Consequências Daquela Noite
13 XII- Quando tudo vai de mal a pior
Notas iniciais
Erza's Pov
Logo que eles chegaram para tomar de nós os mantimentos, notei que usavam cabos de vassoura, facas pequenas e martelos. Além disso, não deviam passar de sete, no máximo oito pessoas, inclusive tinham algumas crianças. Ao meu ver, e provavelmente ao de Gray também, eles não eram ameaça alguma, pois nem aparentavam ser magos, então, não pude deixar de rir por dentro, já que eles agiam como se fossem verdadeiros guerreiros.
Quando se aproximaram, um deles, o maior homem que tinha e que não deveria passar da minha altura, falou:
– Entreguem os alimentos agora, ou vocês e o povo desta vila imunda irão sofrer com as consequências!- Gray não se aguentou e caiu na gargalhada, sendo logo acompanhado por mim.
Mas logo parei quando vi algumas pessoas que olhavam das janelas de suas humildes casas e elas aparentavam ter medo. Não existiam guildas naquela cidadezinha, portanto, eles estavam indefesos. E eu os entendo, ter medo quando se está indefeso sem poder fazer nada enquanto te machucam ou te fazer algum mal é normal. E aqueles... Hã... ''Ladrões'', deviam assusta-los enquanto tomavam seus alimentos. Mas nós não iríamos deixar isso acontecer. Eu iria proteger aquelas pessoas inocentes que não podiam fazer nada contra um simples bando de idiotas que se acham no direito de fazer o que bem entendem.
Gray, depois de conseguir parar de rir, ficou com um rosto totalmente sério e respondeu:
– Não vamos entregar os alimentos coisa nenhuma! Vocês deveriam ter vergonha de saquear um cidade tão pobre e já com tão pouco alimentos! Vocês por acaso não são humanos para sentir ao menos pena deles?- Ele falou apontando para as casas, agora já com as janelas fechadas.
–Pena? Eu sinto é pena de mim mesmo, da minha família e de meus outros companheiros!
–O que?- Eu e Gray perguntamos juntos, mas assim que terminamos eles vieram para cima de nós com suas ''armas'' prontas para atacar.
Mas ficamos surpresos quando eles passaram direto por nós, como se nem existimos. Viramos para trás com as caras mais confusas e tivemos outro golpe de surpresa: Eles estavam entrando nas casas e roubando sacos de farinha. Eles saiam e juntavam os sacos perto dos portões da cidade, visto que a vila era tão pequena que mal tinha uma rua principal, que conectava as outras três ruazinhas onde se encontravam os mercados, farmácias, e onde ficavam o portão de entrada em uma extremidade e na outra um muro de madeira, que separava a fronteira de Fiore com outro reino menor.
Gray e eu nos olhamos e rapidamente partimos para cima deles, mas antes que conseguisse correr, Gray pegou no meu braço e disse:
– Cuidado! Pense que está protegendo mais de uma vida agora.
– Sim, terei.
E assim, fomos ao encontro deles. Tentávamos não machuca-los seriamente, mas eles tentavam nos acertar a toda hora, então tive uma ideia. Comecei a dar leves golpes em suas mãos, mas fortes o suficiente para fazê-los largar as armas e assim, conseguir tira-las de perto deles.
Gray's Pov
Depois de dizer para Erza ter cuidado, fui impedir alguns dos bandidos a roubar míseros sacos de farinha daquelas pessoas e assim como vi que Erza estava fazendo, os desarmei para logo depois chutar suas armas para longe de seu alcance. Me virei na direção dela, não sei porque, mas me deu um aperto o coração vê-la lutando, ela estava ganhando, nem havia reequipado uma armadura, mas mesmo assim estava daquele jeito. Fiquei um tempo observando-a e esqueci de tudo, mas um cara magrelo me acertou com uma pá na cabeça, e aquilo doeu muito. Mas logo me virei para ele, com cara de poucos amigos e disse:
– Devia ter pensado duas vezes antes de ter feito isso.
Acabei não me controlando e dando alguns socos nele, fazendo ele cair no chão e proteger o rosto com os braços em sinal de desespero. Quando ia dar um chute nele, ele gritou:
–Por favor não faça isso, estamos apenas com fome! Nosso país é tão pobre quanto esta cidade, e como ela é tão afastada do restante do reino e tão perto da fronteira com nosso país, pensamos que esse seria o alvo perfeito para pegarmos comida. Nós temos penas dos habitantes, mas temos mulheres e crianças em casa que não comem há dias! Nosso país não é tão bom quanto o seu para nos enviar comida, e assim estamos morrendo aos poucos!
Não sabia daquilo e acabei ficando sem reação, só olhando para ele. Devia no máximo ter 20 anos e era muito baixo e muito magro, já com os ossos aparecendo. Acabei por acreditar em sua versão, vendo que eles não eram tão agressivos nem machucavam ninguém enquanto roubavam e nem tinham armas.
Vi que mais alguns estavam chegando, e o homem em que tinha batido agora a pouco correu para perto onde os sacos estavam. Procurei Erza, e vi ela puxando um saco de farinha de um lado enquanto um menino de uns dez anos puxava do outro. Claro, Erza nunca bateria numa criança.
–Erza!- Ela soltou o saco de farinha e olhou para mim aborrecida enquanto o garoto corria em direção a pilha nos portões.
–O que?
–Tenha cuidado! E não os machuque, te explico o porque depois.- Ela sorriu para mim e me virei na direção dos outros que vinham.
Erza's Pov
Depois do aviso de Gray, acabei vendo que outros estavam vindo. Gray conseguiria para-los sozinho, agora tinha que dar conta dos sacos já roubados, para que eles não levassem.
Quando cheguei perto, havia um homem bem magro, que correu assim que viu que invoquei minha espada, e uma mulher que devia ter uns quarenta anos ou mais. Satisfeita, ri sabendo que estava fazendo tudo direito e ainda sem machucar ninguém. Quando me abaixei para pegar os sacos e leva-los de volta, uma vozinha me surpreendeu:
–Ei moça! Eu não vou deixar levar nossa comida.- A voz era de uma criança. Me virei para ver quem era, mas minha visão ficou turva logo quando senti um cabo de vassoura atingir minha barriga.
–----
Logo depois de ser atingida na barriga um medo enorme tomou conta de mim. Meu filho, meu filho, meu filho! Coloquei a mão sobre o local ainda sentindo uma forte dor, olhei para Gray que tinha derrotado aqueles homens e gritei por ele que me olhou com uma expressão assustada e veio correndo em minha direção.
– Erza o que houve? Por que esta assim? Aconteceu alguma coisa?
– Eles... eles, me acertaram!
– Como assim? Eles te machucaram? Onde ? Como? – Perguntou Gray ficando nervoso também vendo o meu estado.
– Na minha barriga! Eles acertaram a minha barriga! E a gora? O nosso filho Gray! Eu vou perder o nosso filho!
– Ei, fica calma, vai ficar tudo bem! Você não vai perder o nosso filho! Vai ficar tudo bem!
Olhava para Gray e ele parecia estar longe, parecia tão nervoso quanto eu. Comecei a tremer já não contendo as minhas lágrimas, confesso que quando soube dessa gravidez eu não queria ter esse filho, mas agora eu já nutria um amor tão grande por aquela criança, que o fato de eu poder perdê-la seria algo que eu não iria suportar, aquela criança se tornou o bem mais precioso que eu tenho, não, definitivamente não, a ideia de perder aquele filho não passava na minha mente, e quando dei por mim cai ajoelhada no chão, senti os braços de Gray me segurando chamando meu nome, tentei responde-lo mas minha visão estava ficando escura, não vi mais nada depois disso.
–----
Acordei com a visão um pouco embaçada, aos poucos notei que estava deitada em um pequeno quarto branco e bem simples, acabei me lembrando do que tinha acontecido, levei a mão sobre a minha barriga novamente, levantei minha blusa e notei que não havia ficado marca alguma do ocorrido, o que me tranquilizou um pouco. Vi alguém abrindo a porta, era o Gray, que trazia consigo uma bandeja com algumas frutas.
– Como você esta? – Ele me perguntou com uma expressão preocupada no rosto.
– Estou me sentindo melhor, só estou preocupada com o nosso filho.
– Quanto a isso não precisa se preocupar, o médico da vila examinou você, e aparentemente esta tudo bem, não precisa se preocupar!
– Tem certeza? É que eu não sei, eu...
– Pode ficar tranquila, eu quero e me preocupo tanto com essa criança quanto você! Mas ele pediu para nós ficarmos mais um tempo por aqui, você precisa descansar.
– Tudo bem, não se preocupa com isso, nós vamos ficar, não vou por em risco a vida do nosso filho!
Depois de ter passado o dia naquele pequeno hospital, Gray alugou um pequeno quarto de hotel para ficarmos, era simples mais bem aconchegante, ele tinha alugado apenas um quarto para que pudesse ficar de olho em mim o tempo todo, o que de certa forma não era preciso, estava me sentindo perfeitamente bem, o que me deixava tranquila depois do enorme susto que eu tinha passado, perder o meu filho não era uma opção, nunca seria, estava ate me acostumando com o fato de dormir com o Gray todas as noites, me sentia protegida ao lado dele, parecia que nada no mundo poderia me fazer mal quando eu estava com ele, claro que a ideia dele de principio era a de dormir em um pequeno sofá e me deixar dormir sozinha, mais era claro que eu não iria permitir isso, não era justo com ele, além do mais, era uma bela desculpa para o manter perto de mim.
É eu tinha que admitir para mim mesma, eu estava apaixonada por ele, completamente apaixonada por ele, não havia acontecido nada desde aquele incidente do trem, ele não tinha tentado nada, só cuidava de mim o Maximo que podia, chegava a ser exagerado as vezes, o que só me fazia ver a pessoa maravilhosa que ele é, me sentia triste as vezes, como nunca notei o que estava bem debaixo do meu nariz? Esse homem maravilhoso que me ama e que eu nunca dei o devido valor? Não me sentia no direito de falar o que eu estava sentindo para ele, já o fiz sofrer demais, eu não merecia uma pessoa tão maravilhosa ao meu lado.
–----
Já fazia uma semana que estávamos naquela vila, havíamos combinado que se eu continuasse bem do jeito que estava, iríamos partir naquela manhã mesmo. Acordei com o sol iluminando o quarto, notei que Gray estava dormindo abraçado a mim, estávamos dormindo de conchinha, quem visse iria pensar que éramos casados, sinceramente, estava com uma enorme preguiça de levantar da cama, mais iríamos embora hoje, já havíamos ficado muito tempo longe da guilda sem dar noticias, o que era estranho já que era uma missão aparentemente bem simples e que não duraria mais de um dia para um mago se fosse sozinho, quanto mais para dois magos, levantei e ouvi Gray resmungar algo que não consegui ouvir.
Quando levantei da cama vi algo vermelho no lençol, achei estranho pois não tinha notado aquela mancha na noite anterior, passei a mão sobre o local e percebi que estava molhado, cheirei aquilo e vi que era sangue, gelei, aquele sangue só poderia ser meu, levei a mão ate o meu pijama e notei que também estava sujo de sangue. Me desesperei! Não, aquilo não estava acontecendo de novo, não, não, não! Meu filho não!
Comecei a sacudir Gray desesperada ate que ele acordasse.
– Gray! Gray! Gray! Acorda, eu to perdendo o nosso filho!
– Erza, o que foi? Porque você esta assim?
– Olha pra mim! Eu estou sangrando! O nosso filho!
Gray não respondeu nada, apenas me pegou no colo e me levou correndo para o hospital que eu havia ficado naquele dia, logo o medico chegou e me levaram para uma sala, onde fizeram vários exames, não deixaram o Gray entrar comigo, o que me deixou mais angustiada ainda, não continha minhas lagrimas, aquele medo aterrorizante de perder meu filho havia tomado conta de mim novamente, depois de vários exames me levaram para um quarto bem pequeno e precário, e eu pude ver quando o médico chamou Gray para uma sala para eles conversarem.
Gray Pov
Depois de quase ter morrido de preocupação com a Erza, o médico finalmente me chama para falar o que tinha acontecido, estranhei o fato dele ter chamado só a mim, talvez ele já tenha dito a Erza o que tinha acontecido.
– Bom Sr. Fullbuster, depois de examinarmos ela eu o chamei para que pudéssemos conversar sozinhos porque vou precisar de sua ajuda.
– Como assim doutor? O que ela tem? O que aconteceu com o meu filho?
– A principio o bebê esta bem, mas ela precisa de muito repouso e muito cuidado a partir de hoje.
– Então ela não perdeu o bebê?
– Não, ainda não, mais preciso que entenda a real situação dela a partir de hoje.
– Como assim ainda não?
Erza Pov
Do quarto em que eu estava dava para ver a porta do consultório onde eles estavam conversando, notei que Gray estava demorando tempo demais lá, o que me deixava mais angustiada do que eu já estava, quando dei por mim, Gray finalmente havia saído, o que me deixou nervosa foi o fato de que ele tinha saído chorando do consultório. O que tinha acontecido? Eu tinha perdido o nosso filho? O que aconteceu? Não aguentei e sai correndo mesmo com as roupas do hospital, vi algumas enfermeiras gritando para que eu voltasse para o quarto, as ignorei e continuei procurando o Gray, achei ele sentado em um banco com as mãos no rosto chorando.
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