Haviam se passado duas semanas desde a falha tentativa de Ruby conhecer seu esconderijo no beco diagonal, e não se dando por vencida resolveu que iria fugir numa excursão de Hogwarts que seria com alunos do 5° e 6° ano das casas Grifinória e Sonserina. Desde a noite na lareira da sala precisa Draco parecia ignorar completamente a existência de Ruby, apesar dela não se importar com o fato. Nada havia dado errado com o plano anterior de sair na escuridão da noite para o beco diagonal, a não ser Argo Filch, o zelador, que ultimamente tinha muitas desconfianças para com a garota.

Usando um sobretudo de cor verde pinho e mangas longas para protegê-la do frio, Ruby aguardava no jardim alunos e professores chegarem ali para começarem a excursão. Ninguém além dela estava ali, era cedo e como sempre ela era pontual. Mas com o passar dos minutos a concentração de bruxos crescia gradualmente no local, e o som insuportável das exageradas e altas conversas dos adolescentes irritavam Ruby profundamente. Ainda assim ela se controlava para não torturar aqueles seres barulhentos, tinha que parecer apenas uma garota normal. Que chato!
A Iuglandis notava os olhares de Harry, Ron e Hermione sobre ela. Estava sentada num banco sozinha e parcialmente imersa em seus pensamentos, diferente, claro, dos alunos que estavam eufóricos pelo passeio do qual nem sabiam o destino. A professora Minerva finalmente chegara recolhendo papéis assinados por pais ou guardiões para confirmar que autorizavam os alunos para saírem da escola em um método diferente de aprendizagem.
—Onde está o seu, Ruby?
—Aqui, professora! -Ela tirava o papel assinado por Anna de seu bolso.
—Muito bem, você foi a última aluna. -A professora levantou a mão chamando a atenção dos demais presentes. -Como já sabem, faremos hoje uma excursão para um lugar surpresa… o mundo trouxa. -Ela notou o repentino desânimo no rosto de muitos alunos e disse: -Tem muitas coisas que nós bruxos não sabemos sobre os trouxas, e hoje aprenderemos parte de sua história. Vamos para Londres! Aprenderemos também sobre relações entre o mundo trouxa e bruxo.
Mesmo com a insastifação de muitos, a professora organizava metodicamente os alunos para saírem do castelo e da forma mais discreta possível Ruby se distanciava de todos para pôr em ação seus planos para o possível produtivo dia. Com pó de Flu nos dois bolsos do sobretudo ela correu para a sala precisa, e na gigante lareira do cômodo secreto disse as palavras “beco diagonal” antes de despejar o pó no chão, sendo transportada rapidamente para o porão de uma loja de artefatos.
Ela sacudia suas roupas para expelir a poeira que estava sobre seu corpo, era claramente um loja antiga e que precisava de uma limpeza. Ao sair do lugar andava calmamente pelo beco diagonal procurando uma falsa loja fechada de número 0714,assim como dizia na carta escrita por Sapphirus. Depois de andar por uma grande extensão do beco diagonal, Ruby finalmente encontrou uma antiga loja desativada, o número correspondia ao que estava procurando e sorriu achando estar no lugar certo. Olhou para todos os lados possíveis para certificar-se de que não estava sendo seguida, tocou com sua varinha na maçaneta da porta, e sussurrou:
—Libertatem.
Rapidamente a porta se destrancou, e entrando no lugar a menina fechou-a em seguida para ninguém além dela entrar ali. Aquilo era parcialmente uma loja desativada, mas do seu lado inferior uma extensa e luxuosa mansão. Seu olhar conseguiu alcançar diversos quadros nas paredes, com fotos em movimento e nomes de seus ancestrais, artefatos caros, uma enorme lareira que tinha a sua frente uma negra e confortável poltrona. Ela conseguia ver também um grande e detalhado lustre brilhante no teto, que mantinha destaque pelas cores escuras da parede e do chão.
Boquiaberta Ruby caminhava pelo local. Passava agora por um corredor com diversas portas e estava curiosa para saber o que tinha atrás de cada uma delas. Abrindo a primeira porta que era feita de madeira negra africana e encontrou uma biblioteca com dezenas de prateleiras lotadas de livros bruxos em ordem alfabética, do lado contrário do cômodo havia literatura trouxa também em ordem alfabética. A menina quase pulava de alegria ao ver a quantidade de livros nas prateleiras e pergaminhos antigos guardados nas gavetas de um empoeirado armário, afinal, ela havia mudado em vários aspectos mas o seu intelecto e a sede de aprender permaneciam os mesmos.
Em seguida abriu a segunda porta do lado direito do corredor, feita de madeira ébano e sua fechadura tinha na composição ouro, prata e metal irídio. Pôde ver um incrível laboratório com armários de madeira, balcões e materiais necessários para produzir variados tipos de poções. Abrindo as portas de um armário e viu diferentes ingredientes, como: Ditamno, raízes de valeriana, losna, vagem suporífera, sanguinária, pó de chifre de bicórnio, hemeróbios e também raros materiais guardados em potes de vidro que pareciam estar ali a muito tempo.
Ruby andou incansavelmente por cada centímetro do esconderijo, cada porta que abria mantinha uma surpresa útil confidenciada. Finalmente exausta sentou na poltrona da sala de estar, deixando acesa apenas a lareira enquanto bebia calmamente cerveja amanteigada que encontrou numa adega de bebidas antigas. Percebendo que já era tarde a menina apagou a lareira, levantou-se e foi em direção à porta deixando o copo no chão ao lado da poltrona, abriu a porta e ao sair a trancou com um feitiço. Entrou novamente na loja de artefatos que fora transportada, conseguiu se esconder do proprietário do local e ir até a lareira do porão para fazer o transporte de corpo pela rede de Flu até a sala precisa de Hogwarts.
A Iuglandis tinha cumprido até então com sucesso o que havia planejado para aquele dia. Mas saindo da sala precisa foi abordada por Filch, que a agarrou forte pelo braço.
—Está louco? -A menina gritou segurando firmemente sua varinha.
—Como aluna de Hogwarts já deve saber que são completamente proibidas as saídas não autorizadas dos alunos. Não consegui flagra-lá na sua primeira fuga com Malfoy, mas hoje você não teve a mesma sorte, está muito encrencada! -Ele esbravejava praticamente a arrastando pelo corredor, queria levá-la para a sala do diretor.
Ruby olhou para os lados e notou que a não ser por eles dois o corredor estava vazio, e assim poderia fazer o que bem entendesse e ninguém perceberia, talvez os alunos ainda estivessem na excursão.
—Me larga, aborto! -Ela empurrou o zelador e rapidamente ergueu sua varinha na direção dele. A postura da garota havia mudado. -Cruciatus! -Ela lançou o feitiço sobre o homem fazendo-o cair no chão se contorcendo, a extrema dor fazia um rápido, porém demorado trajeto por todo o corpo dele. -Cruciatus! —Ruby ainda não havia notado mas no seu rosto havia um assustador sorriso.
—Pare! Por favor… pare. -Ele gritou tremendo no frio chão, a dor ainda estava em seu corpo.
Lançou o feitiço imperdoável sobre Filch diversas vezes, torturando-o, então por último sacudiu levemente a varinha na direção dele e dizendo:
—Obliviate. —Para fazê-lo esquecer de tudo, assim ela não correria nenhum perigo de ser expulsa de Hogwarts ou até mesmo mandada para Azkaban por ter usado um feitiço imperdoável, que era proibido no mundo bruxo ou trouxa. Lembraria pelo resto de sua vida que essa seria a primeira de muitas vezes que faria alguém sentir dor até implorar por misericórdia.