Conexões Perigosas
17 In posterum
Assim que os alunos saíam de Hogwarts para voltar para suas casas com o início das férias, Ruby ainda estava abalada pela morte de seu pai. Esperou os sonserinos irem embora para entrar escondida no dormitório masculino para devolver a vassoura de Draco. Chegando no lugar abriu o armário do menino e antes de colocar a vassoura dentro, se assustou com a silenciosa e pensativa presença de Malfoy que estava observando alguns alunos indo esperar o Expresso através da grande janela que tinha no cômodo.
—Dra-Draco? -Ela arregalou os olhos molhados. -Eu só peguei a sua vassoura emprestada, eu não quebrei e… -Ela guardou no armário fechando a porta e fora interrompida pelo loiro.—Tudo bem, Ruby. -Ele sentou em sua cama, Ruby percebeu que ele estava diferente e se aproximou sentando a sua frente.—O que aconteceu? Você está estranho.—Eu não sou o único. -Ele falou passando calmamente a costa da mão direita no rosto da garota limpando uma lágrima que sem perceber escorria pelo seu rosto e automaticamente a deixando sem jeito.—Bem...meu pai está morto. -Ela pausou a fala desviando o olhar para baixo. -E o que aconteceu com você?—Na verdade, foi com meu pai também, ele foi mandado para Azkaban. -Ele triste também encarava o chão. E Ruby compreendeu que não era culpa de Draco Lúcio Malfoy ser um comensal. -Sinto muito pelo seu pai. Era a primeira vez que Ruby sentia tristeza e dor, era algo novo para ela e não sabia lidar com o sentimento de perda. Então Malfoy se colocou de pé e se aproximou abraçando Ruby que também se levantou e devolveu o abraço. Ele entrelaçou os braços por sua cintura e costas enquanto ela apoiava a cabeça no peito do menino lembrando a triste cena de Adam caindo sem vida a sua frente. À medida que Malfoy e Iuglandis se consolavam não perceberam a chegada do diretor de sua casa, Severo Snape que os viu e ficou parado na porta observando-os até que eles o notassem.—P-Professor? -Draco o viu e cessou o abraço se afastando da menina.—O que a senhorita Iuglandis faz no dormitório masculino? -Ele se aproximou da garota lançando um olhar repreendedor.—Ela só veio devolver a minha vass… -Draco foi interrompido pelo professor.—Draco, Narcisa está o esperando junto a Dumbledore, vá. -Ele falou pausadamente com desdém e Ruby reparando pôde entender porque Lin sentia arrepios ao ouvir a grave voz do professor de poções. Após o garoto se despedir de Ruby e sair do dormitório deixando sozinhos professor e aluna, Snape falou fitando-a:—Tourmaline pediu para que eu a avisasse que já saiu de Hogwarts e está na casa de Anna, sua mãe, e que a aguardam lá. -O professor automaticamente saiu depois de Ruby o agradecer por comunicá-la. Ruby voltou para o seu dormitório e pegando suas bagagens saiu do castelo no meio de uma multidão de bruxos adolescentes que conversavam incrédulos sobre a notícia mais importante que havia saído no Profeta Diário que ressaltava a volta do mais poderoso bruxo das trevas, Lord Voldemort, e também inocentava Harry Potter e Alvo Dumbledore de falsas acusações feitas equivocadamente pelo Ministério. A menina caminhava em direção ao Expresso de Hogwarts e andava quase despercebida no meio de tantos alunos. Ela não sentia apenas tristeza pela perda que teve, mas também uma enorme raiva que a consumia como ácido, como névoa a envolvia, como fogo a queimava por dentro de forma mais intensa, sentia um incômodo ardor em sua garganta como se precisasse gritar e ela realmente queria fazer algo para que aquele turbilhão de sentimentos fossem embora ou ela chegaria ao ponto de explodir. A Iuglandis demorou algumas horas até chegar em casa e após abrir a porta deparou-se com sua mãe e irmã na cozinha preparando um delicioso jantar. Mesmo não favorecendo muito o contato físico, Ruby permitiu que ambas a abraçassem e depois de cumprimentá-las foi para o seu quarto pois precisava de uma pausa para fugir de tudo e de todos, e de algo que somente o sono poderia fazer por ela. Além disso, precisava se recuperar da possessão que tivera, algo que ela sabia que nunca esqueceria, e também tinha consciência que definitivamente a sua força de vontade era menor que o poder de controle do Lord, ser fraca e vulnerável a fazia sentir raiva e pensava ser inútil dessa forma. Aquele era o amanhã do pior dia da sua vida -até então-, um dia entediante, de luto, ressaca, e tão neutro quanto as cores de um filme trouxa dos anos 50 que Tourmaline adorava. A névoa do dia combinava completamente com o humor de quem presenciara a morte de Adam e Sirius, a possessão de Ruby e Harry ou a notícia da volta de Voldemort. Mas também dias de esperança e paz poderiam chegar, pois a nova profecia era: “Um não pode viver enquanto o outro vive, um matará o outro”, era algo referente a Potter e ao Lord das trevas. Sempre havia uma luz no fim do túnel, o problema era que Ruby estava tão imersa na escuridão que não a encontrava.
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