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32 Encontrando velhos amigos
Capítulo 32: Encontrando velhos amigos
(Narração do ponto de vista do Kakashi.)
Não esperava encontrá-los após tanto tempo, mas era uma reunião e havia muitos de nós pela cidade, então não me surpreendi muito quando ambos apareceram do meu lado, naquele beiral de loja onde eu estava para fugir da chuva.
— Olha quem apareceu — Obito bateu no meu ombro com força em um cumprimento. Rin ao lado dele, sorriu. Aquele sorriso calmo de médica.
— Você está inteiro — avaliou a mulher, me olhando de cima a baixo. — Milagre.
Sorri brevemente e não disse nada, apenas me lembrei do motivo de ter menos ferimentos. Naruto ficaria preocupado.
A chuva passou, mas não saímos dali. Tinha um pequeno bar atrás de nós e aproveitamos para nos reunir e beber um pouco.
— Então — Obito quebrou o silêncio, girando o copo com whisky. — Faz quanto tempo que a gente não se vê? Quatro anos?
— Três anos e dez meses — corrigi. Ele levantou as sobrancelhas e Rin escondeu o riso atrás do copo que bebia.
— Uau. Contando os meses, hein? Está diferente, Kakashi.
Dei de ombros e bebi.
A conversa foi indo e, no terceiro copo, Obito apoiou o cotovelo na mesa e me olhou. Aquele olhar de quem me conhece há muito tempo.
— E aí? — falou baixo. — Ainda tem inveja da gente?
Parei com o copo no meio do caminho. Olhei para o Obito e para a Rin.
Pensei no Naruto.
Pensei nele de pijama pela manhã, formado, de anel no dedo e esperando eu voltar.
Ri, de verdade, e tomei um gole da bebida.
— Não — falei. E era verdade. — Não tenho mais inveja.
Obito arregalou os olhos. Rin colocou a mão na boca, surpresa.
— O quê? — Obito quase derrubou a bebida. — O cara que dizia que nunca estaria com ninguém está namorando?!
— Algo assim — tomei outro gole e escondi o sorriso com o copo.
— Quem?! — ele levantou. — Quem conseguiu domar você? Apresente-me a essa corajosa mulher para eu morrer em paz.
— É um rapaz... Acabou de completar 21 anos — contei, vendo os dois congelarem.
— 21? — a voz de Obito falhou. Ele não disse, mas sua expressão me acusava e parecia dizer: "Você tem quase quarenta e está com alguém que tem metade da sua idade?!"
Eu sabia que ele devia ter suas dúvidas, mas eu não queria esclarecê-las. Apenas disse:
— Ele me aceita e me espera. Tenho um lugar para voltar e alguém que se importa se estou ferido ou cansado... Não é perfeito, mas é muito bom.
— Qual é o nome dele? — Rin perguntou, sorrindo, parecendo aliviada.
— Naruto — falei, e apenas a menção do nome dele já me fez sorrir, o que foi motivo de provocações dos dois, mas não me importei, porque estava realmente feliz.
Quando nos despedimos mais tarde, eu disse a eles que, se houvesse uma oportunidade, o apresentaria a eles. Depois da reunião, voltei para casa.
Parado na frente da porta, vi a claridade vindo de dentro, o som do seu assobio e o cheiro de comida queimada. Era a minha casa e o meu garoto. Não havia mais motivos para invejar o amor daqueles dois.
Abri a porta e entrei. Assim que notou a minha presença, desligou a comida queimada, seja ela qual for, e correu até mim para me receber com um beijo. Eu o beijei, limpei a sua bochecha, que parecia ter fuligem, e sorri ao ver aquele olhar.
O olhar de que eu era a pessoa mais importante para ele.
Com alguém que me olha assim todos os dias, não tenho inveja de nada e nem de ninguém.
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