Confissões de uma Vida em Crise
1 Última Perda - Parte 1

Estava escrevendo em meu diário, quando escuto um grito.
Pessoas normais parariam e correriam até o local que elas pensam ter escutado o barulho. Já eu... Eu não. Deixei de ligar para os "pequenos instantes da vida" já faz um bom tempo, hoje não ligo. As pessoas me acham um tanto que estranha, então não tenho muitos amigos e os que tenho seriam colegas. Mas eles me julgam errado, quando se vê a morte em sua frente, sem poder fazer nada contra isso, a pessoa muda para pior ou para melhor. Eu nunca fui de ser "igual" as pessoas, então escolhi o pior.
Fecho o caderno e vou até o local do grito, encontro uma garota, minha irmã. No chão, esfaqueada, ao lado dela apenas uma possa enorme de sangue que ainda jorra de sua ferida. Ela estava namorando um homem rico que trabalhava na mafia, então já sei mais ou menos o que deve ter ocorrido por aqui.
Olho para ela com desgosto, ela é a única coisa que tenho, sei que está viva e também sei, que mesmo tentando, ela não vai sobreviver, perdeu sangue o suficiente para encher três garrafas de dois litros inteiras. Ela está com a boca aberta com os olhos focados nos meus.
Ela estende lentamente a mão como um pedido de ajuda, vou até ela e seguro seu corpo que está com uma mistura de sangue seco, suor e lágrimas. Ela toca meu rosto e mexe os lábios com dificuldade dizendo apenas um "Você tinha razão".
– Você não precisa se desculpar agora, este é seu último instante. Você está morrendo. — Deixo uma lágrima escorrer por meu rosto, ela nunca me viu chorar — Carie, se for pra morrer agora, deixe um sorriso como um eu te amo para mim
Ela já estava perdendo os movimentos, lentamente vi uma lágrima escorrer por seus olhos e vi o primeiro sorriso dela para eu no ano inteiro.
Depois disso, um policial arrombou a porta de casa e olhou para Carie, naquele instante ela morreu. Com seu sorriso lindo, com suas covinhas que pareciam mais buracos a mostra, e com os olhos insanquentados fechados.
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