Capítulo 31: Dois anos depois



(Narração do ponto de vista do Kakashi.)



Dois anos. Sete missões. Quatro sumiços de semanas. Trinta e duas voltas para casa. Incontáveis cafés da manhã interrompidos.


E ele ainda está aqui.


Naruto está sentado na mesa pequena da cozinha, com minha camiseta e o cabelo secando depois do banho. A faculdade acabou faz dois dias. O diploma está na mochila, jogada no sofá.


Terminamos de jantar e agora estamos em silêncio. Um silêncio confortável, de quem não precisa preencher espaço com palavra.


Levanto, pego os pratos e os lavo enquanto posso sentir que ele está me observando.


— Você está estranho — ele fala quando volto para a mesa, enquanto apoia o queixo na mão e me observa. — Está mais quieto que o normal — aponta.


— Quero que fiquemos juntos — finalmente disse a ele.


— Não estamos juntos? — ele pergunta e ri, sem entender.


— Quero que seja oficial — falo lentamente. — Quero que a gente seja mais que namorados, Naruto.


— Mais que namorados? — ele inclina a cabeça de lado e sorri, aquele sorriso que me encantou desde a primeira vez que eu o vi. — Isso parece pedido de casamento.


Cruzo os braços sobre a mesa e digo: — Se você quiser um pedido, eu faço um.


Ele abre a boca e, pelo seu olhar brincalhão, sei que não levou a sério, então não deixo que fale nada. Enfio a mão no bolso da calça e tiro a caixinha. Pequena, preta e velha, que peguei dentre a herança da família que meu pai me deixou.


Abro na frente dele e mostro um anel simples de prata. Sem pedra, sem frescura. Coloco a caixinha em cima da mesa e entre nós. Sem discurso. Sem joelho no chão. Sem "você aceita".


Só o anel.


Ele olha para o anel e depois para mim. Lentamente estica a sua mão, o pega e o gira entre as pontas dos dedos enquanto diz:


— Se eu colocar isso — sua voz mais baixa e mais séria que o normal — não tem devolução, viu? — No final, havia um toque de brincadeira, mas apenas um pouco.


— Eu nunca pensei em devolver — respondi e peguei o anel, deslizando o metal pelo seu dedo, colocando-o. Depois observei o anel em seu dedo, satisfeito. Olhei para ele e confessei:


— Você é tudo o que eu sempre quis, Naruto. Uma família.


Ele sorri, levanta, dá a volta na mesa e me beija. Não há promessas. Nunca houve nenhuma. Apenas isso: o presente, os beijos, a companhia e o amor que não precisa de palavras para existir.