Conquistar o Sensei, aceito a aposta!
14 A verdade
Capítulo 14: A verdade
— A... a aposta? — Minha voz sai fraca. — Como... como você sabe da aposta?
Ele toma um gole do café, parecendo calmo. Calmo demais.
— Eu estava passando na janela do refeitório quando vocês mencionaram o assunto — ele responde, simples. Como se estivesse falando da previsão do tempo. — Naquele dia eu ouvi tudo. Você gritando que podia namorar quem quisesse e seus amigos escolhendo a próxima pessoa que passasse pela porta.
— Você... — Levo a mão ao cabelo, puxando-o e sentindo raiva, embora não soubesse se era dele ou de mim mesmo. — Você sabia e mesmo assim... Por que você não falou nada?
— Porque eu queria ver até onde você ia — ele diz diretamente. Seus olhos focados nos meus. — Queria ver se você tinha coragem de seguir com a aposta ou se ia desistir no primeiro não.
A calma dele é um pouco irritante. Mas essa calma me deixa calmo. Respiro fundo duas vezes e me sinto muito melhor. O choque do início da conversa se dissipou.
— Certo — consigo falar, mais firme. — Então você sabe que começou com uma aposta. Mas, Kakashi Sensei... — Engulo seco. — Não é mais uma aposta.
Ele ergue as sobrancelhas. Só isso. Mas parece um julgamento inteiro. Uma clara dúvida.
— Não é mais? — A voz dele tem um fio de deboche agora. — Uzumaki, faz o quê... duas semanas? Três? É pouco tempo para mudar de um mês de lámen grátis para sentimento verdadeiro. Você é rápido.
Meu coração doeu um pouco e o calor subiu no meu rosto, mas não é vergonha, é raiva.
— Você não sabe de nada! — A frase sai mais alta do que eu queria. — Você não sabe como são meus sentimentos! Eles são meus e você não pode ficar julgando se é rápido ou devagar! Você não manda no que eu sinto!
Eu sabia que não deveria gritar com ele desse jeito. Ele é a pessoa que foi alvo de uma aposta e ele está falando calmamente. Mas... Talvez seja a raiva acumulada, mas, quando vejo que meus sentimentos estão sendo menosprezados outra vez, me sinto muito mal.
Ele suspira e larga a caneca na mesa. — Eu não estou julgando, Naruto. — Pela primeira vez, ele não usa o meu sobrenome. — Só estou sendo realista. Você tem dezenove anos. Sou seu professor. Esse tipo de situação começa como piada, vira problema e, no fim, alguém se machuca. Geralmente o aluno.
— Então você já decidiu por mim? — Cruzo os braços e o encaro com frieza. — Já decidiu que estou mentindo?
— Eu não disse isso.
— Não disse, mas pensou.
Ele fica quieto. Porque é verdade. Mesmo que ele não diga tudo, baseado no que disse antes, ainda consigo entender mais ou menos o que ele está pensando.
— Por que você não me dá uma chance? — peço enquanto sustento o seu olhar. — Só uma. Me dê uma chance de provar que gosto de você de verdade. Não pela aposta. Não pelo lámen... Por você.
Ele me observa em silêncio, como se estivesse procurando por algo que indicasse uma mentira. Sabia que não encontraria, então deixei que olhasse.
— Eu vou pensar — ele diz por fim. Não é sim. Não é um não. É um talvez, mas... É mais do que eu tinha há cinco minutos.
— Tudo bem — concordo e me despeço, dizendo a ele que ia esperar, antes de finalmente sair.
Depois de fechar a porta e andar apenas alguns passos, paro. Essa situação era melhor do que eu esperava, mas ficar na espera não era algo que se encaixasse na minha personalidade.
Voltei, bati algumas vezes na porta e esperei. Ele abre e me encara, surpreso de me ver de volta em menos de dez segundos. — Esqueceu algo, Uzumaki?
— Esqueci — disse seriamente. — Esqueci de falar a verdade inteira. Posso entrar?
Ele hesita. Só um segundo. Aí dá um passo para o lado, abrindo espaço. Entro e ele fecha a porta.
— Olha — começo e, apesar do nervoso, olho para ele enquanto digo: — Você está certo. É pouco tempo, é confuso e eu sou seu aluno. E isso tudo começou com uma aposta idiota.
Ele não interrompe. Só escuta.
— E eu não vou mentir e dizer que tenho certeza de tudo, mas já sofri o suficiente em um relacionamento para saber que as pessoas mais adequadas não necessariamente podem ser felizes. Comecei a gostar de você, de verdade — digo e dou um passo para frente. Só um.
— Tenho medo de dar errado, tenho medo de problemas, mas tenho ainda mais medo de perder a oportunidade de finalmente encontrar alguém com quem posso estar, então... Você quer tentar comigo? Sem aposta, sem prazo, vamos apenas... Vamos ficar juntos e tentar um relacionamento?
Ele disse que ia pensar, mas eu sentia que não podia perder essa oportunidade. Isso me fez dizer tudo, mas agora vem a parte mais importante. Eu disse o que queria, mas não sei que resposta vou obter.
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