Connected [HIATUS]
2 Kurosaki Ichigo.
Notas iniciais
Kurosaki Ichigo.
Eu odeio esse emprego.
Eu odeio o fato daquele velho idiota ter me obrigado a trabalhar nesse cargo.
E eu odeio ter aceitado.
Meu nome é Kurosaki Ichigo, tenho 25 anos e sou atualmente o chefe da Kurosaki Enterprises. Um emprego que qualquer pessoa mataria para ter, mas que para mim é apenas um emprego de merda. Acredite em mim, você pensaria o mesmo se fosse uma das tantas vítimas de nepotismo. Mas meu velho achou que seria melhor para eu “me ajeitar” como ele sempre gosta de falar.
Mas vamos ser sinceros, por favor. Todos nós sabemos que o que ele mais quer é ficar viajando por aí com minhas irmãs enquanto deixa todo o trabalho duro para mim.
De certa forma, não o culpo. Sei o quanto a morte da minha mãe há sete anos abalou toda a família, mas isso não dá a liberdade para ele simplesmente largar tudo do nada.
Ao menos trabalhava com alguns amigos confiáveis, isso já era realmente um alívio. O pensamento de trabalhar com completos estranhos me deixava um pouco com o pé atrás, mas o fato de estar perto de pessoas que confio e convivo há algum tempo já me deixa mais seguro do que vou fazer – embora eu realmente não tenha a mínima ideia de como faz tudo isso.
Tudo o que eu precisava era de uma secretária – estava a ponto de contratar Rangiku, quando Renji veio para me convencer.
~ x ~
Flashback – Um dia atrás.
– Você tem que estar brincando comigo. – Reclamei, olhando para a pilha de papeis que estava a minha frente na mesa. Eu não sou e nunca fui um homem de teorias; sou um homem de ações. E é por isso mesmo que a papelada nunca combinou comigo.
Havia acabado de ter uma reunião com uma das candidatas à posição de secretária, Matsumoto Rangiku. Não fazia bem o tipo de Ichigo, mas convenhamos: a mulher era linda, loira e com um corpo de dar inveja. Não era a toa que ele queria contrata-la.
Estava quase discando o número da loira no telefone quando escutou alguém entrar em sua sala, apenas para ver que era nada mais nada menos que o melhor amigo de Ichigo: Abarai Renji.
Ichigo e Renji haviam se conhecido na faculdade, já que estavam no mesmo curso. No começo, realmente não haviam se dado muito bem e até mesmo já brigaram incontáveis vezes, mas a amizade foi mais forte e venceu no fim.
– Yo, Ichigo! – Ouviu o ruivo dizer com um sorriso um tanto grande no rosto. Havia alguma coisa escondida ali, isso ele tinha certeza.
– Yo, Renji. Por que está tão sorridente?
– Então, sabe como é... Eu sei que você já está pensando em contratar a Rangiku-san e tudo mais, mas eu tenho outra proposta para você. – Proposta? Hã? De qualquer forma, seria um tanto difícil convencer a cabeça – tanto a de cima quanto a de baixo – de Ichigo agora.
– Ah, Renji. Sério mesmo? Eu já estava quase ligando para a menina, já fiz uma entrevista completa com ela e—
– ENTREVISTA COMPLETA?! – Foi interrompido pelos berros de Renji que seriam ouvidos por todos se o seu escritório não tivesse proteção para som. – SEU TARADO, VOCÊ MAL CONHECEU A RANGIKU-SAN E JÁ—
– CALA A BOCA, IDIOTA! – Agora fora a vez de Ichigo gritar, interrompendo o outro ruivo. – Então! O que é que você quer? – Disse já impaciente.
– Tá, tá! Então... Tenho uma amiga, e ela realmente está precisando muito de um emprego. Ela está procurando faz muito tempo, é muito esforçada e...
– Beleza. O que mais ela pode fazer? – Interrompeu o amigo novamente.
– Tudo! Não existe ninguém mais qualificada pra essa posição que a Rukia, Ichigo. Te dou a minha palavra.
Uau. Renji estava falando sério mesmo. Com anos de amizade, só ouvira o amigo falar isso apenas uma vez na vida, duas agora. Essa Rukia realmente deveria ser muito qualificada e esforçada então. Tudo bem, Ichigo daria uma chance para a garota.
– Ok... Diga a sua amiga Rukia que ela pode começar a trabalhar aqui depois de amanhã.
E assim o ruivo viu o seu melhor amigo sair de seu escritório tão feliz quanto uma criança que acabou de ganhar o doce favorito.
~ x ~
E foi assim que o seu amigo o convenceu de contratar uma completa estranha. Droga, às vezes se odiava por não conseguir dizer não facilmente aos amigos.
Mas Renji tinha um olhar tão determinado que Ichigo perguntou a si mesmo o que aquela tal Rukia significava para ele.
Tentando se distrair um pouco, rapidamente digitou o site do fórum aonde conversava com algumas pessoas na internet. Não que ele conhecesse alguma delas ou fosse um completo estranho; apenas havia recebido um convite estranho pedindo-o para participar de algo chamado Seireitei e que não havia regras, apenas precisava dizer que era do Seireitei e pronto. Estranhou um pouco no início, mas as pessoas que havia conhecido lá eram realmente legais, embora não soubesse o nome verdadeiro delas ou se eram homens ou mulheres – sinceramente, uns ele podia realmente deduzir facilmente.
orangestrawberry acabou de entrar na sala.
CHAPPYLOVER: Oh! Aqui está ele!! ლ(╹◡╹ლ)
CHAPPYLOVER: Bom dia, orangestrawberry-san!
orangestrawberry: Bom dia, CHAPPYLOVER. Tudo bem?
CHAPPYLOVER: tudooo~! estava falando agora com o mizu sobre você~
mizu: AÍ ESTÁÁÁÁ~~ ヽ(゜∇゜)ノ ☆
mizu: bom dia, bom dia, morango laranja-kun~
orangestrawberry: MORANGO LARANJA É UMA OVA, MIZU!!!!!
mizu: uhh, ele se irritou~ (*~▽~)
mizu: haha, que engraçado
Você acabou de receber uma mensagem privada.
CHAPPYLOVER: Me desculpe pelo mizu, orangestrawberry-san.
CHAPPYLOVER: Ele realmente age assim algumas vezes.
orangestrawberry: Relaxa, nem me importo muito.
orangestrawberry: Só não gosto do jeito que ele me chama. É irritante pra caralho.
CHAPPYLOVER: uahauhauh é estranho te ver xingando, sabia?
CHAPPYLOVER: mas então, como foi o seu dia?
orangestrawberry: Ah, parado. Você sabe, o usual mesmo.
orangestrawberry: Ah! Tenho que ir agora trabalhar nuns papeis. Desculpa aí, CHAPPYLOVER.
CHAPPYLOVER: tudo bem!! boa sorte~
orangestrawberry se desconectou.
orangestrawberry saiu da sala.
Realmente havia deixado mizu lhe atingir os nervos, embora Ichigo soubesse que era besteira deixar isso acontecer.
Mas realmente gostava da CHAPPYLOVER – não a conhecia, ou o conhecia, mas sabia que era uma boa pessoa.
Decidi voltar ao meu trabalho, revisando alguns papeis apenas para jogar tudo para o alto depois. Ichigo sinceramente iria matar o seu velho por aquilo.
Levantei-me da cadeira, pegando o terno e o segurando com dois dedos na altura do ombro, saindo da sala e do prédio para passar o tempo em algum local de Ikebukuro.
A cidade era realmente grande, eu realmente gostava disso. Tinha o Spanish Sushi apenas a uma quadra – o dono aparentemente era espanhol ou gostava muito da Espanha, embora eles tivessem uns pratos bem, digamos... Estranhos. Na outra quadra, tinha...
Ah, claro.
Viu uma das máquinas de lanche voar pelo céu da cidade, com um poste em seguida. Era bem óbvio quem era naquele momento: Grimmjow Jaegerjaquez. Em resumo, o homem mais forte de Ikebukuro. Também não era surpresa que conhecia o homem, uma vez que haviam estudado na mesma escola, mas aparentemente tomaram rumos diferentes. Não sabia bem do passado de Grimmjow, mas tudo o que sabia é que ele era um adversário irritante de se lutar. Sabia, porque Ichigo já havia lutado com ele nos tempos de colegial.
Suspirou. Certas coisas realmente nunca mudaram.
Estava anoitecendo, deveria ser mais ou menos umas seis ou sete da tarde. Até queria dar uma passada no sushi espanhol, mas ter que misturar sashimi com um molho picante naquela hora fez o seu estômago revirar. Realmente, o melhor a fazer era voltar para casa.
Estava quase chegando, quando sentiu algo – ou alguém – esbarrar em si e derramar algum tipo de líquido em sua roupa, o que deduziu ser suco de laranja pelo cheiro.
– EI! NÃO OLHA POR ONDE ANDA?! – Gritei, claramente alterado por alguém ter acabado de jogar suco na minha camisa branca novinha.
– Ah, desculpe... Foi sem querer. – Ouviu a voz se pronunciar, o que vinha de ninguém menos que uma garota baixinha, de cabelos pretos e repicados, com uma pele alva e olhos violetas grandes. Tinha uma beleza realmente angelical, se não fosse desastrada.
– DESCULPE UMA OVA! VOCÊ ACABOU DE DERRAMAR SUCO EM MIM!
– EU JÁ DISSE QUE FOI SEM QUERER, SEU ESTÚPIDO!
Estúpido? Como ela ousava me chamar de ESTÚPIDO? Aquela garota era louca, insana, deficiente mental.
– ESTÚPIDO O CARALHO, SUA ANÃ! – Gritei novamente, perdendo ainda mais a minha pouca paciência com aquilo tudo. Primeiro ela me sujava, agora gritava comigo.
– EU NÃO SOU ANÃ, SEU MORANGO AZEDO!
Morango azedo? Aquilo realmente era o fim. Sabia que meu nome tinha um duplo sentido e que o meu cabelo realmente lembrava o de uma laranja ou morango, mas aquilo era demais.
Antes que pudesse me pronunciar, senti o líquido molhando minha camisa mais uma vez. A desgraçada tinha jogado o resto do suco em mim. Maravilhoso.
– QUE MERDA É ESSA?!
– É O QUE VOCÊ MERECE PRA DEIXAR DE SER TÃO IDIOTA. AGORA, PASSAR BEM.
E sem mais nem menos, a anã andou pra longe de mim.
Meu Deus do céu. Não tinha outra palavra, frase ou xingamento que descrevesse a minha raiva.
Ah, havia sim.
Puta que pariu.
~ x ~
Um dia depois.
Mais um dia de trabalho; dia de inferno, melhor dizendo. Mas estava começando a me acostumar, embora eu preferisse andar nas ruas ou seguir o meu sonho de ser músico. Pode até parecer infantil ou idiota, mas eu sempre quis ser uma estrela do rock que nem o Elvis.
É, nem tudo é possível.
Havia acabado de chegar ao prédio, dizendo bom dia para todos que via por ali – Hisagi, Renji, Isane.
Aparentemente, era hoje que a nova assistente recomendada por Renji iria chegar. Só esperava que fosse tudo aquilo que o amigo dizia que era.
Ao chegar ao escritório, nem se deu ao trabalho de olhar para os papeis, Ichigo tinha outra coisa em mente: O computador.
orangestrawberry acabou de entrar na sala.
Nenhum de seus contatos está na sala.
orangestrawberry se desconectou.
orangestrawberry saiu da sala.
Meh. Que chato.
Aparentemente havia mais pessoas naquele fórum, mas não lembrava muito bem dos seus nicknames.
Na verdade, eu realmente sou péssimo para lembrar nomes. – Pensei.
O que realmente não era mentira.
No relógio marcavam exatas 8h00. Não deveria a sua assistente chegar em dez minutos? Aparentemente sim.
De repente, o barulho de alguém batendo na porta ecoou pela sala, fazendo com que olhasse para frente.
Era Renji.
– Ichigo! – Seu sorriso era que nem o daquele dia, de orelha a orelha. Realmente, era bom ver o amigo feliz.
– Oi, Renji! – Respondi, sorrindo.
– A Rukia chegou!
Então era agora que eu iria ver a tão falada Rukia, realmente...
Esperava que ela fosse tudo o que Renji falava.
– Bom dia, senhor... – Ouviu uma voz que não lhe parecia ser estranha, tentando lembrar de quem a pertencia.
Mas nem era preciso, tudo o que precisou foi olhar para o rosto dela.
– VOCÊ!
– VOCÊ! – Os dois gritaram em uníssono.
– Renji! O que diabos essa anã faz aqui?! – Perguntei, não entendendo nada. Ou ao menos não querendo.
– Eu não sou anã, seu morango azedo!
– Ora, sua...!
– Calma, calma, vocês dois. Não sabia que se conheciam... – Ouviu o amigo falar, revirando os seus olhos de irritação.
– Não me diga, Renji. – Debochei.
– Cala a boca, idiota. – Disse. – Até parecem duas crianças. Mas o negócio é o seguinte...
– Ichigo, ela é sua secretária.
– Rukia, ele é seu chefe.
E novamente, só me restava uma frase...
Puta que pariu.
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