Conselho Estudantil
1 A Escolhida
Notas iniciais
Hm, esse capítulo é mais introdução, ok? Tipo "definindo personagens". Os próximos vão ser mais "vamos-ver", não se preocupem. Boa leitura~!
(P.S.: Acho que vou pegar uma que estava escrevendo em outra conta e parei e voltar a escrevê-la, só colando aqui uma nova versão - com um final, desta vez.
Essa outra fic se chama Meu Verão em Tókio, podem procurar e dar uma olhada. Se quiserem um final, me mandem mensagens para eu saber e aí volto a escrever.)
Capítulo 1: A ESCOLHIDA
Sakura apressava o passo, a caminho do palanque da escola. Sua pontualidade era notável mas, mesmo assim, talvez por estar tão ansiosa, fazia questão de andar mais rápido. Depois de alguns segundos de passos largos, já pode ver o tal palanque bem no meio do pátio. Já haviam alguns alunos, mas eram provavelmente do segundo ou terceiro ano, então Sakura não os conhecia bem, embora já tivesse falado com praticamente todos os alunos do Ensino Médio.
Fitou o palanque vazio por alguns minutos, esperando e prevendo.
Uma parte dela dizia que ela não seria aprovada. Outra parte tinha certeza que já estava dentro do Conselho Estudantil. Quer dizer, era inteligente, decidida, simpática, bonita, justa, tinha muita facilidade para falar; até mesmo na frente de muitas pessoas. Mas era, mesmo assim, receosa. De tão esperta, sabia que caso não fosse aprovada, ficaria decepcionada consigo mesma. E ela não queria aquilo. Talvez por isso uma parte dela gritava que não havia jeito de entrar no tal Conselho.
Quando viu, já haviam muitos alunos no pátio. Ela estava completamente desligada. Ainda mais porque ouviu sua própria voz cumprimentar todos eles, mas sem atenção. Estava realmente muito ansiosa.
Foi quando alguém assoprou seu ouvido, do nada. Sakura soltou um grito desesperado, já completamente arrepiada, pulando para longe dali.
– Ino! – Gritou – o que pensa que está fazendo?
– Haha – a loira riu. Seus cabelos estavam presos em um rabo-de-cavalo alto e sua franja estava solta. Era comprida até demais, indo quase até o meio do pescoço e tampando o olho direito completamente, só sendo possível visualizar o esquerdo, azul como o mar das praias de Cabo Frio – Bom dia, Sakura.
– Bom dia... – a rosada suspirou, e logo levantou o olhar de volta para a melhor amiga, murmurando – Mudou o penteado de novo?
O rosto de Ino se iluminou.
– Então você percebeu! – ela apontou o polegar da mão direita para o rosto, colocando a outra mão estrategicamente pousada na cintura – Sim, como pode ver. Este ano, esse será o penteado. Se quiser, te ensino a fazer.
– Minha franja não é tão comprida, Ino. Mas muito obrigada mesmo assim – Sakura sorriu para a amiga. Ino era muito vaidosa e seu lazer era chapar ou pentear o cabelo – Ah. Eu preciso de algumas respostas. – Ino a fitou surpresa por alguns instantes.
– Eh?
– Estou fazendo anotações. Sabe, sobre meus amigos. Você é a primeira da lista e preciso que me diga algumas coisas sobre você que ainda não sei. Como... hm, cor preferida, por exemplo. E... “Planos para o futuro”, talvez – ela explicou. Ino pareceu se interessar.
– Ah, é sobre eu mesma? Isso muda tudo – ela se animou. Sakura soltou um “tsc, tsc” meio divertido. – Oh, é mesmo. E o resultado do Conselho Estudantil?
Ao ouvir a pergunta, Sakura estremeceu de imediato.
– Vai ser anunciado no palanque, às sete horas – foi a resposta.
– Entendo... – Ino analisou o grande círculo alguns centímetros mais alto que o chão do pátio, com uma delicada escada que levava até uma espécie de plataforma preta, como um palco, com um microfone na ponta – E está confiante?
– Ah, eu... – Sakura coçou a cabeça, forçando um sorriso – estou mais do tipo “que venha o que vier”.
– Nossa, Sakura – Ino deu um sorriso falsamente tristonho para amiga –, que decepção. Nunca pensei que algo tão idiota pudesse sair da sua boca. Está mesmo muito nervosa! – Sakura riu e deu uns tapinhas de leve em Ino, que passou a rir junto com a rosada de sua própria brincadeira.
– Bom dia, alunos – disse uma voz estridente e masculinamente grossa, direto do palanque. Sakura, assustada, espiou o relógio de pulso e se surpreendeu com a rapidez com que o tempo havia passado. Já era a hora – Irei anunciar rapidamente antes que bata o sinal para entrarem em suas salas e começarem as aulas, os integrantes escolhidos para cada grupo. Como vocês sabem, todos devem realizar testes para entrar em qualquer clube, o que já nos diferencia de colégios normais. Aqui não há uma simples inscrição. Oh, aliás, lamento a demora deste ano para emitir os resultados. – “Geralmente,” pensou Sakura “eles demoram três dias. Este ano eles demoraram quase uma semana! Será que é porque agora é o responsável pelo primeiro ano, e antes era o do nono...?” – Mas por causa do grande número de novos alunos no colégio, tivemos de ocupar o tempo com coisas dessa natureza também.
– Ahh – Ino sussurrou – será que tem algum gatinho? – Sakura tombou a cabeça de lado, levemente, como se dissesse um “É bem provável, Ino...”, que a amiga adorou. Na verdade, haviam coisas que Sakura fazia que só Ino entendia o real significado.
Sakura estava, por exemplo, afim de um cara, quando estava perto dele ou conversando com o mesmo e, inconscientemente acariciava o braço direito com a mão esquerda, coçava a borda da nuca e ajeitava a franja – que já estava sempre ajeitada –, respectivamente. Ino sabia. Tanto quanto, por outro lado, também sabia que quando Sakura olhava para os lados ou via o horário no celular mais de uma vez em menos de dez minutos, ela estava pensando em como daria um fora naquele cara que, provavelmente, estaria ao lado dela tagarelando sobre alguma coisa desinteressante.
– Mas, bem, estão aqui as relações – o coordenador, parado sobre o palco modesto no meio do pátio, quase dando um beijo de língua no pobre microfone toda a vez que falava, anunciou satisfeito – Bem, vou dizendo os nomes e todos os chamados ou dispensados por determinado clube já estarão liberados e poderão voltar para suas respectivas salas e aguardar o professor – tagarelou. Conforme chamava alguns nomes, muitos alunos comemoravam e, outros, consolavam um ou uma amiga. Com o tempo, todos foram voltando para as salas. No fim, estavam somente Sakura e Ino no pátio, bem de frente para o coordenador, esperando, de mãos dadas. Sakura espremia a mão da amiga, que tinha as unhas pintadas de um roxo suave embora estridente, com sua mãozinha pequena e suada. – E, para terminar, bem... Conselho Estudantil.
A maioria dos alunos não se inscrevia naquele “clube” porque dava mais trabalho do que qualquer outro. E não parecia haver trocas de favores. Quer dizer, o clube de vôlei, por exemplo, só ia no ginásio às sextas-feiras para se divertir, no horário das aulas; o de infantaria viajava todos os meses para diferentes lugares do país; o clube de culinária saía todos os sábados para experimentar restaurantes diferentes da cidade. E às vezes até entrevistavam os chefes de cozinha do lugar.
Já o Conselho Estudantil era como uma política onde os presidentes, ministros e outros não recebem o salário absurdo que recebem no Brasil. E, na verdade, nem perto disso. Não recebiam nada e davam duro sete dias por semana, 24 horas por dia. Era como se nenhum clube se preocupasse em se manter ativo e mantê-los ativos, para se divertir, fosse trabalho do Conselho Estudantil.
– Como Equipe Oficial permanecerá, como por três anos consecutivos, a Equipe dos anos passados. Mas, bem, este ano... – ele deu uma espiada no papel novamente e esticou o braço, um pouco em dúvida sobre a existência das palavras que lia – Oh. Vejo que temos uma nova Presidente. – E espiou a garota, de olhos ardentes – Sakura Haruno?
– S-Sim! – Ela praticamente gritou. Ao longe, um garoto bebia água antes de entrar em sua sala e não deixou de observar o jeito excitado da menina por tão pouco.
– Parabéns, querida. Conseguiu a vaga. – O coordenador sorriu amarelo.
Sakura mal pode acreditar. O rapaz assistia tudo 80% desinteressado. Mas ninguém nunca antes havia roubado dele mais de 2% de atenção.
Ino olhou para a amiga, preocupada, já que a mesma não tinha dito uma única palavra por alguns segundos e se assustou horrendamente quando a rosada deu um grito alto e pulou nela. Ino só teve tempo de segurá-la para que não tombasse completamente no chão, na frente de tantos “gatinhos” que a olhavam sorrindo. Sakura ria docemente, quase chorando de felicidade. Ino ria também, contagiada pela alegria da melhor amiga; a rosada parecia tão feliz que Ino até deixou de comentar o “Você era a única que estava concorrendo à vaga, Sakura. Era óbvio que ia conseguir” que havia tanto tempo estava guardado em sua garganta. O garoto, ao longe, fechou os olhos e deu um meio sorriso discreto, como de costume, já com as mãos nos bolsos da calça que usava. Foi andando para a sua sala, com a tal menina na cabeça. Pensando. Garota diferente. Começando pela cor dos cabelos.
E parecia que, a partir dali, uma onda de características fortes se uniam naquele corpo frágil e delicado – apesar das curvas bem definidas e do tamanho razoavelmente grande dos seios e a forma grossa e dura das pernas – com todas as coisas que roubavam 100% de atenção de Uchiha Sasuke.
♜
– Naruto, como quer resolver esse exercício se não sabe nada sobre o assunto? – Sakura parecia indignada, observando o caderno cheio de figuras de espadas, desenhadas desajeitadamente por canetas de ponta mordida que eram sempre encontradas no estojo imundo que o loiro carregava. Ele coçava a cabeça.
– Por isso estou pedindo sua ajuda, Sakura-chan! – disse, com um ar emburrado.
– Certo, veja bem... – Sakura começou, depois de suspirar – Vamos voltar para a equação simples, ok? Está vendo esse ângulo? O ângulo é esse... ahn, < formado por essas duas retas. E, o encontro das retas é o ponto. O ponto recebe o nome de uma letra maiúscula; nesse problema, existem vários pontos, mas o que você vai ter que visualizar primeiro é esse aqui – e apontou, pressionando sua unha pintada de francesinha do dedo indicador em uma área da página do livro rabiscado e mal cuidado de Naruto –, o ponto P. Para visualizar, veja que o ponto P está contido na reta r e, assim, está contido no plano β. Você sabe disso, não é? Isso é conteúdo do fundamental.
– Er... – o loiro murmurou, confuso, decidido a mudar de assunto rápido. – Então, Sakura-chan, daria para nós suspendermos a aula de hoje à tarde?
Sakura teve o rosto assumido por uma expressão indignada.
– Como assim? – gritou. – Por que?
– Eu queria ter um encontro com você onde você não ficasse só falando de coisas complicadas demais para mim... – ele abaixou as orelhas da moral – Perto de você eu me sinto tão idiota.
– Naruto, você é idiota o tempo todo – Sakura não teve tempo de piscar e alguém já tinha respondido. Não era exatamente o que ela diria, mas... – e duvido que a Sakura estivesse considerando isso um encontro. – Naruto arqueou as sobrancelhas, completamente alterado de raiva. Observadores perfeccionistas diriam que havia até uma marca discreta da veia saltando em sua testa.
– Ei, pode parar! – o loiro se levantou da carteira. O professor espiou.
– Sakura... como está indo o desempenho do Naruto? – Perguntou Kakashi, se aproximando, não parecendo se importar com o fato de metade da sala passar a observar a conversa dali. Todos, ao fim da pergunta, apontaram o nariz na direção de Sakura, à espera da resposta. Naruto engoliu seco e soltou a camiseta de Kiba, o tal colega que falara aquilo.
– Ele está indo bem, Kakashi-sensei.
Kakashi era professor de Álgebra. Aceitaria lecionar Biologia também, devido aos onze meses na faculdade de Medicina jogados fora por simples capricho do professor. Talvez nem tanto por capricho, talvez por medo. Sim, o medo. Kakashi era o tipo aberto-fechado que sorri o tempo todo, mas não fala muito sobre o que pensa e leva tudo mais leve ainda do que é. Mas, quando a coisa fica realmente séria, teme levar em frente algo maior que si mesmo. E para. Como com o curso de Medicina. Entrando nas férias do primeiro ano de doutorado, deixou tudo para trás e começou a faculdade de números, ao lado de jovens tão jovens quanto ele – a maioria com seus óculos estilo Harry Potter (mesmo que naquela época coisas assim fossem consideradas ridículas) e nariz escorrendo nos dias mais frescos. Seus cabelos espetados e completamente grisalhos eram desta cor desde que nascera e, ele agradecia aos céus, queda de cabelo ainda não havia aparentado ser um problema, já que estava entrando na fase dos “enta” – quar“enta”, cinqu“enta”, sess“enta”... – e nunca havia encontrado uma sequer falha na cabeça.
– Parece estar até progredindo. Já sabe dividir e está terminando de decorar a tabuada do 1 – Sakura continuou, sorrindo. A sala riu. Naruto fez um bico. – E seu olho, professor? Está melhor? Como está se sentindo?
– Ah, agradeço sua preocupação, Sakura – Kakashi sorriu, daquela forma agradável de sempre, mas com um intruso desconforto – Está melhorando. Mas acho que os danos que sofreu, devido ao acidente, irão me deixar cego do olho esquerdo por um bom tempo... – brincou. Quando se fica cego, todos sabem, é para sempre. O “por um bom tempo” parecia ter sido usado somente para deixar a frase, que significava algo tão sério, um pouco mais leve.
Mas aquilo não funcionava com Sakura. Nunca funcionaria. Ela sempre sabia o que queriam dizer com frases enroladas. Ela nunca era enrolada por ninguém. A sala estava em silêncio, mas Sakura logo assimilou a informação e o silêncio foi quebrado:
– Oh, meu Deus – seus cabelos rosados foram para frente de leve com o pequeno passo que ela deu para trás – O senhor vai ficar sem esse olho?!
Kakashi, havia algumas semanas, acabara de sofrer um acidente. Sete da noite, acabara de sair de casa para buscar a namorada, Aiko, também professora, porém de outra escola, no trabalho. No caminho, uma camionete bateu em sua porta – literalmente – e, mesmo que não tivesse se machucado seriamente, devido ao vidro quebrado, acabou com um dos olhos atingidos. Aiko parecia arrependida por ter ficado irritada com ele por ter se atrasado para buscá-la sem saber que tinha se acidentado desde aquele dia.
– Não se preocupe, Sakura. Será a mesma coisa. Já estou até com o tapa-olho – Sim. Kakashi usava um tapa-olho que o deixava misterioso, embora na visão de algumas estudantes aquilo fosse extrema e completamente sedutor.
– Achava que era só pelos ferimentos.
– E era. – O professor sorriu – Mas agora tem outra utilidade, certo? – a expressão de Sakura era de pena; tristeza, ela não sabia ao certo. Mas ao longe podia sentir aquela delicada vontade de chorar. As lagrimas batendo. Mas ela não abriria a janela para elas. Não ali.
– Quanto drama – Shikamaru murmurou.
Era um aluno inteligente, porém muito preguiçoso. Tinha aquele toque de homem realista que, embora ninguém soubesse, intrigava uma moça que sentava do lado oposto da sala; a novata. Não era do tipo bonito, mas podia ser colocado na casa dos charmosos. Ainda mais por seu cabelo meio comprido, meio curto e seus olhos castanhos sempre estreitos com aquele tédio desigual.
Era o vice-presidente do Conselho. Sakura já o conhecia, desde o nono ano, quando o mesmo entrou no colégio. Estava sempre entre os primeiros lugares, embora vivesse dizendo que só estudava pensando no futuro, que nada daquilo realmente o interessava.
Mas, Sakura, diferente da novata sentada no outro canto da sala, não tinha queda nenhuma por ele. Nem por nenhum de seus amigos, nenhum dos caras da sua sala. Mesmo que o fã-clube de Sakura, formado por garotos, fosse o maior de todos os fã-clubes. Naruto – o loiro aparentemente burro – era, por exemplo, um cara dos caras que tinham uma queda bem doída por ela. Era louco por ela. Talvez a ponto de fazer qualquer coisa por ela.
– Concordo – Kakashi sorriu.
– Espero que dê tudo certo – Sakura sorriu docemente, embora com aquele leve tom de tristeza – de verdade, Kakashi-sensei. – Concluiu.
A expressão de Kakashi foi de surpresa, mas logo sorriu, confortando-a.
– Vai dar, querida.
Sakura abrira a boca para falar algo, mas alguém a chamou, de fora da sala de aula. Ao ver o sorriso espontâneo que surgiu nos lábios de Sakura, Kakashi deu uma espiada curiosa e, ao ver a coordenadora, sorriu para ela, perguntando do que se tratava. Ela comentou sobre Sakura ser a nova presidente do Conselho Estudantil.
– Bem, a diretora queria dá-la os parabéns. Assim como eu – A mulher disse. Seu nome era Shizune. Assistente da diretora, Tsunade. Tinha cabelos negros, escorridos de tão lisos, que seguiam até os ombros. E olhos igualmente negros, marcando a face branca como dois botões rudes em uma boneca. Os lábios finos, o nariz era o que lembrava sua descendência japonesa. E seu kimono.
Não que Shizune usasse kimono todos os dias. “Tsunade está aprontando alguma”, Sakura deduziu.
E deu passinhos até a porta, depois de concedida a permissão de Kakashi para sair da sala. Naruto gritou um “Aê, Sakura-chan!”, bem animado. Ino pousou as mãos ao lado da boca para aumentar o tom da voz e gritou “Manda ver, testuda!”. E o fã-clube da menina gritou, em coro, “Dê o seu melhor, Sakura-sama!”.
Sakura acenou para eles e seguiu Shizune até a sala de Tsunade, embora já soubesse o caminho de cor.
– O que ela quer desta vez? – Sakura levantou os ombros, sorrindo espoleta.
Shizune pareceu surpresa.
– Eh? – Mas, depois de receber aquele olhar desconfiado vindo de Sakura, suspirou, exausta – Sakura-san, você não tem nem idéia... – Sakura riu. – Ela quer reformar a sala do Conselho e determinar uma equipe de revisão para os trabalhos que você irá realizar, para que não precise se desgastar tanto.
– Eh? – Foi a vez de Sakura dizer – Por que?
– Aparentemente, a escola está em más condições de acordo com as normas exigidas pelo governo e o Conselho Estudantil terá mais obrigações que o normal este ano, além da diretora já estar trabalhando 18 horas por dia nesta instituição, visando diminuir parte do serviço que seria seu. – Sakura arregalou os olhos.
– Ela não devia fazer isso! Eu posso ajudá-la! – Protestou, parando de andar.
– Se acalme, Sakura-san. – Shizune mostrou seus dentes brancos perfeitamente alinhados – Por isso mesmo ela me pediu para chamá-la. Quer definir alguns horários.
Sakura abaixou os braços que antes se erguiam em protesto.
– Ah... sério? – murmurou. E sorriu – Que bom!
Shizune sorriu daquele modo “ela não tem jeito, mesmo...”, vendo que Sakura parecia feliz em trabalhar duro. A rosada, por sua vez, acelerou o passo até a sala da diretora Tsunade, que debruçava os peitos imensos sobre sua mesa verde-acinzentada e rolava folhas de papel pela mesma, quase impossível de ser vista, devido à quantidade incontável de documentos que a cobriam. Ao ver Sakura, assoprou a franja, tentando esconder o pulo de orgulho que le subiu nas veias.
– Hey, Presidente – cumprimentou, orgulhosa.
– Bom dia, Tsunade-sama! – Sakura respondeu, curvando-se bruscamente e logo erguendo o rosto para encontrar os olhos castanhos da diretora peituda. – Como foi de férias?
– Francamente... – Tsunade soltou um suspiro – uma droga.
Shizune abaixou a cabeça, um tanto cansada. Parecia já ter escutado aquela história. Se não uma, muitas vezes, aliás. Resolveu poupar Sakura, que parecia falsamente interessada no que a diretora diria a seguir.
– Hm, uma pena, não é mesmo? Er, Sakura está em período de aula, Tsunade-sama. Caso possível, poderia ir direto ao assunto...?
– Oh, sim. Hm, Sakura, suas segundas, quartas e quintas-feiras estão livres? – Sakura fez que sim com a cabeça – Ótimo. Queria pedir – lê-se “É bom que obedeça” – que você ficasse no colégio nesses dias. Vou deixar algumas listas de nomes das turmas para você passar para o site do colégio (para deixar os alunos cientes) na sua mesa, na sala do Conselho Estudantil. E queria deixar uma relação de regras para você dar uma olhada. Queria moldar um novo Manual para este ano, revendo as regras do ano passado. E te dou todo o direito de impor algumas que ache necessário ou anule algumas que julgue sem grande importância; só peço que me comunique antes.
– Ahh... – Sakura pareceu não ter absorvido a informação ainda, por não estar nem um pouco acostumada a ser tratada, aparentemente, como uma certa autoridade. Mas logo engoliu toda e qualquer distração e fechou a boca, que estava entreaberta, assentindo, com uma expressão decidida – Certo. Deixe comigo.
– Muito bem – Tsunade tirou os olhos dos documentos, o que não fazia desde que começara a explicar a Sakura sobre suas funções e responsabilidades – está dispensada. Pode voltar à sua aula, Presidente.
Shizune sorriu para Sakura e a guiou até a porta.
– Ah, e Sakura... – Tsunade pareceu lembrar, em um estalo, chamando atenção do par de olhos esverdeados extremamente faceiros com o mundo adulto que acabara de assumir em sua vidinha adolescente – contamos com você.
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