Conquistar o Sensei, aceito a aposta!
5 Não, não e não
Capítulo 05: Não, não e não
Atravessei a rua lateral, ainda na área da faculdade, quando começou a chover. Claro que tinha que chover. Porque o universo tem um senso de humor péssimo.
Depois de correr para fazer minhas compras, quando estou no caixa, pagando meu lámen de copo e uma barra de chocolate tamanho família, a porta automática abre e uma brisa gélida entra junto...
"Não. Não pode ser."
Era isso o que eu pensava, mas... Bem, aquele cabelo prateado era inconfundível. Apesar de ele carregar uma sacola cheia de maçãs em vez de um livro, eu definitivamente não poderia confundir esse homem.
Fiquei surpreso de encontrá-lo ali, mas ele não me viu. Sua atenção estava toda na sua frente, enquanto ele estava escolhendo um guarda-chuva transparente na prateleira. Após fazer a sua escolha, começou a caminhar em direção ao caixa ao lado e, enquanto isso, meu cérebro começou a pensar nas opções:
1 — Fugir pela saída de incêndio.
2 — Falar com ele.
Antes que o cérebro mandasse eu escolher a opção 1, minha boca agiu mais rápido e optou pela segunda opção.
— Comprando um guarda-chuva?
Ok, não foi o melhor modo de puxar uma conversa.
Ele ergue a cabeça e olha para mim. Não parece surpreso. Apenas acena com a cabeça educadamente: — Uzumaki.
Em seguida... Silêncio.
Ele volta a olhar para o guarda-chuva e eu fico ali, segurando meu lámen e meu chocolate, me sentindo um idiota... Outra vez.
— Você... você vem muito aqui? — Tentei novamente, mas... Socorro! O que são essas perguntas idiotas?!
— Às vezes — ele chegou ao caixa, pagou e saiu. Simples assim. Eu o segui no automático e só quando cheguei lá fora é que percebi que a chuva estava mais forte.
Ele abre o guarda-chuva e não me oferece espaço. Achei que era o esperado. Começamos a andar na mesma direção, já que o dormitório dos professores também fica naquela área, e essa caminhada foi silenciosa e agoniante.
— Então... — quebro o silêncio. — Você... mora no dormitório dos professores, certo?
— Sim.
— Oh... — Deus! Como é difícil conversar com esse homem!
— Posso te perguntar uma coisa? — tentei novamente.
— Se for sobre a matéria, não. Não estou em horário de trabalho.
— Não é! É... é só... Você gosta de maçã? — perguntei e apontei para o saco que ele carregava.
Ele me olha de lado, como se estivesse pensando em algo. Talvez estivesse pensando se deveria responder.
— É para uma torta.
— Torta? Você sabe fazer sobremesas? — Por um momento imagino o Hatake de avental. A imagem é tão errada que quase rio.
— Não.
— Ah... Então você está comprando para outra pessoa?
— Não.
Segundo não seguido. Essa conversa não parece estar indo bem...
— Você... você tem celular? — Eu me odeio na hora em que a pergunta sai. Quem diabos não tem celular?!
— Tenho — ele respondeu!
— Ah! Então, se eu precisar tirar uma dúvida rápida sobre... sobre literatura... eu podia...
— Não.
Ok, voltamos ao não. Suspirei e pensei no que mais podia dizer, mas não consegui pensar em nada. Além disso, já conseguia ver o prédio, o que significava que nosso caminho juntos não continuaria por muito tempo.
— Eu vou para lá — aponto para o dormitório masculino dos estudantes, a uns duzentos metros à frente. — Então... boa noite... Aproveite a sua torta — disse com um sorriso seco, sem saber o que mais poderia lhe dizer.
Ele para e me encara por um segundo inteiro. Aí assente. Só uma vez.
— Boa noite, Uzumaki.
Ele desaparece na chuva, provavelmente indo para o dormitório dos professores, sem olhar para trás. Fico na chuva, com o lámen e o chocolate na mão, lembrando dos três "não" ecoando na cabeça.
Era realmente muito difícil conversar com esse homem!
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