Consequências

21 O amor começa como um sentimento estranho


Notas iniciais
Oi gente, desculpa a demora mas aqui o cap novo da nossa grande história ^^

Taila abriu seus olhos vagarosamente, sua cabeça estava latejando e o frio estava incomodando. Assim que sua visão ficou nítida, notou que estava com uma toalha molhada na testa. Tirou-a imediatamente, pois ela estava fria. Havia um copo d’água e um termômetro ao lado de sua cama. Tentou se levantar, com dificuldade conseguiu. Sentiu como se um trator tivesse passado por cima de seu corpo.

—Você está bem? — Choi Young Do entrou no quarto com uma bandeja, a mesma bandeja que ela levava praticamente todos os dias na cama para ele.

—Estou... quer dizer, o que aconteceu?

—Você passou mal a noite toda.

—Passei?

—Sim. Você não se lembra? — Ele estava sério e sua voz estava um pouco grave, mas mais aveludada do que de costume.

—Não. O que é isso? — Perguntou confusa olhando para a bandeja.

—Preparei uma sopa de arroz com frango para você. É muito bom tomar para recuperar as forças, você teve uma febre de trinta e nove graus.

Ele colocou a bandeja sobre a cama. Sentou-se à beira da cama e fitou-a por um instante. Taila passou o cabelo para trás da orelha, sentiu-se um pouco estranha, como se o olhar dele a intimidasse de alguma forma. Ela nunca se sentiu envergonhada de sua aparência na frente dele, então estava estranhando aquele sentimento estranho de correr para o banheiro e arrumar pelo menos o seu cabelo ondulado, que estava completamente bagunçado.

Pegou a colher vagarosamente e levou-a a boca. Sua garganta estava inflamada, e doeu bastante para engolir e seu estômago não aceitou muito bem aquela colherada, já que ela sentiu uma dor nele imediatamente. Ela queria parar de comer naquele instante para não passar mais mal. Mas ao vê-lo tossindo e massageando seus ombros, percebeu que ele também não estava muito bem e que exigiu um grande esforço dele para aquela sopa ficar boa. Seria o mínimo que ela poderia fazer por ele ter cuidado dela a noite toda.

—Eu fiquei assustado essa noite — disse ele com um tom de alivio. — Você não acordava de jeito nenhum. Eu estava pronto para te levar para o hospital, mas você começou a me implorar para que eu ficasse aqui com você e que você não queria sair daqui.

Ela sorriu ao ver a expressão dele. Aquele Choi Young Do que ela havia subido em sua moto possuía uma personalidade doce que ela não havia conhecido até aquele momento. Taila afastou a bandeja e aproximou seu corpo do dele, entrelaçando seus braços em volta do pescoço dele e o abraçando com leveza.

—Obrigada. Obrigada por ter cuidado de mim ontem, por ter me deixado chorar nos seus braços e por cuidar de mim essa noite.

—Você não precisa me abraçar sempre que quiser me agradecer por algo — resmungou ele. Mas sorrindo e gostando daquele abraço repentino enquanto ela não podia ver seu rosto. — E também, eu só fiz isso porque você também me escravizou, lembra?

—Ah, é mesmo — ela o soltou, sentando-se novamente no mesmo lugar em que estava antes. Abaixou o olhar, e escondeu um sorriso de felicidade que queria brotar no canto dos seus lábios. — Você fez isso por obrigação, não é mesmo? — Disse com uma ironia implícita que ele fingiu não perceber.

—Mas é claro. Não é como se eu gostasse de você ou algo assim. Coma logo a sua sopa. Eu pedi para que avisassem que você nem eu vamos para o colégio hoje.

—Avisassem? Você pediu ao Myung Soo?

—Claro que não. Termine isso logo!

Ele se levantou da cama, colocou as mãos nos bolsos e foi em direção a escrivaninha de Taila. Ele ainda estava de pijama, seu cabelo estava caído sobre a testa e completamente bagunçado. Taila parou por um instante para observar como ele ficava bonito quando estava com o cabelo bagunçado.

—Você ainda não abriu? — Disse ele passando os dedos suavemente pela pasta onde estavam as instruções para o teste de Taila.

—Não quero pensar nisso agora — respondeu deduzindo o que ele estava falando.

—Acho que você deveria olhar isso logo e decidir se você quer ou não passar por isso.

—Eu vou me decidir. Provavelmente após o teste eu vou sair da sua casa.

—Ah, isso é muito bom — disse ele. Escondendo sua expressão de insatisfação.

—E o seu pai? Você não foi mais ao hospital ver como ele estava? Ele está bem?

—Sim. Ele já saiu do hospital, foi apenas um trauma. Então eu vou visitá-lo na prisão em uma semana — ele se virou de volta para ela. — Coma a sua sopa. Qualquer coisa pode me chamar...

—Young Do — ela o chamou antes mesmo de que ele tivesse tempo de sair do quarto — será que você não pode ficar aqui mais um pouco?

—Eu realmente estou cansado — ele resmungou, deixando seus ombros caírem. Seu cansaço era evidente. — Você não me deixou dormir à noite toda, eu realmente preciso de no mínimo umas três horas de sono.

Ela assentiu um pouco triste.

—Está bem, eu só não queria ficar aqui sozinha. Eu acho que não preciso de mais nada então...

Ele respirou fundo, começando a caminhar sem que ela sequer terminasse de falar. Mas estava indo na direção contrária à da porta, estava indo em direção a cama. Ele pegou os cobertores com uma das mãos, deitou-se ao lado dela e cobriu-se em seguida.

—Então eu vou dormir aqui. Fique quieta para que eu possa pegar no sono. Você não é a única pessoa doente aqui.

—Entendi — disse com um sorriso escondido. Continuou comendo a sua sopa enquanto ele estava tentando dormir ao seu lado. Ela começou a rir para si mesma, confirmando de que ele gostava dela, senão ele agiria como sempre agiu e não de uma forma tão gentil. E estava feliz por uma parte dela estar gostando dele também, aquele poderia ser o início para que seus sentimentos por Kim Tan começassem a desaparecer.

Ele dormiu rápido, estava muito cansado e o seu resfriado o ajudou para que ficasse ainda mais cansado. Taila resolveu observar como ele estava quieto enquanto dormia. Colocou a bandeja sobre o criado-mudo e deitou-se de volta cobrindo seu corpo. Estava com muito frio, mesmo a sua febre tendo abaixado.

Olhou para ele, que dormia como um anjo. Ele estava com o rosto virado para o lado dela, então ela podia observá-lo dormir enquanto estava deitada.

—Você realmente dorme como um anjo — murmurou ela. Ele não se mexeu, provavelmente estava dormindo muito pesado.

Ela aproximou seu rosto de dele, sua cabeça estava doendo, então aquele movimento lento de aproximação parecia uma eternidade. Parou somente quando pode sentir seus lábios tocarem os dele. Voltou a sua cabeça bastante rápido para o seu travesseiro, com seu coração acelerado e murmurou para si mesma:

—Eu estou maluca? Se ele souber disso ele me mata! — Virou-se para o lado, respirou fundo e murmurou para si mesma: — É melhor eu dormir para não fazer mais coisas estupidas.

Choi Young Do abriu um dos olhos apenas para conferir se ela ainda estava acordada. Assim que percebeu que ela estava, apenas virou-se para o outro lado e dormiu novamente.

Uma semana depois, os alunos do colégio Jeguk estavam em horário vago, um horário destinado para que eles pudessem estudar para as provas do semestre e também para que os alunos do terceiro ano já pudessem começar a se preparar para entrar na universidade. Alguns pais aproveitaram para conversar sobre a proposta de os alunos viajarem para o Brasil, muitos estavam insatisfeitos com o fato de Roberto praticamente ter opinado e decidido tudo. Alguns pais não acharam ruim, pois estavam economizando dinheiro com algo que para eles deveria ser disponibilizado pela escola, outros não estavam felizes. A diretora marcou novamente uma reunião de pais para dar a resposta definitiva, pois os alunos já deveriam dar seus nomes para que tudo ficasse organizado com antecedência.

Muitos alunos não estavam estudando como deveriam estar, a maioria eram alunos do segundo ano, que estava se divertindo jogando seus colegas na piscina. Taila estava na sala de aula, a maioria dos seus colegas estavam na sala de estudos, então a sala estava vazia. Ela estava lendo um livro de literatura coreana que iria cair na prova de história da Coreia.

A reunião de pais acabou depois de um longo tempo de discussão. Roberto estava saindo da sala dos professores após dar a sua frente a todas as outras mães. Finalmente todos chegaram a um acordo, o destino não havia sido mudado, pois tornou-se uma exigência da diretora, deixando os pais mais irritados, pois gastariam bastante levando os alunos para um pais mais distante. Mas todos os pais iriam ajudar com algo e Roberto ficaria apenas em oferecer um lugar para que os alunos pudessem ficar hospedados e em segurança.

Taila se aproximou dele com a mochila nas costas. Ele colocou uma das mãos na cintura e abraçou ela com o outro braço. Ela não recusou o abraço, embora seu pai tivesse se tornado cada vez mais distante com o tempo, suas demonstrações de carinho eram sempre bem-vindas.

—Como você está? — Perguntou ele em português, sério e com um tom diferente. — Você nunca passou tanto tempo sem falar comigo.

—Estou bem, morar com o Choi Young Do é bastante confortável. Eu nem posso acreditar que você queria que eu morasse com o Kim Tan.

—Foi um erro meu — Taila arregalou seus olhos. Ela não estava mais reconhecendo seu próprio pai. — Tenho que voltar para a empresa agora...

—Espera! — Ela pegou a sua mochila, abriu-a devagar e retirou uma folha de papel. — Aqui está, a confirmação que você precisava. Eu vou fazer esse último teste.

—Tem certeza? — Ela arregalou seus olhos novamente, era ele quem insistia tanto por aquilo e agora era ele mesmo quem estava hesitando.

—Tenho, espero que nada de errado e me coloque em risco de vida dessa vez.

—Não dará. Eu cuidei de tudo e vou assistir a tudo. Só quero ter certeza que você pode ser capaz de passar por qualquer situação sozinha. Você queria saber porque eu te faço passar por esses testes, eu só quero ter certeza que você pode vencer qualquer situação que te colocarem. Porque talvez eu possa não estar lá para cuidar de você.

—Do que é que você está falando? — Ela ficou sem graça, pois não estava entendo o que estava acontecendo.

—Lembre-se de uma coisa Taila Monteiro. Seja fria para que as pessoas não machuquem seu coração e não se apegue as pessoas, pois elas podem te abandonar. Eu já vou indo.

Ele saiu caminhando com passos lentos. Ela estranhou, por um minuto ele voltou a ser o seu antigo pai, mas ao mesmo tempo ele parecia estar triste, pois como o comum, eles acabariam brigando. Mas ambos não sentiam mais vontade de brigar por um assunto desgastado como aquele. Ela só queria entender o porquê de ele estar tão sério e até mesmo um pouco deprimido.

Quando a aula chegou ao fim, todos os alunos estavam saindo e entrando no carro de seus pais que estavam lá para buscá-los. Taila se sentou à beira da piscina, observou o sol que já estava alaranjado, batendo nas árvores. O vento estava soprando gelado e as nuvens estavam escuras, provavelmente uma tempestade chegaria mais tarde.

Choi Young Do estava passando pelo refeitório quando a viu sentada à beira da piscina com a sua mochila nas costas. Ele a observou por um instante e depois caminhou até lá com passos rápidos. Sentou-se ao lado de Taila e expressou cansaço ao se sentar.

—O que está fazendo aqui sozinha? Está pensando em dormir no colégio?

—Não — ela suspirou. — Eu decidi Young Do! Eu vou participar do último teste do meu pai.

—É mesmo? — Ele olhou para o céu, que estava belíssimo com a cor alaranjada do sol estava dando contraste às nuvens escuras. — Você deve ter um bom motivo para ter aceitado, já que você me disse que sempre as coisas dão errado.

—Eu cheguei à conclusão de que eu estava fugindo a todo esse tempo desses testes, mas a verdade é que a única pessoa que estava fazendo com que eles dessem errado era eu mesma. Esse é o último e pela primeira vez, eu quero passar em um teste.

—Você nunca passou? Em nenhum?

—Não.

—Você realmente não deve ter nenhuma habilidade.

—Do que você está falando? — Alterou ela o tom, mas com um sorriso escondido no canto dos lábios. — Eu tenho grandes habilidades. Eu tenho boas habilidades de luta.

—Você? Eu ainda não entendo como uma pessoa de braços finos — segurou o braço dela e usou a sua mão para medi-los — como os seus, pode ter feito algum treinamento de luta.

—Claro que eu fiz, eu grandes treinamentos.

—Então venha! — Ele se levantou puxando-a pelo braço. Ela se levantou e jogou a sua mochila para longe.

—Venha para onde?

—Vamos lutar! Eu não entendo por que eu não tive essa ideia antes.

—Eu não vou te bater.

—Você não vai me bater, nós vamos lutar — ele estava com um olhar confiante. — Você não sabia que eu sou um campeão de judô. Eu venci até mesmo o meu pai.

—Está bem, vamos lu... — ela girou o seu corpo e ergue a sua perna na altura do rosto dele, ele apenas se esquivou.

—Você tem bastante flexibilidade para uma garota tão pequena.

—Eu não sou pequena, você é que é muito alto.

Ela começou imediatamente a levar seus braços e pernas em direção a ele que apenas se esquivava. Os golpes dela eram bastante rápidos e o faziam dar passos para trás. Ela parecia não estar nenhum pouco incomodada em acertá-lo. Choi Young Do se cansou de vê-la dando-lhe golpes como se fossem coreografados e assim que ela foi novamente tentar lhe dar outro soco, ele a segurou envolvendo seus braços em volta do corpo dela, quase como um abraço.

Ela tentou imediatamente se livrar dele e isso incluiria bater nele de verdade, o que ela não havia feito até aquele momento. Ela começou a se debater, o que acabou dificultando para que ele a segurasse. O que Taila não imaginou é que ele fosse tropeçar na sua mochila e derrubá-la no chão e ainda cair sobre ela. Como há uma semana. Seus corpos estavam um sobre o outro, seus rostos estavam bastante perto um do outro.

—Young Do acho que você devia levantar agora — ela tentou desviar os seus olhos dos dele.

—Não — ela arregalou os seus olhos surpresa olhando de volta para ele. — Essa é a segunda vez que isso acontece e por algum motivo eu não quero me levantar.

—Voc...

Ela mal teve tempo de começar a falar, o rosto dele aproximou-se tão rápido do seu e ela só se deu conta quando os lábios dele já estavam colados aos seus e por algum motivo que ela também não estava entendendo, ela retribuiu aquele beijo repentino e passou os seus braços em volta do pescoço dele. Taila não queria mais que ele se levantasse, a única coisa que ela queria era que ninguém passasse por ali e os forçasse a parar.

Notas finais
Bom, espero que vocês tenham gostado desse final tão esperado e não esqueçam de deixar um comentário e vejo vocês no cap 22