Notas iniciais
Cada capítulo vai ser centrado no ponto de vista de cada personagem, começando pela Rukia. Mas cada um vai estar presente nos capítulos. ♥

Kuchiki Rukia.

I love you everyday in every way neol saranghae...

Acordei com o toque do alarme do celular, abrindo os olhos lentamente sem entender o porquê de aquela coisa estar tocando naquela hora. Bem – era apenas meia noite, certo? Pelo que me recordava, eu estava fazendo o meu trabalho, até que...

Droga!

Nem percebi que o tempo havia passado e que acabara caindo no sono. Quase pulei de susto ao ver as horas, percebendo que já estava atrasada para um compromisso. Havia dormido ainda na minha pequena escrivaninha, quando estava imprimindo mais currículos em meu computador.

Falando nisso—ah, esqueci-me de me apresentar. Meu nome é Kuchiki Rukia, tenho 22 anos e estou no momento à procura de um emprego.

Ou de qualquer emprego, no caso.

Vou tentar encurtar a minha história de uma forma que fique mais, digamos... Entendível. Nasci em Tokyo, no Japão. Mais especificamente na área nobre de Roppongi, embora eu esteja morando em um apartamento pequeno e simples em Ikebukuro. Motivo? Briguei com o meu irmão – que embora eu o admire imensuravelmente conseguiu ser um bastardo de Classe A comigo. E acredite em mim, não é todo mundo que tem paciência em aguentar quase uma vida inteira de menosprezo e controle sobre tudo o que você faz – inclusive com quem você vai namorar!

E foi assim que terminei meu último namoro.

Mas casos a parte, estou desesperada a procura de um emprego. Claro, seria mais fácil com o apoio financeiro de meu irmão, mas prefiro ficar longe dele – e nunca que eu iria aceitar o dinheiro de outra pessoa! Mando meu currículo para praticamente qualquer firma de emprego decente que conheço, mas infelizmente todas recusam. O motivo? Dizem que não tenho experiência o suficiente.

Mas isso é provavelmente porque não sou extrovertida o suficiente, não tenho seios grandes, me preocupo com o que faço ou não sou estrangeira. Por isso, havia passado boa parte da noite imprimindo mais e mais currículos para mandar por aí.

- Argh! Merda! – Reclamei, não achando uma roupa decente a não ser um vestido rosa bebê que havia ganhado de meu ex-namorado. Bem delicado, por sinal – o que ele sabia que eu não gostava muito, e exatamente por isso comprou o vestido.

Talvez esse fora outro motivo pelo qual nunca me aceitaram em nenhum emprego. O fato de que não sou muito, ahn, digamos... Feminina. Não que eu me vista como um homem, pelo contrário – eu apenas valorizo o conforto e a praticidade.

- Vai ser esse mesmo. – Falei comigo mesma, rapidamente vestindo o vestido e colocando qualquer sapatilha que vira pela frente, tentando ao máximo não lembrar do meu antigo amor...

Que seja; aquele era apenas um vestido que ocasionalmente ganhei de alguém. Foda-se, não é mesmo?

Exato! Não posso me distrair com coisas inúteis quando tenho um trabalho a procurar.

Olhei o meu reflexo no espelho; estava vestindo um vestido rosa bebê que ia até a metade de meus joelhos, uma sapatilha nude ou cor de pele, e uma pequena bolsa da mesma cor para guardar minhas coisas. Até que realmente não era uma má combinação – tirando o fato de que minha maquiagem era bastante leve, mas eu realmente gostava dela daquele jeito.

- Ótimo. – Sorri, olhando as horas no meu relógio de pulso.

Meu Deus! Já eram 8h30! Quem quer que fosse a pessoa que iria me entrevistar, com certeza já não iria me escolher por praticamente uma hora de atraso. Ainda assim, saí do meu apartamento correndo até o local, com a esperança de que algo daria certo ou que um sinal divino caísse do céu dizendo “Rukia, você já sofreu muito, agora está na hora de mudar essa sua vida e ficar super rica” com uma voz bem dramática e melódica.

Era mais fácil eu ganhar na mega sena, sinceramente.

Decidi não pegar o metrô – realmente não estava com vontade de enfrentar todo aquele tumulto pela manhã, sem contar que isso iria me atrasar mais ainda.

~ x ~

Finalmente tinha chegado no local. Não era um prédio muito grande ou extremamente chique; era comum e mediano, mas ao menos era no meio de uma vizinhança pacata.

- É agora, Rukia. Seja o que Deus quiser. – Respirei fundo, ajeitando os meus cabelos antes de entrar no local.

Andando até a recepção, não deixei de olhar ao redor do local; não era o que eu esperava, mas também não era ruim. Era apenas... Meh. Não tinha outro jeito de definir isso.

- Com licença, aonde se encontra a sala de entrevistas? – Perguntei, tentando parecer a mais educada e gentil possível, não que eu não fosse; apenas digamos que... Eu perdia minha paciência com facilidade.

A recepcionista era ruiva, com olhos castanhos e um rosto que expressava meiguice e gentileza. Sem contar que... Ah, claro. Ela também tinha os seios grandes.

- Ah, me desculpe, elas já acabaram uma hora atrás. – Ela respondeu, com um sorriso leve.

- O QUÊ?! – Gritei, abaixando minha cabeça e suspirando em seguida. Eu já sabia disso, embora tivesse alguma expectativa. – Ahh, droga! E agora, o que farei?! – Toquei minha testa com a palma da minha mão, tentando me acalmar.

Uma ova! Esse era praticamente o vigésimo emprego que eu procurava só NAQUELE MÊS!

Sinceramente, não queira saber como eram os outros. Tudo bem que eu arranjava um bico ou outro, mas não era aquilo tudo e muito menos estável.

- Me desculpe, mas se tiver algo que eu possa fazer... – Ela respondeu ao meu desespero, provavelmente com pena de mim. E Deus sabe que eu não suporto pena.

- Tudo bem, ahn... – Olhei para a pequena plaquinha que continha o nome dela. Inoue Orihime. Ainda por cima tinha um Hime no meio do nome dela, o que significava princesa. Enquanto meu sobrenome significava literalmente madeira podre. Adoro. Rukia Madeira Podre. Deveria colocar isso numa plaquinha grande daquelas de madeira e sair com ela pendurada no meu corpo gritando “PAMONHAAAAAA! QUEM QUER PAMONHA?!”.

Eu odeio minha vida.

- Orihime. Não precisa fazer nada. – Completei, tentando parecer calma enquanto esboçava um pequeno sorriso sem jeito. Bem, aparentemente ela havia entendido o recado já que não havia respondido e apenas sorriu de volta.

Miageta yozora no hoshitachi no hikari...

Ouvi meu celular tocar, e dessa vez não era alarme nenhum. Abri minha bolsa e peguei-o, olhando quem era no visor.

Renji!

Renji é o meu melhor amigo de infância e nos conhecemos ainda praticamente bebês, bem... Considerando que tínhamos uns três anos de idade. Ele também morava em Ikebukuro, embora não nos vemos com tanta frequência graças ao trabalho dele e a minha procura por um.

- Renji! Por onde andou, seu babaca?! – Perguntei meio emburrada. Ele poderia ao menos fazer um telefonema esse tempo todo, não?

- Tch, cala a boca, sua anã! – Renji retrucou, o que me fez revirar os olhos de irritação. – Se for assim, não conto a surpresa que tenho pra você.

Surpresa? Do que diabos ele estava falando agora?

- Que surpresa, Renji? – Franzi a testa, meio sem entender. – Se for que nem a do meu aniversário do ano passado, eu juro que vou aí socar a sua cara. – A verdade é que meu último aniversário havia sido um verdadeiro desastre, mas isso é uma história para depois.

- Não, não é isso, idiota! – Pela sua voz, deduzi que ele já havia se irritado. Não... Com certeza ele havia se irritado. Eu conhecia Renji bem demais pra isso. – Vou falar logo então. A surpresa é que consegui um trabalho pra você com minha enorme e maravilhosa habilidade de convencer os outros.

Mentira. Aquilo tinha que ser mentira...

- SÉRIO?! – Gritei novamente, fazendo todos no local olharem para mim. – Meu Deus, Renji... Sério?! Se você estiver mentindo, eu vou...

- É claro que é sério, idiota! Acha que eu ia mentir sobre isso pra ti?! – Ele me interrompeu, fazendo com que eu sorrisse levemente.

- Mas espera um pouco... Aonde é o local?

Também tinha esse problema. Se fosse muito longe, eu não tinha carro para ir. Poderia até ir de metrô ou ônibus, mas do jeito que demoraria a acordar isso levaria séculos – mas tudo bem, eu posso adiantar o meu despertador, mesmo que isso fosse me causar uma morte de estado de espírito.

Sim, eu também odeio acordar cedo demais.

- É na Kurosaki Enterprises no centro.

Kurosaki Enterprises, aquela não era...

- O QUÊ?! AQUELA EMPRESA ENORME?! – Eu não conseguia acreditar. Aquilo tinha de ser alguma brincadeira de mau gosto ou alguma piadinha atrasada de Primeiro de Abril.

- Sim, sim. Eu sou amigo do chefe atual e, bem... Ele ‘tá precisando de uma secretária. Acho que você é perfeita pra isso. – Meu Deus, meu melhor amigo não era um lindo?!

- Obrigada, Renji... De coração.

Fizemos as despedidas e então desliguei o telefone, com um sorriso enorme no rosto. Suspirei mais uma vez, não acreditando no que havia acabado de saber.

- CHUPEM ESSA, IDIOTAS! – Gritei, olhando para aonde seria os escritórios do prédio que eu estava. Olhei de volta para Orihime, sorrindo e recebendo um “parabéns” mudo dela.

É isso mesmo. Kuchiki Rukia vai trabalhar numa das maiores empresas de Ikebukuro. Até parecia um sonho.

Não vou mais vender pamonha, também. PAMONHA NUNCA MAIS!

Ah, Kurosaki Enterprises que me espere.

Notas finais
Aqui o primeiro capítulo, pessoal! Eu já fiz o segundo no word mas só vou postar se vocês gostarem da fic. Ah, só um segredinho... A Rukia conhece o Ichigo no segundo! Espero que gostem e agradeço se mandarem reviews. x3

Dúvidas sobre a fic eu posso responder nas reviews, no twitter (@hakkanotogame) ou no tumblr (chunhuas).