Capítulo 13: Dividindo um quarto



A porta fecha atrás da gente com um clique baixo demais para o tamanho do meu surto. Observo ao redor. O quarto dele é limpo. Tipo, assustadoramente limpo.


Cama de solteiro arrumada, sem uma ruga. Mesa com três livros empilhados por tamanho. Uma prateleira só com exemplares de um romance, todos enfileirados... Sério, nem uma meia no chão. Nem um copo sujo!


— Caramba... Isso parece um quarto de exposição. Você mora aqui ou só exibe? — perguntei antes de pensar.


Ele tira o moletom e joga no encosto da cadeira. Sem responder. Só me lança aquele olhar de: "você fala demais". Sorrio levemente constrangido.


— Desculpa — coço a nuca. — É que o meu quarto tem mais personalidade. Tipo, tem um copo com lámen de vários dias ali que já virou parte da decoração.


Isso arranca um som dele. Não chega a ser uma risada. É um sopro pelo nariz. Quase um riso.


— O banheiro é ali — ele aponta para uma porta. — Tem toalha limpa no armário. Você pode ficar com a cama. Eu pego uma coberta extra.


— O quê? Não! — Balanço a mão, desesperado. — Eu durmo no chão sem problemas.


— Uzumaki — ele me corta. A voz não muda de tom, mas tem um peso diferente. — Você é uma visita. Visita não dorme no chão.


Visita.


A palavra parece estrangular meu pescoço. Quero dizer algo, mas não sei o que falar.


— Tudo bem — aceitei em um sussurro.


Ele joga uma almofada e um cobertor grosso para mim, depois puxa outra coberta do armário e se joga na poltrona do canto. Não parece confortável.


Sentei na cama e pensei em ir tomar um banho, mas depois desisti. Não tinha outra roupa e não queria incomodá-lo mais, pedindo algo para vestir. Ficamos em silêncio. Novamente aquele estranho silêncio.


— Então... você organiza os livros por tamanho?


— Por cor — ele responde, sem abrir os olhos.


— Ah...


Mais silêncio. Dá para ouvir o relógio da parede. Parecia haver algum tipo de tensão na sala e percebi que ele estava rígido na poltrona, o braço cruzado de um jeito desconfortável.


Não fiquei feliz que ele estivesse nervoso por minha causa. Fiquei triste por estar lhe deixando desconfortável.



***



Não consegui dormir. Parecia impossível. Às vezes me mexia e a cama rangia, me congelando temporariamente. Ele também se mexia bastante do outro lado e seu desconforto parecia ser ainda maior do que o meu.


A culpa por fazê-lo se sentir assim me acerta como se fosse um soco.


— Kakashi Sensei? — chamo baixinho, na escuridão.


— Hum?


— Desculpa — minha voz sai em um sussurro, mas, com o silêncio da noite, eu sabia que ele podia ouvir. — Desculpe por estar aqui e por te atrapalhar. Se eu soubesse que o portão ia estar fechado, eu não tinha...


— Você não sabia — ele corta minhas palavras de maneira simples.


— É, mas... — Engulo seco. — Estou te atrapalhando, não é? Primeiro a árvore. Depois, o esclarecimento sobre a horta. Agora invado seu quarto. Você não consegue nem dormir direito por minha causa.


Pela primeira vez desde que comecei a entrar em contato com ele, eu falo sério. Sem piada. Apenas uma constatação tardia de que o jeito que estou rondando ele, forçando conversa, aparecendo do nada. Isso tudo pode ser um incômodo?


Além disso, e... E se, para ele, eu for só o aluno chato que não entende um não?


O silêncio parece opressor, mas não tanto quanto o barulho da poltrona rangendo. Ele sentou.


— Uzumaki — a voz dele vem na escuridão. Baixa. Sem sono nenhum. — O que você tem?


Aperto o cobertor. — Nada.


— Você ficou quieto. Você nunca fica quieto.


Droga. Ele percebeu. Franzi os lábios e suspirei, derrotado.


— É que... percebi que talvez tenha te incomodado muito recentemente.


Espero pela sua concordância, com uma pequena esperança de que ele negue, mas, no final, não recebo nada. O silêncio dele é pior que qualquer resposta.


Depois de um tempo, escuto ele deitar de novo. — Durma, Uzumaki. Está tarde.


Fecho os olhos e, por mais que eu queira fazer o que ele pede, não consigo dormir. Fiquei pensativo a noite toda e "despertei" com o cheiro de café.


Ele estava de pé, já arrumado, e parece que a noite mal dormida não teve nenhum efeito sobre ele.


— Tem café na mesa, se quiser — ele fala, sem se virar, mas percebendo que eu já estava acordado.


— Ah, obrigado — levanto, mas não vou para a mesa. Apenas pego o moletom que havia tirado para dormir. — Eu... eu já vou indo. É melhor eu ir antes que os outros acordem, para não te causar mais problemas.


Visto minhas roupas rapidamente e depois digo a ele, sem olhar para trás. — Boa aula hoje, Kakashi Sensei. E desculpa de novo. Por tudo.


Abro a porta.


— Uzumaki.


Meu corpo congela por um momento e fico sem saber se devo sair ou voltar.


— Gostar de alguém não é incômodo — ele fala. — Desde que esse sentimento seja verdadeiro.


Meu cérebro para por um momento, enquanto apenas aquela pergunta parece ecoar em minha mente.


— O quê? — acabei por verbalizar minhas dúvidas enquanto virava devagar. Ele está parado perto da mesa, com a caneca de café na mão. Seus olhos estavam fixos sobre mim e, quando me virei, nossos olhos se encontraram.


— Me diga, Uzumaki... Você gosta de mim? Ou toda essa aproximação é só pela aposta que você fez com seus amigos?


Fiquei estupefato e, vendo a sua calma, ignorei a pergunta que ele fez, concentrando-me apenas naquela informação.


Ele sabe.


Parece que ele sempre soube de tudo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.