Conexões Perigosas
18 Dias futuros
Em 23 de Agosto de 1996 Tourmaline Iuglandis estava no seu novo quarto na casa de Anna Lewis, onde estava morando junto de sua irmã. Enquanto procurava algo confortável em seu guarda roupa para vestir, usando apenas uma toalha após sair do banho, ela cantava uma música trouxa que tocava num simples rádio: “You give love a bad name — Bon Jovi”. De repente, em um milésimo de segundo Lin estava num cenário completamente diferente, uma futura Hogwarts em guerra, que tinha de sobra morte e escuridão, tanto quanto resistência e força de vontade das pessoas que lutavam contra o mal. Aquela teria sido a visão mais realista que tivera, o ar fúnebre das imagens que conseguia ver a deixavam horrorizada. Viu o Salão Principal do castelo se tornar o lugar mais triste dali, com diversos corpos sem vida no chão -inclusive de pessoas conhecidas- e muitos chorando por suas perdas. A última cena que assistiu, foi de Voldemort apresentando alguém que falou ter nascido para o mal, mas tudo começou a ficar turvo, então Lin não pôde reconhecer quem estava ali com o Lord.
—Tourmaline? -Anna a sacudia, pois parecia estar em transe. -O que houve?
Ela se recuperava do que acabara de assistir, desligou a música do rádio, sentou-se em sua cama, e com as mãos pousadas em sua cabeça previu a possível dor de cabeça que teria após o forte uso de magia que acontecia naturalmente quando tinha visões ou fazia profecias.
—Eu acabei de ter uma visão… faz tanto tempo que eu não tenho, que nem lembrava dessa merda de dor de cabeça que sempre vem depois. -Ela falava massageando as têmporas.
—Merlin! E o que você viu dessa vez? -Anna sentou ao seu lado esperando por uma resposta.
—Os nossos dias futuros! -Olhou diretamente para a mulher. -E serão difíceis
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Já no 6° ano letivo, Severo Snape finalmente conseguira a sua tão almejada vaga como professor de Defesa contra as artes das trevas, tomando o seu antigo cargo o especialista em poções, Horácio Slughorn, que não disfarçava sua preferência por Potter, que estava incrivelmente imbatível na matéria. Draco Malfoy estava muito diferente e distante, até mesmo da Iuglandis, de quem gostava tanto. Os gêmeos Weasley haviam saído de Hogwarts antes de suas formaturas, e Fred periodicamente mandava cartas para Ruby, já que não a via frequentemente como quando ainda estudava, mas agora, ambos os irmãos eram empresários de sucesso no beco diagonal.
Ruby andava pelos corredores do castelo sendo atingida por diversos olhares de dúvida e pena, todos já sabiam que Voldemort havia assassinado seu pai, Adam. Ela sentia a raiva, ódio e rancor, se agravarem cada vez mais desde que fora possuída em 18 de Junho de 1996, parecia estar se tornando o Lord já que tinha tanta coisa em comum com ele, não estava nada bem mas não contava isso para ninguém, tinha vergonha de não estar assumindo o controle sobre si, não gostava de parecer fraca, e acreditava fielmente que poderia se controlar sozinha, sem a ajuda de ninguém, ela precisava fazer isso.
A menina se distanciou dos poucos amigos que tinha na escola, incluindo: Harry, Ron, Hermione e Luna. Não os queria por perto, a companhia de si mesma era o suficiente, e não pretendia ter mais uma de suas crises de raiva na presença deles, estava tão descontrolada desde aquele dia. Além disso, estava diferente, desde que o Lord invadiu a sua mente algo mudou, era como se ele tivesse deixado parte de sua personalidade nela, mas ela não podia negar que estava se enganando, estava sentindo o que sempre sentiu, mas dessa vez os sentimentos ruins estavam multiplicados.
No jantar Ruby estava sentada a frente de Draco que a encarava sem parar enquanto comia, mas ele não era o único, seus amigos grifinórios faziam o mesmo. Não gostando de ter babás, abandonou o prato de comida e saiu do salão correndo para um corredor vazio e escuro. Chegando ali, não conseguiu conter a raiva que vinha às vezes até sem motivo e que a possuía como sempre, e desabafando socou a parede diversas vezes, até que percebeu um líquido quente escorrer por suas mãos, a adrenalina era tão grande que quase nem sentia dor. Parou aquilo para tentar manter a calma e percebeu que sua varinha havia sumido, e mesmo com as mãos ensanguentadas saiu a fim de procurá-la.
A garota entrou novamente no Salão Principal e encontrou a varinha no chão, próximo de onde estava sentada, abaixou-se para pegá-la e após isso percebeu que alunos e professores encaravam suas mãos machucadas, ela não pretendia ficar ali sendo o centro das atenções, então saiu para respirar um pouco, e foi para o seu lugar preferido do castelo.
Alguns minutos se passaram, assim como a crise de raiva de Ruby, que de um banco no centro do jardim observava a linda lua cheia. Distraída com a beleza do astro celeste não percebeu a chegada de sua amiga grifinória, Hermione Granger.
—Ruby? Podemos conversar? -Hermione falou sentando ao lado da menina percebendo ela revirar os olhos.
—Claro. -Falou seca não tirando os olhos do limpo céu de verão. -Se quiserem participar da conversa também, é só sair dos seus esconderijos. -Ruby se referia a Ron e Harry que estavam escondidos atrás de uma árvore. Assim que saíram, Ron disse:
—Desculpe… err, só estávamos curiosos.
—É verdade, o que aconteceu com você? -Harry falou pegando calmamente uma das mãos de Ruby que logo a puxou brutamente.
—Nada!
—Você está diferente desde… você sabe, desde aquele dia no Ministério. -Ron disse, e Ruby pôde perceber alguém de cabelo platinado espiando, claramente seria Malfoy, afinal, ele ainda se importava com a Iuglandis mesmo que por algum motivo estava se distanciando.
—Eu estou ótima, vocês sempre souberam que eu sou um pouco… irritada, mas é só isso. -A sonserina falou olhando para as mãos machucadas.
—Tem certeza? -Mione estava preocupada.
Ruby revirou os olhos mais uma vez e respondeu:
—Eu estou ótima! Agora preciso dormir, até amanhã! -Ela saiu dali em direção ao dormitório feminino de sua casa.
Tudo parecia estar bem, a menina achou que finalmente iria dormir confortavelmente naquela noite, mas já em sua cama Voldemort tentava enlouquecê-la outra vez. Sonhou com todas as suas más lembranças, entre elas: a morte de Harlow e Sapphirus, separação que houve entre ela e sua irmã, a solidão que sofreu durante toda a sua vida, ter nascido para ser protagonista de uma profecia, os sentimentos ruins que a cercavam sempre, a morte de Adam, e a forte influência que o Lord das trevas exercia sobre ela.
Ruby se via sozinha dentro de uma pequena canoa que poderia naufragar a qualquer momento numa forte tempestade, o escuro céu lembrava as trevas que a algum tempo habitavam em sua mente, as águas movimentadas eram os seus indefinidos e confusos sentimentos, a quantidade de terra que via a uma certa distância seriam os seus amigos, Tourmaline, Anna e Marvin, e eles realmente estavam tão longe e não pareciam se aproximar nem com os desesperados gritos por ajuda vindos de Ruby. Ela definitivamente estava sozinha, até que em um momento de fraqueza, não pôde controlar os movimentos da maré e naufragando permaneceu nas profundezas dos mares, que representavam… você-sabe-quem.
Ela foi fraca, prometeu que nunca iria para o lado de Voldemort,
as mentiu. Isso não pode ser verdade, certo? Ela é a Ruby, a pessoa com a maior autonomia que já vimos.
Mas isso foi tão real. Será que foi mesmo apenas um sonho?
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