Confiar
17 XVII. Fechada
Notas iniciais
capitulo novinho pra vocês, com um pouco de fofurinha pra quem shipa Ped ♥ (só um pouco por consideração à Tay)
- Você o quê?!
- Terminei tudo com o David.
- Ainda não entendi. Acho que escutei você dizendo que terminou tudo com o David.
— Bem, você entendeu certo.
— Meu Deus, Pam. Por quê?
Afastei o celular da orelha e olhei no visor pra ver se tinha ligado pra pessoa certa.
— Como assim “por quê”? Você surtou comigo não faz nem uma hora porque eu ainda estava com ele, Ed!
— Você terminou só por minha causa?
— Sim. Quer dizer, não. Mesmo se você não existisse, eu não sou mais apaixonada por ele.
— E você não é mais apaixonada por ele por minha causa?
— Você é muito convencido, sabia?
— Eu só estou meio... chocado. Não achei que você iria me levar a sério.
— Você vai me levar a sério?
— Vou. Só me dê um tempo pra eu conversar com a Tay.
— Ah, é? Agora você sabe que precisa de um tempo pra terminar?
— Me desculpe. Não deveria ter sido tão impaciente.
— Deixe pra lá. Vou dormir, Ed.
— Sua primeira noite como solteira e você vai simplesmente deitar e dormir?
— Se você quiser, posso ir a uma balada e beijar muitos caras.
— Se você pisar fora de casa eu te sequestro. Boa noite, Pam.
— Tchau, Ed.
— Espera, Pam.
— Que foi?
— Diz que me ama.
— Só quando você estiver solteiro, Chase.
— Amigos também dizem “eu te amo”.
— Eu te amo como amigo, Ed.
— Não. Fala só “eu te amo”.
— Fala você primeiro.
— Eu te amo, Pam.
— Eu sei. Tchau, Ed.
E eu desliguei antes que ele pudesse protestar.
***
Acordei cedo e não pude conter um sorriso enorme ao olhar meu desenho na parede. Esse sorriso se desmanchou quando olhei pro mural de fotos que Tay havia me dado e vi eu e David nos abraçando no parque. Eu estava meio mal por causa dele. “Eu amo o David. Ele é uma das melhores pessoas que eu já conheci. Mas aquela magia do começo do namoro não existe mais”, pensei comigo mesma.
Peguei meu celular e vi que a Taylor tinha respondido a mensagem que eu havia mandado antes de dormir.
“VOCÊ O QUÊ??????”
Ri com o espanto dela e respondi.
“vem aqui em casa daqui a 20 minutos.”
Forrei minha cama e fui tomar banho. Quando acabei e estava me vestindo, achei melhor tirar o quadro da parede. Não queria que Taylor visse. Ela poderia entender errado. Quer dizer, entender certo. Ai meu Deus, sou uma vadia. Coloquei o desenho emoldurado com cuidado no fundo do meu guarda-roupa. Desci e estava preparando meu café da manhã quando a campainha tocou.
— Ed? O que está fazendo aqui?
— Bom dia, raio de sol. Sabia que você fica linda pela manhã?
— Vá embora. Taylor está vindo pra cá.
Ele sorriu com seu sorriso de derreter qualquer garota, entrou e se jogou no sofá.
— O que temos pro café da manhã?
Eu ainda estava em pé com a porta aberta.
— Ed, você não me escutou? Taylor está vindo pra cá!
— Estou morrendo de fome. Você poderia fazer umas panquecas, “Pam-queca”.
— Edward!
— Relaxe, Pam. Taylor me mandou esperar ela aqui.
— O quê?
— Se não acredita espere ela chegar. Mas por favor, me dê algo pra comer. Quando você estava doentinha eu não te neguei comida.
Revirei os olhos e voltei pra cozinha. Como eu estava morrendo de fome e não poderia esperar meia hora pra preparar panquecas, fiz dois sanduíches de queijo e presunto. Peguei o suco de laranja de caixinha na geladeira e voltei pra sala, colocando tudo em cima da mesa.
— O que achou? – Ed perguntou.
— Do quê?
— De tudo.
Sorri debilmente.
— Acho que você é um príncipe de contos de fada. Às vezes também acho que você não existe. Eu devo estar dormindo e isso é um sonho bom que vai acabar a qualquer instante.
— Engraçado. Às vezes eu penso a mesma coisa.
— Oi? – Taylor abriu a porta de repente.
— Ah, oi Tay! – tentei não ficar nervosa – Bom dia!
Taylor veio até a mesa e deu um beijo no Ed. Depois veio até mim e me deu um soquinho no braço.
— Que merda você fez, Pamela? Edward, você acredita que a Pam terminou com o David?
— Sim. Ela acabou de me contar. Ela estava agora me dizendo o motivo.
— E é melhor me contar também. Vá explicando, Srta. Hayes. – Tay disse se sentando na cadeira ao meu lado.
— Ok. – respirei fundo – Sabe o começo do namoro? Quando tudo parece ser perfeito? Você parece estar vivendo um conto de fadas, tem toda uma magia envolvendo você e a pessoa e você sente como se tivessem nascido um pro outro.
— Sei. – ela concordou.
— Não tem mais isso. Não sou mais apaixonada por ele. Amo o David. Mas não quero mais ele como meu namorado. Não seria justo nem comigo nem com ele continuar esse relacionamento.
— E tem outra pessoa? – Tay perguntou.
Corei e evitei contato visual com o Ed a qualquer custo.
— Não, Tay! Que ideia! Isso só tem a ver comigo e com o David.
— Fico muito triste. Vocês eram um casal lindo.
— Íamos fazer um ano e seis meses semana que vem. Quer dizer, sem contar o tempo que passamos afastados.
— Tudo bem, Pam. Não pensa nisso. Olha, eu e o Ed vamos ao parque com minha priminha. A Judie, se lembra dela? O aniversário dela é hoje e meus tios pediram pra eu distraí-la enquanto eles arrumam a casa pra uma festa surpresa.
— Ah. – falei sem muita animação. – A Judie.
— Ora, Pam. Já faz tanto tempo! Não acredito que você ainda tem raiva dela.
— Por que a Pam tem raiva da sua prima? – Ed perguntou.
— Nada! – recolhi os pratos e fui até a cozinha, na esperança de que Taylor não contasse.
Mas estamos falando da Taylor. É óbvio que ela contaria.
— É uma história engraçada. Foi há uns três anos, né Pam?
— Quatro. – revirei os olhos.
— É verdade. Você tinha 14, a Judie tinha 5. – ela continuou – Então, os pais da Pam foram fazer uma viagem de cruzeiro e a Pam passou o dia de Ação de Graças com minha família. Na época ela era apaixonada por um primo meu. Então ela queria se arrumar toda pra ficar bonita pra ele. Ai ele chegou e ficou na sala com o resto da família enquanto a Pam tomava banho. Quando ela terminou e foi pro meu quarto se vestir, encontrou a Judie mexendo nas coisas dela e pirou! Ai elas começaram a discutir, e a Judie saiu correndo pra sala com a calcinha do Homem-Aranha da Pam!
Enquanto Ed tinha uma crise de riso, eu não sabia onde enfiar minha cara.
— Vocês dois são uns idiotas. – eu ainda estava extremamente vermelha.
— E aí? Depois disso? – Ed quis saber.
— A Pam ficou com ele dois anos depois.
— Ah, ficou? – ele me olhou malicioso.
— Sim! – gritei — E foi o melhor beijo da minha vida!
Não sei por que diabos eu gritei aquilo. Não foi pra fazer ciúmes. Pelo menos eu acho que não. Taylor estranhou um pouco minha reação, mas por algum motivo Edward parecia se divertir.
— Ok, desculpe. Não quero falar nesse assunto. Acabei de terminar um relacionamento, não preciso lembrar de outros.
— Certo. Desculpe. – Taylor me deu um abraço. – Mas e aí? Você vem com a gente?
— Não sei, Tay. Eu tinha em mente ficar de “luto por fim de namoro” durante uns três dias, comendo bastante sorvete, ouvindo músicas que me lembrem o David e vendo filmes de comédia romântica, me perguntando por que eu terminei o namoro.
— Vou fingir que você não disse isso e vamos pro sofá esperar você se arrumar. – Tay disse se levantando da cadeira e puxando Ed pelo pulso.
— Estou pronta. – apontei pra minha camiseta do Guns ‘n Roses dois números maior que o meu e pros meus shorts jeans.
— Ah, nem pensar. Não vou sair com você desse jeito. Trate botar algo bem feminino e meigo. Quem sabe você não encontra seu amor hoje?
— Concordo com a Tay. –
Incrível como Edward consegue ser extremamente cínico às vezes.
— Tudo bem, vou botar algo “feminino”. – revirei os olhos — Sabia que vocês dois são extremamente irritantes?
Taylor piscou pra mim e se jogou no sofá. Subi as escadas e revirei meu guarda-roupa procurando algo que se enquadrasse no conceito de “feminino” da Taylor. Por mais que contrariasse o bom senso, escolhi uma blusinha que David havia me dado. Peguei umas sandálias qualquer e decidi manter os shorts. Antes de fechar as portas do guarda-roupa, sorri ao ver meu quadro ao fundo.
Fiz um coque e amarrei com meu próprio cabelo. Passei um batomzinho e voltei pra sala. Edward e Taylor conversavam baixinho, e ela tinha uma expressão não muito feliz no rosto.
Pigarreei.
— Podemos ir?
— Nossa, agora sim – Tay mudou sua expressão rapidamente – Nem parece a mesma pessoa.
— Por que você não solta o cabelo? – Ed sugeriu. – Você fica mais bonita de cabelo solto.
— É verdade – Tay concordou – Seu cabelo preso te dá um ar meio fechado.
— Eu estou fechada no momento. E você – apontei pra Ed – Limite-se a dar palpite na beleza da sua namorada.
— Desculpa, Srta. Estou-fechada-pra-relacionamentos – ele levantou as mãos.
— Calem a boca os dois e vamos logo!
***
Pegamos a Judie na casa dos tios da Taylor e passei a maior parte do tempo tentando evitar contato visual com aquela garotinha “adorável”. Os tios da Tay haviam preparado uma cesta de piquenique e o plano era ficar lá até eles organizarem a casa toda e os convidados chegarem. Procuramos um lugar debaixo de uma árvore.
Judie amou Edward logo de cara – pudera, quem não ama? – e se divertia muito brincando de pega-pega com ele. Óbvio que um cara lindo daquele demonstrando toda sua habilidade de lidar bem com crianças estava atraindo olhares e suspiros de, hm, 100% das garotas do parque. Taylor atacava alguns sanduíches de geléia de amendoim, e eu simplesmente apoiei as costas no tronco da árvore e deixei a brisa agradável do comecinho da primavera bater no meu rosto.
Fechei os olhos por alguns momentos. Pensei em todos os momentos que eu e David passamos juntos. Pensei em quando papai morreu, e ele me trocou por Wanessa. Pensei em quando reatamos, em como eu fiquei feliz. Pensei em como me apaixonei por Edward. Como pude deixar isso acontecer? O namorado da minha melhor amiga! O que Tay vai pensar de mim?
E se fosse o contrário? Se Tay tivesse se apaixonado pelo David? Como eu me sentiria? Não. A Tay nunca se apaixonaria pelo David. Ela é uma boa amiga. “Mas nós não mandamos no nosso coração”, uma vozinha bem no fundo da minha cabeça tentava me apoiar. “Cale a boca, subconsciente”, ordenei. “Isso é história de filme, pra gente gostar da ‘mocinha’ que rouba o namorado da melhor amiga, ou da filha que rouba o namorado da mãe, ou da idiota que rouba o namorado da irmã. Isso na vida real se chama ‘traição’.”
Estava a ponto de cortar meus pulsos com a faquinha de pão que estava na cesta de piquenique quando ouvi uma voz familiar.
— Pamela?
— Archie! Nossa, que coincidência! – me levantei e dei um abraço nele, que pareceu meio hesitante ao retribuir.
— Tudo bem? Quase não te reconheço sem o gesso.
- Digamos que apesar de tudo ainda é meio estranho andar sem ele – ri.
- Como vai seu... namorado?
— Ah – ri quando percebi que ele estava com medo do David atacá-lo – Digamos que eu não tenho mais um namorado.
— Nossa. Sinto muito.
— Às vezes tem que acabar mesmo. Mas e aí, aproveitando a chegada da primavera?
— Sim. Vim trazer minhas irmãs pra brincar. E você?
Olhei pra Tay e ela me encarava emburrada, como se dissesse “Oi, estou aqui, não vai me apresentar não?”
— Ah, vim com uns amigos. Essa é a Taylor. – Tay havia limpado a geléia de amendoim da boca e sorria amigavelmente.
— Muito prazer, Taylor. Sou Archie.
— De onde vocês se conhecem? – Tay perguntou, discreta como um elefante cor-de-rosa numa floresta preto e branco.
— Nos encontramos no campus da faculdade. – eu direcionei um olhar significativo pra ela, que retribuiu com um malicioso.
— Quer dar uma volta, Pamela? – Archie me deu um sorriso extremamente – não consigo encontrar outro adjetivo – fofo.
— Claro. Vamos.
Evitei encontrar os olhos cheios de malícia da Tay enquanto saía e infelizmente encarei Edward, que me olhava meio surpreso e... indignado? Edward estava com ciúmes?
— E então, Pamela – Archie me puxou de volta ao mundo – Eu sei que vou parecer meio convencido, mas... Vocês não terminaram por minha causa, não é? Quero dizer, seu namorado pareceu muito bravo quando viu a gente conversando naquele dia.
— Oh, não, Archie. Não foi por isso. David é muito ciumento mesmo. Nós terminamos porque... não sei explicar. Sabe quando simplesmente chega uma hora que simplesmente não parece mais ser pra vocês ficarem juntos?
— Mais ou menos.
— Pois é. Foi algo assim. E ah, pode me chamar de Pam.
— Certo, Pam.
Só então percebi o livro em suas mãos.
— Você gosta de Harry Potter? – perguntei.
— Ah, sim. Na verdade, passei a ler por causa das minhas irmãs. Aí acabei gostando.
Enquanto passeávamos, fomos conversando sobre nossos gostos sobre livros, músicas, filmes e até videogames. Por incrível que pareça, nosso único gosto em comum era Harry Potter. Ele gostava de anime, filmes de ação, rock pesado e metal e jogava Guitar Hero. Ah sim, o Guitar Hero também era um gosto que compartilhávamos. Ele também contou que estudava pela manhã e à tarde trabalhava numa lanchonete perto da Universidade. E foi um ótimo ouvinte enquanto eu fazia um resumo sobre minhas férias de inverno.
— Onde estão suas irmãs?
— Um amigo meu está cuidando delas pra mim. – Archie riu — Ele perdeu uma aposta.
— Que aposta?
— Ahn... não lembro. Deve ter sido besteira. – ele ficou meio vermelho, o que me deu a impressão de que ele lembrava sim, mas não queria falar.
— Certo. Olha, os tios da Taylor estão dando uma festa surpresa pra filhinha deles, que ta aqui com a gente. Você poderia ir e levar suas irmãs.
— Não acha melhor falar com a Taylor antes?
— Não precisa. Me dá seu número que te ligo depois passando o endereço.
Anotei o número dele no meu celular e depois achamos melhor voltar pra onde Tay, Ed e Judie estavam. Edward estava sentado no chão com uma cara emburrada, enquanto Tay limpava um pouco de geléia de amendoim que caiu na blusa da Judie.
— Tay – a chamei – Você pode vir aqui um instante?
Ela se levantou e veio até nós.
— Tudo bem se Archie levar as irmãs pra festa da Judie? – falei baixinho.
— Claro que sim. Não deixe de ir, Archie.
— Chaham – Edward pigarreou.
— Ah, claro. Edward, esse é o meu amigo Archie. Archie, este é Edward, namorado da Taylor.
Edward deu um sorriso meio cínico, e eu acho que Archie ficou com um pouco de medo dele também.
— Anh, Pam – Archie se virou pra mim – Vou indo. Meu amigo deve estar pirando sem mim. Então... até mais tarde?
— Até. – sorri.
Me inclinei até ele pra lhe dar um abraço e um beijo na bochecha, e nem vi quando alguma coisa – ou alguém – o puxou pelo ombro e o derrubou no chão.
Notas finais
O QUE ATINGIU O ARCHIE?
FOI UM PÁSSARO?
UM AVIÃO????
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