Confiar

21 XXI. Surpresas


Notas iniciais
GENTEEEEEE! VOLTEI! Sim, depois de MUITO tempo, eu sei. Podem me agredir por isso. Mas eu estava no terceiro ano do ensino médio, então toda aquela correria de pré-vestibulanda não me dava tempo pra escrever. Mas agora, que já passou essa coisa de Enem e vestibulares, estou de volta! Espero que meus leitores antigos não tenham me abandonado e queria dizer aos leitores novos que eles são muito bem vindos. Aproveitem!

– Quando estávamos no interior, Ed não parecia estar muito animado. Não queria fazer nada, tava com uma cara emburrada... chamei ele pra dar uma volta e ele não quis, dando uma desculpa de que estava com dor de cabeça. Então... à noite, coloquei uma camisola bonita e me arrumei toda pra ele. Quando eu tentei beijá-lo, ele disse que não queria por causa da tal dor de cabeça. Eu perguntei se ele iria passar todo o meu aniversário de mau-humor, aí ele começou a brigar comigo! Disse que eu só pensava em sexo, que ele não tava afim, tava se sentindo mal e mesmo assim eu não respeitava ele. Foi uma briga horrível. A gente nunca tinha brigado feio assim. O resto da viagem foi um inferno. Ele mal olhou na minha cara. E eu mal olhei na dele.

– Oh, Tay... por que você não me contou?

– Não tive tempo. Você estava com seu namorado novo, depois eu fui dormir um pouco pra tentar me acalmar, e então veio o jantar e tudo mais. Mas foi por isso que Ed estava com aquele humor mais cedo. Então, depois que saímos, eu decidi pôr um fim em tudo isso e terminei com ele.

– Espera aí, você terminou?

– Terminei. Eu gosto muito do Ed, mas nós somos muito diferentes. Ele é calminho e eu quero um pouco mais de ação. Bom, foi bom enquanto durou. – ela sorriu – Quer sair amanhã?

– Ok – eu disse ainda meio sem reação – Podemos almoçar juntas.

– Certo. Obrigada por me ouvir, Pam.

– Estou aqui sempre que precisar, Tay. Você é minha irmã.

Ela me abraçou e foi pra casa.

Eu não sabia direito a minha vontade. Eu queria gritar, queria sorrir, queria chorar. Queria ligar pro Ed.

E foi o que eu fiz.

– Edward? Você estava acordado?

– Oi, Pam. Estava sim.

– Eu... – decidi não contar que eu sabia – Queria saber por que você estava tão irritado no jantar.

– Sério? – ele disse com um tom irônico.

– Sim.

– Estava cansado da viagem. Só isso.

– Hm... ok. E aí? Alguma novidade?

– Não – ele riu – E você?

Por que ele não queria me contar que a Tay tinha terminado?

– Também não.

– Que pena.

– Ok, eu já sei que a Tay terminou com você.

– Eu sei que você sabe, bobinha – ele riu – Vi ela indo praí. Estava esperando sua reação.

– Que reação você espera que eu tenha?

– Me responda você. Quando você vai terminar o namoro com aquele idiota?

– Já mandei não chamar o Red assim. Eu vou terminar em breve.

– Quanto tempo?

– Não sei, Ed. Eu preciso de certo tempo.

– Uns dias?

– Um mês.

– Um mês?!

– Ed, você sabe que é difícil terminar com alguém.

– Eu aceitei que era difícil você terminar com o David, porque vocês se conheciam há muito tempo e tinham uma história. Mas você me pedir tempo pra terminar com um babaca que você mal conhece?

– Deixe de ser tão cabeça-dura. É só um mês. E vai ser bom, porque ninguém vai desconfiar da gente. Vamos parecer dois desiludidos que resolveram dar uma segunda chance pro amor. Terceira, no meu caso.

– Você fala parecendo que estamos fazendo uma coisa errada, planejando um crime ou algo assim.

Suspirei.

– Mas eu no fundo sinto que é errado, Ed. Mesmo sendo a Tay a terminar, eu sinto que traí a confiança dela. Na verdade, eu traí. Quando... – não consegui terminar de falar.

– Eu sei. Quando a gente se beijou. Também senti isso. Mas aconteceu, Pam, e foi maravilhoso. A Tay é uma pessoa incrível, e se você conversar sinceramente com ela, acho que ela vai entender.

– Tomara que sim.

– Pam? Estou olhando daqui e parece que tem algo estranho no seu quintal.

– No meu quintal? – perguntei, confusa, enquanto me dirigia à porta da cozinha que dava aos fundos.

– É. Melhor você dar uma olhada. Parece algo como... – eu abri a porta e me deparei com aqueles olhos verdes brilhando a luz da lua – ...um deus grego ou algo assim.

– Ed! – sussurrei – Você tá maluco? O que você tá fazendo aqui? Alguém pode te ver!

– Então é melhor você deixar eu entrar, porque é mais fácil eu ser descoberto do lado de fora.

Puxei ele pra dentro pelo pulso e corri pra apagar todas as luzes e fechar todas as janelas. Como ainda não me sentia segura, arrastei ele pro andar de cima – mas não pro meu quarto, pro de hóspedes, cuja janela dava pra frente da casa dele, não da Tay.

– Você ainda não me disse o que veio fazer aqui.

– Queria ver como ficou meu trabalho depois de pronto, mas você não deixou nem eu olhar direito, já veio me arrastando pro quarto assim...

– É sério, Ed. Já pensou a merda que iria dar se alguém visse você vindo pra cá?

– Bom, tecnicamente eu sou um homem solteiro agora.

– Não to brincando. Iria tudo por água abaixo.

– Eu sei, besta. Eu olhei bastante pra ver se ninguém tava me espionando ou algo do tipo antes de vir. Além do mais, eu sou discreto.

– E eu ainda não sei o que você veio fazer aqui.

– Te ver. Olhar pela primeira vez pro seu rosto, pra sua boca, pros seus olhos, sem ter que me odiar por amá-los. Poder dizer sem pesar que eu te amo, Pamela Hayes. E sou completamente apaixonado por você.

Aquilo me fez ficar nervosa e vermelha de uma maneira que eu não consigo descrever. Enquanto olhava nos seus olhos, senti que não existia mais nada: tempo, compromissos, pessoas, ar. Só éramos nós dois, sozinhos, no escuro.

E eu tive que me controlar pra não adicionar mais um na minha lista de “Pessoas que traí”.

– Bom, você podia ter esperado até amanhã. – cortei o clima numa tentativa de controlar meus hormônios.

– E te perder de pijama? Nem pensar. – ele deu um sorriso malicioso, e só então percebi que estava com uma camisa enorme do Red que cobria meus curtos shorts legging. Nem preciso mencionar que enrubesci na hora.

– Nem queira saber de quem é essa camisa.

– Não me conte, senão vou ser obrigado a tirar.

– Ah, mas não vai mesmo. – joguei nele uma almofada, que revidou me puxando pelo pulso e fazendo com que caíssemos na cama, eu em cima dele. Nossos rostos estavam a centímetros um do outro. Eu fechei os olhos por um instante e senti sua respiração. Deslizei pro lado dele, encostei a cabeça em seu peito e mordi meu lábio inferior, imaginando um futuro em que eu pudesse beijá-lo a hora que quisesse. Não nos beijamos em nenhum momento, apenas adormecemos abraçados, eu escutando a melodia que era o coração dele bater. A última coisa de que me lembro é ele sussurrando em meu ouvido:

– Eu te amo, doentinha.

Acordei no quarto de hóspedes, coberta e sozinha.

***

A semana seguinte passou rápido. Dividindo-me entre fazer os trabalhos da faculdade e trabalhar no café, todo o meu tempo livre era gasto com Red. Mal tinha tempo de ver Tay e Ed, e só falava com os dois por mensagem, apesar de morarmos um ao lado do outro. Eles estavam bem um com o outro e tinham até voltado a ser “amigos”, na medida do possível. Taylor sempre foi muito madura em relação a relacionamentos, principalmente o término deles. Ela não guardava rancores nem mágoas, até porque foi ela a terminar. E isso, sinceramente, me deixava um pouco melhor.

Era sábado e eu estava passeando com Red, que me pediu ajuda para escolher meu próprio presente de aniversário. Apesar de saber que ele podia me dar coisas caras, escolhi a blusinha mais barata que encontrei. Ele também comprou camisas e bermudas pra si. Já na casa dele, estava guardando as roupas novas em seu armário, quando ele me abraçou por trás e me conduziu até a cama. Nos beijamos por um bom tempo, quando ele finalmente disse:

– Você gostou mesmo do seu presente, amor?

– De novo, Red? Eu já disse que sim. Se fui eu quem escolhi, claro que gostei.

– Acho que você merece mais. Merece algo melhor.

– Deixa de ser bobo, R...- só então percebi que ele tirava algo do bolso. Uma caixinha.

De novo não.

– O que é isso? – perguntei, surpresa.

Ele abriu a caixinha revelando uma aliança prateada. Depois, levantou a mão mostrando que já estava com uma semelhante no dedo.

– Calma, não estou te pedindo em casamento ainda. É só um anel de compromisso. Eu sei que parece muito cedo, Pam, mas eu sei que é você. A mulher da minha vida. A pessoa com quem eu vou casar e ter filhos. Com quem eu vou construir uma família e ser feliz pra sempre. Eu sei que é você. Eu ia te dar no seu aniversário, mas não consegui esperar. Eu quero dizer pra todo mundo que você já é minha mulher, e daqui a uns anos nossa união será concretizada por Deus.

Eu estava sem reação.

Não. De novo não. Eu engoli seco. Sabia que não iria conseguir dizer não.

Mas eu tinha que fazer o que era certo.

***

– Pam, eu to te ligando pra gente dar um fim nisso que a gente acha que tem. Eu não aguento mais ver você com aquele idiota. Ele vai te dar uma aliança, sabia? Ele veio me contar todo alegre. Ele acha que é meu amigo. Que eu me importo com ele. Pois é, ele vai te dar aquele maldito anel no seu aniversário. E eu sei que você vai aceitar, porque você é boazinha demais pra dar um fora em qualquer babaca que apareça na sua frente com um pedido de compromisso sério. Então é isso. Eu sou completamente apaixonado por você e sei que você é por mim, mas eu não aguento mais. Se você estivesse solteira e me pedisse pra te esperar, eu esperaria um milhão de anos. Mas sabendo que você beija aquele filho da mãe, que quer te levar pra cama, todos os dias, é muito difícil pra mim. Então eu acho melhor a gente parar por aqui, até você terminar com aquele imbecil. Tô pensando em viajar, passar uns meses fora. Talvez seja bom pra nós dois, e...

– Ed, eu estou solteira.

– ...e quem sabe assim a gente veja que tudo o que aconteceu foi um grande erro e desculpa, pode repetir? Eu acho que entendi errado.

– Eu terminei com o Red. Eu estou solteira.

E mesmo que fosse uma ligação, tenho certeza que um sorriso imenso se abriu do outro lado da linha.

***

– Rach! Simon! Que saudade eu estava de vocês! – abracei os dois.

– Minha menina, eu estava doente pra te ver. – Rach me abraçou forte – Nossa, você cresceu muito. E emagreceu. Pamela, você está comendo direito? Ah, o Simon não parava de falar que estava doido pra vir.

– Mãe! – Simon a repreendeu, vermelho de vergonha. Eu ri e levei as malas pro carro.

Já no carro, enquanto eu dirigia pra minha casa, conversávamos e contávamos as novidades um pro outro. Perguntei sobre a empresa e Simon me disse que as finanças estavam ótimas e o lucro crescia cada vez mais. Rachel contou que Simon havia arranjado uma namorada, mas eles terminaram porque ela não gostava da dita cuja.

– E você? – ela me perguntou – Ainda está namorando com aquele Red?

– Não. Terminamos a pouco tempo, na verdade.

– Você ainda não me contou como se conheceram. Ele é da universidade também?

– Não. Ah, Rach, é meio complicado, e acho que você vai me dar uma bronca.

Contei toda a história pra ela.

– O quê?! Então quer dizer que você nem conhecia ele?! – para minha surpresa, quem me deu a bronca foi Simon.

– Pam, isso é muito arriscado. Você não pode confiar nessas pessoas que surgem de repente.

– Eu sei, gente, mas aconteceu. E ele queria ir rápido demais, já falava que nós iríamos casar. Ele não era uma ameaça.

– Como você sabe?! Ele podia muito bem estar esperando o momento certo. E agora que você terminou com ele, é mais arriscado ainda.

– Credo, porque vocês estão falando assim? Parece até que eu estou correndo risco de vida.

– Mas você está!

– Simon! – Rachel o repreendeu.

– Eu estou? Como assim eu estou?

– Você não contou pra ela, mãe? Você prometeu que iria contar! Ela tinha que saber!

Freei o carro bruscamente, já descontrolada.

– Saber o quê?

– Simon, eu ia contar. Mas na hora certa. Não assim, de repente. Não quero assustá-la.

– Contar o quê? Pelo amor de Deus!

Rachel suspirou.

– Pam... – ela hesitou.

– Fala de uma vez, Rachel! – eu estava muito nervosa.

Mas foi Simon quem sanou minha curiosidade.

– O assassino dos seus pais está vivo. E talvez esteja atrás de você.

Notas finais
COMO ASSIM??????????????????????? BOMBÁSTICO!!!!!!!!!!!!!!!! Prometo que o próximo não demora um ano pra sair ♥ logo logo eu posto pra matar a curiosidade de vocês beijinhos de brigadeiro