Notas iniciais
Oioi, o de sempre né, sejam bonzinhos, espero que goxtem

Comecei a andar pelos corredores, todos idênticos, com paredes brancas e vasos de flores em cada canto, estava com grandes calafrios, um suspiro doloroso saiu de meus lábios, meu peito começou a doer, parecia que meu coração iria sair pela minha boca, comecei a me sentir sufocada, como que alguém estivesse com grandes mãos apertando meu pescoço até que o ar saísse completamente de meus pulmões.

Caí de joelhos arfando, em busca de oxigênio, me arrastei até um lado de uma das paredes, para, ao menos, ter um local para me apoiar, entretanto, não foi necessário, pois eu deitei em posição fetal, soluçando, com lágrimas queimando no fundo de meus olhos, os momentos da minha pior lembrança, até então quase bloqueadas por meu subconsciente, passaram a passar como um filme na minha frente.

Não sei por quanto tempo fiquei naquela posição, mas parecia que tinha se passado horas, dias, semanas, anos ou até mesmo décadas. Ao menos, foi assim que me senti.

Aos poucos fui me acalmando, e quando me levantei, abracei a mim mesma. E continuei meu tour, precisava conhecer cada minúscula partícula daquele lugar, estar preparada para fugir, do monstro que meu marido estava passando a se tornar.

Após uns dois minutos de caminhada, parei na frente de uma grande porta. Ela estava fechada, enquanto todas as outras estavam abertas, obviamente suspeito.

Me aproximei, fios dos meus cabelos castanhos caindo por cima dos olhos, amarrei meu cabelo num coque, com impaciência.

Parei em seco quando escutei vozes abafadas saindo do quarto, mas fui incapaz de sair de perto. Tomei coragem e coloquei minha orelha na porta, para escutar melhor o que falavam.

— ... Não sei, ela não disse nada, a vadia estava tão paralisada pelo choque do que eu estava fazendo, que eu acho que nem escutou o que eu perguntei, sim, eu sei, foi uma péssima tática, no entanto hoje à noite eu vou fazer melhor, algo na bebida vai ajudar e muito...

As palavras se embaralharam na minha cabeça quando escutei Stephen. E ele estava falando de mim, senti o gosto amargo da bile na minha boca. E a verdade bateu no meu rosto com tanta força, que eu acreditava que se me olhasse no espelho veria marcas de dedos na minha bochecha.

Ele parou de falar. Escutei passos cada vez mais próximos, ele estava saindo do quarto, comecei a correr para o mesmo lugar que me encontrava anteriormente.

Quando cheguei no quarto, com meus pulmões lutando por ar.

Meu celular não parava de tocar, o peguei de cima da mesa de cabeceira, na tela o nome da minha mãe era gritante.

— Oi mãe.

— Querida! Que voz é essa? Você se casou ontem pelo amor de Deus.

— Acabei de acordar — menti um tanto quanto descaradamente.

— Então a noite foi boa — era notável seu tom malicioso.

— Acho que sim... — respondi relutante.

— Como assim acha? Ah, querida, talvez ele estava muito cansando, devo dizer que seu pai já passou por isso e...

— Mãe! — a interrompi, antes que ela falasse alguma besteira. — não preciso saber de sua vida sexual com o papai, eca — retruquei automaticamente.

Escutei sua risada nasalar, meio abafada.

— Você não vai acreditar no que estou fazendo! — seu tom de voz estava extremamente animado, isso me deu um pouco de medo

— O quê? — perguntei, mas temendo a resposta.

— Roupinhas de bebê! — ela praticamente gritou no outro lado da linha.

— Nem se preocupe, quanto a isso acho que não vamos ter filhos — não quero ter filhos com aquele cara como pai, acrescentei mentalmente.

— Vão ter sim, senhora! Não tive uma filha, para eu não ganhar netinhos, me ouviu bem? — sua voz saiu meio raivosa.

— Não vou discutir isso com você agora, mãe. Pelo menos, não pelo celular. — disse olhando ao redor, com grande medo do meu marido entrar no quarto. A qualquer momento ele entraria por aquela porta e... Meus pensamentos foram interrompidos quando vi a maçaneta se mover.

Sem pensar muito fui correndo para o banheiro e me tranquei lá, o celular ainda estava em minhas mãos, com a tela dando a ligação como encerrada, havia desligado o celular na cara de minha mãe.

A sensação de sufocamento voltou, muito pior.

— Tess? Está aí dentro? — ele me perguntou, batendo levemente na porta. — Você está bem? — ele decidira parecer o marido preocupado.

Não fui capaz de responder. Me deitei no chão com medo, um dos maiores medos que já havia sentindo em um local onde, supostamente deveria me sentir acolhida, amada. Mas era o inferno disfarçado de Paraíso.

Ele insistiu mais algumas vezes, com uma voz falsamente acolhedora, entretanto, no fim desistiu, não sem antes falar:

— Vou sair, não me espere acordada — ele falou bufando e bateu a porta do quarto com uma tremenda força.

—- Vai para o inferno — murmurei essa frase muitas vezes como um mantra sagrado, arfando com ar lentamente entrando nos meus pulmões.

Fiquei encarando a pia elegante do banheiro, pensando como iria lidar com tudo aquilo. Como faria, se eu contasse para meus pais, minha mãe diria que meu dever como mulher dele seria mudá-lo, e meu pai iria dizer que para manter as alianças era necessário sacrifícios, ou seja, eu ia ser obrigada a ficar com ele. E aturá-lo já que meu papel seria apenas dar prazer à ele e cuidar da casa e das crianças que, obrigatoriamente viriam no futuro. De repente me enojei de minha família que possuia pensamentos extremamente machistas. Nunca tinha visto o quanto era errado essa relação dos sonhos que meus pais implantaram na minha cabeça até ver a realidade com meus próprios olhos.

Meu celular começou a tocar de novo, minha mãe provavelmente queria saber o que tinha acontecido para eu desligar a ligação na sua cara, mas ignorei e não atendi sua ligação.

Notas finais
Desculpem os erros