Conquistar o Sensei, aceito a aposta!
7 Espiando por cima do muro
Capítulo 07: Espiando por cima do muro
No meio da tarde de sábado.
— Não estou perseguindo ninguém. Estou... fazendo reconhecimento de área. É diferente. Stalkers usam capa de chuva e binóculo. Estou de moletom laranja. Super discreto — sussurrei para mim mesmo, ridicularizando-me e, ao mesmo tempo, me encobrindo.
O dormitório dos professores tem um muro baixo nos fundos, com algumas árvores ao redor. Se eu ficasse aqui, talvez ele passasse para ir fazer algo.
Pensei isso quando cheguei e eram três da tarde, mas...
04:47 PM.
Meu pé formigou. Um cachorro que passava por ali latiu para mim. Acho que uma velhinha me olhou feio da janela de um dos andares acima; deve ser familiar de um professor.
Ainda nada do Hatake.
Estava quase desistindo e começando a aceitar a ideia de usar a horrível camiseta "Eu amo o Sasuke", quando escuto vozes do outro lado do muro.
Congelo por um momento. Espio por cima do muro, bem devagar e... É ele! Hatake Sensei! Está de calça moletom e camiseta preta, com o cabelo ainda mais bagunçado do que o normal e... ele não está sozinho.
Tem outro cara com ele. Alto também, cabelo escuro preso em um rabo de cavalo meio solto. Não consigo ver o rosto direito. Eles estão parados, conversando baixinho. O outro cara ri de alguma coisa e empurra o ombro do professor de leve... Eles parecem ter um bom relacionamento.
Senti-me um pouco desconfortável. Tipo quando você perde o último lámen da loja e sabe que vai ficar sem jantar.
"Quem é esse? Por que ele está rindo? Por que eles parecem tão próximos?" Com todas essas perguntas em mente, só conseguia me aproximar.
Precisava ouvir melhor. Precisava ver melhor.
Tinha uma árvore colada no muro. Olhei rapidamente e percebi que o galho era grosso. Dá para subir. Pé aqui. Mão ali. Subo que nem nos treinos de Educação Física. Quando chego ao topo, fico agachado e equilibrado, com um sorriso no rosto. Essa visão era perfeita!
Infelizmente, meu sorriso não durou muito tempo, porque ouvi um estalo...
O galho.
O maldito galho.
Meu cérebro nem sequer teve tempo de pensar "ah, não", antes da gravidade fazer o seu trabalho e me puxar para baixo.
Se cair não fosse ruim, cair de bunda era vergonhoso e doloroso; além disso, caí em cima de um monte de folhas secas. Fez um barulho tão alto que deve ter acordado até a velhinha que estava me observando antes.
Em seguida... Silêncio.
Levanto a cabeça de modo rígido e encontro dois pares de olhos me encarando por cima do muro. O meu professor estava obviamente surpreso. Já o outro cara estava com a mão na boca para segurar o riso.
Meu professor pisca uma, duas vezes e suspira, parecendo resignado. Ele anda até o muro, apoia os braços no topo e me olha lá de cima.
— Uzumaki — ele fala, a voz sem nenhuma emoção. — Você está bem?
Eu só consigo assentir, mudo. Meu rosto deve estar vermelho agora, muito mais visível que o moletom laranja!
— Certo. — Ele me analisa por um segundo. Aí o canto dos lábios dele se curva um pouquinho. Quase um sorriso. Quase. — Conselho profissional: da próxima vez que for espionar alguém, não escolha um galho tão fino. Eles costumam dar problema.
O outro cara atrás dele finalmente perde a luta e começa a rir alto. Nesse momento, só há um pensamento em minha mente:
Quero morrer.
Mas precisava continuar vivendo e precisava salvar um pouco da minha dignidade! Então pensei rapidamente no que poderia dizer.
— Eu... Eu estava apenas passando! — A desculpa mais velha do mundo sai: — Estava procurando meu gato!
— Você tem um gato? — Kakashi pergunta, as sobrancelhas erguidas em óbvia dúvida.
— Não! Digo, sim! Talvez! Ele se chama... Laranja! — Eu me levanto, sacudo as roupas e o cabelo para retirar a maior parte das folhas. — Ele fugiu e eu o vi naquela direção! Vou lá procurar.
Saio correndo. Tropeçando. Sem olhar para trás. Escuto a risada do outro cara mais alta e um "Sério, Kakashi?" abafado.
Só paro de correr quando chego no meu dormitório, com o pulmão pegando fogo e a dignidade oficialmente enterrada no jardim dos professores.
Depois de me acalmar, antes de pensar na ideia horrível que tive, fiquei curioso sobre aquele homem que estava com meu professor.
Quem era aquele cara? Por que ele estava tão à vontade com o Hatake?
Depois de pensar nisso por um tempo, sem conseguir encontrar uma resposta e não querendo mais pensar na proximidade dos dois, decidi sair. Preciso andar. Ficar sozinho. Preciso de ar.
Não percebi quando saí, mas já era bem tarde. A rua estava vazia. Estava até um pouco frio. Só eu e os postes de luz. Chutava uma pedrinha aqui, outra ali, e, sem perceber, voltei a ficar perdido em pensamentos.
Dobro a esquina perto da loja de conveniência da outra noite e quase trombo em alguém.
Levanto a cabeça, pronto para pedir desculpas, quando vejo o cabelo prateado...
Ele para e me olha. Eu olho para ele.
Por um segundo, nenhum dos dois fala. Só o vento frio entre a gente. Sorri levemente, rígido, acenei com a cabeça e comecei a me virar. Pela primeira vez, não queria aproveitar essa rara oportunidade de encontro para falar com ele.
Estava quase passando por ele quando ouvi a sua pergunta com um toque surpreendente de diversão:
— Deixou o Laranja sair de novo, Uzumaki?
Fale com o autor