Conexões Perigosas
20 Vermelho, verde ou preto?
Ruby permaneceu em choque com a carta de sua mãe durante longos minutos, mas surpresa foi o único sentimento que veio à tona. Ela queria conhecer o lugar que lhe foi deixado de herança e não se importando com as regras de Hogwarts, planejou que iria até o beco diagonal assim que todos dormissem. Fez um feitiço em seus lençóis para que parecesse ter alguém dormindo ali, para suas colegas de dormitório não desconfiarem de nada. Percebendo que os alunos de sua casa estavam no jantar, a menina pegou emprestado uma vassoura de um nova jogadora de quadribol de sua casa, tendo que utilizar magia para poder abrir o armário onde estava guardado o objeto.
Para professores não terem suspeitas de seu plano, saiu em direção ao Salão Principal para o jantar, escondeu a vassoura na sala comunal da sonserina e para casos de emergência levou pó de flu nos dois bolsos de seu vestido de tamanho médio e cor cinza. Após o jantar colocou o plano em ação indo à sala comunal, e observando pela brecha da porta notou que estava lotada de alunos que deveriam estar em suas camas, percebendo que assim não poderia pegar a vassoura para voar até o beco diagonal, sentiu-se aliviada por sua prevenção em ter o pó de Flu, então poderia fazer o transporte.
Fechou a porta da sala comunal fazendo um pequeno ruído, perceptível apenas para Draco que estava próximo da lareira observando seus amigos conversarem animadamente. Ele levantou seguindo o som e viu Ruby andar pelos corredores escuros e seguiu-a até a sala precisa que tinha uma grande lareira. Escondeu-se pelas sombras e a viu fazendo o transporte de corpo pela rede de Flu, dizendo as palavras: “Beco Diagonal”. Ele ficou ali, parado por alguns segundos até que mais pó de Flu aparecera bem a sua frente, motivando-o a seguir a garota.
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Uma feroz e indolor chama verde cobriu o corpo de Ruby e rapidamente a transportou para a loja dos gêmeos Weasley fazendo-a pensar: “Ah não, eu vim parar logo aqui. Droga!”. Fred procurava por algo enquanto Jorge o esperava do lado de fora, na rua, então o primeiro gêmeo ouviu um som vindo da lareira no escritório e o seguiu com a varinha na mão direita.
—Ruby? -Ele arregalou os ao vê-la. -O que faz aqui? Você leu minha carta?
—Err… sim, eu li. -Mentiu.
—Pedi para me encontrar qualquer dia, mas não achei que seria tão cedo. -Fred não conteu o sorriso abraçando a menina e não percebendo que ela usaria seu talento para mentir outra vez. Jorge cansado de esperar entrou no lugar e viu os dois abraçados, mas que se separaram logo em seguida.
—O que foi? Podem continuar! -Jorge fez um sorriso malicioso para os dois e disse: -Fred, não precisa se preocupar comigo, já estou indo para casa. Ah, oi Ruby! -Ele acenou ocultando a surpresa pela presença da menina ali, saindo da loja piscou para o irmão ao fechar a porta.
—Pelo visto você fugiu não, é? Já é tarde, como conseguiu? -Ele parecia surpreso e orgulhoso ao mesmo tempo, com o corpo inclinado para a frente mostrando interesse, estava realmente curioso.
—Fiz um feitiço nos meus lençóis para parecer que tinha alguém dormindo ali, e depois do jantar fui para a sala precisa e usei a rede de Flu. -Ela explicou deixando o ruivo impressionado.
—Uau! Nunca achei que soubesse fugir assim tão bem.
—Tem muita coisa sobre mim que você não sabe! -Ela respondeu com um sorriso convencido.
Os dois conversaram por muito tempo, mas Ruby lembrou que deveria seguir seu plano arquitetado anteriormente naquele dia, e disse:
—Fred, eu realmente gostei desse tempo que tivemos, estava com saudades- dessa vez ela dizia a verdade.- mas, se alguém notar que eu não estou no dormitório… nem sei o que pode acontecer, nunca fugi antes.
—É verdade, talvez tenha detenções ou perca pontos para a sua casa.
Os dois saíram do lugar e na frente da loja se despediam. Fred se aproximou fazendo Ruby desviar de um beijo que seria na boca, e com seu movimento acabou o recebendo no lado esquerdo do rosto e deixando o Weasley constrangido.
—Já sabe como voltar para Hogwarts? -Fred perguntou para disfarçar a vergonha, em vão, já que seu rosto tão vermelho quanto seu cabelo o entregava.
—Sei! -Afirmou recebendo um último abraço do garoto e o vendo sair dali em sua vassoura.
—Finalmente! -Ela sussurrou aliviada achando que logo conheceria o esconderijo que lhe restou de herança. Mas o seu olfato apurado detectou um cheiro amadeirado com um leve toque doce que lhe era muito comum. Então logo lembrou que esse mesmo cheiro ficou em suas roupas por três dias após abraçar um certo sonserino. -Pode aparecer, Draco! -Ela disse ainda parada na frente da loja dos Weasley.
—Como me descobriu? -Ele se deu por vencido saindo das sombras de uma viela e apareceu atrás da menina.
—Ótimo e reconhecível perfume! -Ela sorriu por alguns instantes e ficou séria ao fazer a pergunta: -Por acaso está me seguindo?
—Eu te vi fazendo o transporte de corpo pela rede de Flu na sala precisa, achei estranho e te segui. Acabei me transportando para aquela loja de livros na esquina. -Ele foi incrivelmente sincero e direto com as perguntas: -Veio até aqui por causa daquele Weasley? Gosta mesmo daquele morcego velho? -Os ciúmes de Draco foram perceptíveis e deixaram Ruby surpresa, já que ele estava distante e não demonstrava sentir algo por ela desde que entou no 6° ano.
—Claro que gosto do Fred, ele é meu amigo! — “Controle-se Ruby! Ele está te irritando mas não estupore-o. Que droga, eu só queria ver a minha herança” ela pensava.
—Amigo, claro. -Ele ironizou.- Enfim… -Draco fingiu esquecer o ocorrido e ofereceu ajuda: -Posso ajudá-la a voltar para Hogwarts?
“Se eu recusar ele vai acabar me seguindo pelo resto da noite, melhor eu concordar.” -Claro! -Ela aceitou. -Mas é melhor usarmos o pó de Flu e uma lareira.
Ruby conseguiu entrar numa loja qualquer do beco diagonal com a ajuda de magia. E chamando Malfoy foi em direção ao cômodo do local onde havia uma enorme lareira de transporte, que pareceu minúscula ao entrar ali com o platinado sonserino que parecia estar ainda mais alto.
Ambos se aproximaram, Ruby o tocou com a mão esquerda, e com a direita lançou o pó de Flu no chão da lareira dizendo as seguintes palavras: “Sala precisa de Hogwarts”. Uma enorme chama verde os cobriu, transportando seus corpos para o destino dito pela garota. A lareira da sala era significativamente menor, fazendo-os ficar ainda mais próximos um do outro, e não resistindo, Draco puxou a garota para mais perto beijando seus lábios, era aquilo que ele queria fazer a muito tempo, mas ela interrompeu o ato após precisamente 6 segundos e disse:
—Desculpa Draco… é melhor a gente não… — “Será que todo mundo resolveu me beijar hoje?”
—Boa noite, Iuglandis. -Falou encarando-a e susbstituiu o constrangimento por frieza, e bateu a porta saindo da sala em direção ao dormitório masculino da sonserina.
Ruby nunca imaginou que iria gostar tanto do que fez naquele dia: mentir, quebras as regras, inclusive simular reações e sentimentos para aqueles de quem gostava tanto. Ela havia realmente mudado. Vermelho, verde ou preto? Ela certamente escolheria a última opção.
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