Capítulo 15: Regras de namoro



(Narração do ponto de vista do Kakashi.)



— Vamos ficar juntos e tentar um relacionamento?


A pergunta dele fica no ar e senti como se esse ar fosse um pouco pesado hoje.


Naruto Uzumaki. Dezenove anos. Meu aluno.


Normalmente eu teria uma resposta imediata para esse tipo de pergunta, mas não dessa vez, porque estava em dúvida.


Meu cérebro lista os problemas, um por um, como se fosse corrigir uma redação:


Diferença de idade.

Relação professor-aluno.

Ética.

Demissão.

Escândalo.

Meu segredo.

O trabalho em andamento.

Ele é impulsivo e eu sou calmo.

Ele começou isso por uma aposta...


A lista é grande, mas aí olho para ele... Para o jeito que a mão dele treme um pouco. Para o jeito que ele sustenta meu olhar, mesmo parecendo em pânico. Para a sua coragem de dizer o que pensa.


Nesse momento, ele está sendo honesto.


E eu lembro da noite no parque. Do silêncio que não foi esquisito. Da sua provocação, da sua risada e de andar com ele até o dormitório e sentir a rua menos vazia.


Fecho os olhos por um segundo, sabendo que, no momento em que me permiti pensar, essa guerra já estava perdida.


Não, essa guerra provavelmente estava perdida desde que reparei no seu sorriso e desde que percebi que gostava da sua atenção sobre mim, mesmo que ela tivesse começado de maneira errada.


Abro os olhos após tomar uma decisão.


— Tudo bem — digo a ele calmamente.


— Está tudo bem...? — Ele pisca, confuso.


— Eu aceito tentar — falo, antes que eu mude de ideia. — Mas com restrições — acrescento.


O rosto dele ilumina tão rápido que chega a ser engraçado. Sério, até atores profissionais podem não conseguir mudar de expressão tão rápido.


— Qualquer coisa! Eu aceito qualquer...


— Não termina a frase antes de ouvir — cortei, erguendo a mão e o interrompendo seriamente. — Regra número um: ninguém pode saber. Ninguém. Nem mesmo seus amigos. Principalmente não na faculdade.


— Tudo bem — ele concorda com um sorriso.


— Regra número dois: namoro só no dormitório. No meu ou no seu... se um dia seu colega de quarto resolver estudar em outro lugar. Nada de mão dada no corredor. Nada de almoço juntos no refeitório. Nada de cumprimento íntimo na frente dos alunos.


— Tudo bem — ele repete, mais rápido agora.


— Regra número três: se isso atrapalhar suas notas, acaba. Se atrapalhar minhas aulas, acaba. — Encaro ele. — Entendido?


— Entendido — ele responde sério. Sem piada.


Ficamos nos olhando e o ar parece um pouco diferente, não pesado, mas sufocante... Do tipo quente. Aí ele sorri de repente... Aquele sorriso de orelha a orelha, idiota, que me fez observá-lo de longe algumas vezes nas últimas semanas.


— Então... — ele dá um passo para frente, chegando mais perto e ainda sorrindo. — Como é a regra sobre beijos? Porque tecnicamente a gente está em casa e...


Eu não seguro a risada. Saiu baixo, mas ainda era um riso. Diante da sua expectativa, digo: — Não.


— Ah, qual é! — Ele faz bico. — Acabei de quase ter um colapso me declarando e você não me dá nem um selinho de contrato?


— Negociador horrível — provoco. — Estamos tentando. Vamos devagar — pedi, com medo de que, se realmente deixasse esse garoto fazer o que quisesse, poderia não conseguir me controlar.


Ele bufa, mas está sorrindo. — Está bem. Mas me dá pelo menos o número do telefone, ou vou ter que escalar a árvore de novo para falar com você, e aí vai ser sua culpa se eu me machucar.


Quase reviro os olhos para essa "ameaça", mas, já que concordei com esse teste, também sabia que uma troca de informações básicas era necessária. Peguei meu celular, troquei os números com ele e nos despedimos. Dessa vez ele realmente saiu e não voltou.


Olhando para a porta, ri brevemente, pensando que, já que havia concordado, ia realmente tentar.


Se desse certo, isso seria ótimo.