Notas iniciais
Ahh, como eu disse, as coisas vão começar a ter rumo, viu? LEIAM LOGO PORQUE SENÃO EU VOU CONTAR O QUE ACONTECE. Não aguento...
Boa leitura~

Capítulo 2: UCHIHA


– Muito bem, pessoal. Espero que entendam que, a partir da semana que vem, tudo será exatamente assim, ao menos para o pessoal do Conselho Estudantil. – Sakura explicava, como se ficar três dias por semana no colégio fosse algo completamente natural – Shikamaru, você, como vice-presidente, não pode faltar, certo?

Shikamaru deu de ombros.

– Não tenho nada para fazer em casa, mesmo... – reclamou. Sakura levou como se ele tivesse aceitado a responsabilidade – Ah, e... por falar em responsabilidade, o que me lembra a falta dela... por que raios o Naruto está aqui?

O loiro roncava em um lado da sala.

– Hmm... não sei ao certo – Sakura cerrou os dentes – mas o ronco dele está me tirando do sério faz um tempo.

Ela puxou a orelha de Naruto, que acordou no mesmo instante, gritando de dor e completamente contorcido. Levantou-se como podia, com a mão aparentemente delicada de Sakura quase arrancando o pedaço de cartilagem que ele tinha do lado direito da cabeça.

– Sakura-chan – Ele gritou – Pai do céu! O que foi, o que foi?

– Não durma na reunião, idiota! Isso é o maior desrespeito – ela gritava, puxando o menino – E o que você está fazendo aqui? Você não é nem da equipe!

– Ai, ai... – ele gemeu – vim te ver, Sakura-chan...

– Engraçado que ele é tão inútil que só notamos a presença dele agora... – Shikamaru revirou os olhos. Sakura soltou Naruto, que resmungou, sentado no chão. Acariciava a orelha, como se quisesse colá-la de volta no lugar. Ino também estava ali, embora também não fizesse parte do clube. Mas isso porque seu clube – vôlei – tinha cancelado a aula daquele dia, porque o professor tinha batido o carro de leve e ia se atrasar.

– Tudo bem, Naruto... – Sakura suspirou – só não ronque. Temos um relatório para debater sobre.

– Que relatório?

– Vamos refazer o Manual do Aluno. Mudar regras, imagino. Ou acrescentar. – Sakura explicou, pegando o manual atual de dentro da bolsa listrada aparentemente maior que ela. Shikamaru deitou a cabeça para trás, entediado.

– Ah, posso ajudar? – Ino e Naruto gritaram ao mesmo tempo, levantando as mãos. Naruto esquecendo a dor e, Ino, o sono que a dominava. O loiro a olhou com ódio e ela devolveu com um olhar de desprezo infinito. Mas, em questão de segundos, os dois já estavam ao redor de Sakura, dando ideias. Ino: “Podemos misturar grupos, mixar alunos do terceirão (eles são muito gatos, Sakura, você nem imagina!) com os do primeiro, em festas de feriados e tudo mais”, “Podemos pintar as unhas durante a aula e lixá-las também, sabe? Por uma questão de pura higiene!”. “Ah, sim, e coloque ‘estava me arrumando’ como justificativa para atraso. O que acha? Eu acho justo”. Naruto: “Sakura-chan, deviam liberar revistas masculinas, se é que me entende... Ou pelo menos devolvê-las. Eu gastei todo o meu dinheiro nelas e a escola confiscou todas... agora não tenho mais nenhuma. Nem em casa, Sakura-chan!”, “Ah, e deviam dar quarta-feira grátis na cantina. Ou sexta-feira, qualquer dia. Podiam fazer ‘o dia do bolo de carne grátis’. Aí a gente não ia precisar pagar pelos bolos, hehe”, “Sakura-chan, você bem que podia tirar as notas de critério para entrar em clubes, né? Porque, poxa, eu sou o melhor do time de futebol e quase não entrei esse semestre porque quase peguei recuperação de quatro matérias ano passado! Não é injusto?”.

Sakura abaixou a cabeça, derrotada.

– Por favor, fiq... – “E sobre os clubes? Vocês podiam ter uma folga no Conselho também!”, “É mesmo, Sakura-chan. A loira-puddle–de-madame deu uma ideia consederá...”. “Como é que é, loiro burro?” – Calem a boca! – Sakura gritou, a raiva evidente nos olhos.

– Mas, Sakura...! – Ino tentou argumentar, mas alguém bateu na porta da sala onde eles estavam, antes que ela terminasse. Só para chamar atenção, já que a porta estava aberta.

– Com licença – disse um garoto. A primeira coisa que fez Sakura reconhecê-lo foi a cor dos olhos: perolados, brancos como um raio. Ino piscou, um tanto abalada com a beleza complexa do rapaz. Tudo incluía seu charme, seus cílios longos e sua camisa certinha, abotoada até o pescoço. Mas, os cabelos; ai, os cabelos. Ino fechou os olhos, desapontada. “São maiores que os meus...”, lamentava ela no pensamento. Naquele momento, Neji estava oficialmente fora da lista de “gatinhos”. – Sakura?

– Neji, oi – Sakura cumprimentou animadamente, esquecendo parcialmente da raiva que estava sentindo segundos antes. Ino piscou de novo, lançando um olhar discreto para Sakura. Aquele típico “te pego na saída” e a continuação Ino “... por nunca ter me apresentado para ele”, embora a primeiro tipo de olhar hoje em dia pareça mais uma cantada – Tudo bem?

– Tudo. – Ele soltou um meio sorriso. Ino empinou o nariz: “Que deselegante. E o ‘e você’, cadê, idiota?” – Tem uma cadeira ou duas sobrando? Espera, essa não é a sala do Conselho Estudantil agora?

– Ah, sim. Claro, pode pegar. É que eu sou a nova presidente – Sakura explicou, orgulhosa. Naruto lançou um olhar gelado típico de ciúmes estilo loiro-exaltado para Neji, que pareceu não notar, ainda mais por estar rindo da rosada por dentro. – Como está Hinata? – ela perguntou, interessada.

Hinata e Ino eram suas melhores amigas. A diferença entre as duas, em relação à Sakura, era que Ino a conhecia desde os 5 anos de idade. Hinata era tímida e boba, perguntava coisas que ainda não tinha conhecimento sempre para as amigas. Tinha mais liberdade para falar com meninas e só chegava perto de ser “solta” com Sakura e Ino. Mas, puxa, quando falava com meninos, a única coisa que fazia era corar. E não era pouco. Faltara aula naquele dia, e no anterior. Ino estranhou a pergunta.

– Volta de viagem hoje à noite, com os pais. Vou com a minha família buscá-los. – Neji deu um passo para dentro da sala. E Ino estranhou mais ainda a resposta, mas depois Sakura a explicou que aquele era o primo mais próximo de Hinata – Ah, e obrigado, Sakura. Antes de você ir embora, eu venho devolver.

– Quer ajuda? – ela perguntou, já segurando uma mesa com dificuldade, como se desse conta do recado e ignorasse o que ele acabara de dizer. Mas logo apareceram mais dois garotos. E uma menina, também. A novata. Ela não parecia conhecer Neji, tanto que só falou depois.

– Não se preocupe, obrigado. Ahn... – ele pegou uma das mesas e olhou para Sakura, que ainda tentava levar a mesa grande demais e pesada demais para ela até a porta.

E, por conseguir, acabou entalando na pobre, também pequena demais para liberar aquela mesa na posição horizontal que estava.

– Não, Sakura. Pode deixar. Ern, Sasuke... – Neji disse, sem saber muito o que fazer. E, o moreno, com certa agilidade, tirou a mesa da frente de Sakura, que não via nada. Ele erguia a mesa sem esforço, enquanto Sakura dava o melhor de si para tentar erguê-la e, mesmo assim, não conseguia. Certa raiva invadiu as veias da rosada ao pensar por esse lado mas, ao abrir os olhos, toda a raiva passou.

Sasuke Uchiha era, definitivamente, o cara mais lindo que Sakura já vira na vida. E ela só pensava em quantos, em sua categoria, eram taxados de lindos e, mesmo assim, não chegavam nem aos pés daquele moreno parado em sua frente.

Os olhos eram profundos, mesmo que parecessem revelar apenas sua capa. Entristeceu Sakura notar que ela não tinha uma abertura. Só via o que todos viam. E a entristecia mais ainda saber que estava exatatamente no espaço ocupado pelo olhar penetrante de Sasuke; ele a olhava de volta, embora demonstrasse uma expressão séria. Uma expressão séria de cuidado, expressão pensante de quem quer guardar traços, lida de forma errada por Sakura, que entendeu como se ele estivesse pensando "afe...".

Mesmo assim, Sakura duvidava que ele já tivesse usado a palavra "afe" uma sequer vez na vida. Sasuke dizendo “afe” a dava visões que a provocavam uma vontade imensa de rir. E, foi quando começou a querer rir, bem na cara do garoto – que levantou uma sobrancelha, sem entender – que Ino apareceu, a empurrando dali.

– Ahn... – Ino era sempre mais rápida – Oi, Sasuke! Você é do time de futebol? – e, pelos olhos de Cabo Frio dela, Sakura notou a atração que ela sentia pelo rapaz. A rosada foi praticamente enxotada da conversa, enquanto Ino tagarelava sobre bolas de futebol para Sasuke, que ouvia, ainda com aquela expressão e sem responder uma única palavra. Ele foi saindo com a mesa, atrás de Neji. Até que o outro garoto entrou, sem tirar os olhos do telefone, e trombou em Ino.

– Opa, des... – ele ia terminar, mas aí um sorriso maroto surgiu em seus lábios, o fazendo esquecer até mesmo do celular – Nossa, você é gata. Qual o seu telefone? – Ino piscou, séria, como sempre fazia.

– Você é idiota? – ela selou os olhos, em uma expressão profunda de “não-sou-fácil”, que o garoto gostou de ver. Ele alargou os cantos da boca, em outro sorriso, daqueles difíceis de não te chamar a atenção. Os dentes eram brancos como os de Kiba. Os cabelos eram de um vermelho sangue tão chamativo que ele chegava a parecer um fósforo. Além de ser magro e alto, tinha um estilo que a maioria dos garotos parecia não ter. Quer dizer, ele usava uma calça preta e vermelha, daquelas punks que Sakura, até lá, só tinha visto na internet. Não que ela estivesse prestando atenção naquele garoto. Em uma ideia típica, ele foi andando até o centro da sala, para pegar uma carteira, como os outros.

“Qualquer uma”, pensou e deu uma olhada ao redor. Viu Sakura. “Uou...”.

– Ei, flor, qual o seu nome? – ele perguntou, indo até ela. Neji suspirou, daquele típico “Vamos nos atrasar”. Sasuke observava a cena, quieto.

– Sakura – ela respondeu, folheando o Manual, sem muito interesse na conversa. Estava morrendo de vergonha de Sasuke, que parecia olhar para ela. O criador de assunto sorriu mais ainda quando a viu corar bem de leve; talvez não tivesse notado que não era por causa dele.

– Então acertei, flor de cerejeira. – Ino soltava fumaça pelo nariz. Como aquele garoto podia ser tão cínico? Estava ele tentando provocá-la indo cantar a melhor amiga logo depois de pedir seu telefone? Naruto também não pareceu gostar do rapaz. Chegou perto dos dois.

– “Sakura-san” para você, palhaço – murmurou, transbordando ódio.

– Acho que como eu vou chamá-la eu mesmo decido, não, é, loiro-intrometido? – o menino rebateu. Shikamaru revirou os olhos, entediado como sempre. A novata, que ainda não o tinha visto, engoliu em seco e corou ao ver os músculos de seu pescoço esticarem masculinamente quando ele virou o rosto para a janela. Ela fechou os olhos com força e engoliu a vergonha.

Ino pigarreou, arregalando os olhos, ainda mais ao ver que Sakura não parecia confortável com a situação. Vendo que não ia funcionar nem de longe – Naruto comprou briga e o garoto dificilmente fugia de brigas compradas –, Neji interviu.

– Gaara... – repreendeu. O garoto, mesmo de punhos cerrados de ira, não deixou de sorrir. E, segurando uma cadeira com a mão esquerda, sustentando-a acima do ombro, virou-se para a porta e saiu, sem nem ao menos olhar para o rosto de Ino. Só murmurou algo com a novata, que ninguém conseguiu ouvir. E se foi, pelo corredor. Ino deu de ombros, na tentativa frustrada de quebrar o gelo e começou a futricar no celular. Neji se desculpou e saiu.

Sakura, pensando que Sasuke já havia saído, embora com um pingo de esperança de ele ainda estar ali, olhando para ela com aqueles olhos, levantou as esmeraldas do Manual do Aluno 2012.

E lá estava ele.

Ao vê-la lhe olhando, praticamente hipnotizada em sua direção, ele teve vontade de rir. Para ele, a pele de seda e os lábios rosados com aquela pitada de classe, leveza e casualidade eram o ponto perfeito de combinação com os olhos verdes grandes e expressivos da menina. E, quando Sakura corava, parecia uma boneca. Ninguém prestou muita atenção, mas Sakura notou o quanto foi embaraçoso ficar olhando para aquele Sasuke Uchiha sério por três segundos inteiros, sentindo os incríveis olhos ônix consumindo cada parte de seu rosto.

– Primeiro ano? – Sasuke perguntou, de repente.

Sakura ficou sem reação, por um segundo.

– Sim. 103 – ela respondeu. – E você?

Embora Sakura parecesse ter uma calma invejável por fora, seu interior explodia em dúvidas, inseguranças, xingamentos e medos. Coisas típicas de adolescentes. Típico do Ensino Médio.

– Estou no segundo – ele lambeu os lábios para responder, espiou algo desinteressante e voltou a olhar para os olhos de Sakura, já se rendendo e sorrindo de lado. Ele não gostava de vê-los; os olhos da menina de cabelos cor-de-rosa. Sasuke preferia-se naquela imagem séria, mas parecia que só de vê-la o olhando, só de vê-la ali, só aquilo o fazia querer sorrir. Sakura mordeu o lábio, a vergonha já tomando conta de seu exterior também. Então resolveu espantá-la com algo inteligente.

– Ah, hm – ela olhou para a mesa – quer... – coçou a cabeça – ajuda com isso?

Sasuke só lançou um sorriso. O mesmo de antes. O meio sorriso, de enquanto olhava para ela mas ela não via. O sorriso intruso que atormentou seus pensamentos naquela noite. Os lábios finos, bons de beijo, esboçando sua felicidade charmosa, como ele raramente fazia. Talvez nunca tivesse feito. O lado feminino inteiro da escola inteira já havia sido provado por ele. Bem, não todo. Embora ele já tivesse ficado com Ino, nunca ficara nem com Hinata, e nem com Sakura. Bem, isso se verdade ou desafio não contar. Porque ele já beijara Hinata em um jogo desses. Um selinho roubado.

Nada disso deixava o sorriso de Sasuke menos sedutor.

Mas, sem dizer nada, só sorrindo, ele saiu, com a mesa no ombro e a cadeira no braço. Sakura, por um segundo, se sentiu incompleta. Mas Shikamaru logo reclamou e ela voltou os olhos de novo para o Manual do Aluno.

Mal percebeu que, mesmo lendo tantas palavras escritas naquela fonte robótica e absorvendo o significado de todas elas no papel, o sorriso que perturbou tanto o Uchiha internamente também acabou tomando seus lábios rosados.

♜

– Sakura, já deu o meu horário. Tenho que fazer o jantar pa... – mas ele não conseguiu terminar.

– Não tem problema, Shikamaru – ela sorriu, cansada.

– Desculpe. – Ele lamentou – Até amanhã. Ah – lembrou-se, virando o rosto para fitá-la da porta – não se esforce muito, se cuide. E diga à Temari para que ela termine as divisões dos clubes entre os membros do Conselho, certo?

– Ah, certo... não se preocupe. Eu vou para casa daqui a pouco. – Ela garantiu, coçando a cabeça. Foi Shikamaru sair e Sakura desabou sobre a mesa que estava. Quase dormiu, depois de alguns minutos assim. Só não dormiu realmente, pelas batidas na porta, agora fechada. – Oi, ahn, pode entrar – ela falou, tentando organizar os papéis de cima da mesa e fingir que não estava dormindo.

– Hei. Vim devolver as cadeiras, flor de cerejeira.

O sorriso malicioso nos lábios dele e o estreitado que seus olhos deram ao vê-la ali, sozinha, fraca e indefesa a fez levantar praticamente usando seus reflexos.

Gaara entrou na sala em passos lentos, deixando as duas cadeiras que carregava logo atrás de si, impedindo a passagem. Sakura engoliu o desespero. Ele não faria nada com ela na escola. Mesmo considerando que a escola estava, provavelmente, vazia. Não. Ele com certeza tentaria alguma coisa.

Coisas assim geralmente aconteciam à Sakura. Mas nunca ninguém a havia tocado. Quer dizer, ela sempre fora muito de cortar qualquer um, antes mesmo que pudessem levar algo à sério ao ponto de poderem dizer que ela ficava dando bola. “Sakura, eu te amo”, “Pare com isso, somos amigos”, e ninguém contestava. Melhor do que perder até mesmo a amizade, certo? Mas, Gaara, assim como Naruto, era diferente. Naruto amava Sakura, mas ela nem ao menos tinha certeza de que aquilo era verdade, já que o loiro nunca falara seriamente com ela sobre aquilo. E, com Gaara, bem... ele era do tipo que partia para cima, sem esperar resposta.

Um frio dominou o corpo pequenino de Sakura.

– Ainda aqui? – Perguntou, ainda malicioso. “O quê?”

– Acha que estou te esperando? – ela levantou uma sobrancelha, desconfiada. O “Não está?” que Gaara deu como resposta a fez tremer de raiva, mesmo tentando não demonstrar reação às provocações dele – Ah, não seja convencido – ela deu um sorrisinho irônico, tentando esconder o desconforto – Estou aqui terminando o novo Manual do Aluno.

– Ninguém lê isso, flor de cerejeira – Gaara se apoiou de lado na parede.

– Deviam ler. Exatamente por não lerem acabam tomando tantas punições ridículas. – A rosada deu de ombros – De qualquer forma, isso não é problema meu agora. O que eu tenho que fazer, por enquanto, é reescrevê-lo. Não vou me preocupar com o fato de ninguém ler ainda... – ela deu uma pausa. Gaara a analisava, sorrindo – talvez amanhã.

O sorriso do ruivo se estendeu e ele voltou a se aproximar.

– E está tão ocupada a ponto de não poder me dar a devida atenção agora? – perguntou. A malícia voltando a assumir sua face.

– Para falar a verdade, sou a Presidente. – Sakura respondeu.

Era óbvio que não tinha tempo para conversar com ele naquele momento. E, muito menos, para se safar dele.

– Então, por favor, me dê licença – pediu, finalizando.

Gaara pareceu surpreso.

– Sério, minha flor? – Sakura estremeceu ao ouvir a palavra “minha” junto com os passos do garoto, se aproximando dela. – Não é sempre melhor ficar acompanhada...?

Sakura permanecia imóvel, imaginando que tipo de resposta estúpida e visivelmente inocente ela poderia dar, até se arrepiar com o toque dos dedos dele em seu pescoço, deslizando até o seu ombro. Ela se deu um passo apressado para frente e se virou para olhá-lo, indignada. Ele, nem um pouco comovido, continuava sorrindo, agora até com um toque de ternura – ou cara-de-pau – e se aproximando. Sakura pensava no que fazer, já que estava com preguiça de correr dele; além de que, correr só ia fazê-lo querer pegá-la ou achar que aquilo era um jogo. Bem, não era. E Sakura não queria que ele pensasse, nem por um segundo, que ela era qualquer tipo de prêmio ou qualquer outra coisa.

Então, como sempre, daria um sermão nele.

Quando ia segurar a mão de Gaara, que acabara de tocar-lhe o ombro, viu-se mais lenta que outra mão, maior que a dela umas duas vezes.


– Sasuke...? – foi só o que ela conseguiu sussurrar.

– Melhor não, Gaara. – a mão era firme; tanto quanto a voz. Não tremia, não recuava. Era como se Sasuke segurasse toda a força de Gaara apenas com aquele aperto em seu braço. O ruivo orgulhoso, por sua vez, só sorriu, recuperando-se do susto.

– Qual é a sua, emo? – Sasuke moveu as sobrancelhas ao soar da palavra “emo”; não pareceu gostar e, muito menos, concordar. Mas ignorou. Sakura, a principio, lembrava uma plateia de jogo de tênis: olhava para Sasuke, Gaara, Sasuke, Gaara. Mas, depois, notou que só queria olhar para Sasuke e não tirou mais os olhos dele. – Está afim dela? Haha, ainda não a beijou, não é? Quer finalizar o colégio com chave de ouro. Ou o quê? Veio salvá-la? Hilário, Sasuke. O que deu em você, agora?

O moreno esquentou em parte o olhar frio que lançava contra o ruivo a sua frente, postando-se quieto por alguns instantes.

– Não com ela. – Sasuke administrou, em voz grave, aparentemente ignorando tudo o que Gaara havia dito. O ruivo assumiu uma expressão de ponto de interrogação, como se fosse um pirata prestes a descobrir o maior tesouro de todos – é filha da amiga da minha mãe. – Explicou. E, para reforçar, ordenou: – Não toque nela.

Sakura arregalou os olhos. Sinos bambeavam sua cabeça e faziam suas pernas tremerem.

Gaara só estremeceu depois de algum tempo em silêncio processando informações, quando Sasuke apertou ainda mais seu braço. Chegou a fechar um dos olhos de dor e, por fim, convencido ou não, soltou Sakura, que não estava nem um pouco desconfortável com a mão dele em seu ombro. Para ela, não era nada demais. Shikamaru fazia isso com ela o tempo todo. O problema era onde Gaara não tocaria se Sasuke não chegasse a tempo. Ela faria o possível, claro, mas duvidava que fosse mais forte que Gaara.

E... que história era aquela de “filha da amiga da minha mãe”?

Notas finais
Gostaram? Hoho, vai ficar melhor q
Não, agora sério: eu vou fazer mais capítulos, mesmo. Eu estava com o primeiro salvo há séculos e não postava, porque tinha preguiça de fazer capa, conta e tal... mas, agora que comecei, vou fazer o possível para postar rápido. ~♥
Ah, e agora as coisas vão esquentar entre o Sasuke e a Sakura.