Notas iniciais
Então, acho que ficou enorme, espero aue gostem estou fazendo o desenrolar dela meio rápido porque eu ando bem ansiosa pra escrever hahaha. Mas vamos ao que importa...

Passei metade do dia deitada na cama, encarando o teto, me sentia vazia, oca.

Meu celular tocara mais vezes, até que eu o joguei na parede, quebrando-o em míseros pedaços.

Decidi não ficar sem fazer nada, me levantei da cama com o objetivo de descobrir o que meu marido tramava.

Percebi que já estava na frente da sala de Stephen, não me lembrava direito de ter passado pelos corredores, com um dar de ombros, girei a maçaneta.

— Abra, abra, abra — murmurei como um mantra sagrado, mas a porta não se moveu.

Forcei a porta mais algumas vezes, soltando xingamentos nada agradáveis.

Parei por um momento, me acalmando, esperando vir uma ideia na minha cabeça. Eu ia entrar naquele lugar de um jeito ou de outro. Isso não iria sair da minha mente tão fácil assim! Era incrível que, em menos de um dia eu já não confiava no meu marido.

Agradeci mentalmente de ter percebido isso antes, e não ser uma daquelas moças que querem ver tudo colorido e fecham seus olhos para o que se encontra bem à sua frente.

Andei um pouco, pelo corredor, prestando atenção em cada detalhe. Nada. Além de algumas rachaduras na pintura. Quando fui dar mais um passo, esbarrei em um vaso grande que estava no chão próximo à porta, mas esse era o único que as flores eram artificiais. Isso era bom demais para ser verdade! Stephen andava vendo muitos filmes. Extremamente idiota. Tirei todo o conteúdo que havia lá dentro e nada ao fundo, suspirei confusa, até perceber que poderia estar no meio de alguma das flores do arranjo falso, sacudi elas de cabeça para baixo e nada. Estava quase desistindo dali e indo procurar em outro lugar, até que, notei que o vaso estava pendendo mais para o lado esquerdo, estava instável. Sorri vitoriosa e o virei e lá estava ela. A magnífica chave se encontava colada com fita logo na minha frente, uma onda de satisfação genuína e obscura tomou conta de mim, minha risada ecoou pelo lugar me fazendo encolher de medo, caso Stephen já estivesse em casa.

Me levantei determinada a descobrir o que meu marido escondia de mim. Arrumei o vaso rapidamente, me levantei, secando o suor de minhas mãos no moletom. Então tudo pareceu tão real, imaginei que ele escondia os corpos de outras esposas antecessoras a mim. Como na história do Barba Azul, um nobre aristocrata violento, que já havia se casado seis vezes, no entanto o paradeiro de suas outras esposas era desconhecido, quando ele se casou de novo, a sua nova mulher, curiosa que era, entrou em um quarto no qual ele a proibiu de entrar. O quarto estava sujo de sangue e os corpos de suas ex-esposas se encontravam pendurados na parede... Balancei a cabeça, sabia que minha mente estava pregando peças em mim para eu não abrir o quarto, sabia que algum dia minha curiosidade iria me matar, contudo, não me importava, girei a chave e entrei no quarto, ignorando todos os gritos dos meus instintos de não entrar lá.

Mas eu estava ciente, seja o que for o que eu encontrasse, seria terrivelmente desagradável.

A sensação que tive no começo foi decepcionante, me senti uma tola, não tinha nada demais, nem sangue, tampouco mulheres mortas. Era apenas um escritório, com uma mesa e um computador centralizados, e ao lado esquerdo uma estante com alguns livros. Adentrei mais no local, fechando a porta silenciosamente. Livre para absorver cada detalhe, as paredes eram escuras e a única coisa que acrescentava no lugar era uma grande janela atrás da mesa.

Logo, me recuperei e fui olhar os livros. Eram sobre administração, direito, e... Um certo livro me chamou atenção, diferente dos outros ele não era capa dura, possuía cores mais vibrantes e era mais fino que a maioria. Franzi o cenho para a capa e revirei meus olhos, claro, eu já suspeitava que seria pornografia, mas com certeza fora mal escondida no meio dos livros didáticos, pus a revista no lugar cuidadosamente, para não levantar suspeitas.

Andei até a janela e fechei as cortinas escuras, ao menos por enquanto nao iria me arriscar em deixá-las abertas.

Decidi trancar a porta, era melhor não arriscar, fui em disparada e a tranquei, meu medo de ser pega bisbilhotando era maior do que descobrir o que ele tramava. Andei lentamente até a mesinha de escritório e me sentei na cadeira, olhei para as gavetas e tentei abrir uma por uma, mas quase todas estavam trancadas, apenas duas estavam sem trancas, a primeira não tinha nada, bati no fundo, caso fosse falso, mas era uma gaveta normal. A outra que estava aberta, era a última gaveta, essa possuía alguns papéis, e um revólver por cima, peguei a arma cuidadosamente a examinando. Estava carregada. Tranquei a respiração e deixei a arma de lado. Agora eu estava segurando um envelope endereçado à Stephen, quando fui abrir a carta escutei passos e vozes cada vez mais próximos, nem pensei direito, joguei o envelope e a arma dentro da gaveta a fechando, me levantei e fui correndo para as cortinas, as abri e me escondi atrás de um lado, a janela estava entreaberta, e pra fora tinha uma sacada, escutei a maçaneta sendo girada e uma voz familiar mais próxima, não parei para pensar quem era, e logo me joguei para fora do quarto, indo para a sacada. O céu já estava crepuscular, a vizinhança ficava linda, quando os tons de rosa, laranja e vermelho tomavam conta das casas, tranformava o local mais feliz, mais bonito, mas não era assim que estava fora da nossa bolha social.

Meu peito subia e descia rapidamente, a adrenalina estava no alto, me encontrava sentada na parede olhando para o céu, de repente as vozes ficaram mais audíveis, no entanto nada que eu pudesse escutar com clareza ainda.

— Vamos para a sacada o fim do dia é sempre lindo por aqui, e assim fica mais fácil negociarmos

— Escutei uma resposta um pouco agressiva e uma voz feminina um tanto quanto sensual, respirei fundo, olhei para o lado e vi uma segunda sacada que dava para o quarto ao lado, mas para eu ir para lá, eu deveria vencer minha vertigem e meu medo de altura, já que me encontrava no segundo andar e devia que basicamente pular um pequeno vão entre cada sacada. Engoli em seco e tomei coragem de sair dali, sabia que eles estavam indo para onde eu me encontrava e mais cedo ou mais tarde eu seria descoberta.

Me levantei e fiquei bem no canto, para minha silhueta não ser vista. Passei uma perna no murinho que eu devia passar, depois a outra, balancei meus pés, analisando o que fazer em seguida, decidi ficar em pé, encima do muro para pular para o outro lado. Evitei olhar para baixo, fechei os olhos e pulei para o outro lado.

Em um breve momento achei que cairia do segundo andar, mas caí no muro da outra sacada, meus pés estavam pendendo no vão, se eu escorregasse iria cair no chão e me machucaria feio, meu peito começou a apertar e minha respiração ficou entrecortada, me obriguei a me forçar para cima, aguentando o peso do meu corpo nos meus braços, o sufoco estava tão grande que eu achei que não conseguiria, entretanto, eu consegui, fui para o outro lado de forma um tanto desengonçada.

A náusea que eu estava sentindo era grande, mas estava bem ali, nenhum deles me vira, continuei sentada na sacada do lado, não por medo de ser vista, mas para tentar escutar a conversa que ele teria com aquelas pessoas. Me encolhi para ninguém desconfiar. Eu conseguira, tinha saído daquele lugar à tempo.

– Então... Gostaram da vista? — escutei o homem que dizia me amar perguntar.

— Steph, é maravilhosa — a voz femina falou.

— Que bom, porque um dia, tudo isso será seu — aquele tom, era o que ele havia usado comigo, quando começamos a namorar, minha náusea aumentou.

Ela deu uma risadinha de menina apaixonada. Ela estava se iludindo, definitivamente. Não pude deixar de sentir pena dela.

— Vamos aos negócios — um choque tomou conta de mim, aquela voz era a do meu ex, o cara que tinha me traído com minha melhor amiga.

— Certo, trouxe a mercadoria? — a voz de Stephen assumiu um tom profissional.

— Trouxemos — a garota soltou um gritinho histérico.

— Milene, já chega — Stephen rosnou para a garota que agora tinha um nome, Milene.

— Um pouquinho desse Boa Noite Cinderela, vai ajudar, mas se você puser demais na bebida da Tessália, ela vai desmaiar por horas e nosso plano vai ir por água abaixo, assim como a sua primeira tática, ridícula devo acrescentar.

– Bem, Adam, mas eu devo dizer, que se Steph continuar assim, a vagabunda vai sair do nosso caminho num estalar de dedos. — Milene disse, sua voz estava forçadamente alegre.

— Eu sei, Milene, mas antes de tudo, Stephen deveria passar o que ainda está no nome dela para o dele, e depois damos o sumiço na vadia.

— E quando ela sumir, vou dizer para os pais dela, que os rebeldes a levaram, me farei de viúvo preocupado e sofredor e serei aquele anjinho caído no ombro do seu pai, a parte mais difícil vai ser persuadi-lo, no entanto, como ele vai estar de luto, vai fazer tudo o que eu quiser e seremos os vitoriosos dessa guerra, vou tirar da cabeça dele a ideia ridícula de sair da guerra. E quando tudo acabar, terei um grande status na sociedade, todos vão me temer. Serei rico e não terei o peso morto da Tessália na minha vida.

Assim que ele concluiu, Adam e Milene riram junto com Stephen, eu não fiquei impressionada com o plano dele, mas o que não saía de minha cabeça era o plano cheio de furos dele, mas que poderia dar certo se minha família estivesse de luto por mim.

Mas eu sabia que fugiria dele, pois quando era dito a palavra "sumiço" eu sabia que a morte era o que me aguardava.

Mas eu voltaria, e o veria cair. Meus pensamentos foram interrompidos, quando escutei um gritinho agudo.

— Alguém esteve aqui, olha aqui — Milene falou, sua voz transbordava raiva.

— Minha chave reserva, merda — Stephen murmurou.

Notas finais
Desculpem os possíveis errinhos, beijinhos e até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.