Ela gritou, ao mesmo tempo em que abriu o seu melhor sorriso. Ele tentava se aproximar com passos lentos. Para fugir daquele abraço, que só tinha a intenção de deixá-la molhada. Ela começou a correr, dando pequenos gritos. Ele correu atrás dela tentando convencê-la de que seria somente um abraço inocente.
Ela não conseguia não sentir falta de quando tinha sua total liberdade para poder brincar como quisesse com ele, mas já estava feliz por ele estar por perto novamente. Taila havia adquirido uma ótima habilidade de correr, o que fez com que Kim Tan percebesse no mesmo instante, pois antes ele a pegava em pouco tempo. Mesmo quando ela não queria sequer chegar perto dele.
Ela correu para todos os lados que podia, sorrindo sem parar. Kim Tan estava conseguindo esquentar o seu corpo, mesmo com aquelas roupas molhadas. Os dois estavam correndo pela escola, enquanto todos os outros alunos haviam sido recrutados para voltarem para a sala. Eles encontraram Chan Eun Sang sozinha no refeitório indo para a sala. Taila correu para de trás dela, como uma criança que vai para trás da mãe quando o irmão está aprontando uma.
—Não pense que você vai fugir só porque está atrás da Chan Eun Sang.
—Abrace a Chan Eun Sang! Ela é a sua namorada, não eu.
—Ótima desculpa!
Ela saiu correndo em direção a piscina. Ele foi atrás dela. Chan Eun Sang cruzou os braços enciumada, e resolveu apenas assistir a brincadeira deles, querendo ir atrás de Kim Tan e amarrá-lo para que não brincasse mais daquela forma com Taila.
Taila continuou correndo com bastante velocidade. Olhou para trás para ver se Kim Tan estava se aproximando. Continuou correndo olhando para trás e quando finalmente virou seu rosto para frente, notou que alguém estava vindo na mesma direção em que ela estava correndo e que era tarde demais para parar. Só notou quem era quando já havia se esbarrado nele. Choi Young Do tentou segurar-se, mas o impacto havia sido tão forte que eles acabaram caindo no chão. Ele bateu as suas costas no chão com bastante força e ela ainda caiu sobre ele.
Os relâmpagos começaram a dançar no céu, o dia estava começando a ficar cada vez mais frio e a chuva estava se aproximando. Taila e Choi Young Do ficaram parados se encarando. Eles nunca haviam tido seus rostos tão perto quanto naquele momento, um simples empurrão poderia provocar um beijo.
Kim Tan correu em direção a eles e ajudou Taila a se levantar. Chan Eun Sang também correu para tentar ajudá-los.
—Vocês estão bem? — Após ajudar Taila, ele ofereceu sua mão para Choi Young Do se levantar, mas recusou a empurrando para o lado, se levantou sozinho.
—Estamos — respondeu ela um pouco nervosa. A chuva começou a cair naquele mesmo instante, começando a molhar os quatro. — Eu não acredito que está chovendo.
Taila sorriu, abrindo os braços, fechando seus olhos e erguendo sua cabeça para que se molhasse mais rápido. A chuva estava tão grossa que eles já estavam ficando encharcados em poucos instantes. Kim Tan protegeu Chan Eun Sang e preparou-se para voltar ao refeitório. Quando percebeu que Taila estava muito feliz com aquela chuva e ele lembrou-se de uma vez em que ela e Kim Tan haviam brincado na chuva como duas crianças.
Choi Young Do colocou as mãos sobre a sua cabeça e começou a caminhar depressa. Ela caminhou lentamente em direção ao refeitório, estava completamente encharcada. Reparou bastante em como Kim Tan estava cuidando de Chan Eun Sang, tentando com as próprias mãos minuir um pouco de água que havia no cabelo dela.
Choi Young Do estava mais sério do que o comum. Aquela cena estava o machucando, queria ele estar ali cuidando de Chan Eun Sang. Tentou fugir daquela cena. Virou-se para o lado e se preparou para seguir em frente, mas parou assim que avistou Taila observando-os. Ela estava séria, com um olhar baixo, mas nada a fazia desviar o olhar dos dois. Que sorriam um para o outro apaixonadamente. Eles sorriam enquanto conversavam e como Kim Tan adorava brincadeiras, acabou dando um selinho rápido em Chan Eun Sang que ficou constrangida por estar na frente de outras pessoas, pincipalmente por ser Taila e Choi Young Do.
Choi Young Do se aproximou de Taila, assim que viu que aquele selinho inocente havia feito com que os olhos dela se encharcassem e ele sentisse aquele sentimento de raiva subir novamente a sua cabeça, querendo fazê-lo brigar com Kim Tan. Com um olhar decidido e passos firmes, ele segurou na mão dela puxando-a em direção a saída. Ela se deixou levar, da mesma forma que Yang Mi havia levado Park Soo Yong para longe de seu passado que o atormentava, era agora a vez de Choi Young Do fazer o mesmo.
Ele a levou em direção a sala de estudos, que estava vazia naquele momento. Taila ainda estava em transe. Choi Young Do soltou sua mão e apontou para que ela sentasse em uma cadeira. Ela obedeceu sem fazer ou falar nada. Apoiou seus cotovelos sobre a mesa e apoiou a sua cabeça em suas mãos, escondendo seu rosto no meio delas. Choi Young Do saiu por um momento e voltou com duas toalhas para eles se secarem. Jogou uma sobre ela, que permaneceu ainda da mesma forma.
—Gosta de outro cara uma ova — resmungou ele, se sentando ao seu lado. — Você não acha que deveria ter saído de lá antes que algo assim acontecesse?
—Eu precisava ver isso Young Do. Eu precisava me lembrar que mesmo depois de quatro anos, o Kim Tan nunca teve nenhuma consideração pelos meus sentimentos.
—Por que você não esquece logo esse cara? Já faz tanto tempo.
—Se fosse tão fácil acha que eu teria começado a gostar dele um dia?
—Então deixe de se fazer de forte, não estou afim de ficar perto de uma garota que fica chorando por outro cara — ele se levantou da cadeira, Taila segurou firme no pulso dele, com as duas mãos.
—Por favor não me deixe aqui sozinha.
—Eu só vou trocar de roupa, vou pegar o meu uniforme de educação física.
Ela assentiu o soltando quase que a força. Suas mãos foram se soltaram lentamente.
—Vá, você pode pegar um resfriado se ficar com essas roupas.
O olhar dela se tornou distante naquele momento e um sentimento que aparentava com algo parecido com se sentir abandonado enquanto está sentindo uma dor a invadiram.
—Ah — ele respirou fundo. — Por que você sempre faz isso? — Murmurou quase para si mesmo, sentando-se novamente ao lado dela e puxando a cabeça dela para cima de seu ombro. — Me prometa uma coisa... prometa que nunca mais você vai chorar pelo Kim Tan de novo e que essa será a última vez.
Não se contentou apenas em ficar com a cabeça encostada no ombro dele, abraçou-o forte. Ela nunca havia chorado antes nos braços de alguém. Aquelas lágrimas estavam guardadas desde o dia em que ela havia chegado ao colégio, estavam guardadas a tanto tempo que estava doendo muito para saírem pelos seus olhos.
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