Conexões Improváveis

5 Capítulo 4 – surpresa desagradável


Notas iniciais
Aê galera! Áí está o próximo capítulo!! Comentem bastante pq a minha friend Ju, que escreve, está meio desanimada pra continuar ok?!! Eu to tentando convencer ela, mas tá dificil então me ajudem ok? Quanto à minha, não se preocupem, eu pretendo postar um cap novo logo logo, eu tive umas complicaçoes pra escrever ultimamente... Eu explico depois!! boa leitura

Uma luz intensa penetra minhas retinas promovendo uma dor agoniante, eu levanto os braços em posição de defesa e viro a cabeça para o lado contrário da luz. Pisco intensamente até que minha visão retorna aos poucos.

– Não acredito! Ela realmente acordou! – uma voz feminina se manifesta vinda de algum lugar a meu redor.

Tento me levantar, mas meu corpo parece adormecido, então me debato com a intenção de cair de onde quer que eu esteja.

– Segurem-na antes que ela se machuque! – uma voz masculina ordena e em instantes sinto diversas mãos sobre mim tentando me conter.

Debato-me ainda mais ferozmente até que sinto a superfície na qual eu estou deitada girar 180 graus me fazendo cair pesadamente sobre um chão gélido e metálico. Levanto-me sem jeito e cambaleio mal conseguindo distribuir meu peso sobre minhas pernas. Dou alguns passos até a parede mais próxima e me apoio nela enquanto analiso a cena que se estende a minha frente.

– Fique calma Rachel! Somos médicos e estamos aqui para te ajudar! – um homem grisalho se pronuncia tentando emitir calma e confiança, mas eu jamais confio.

Um choque de memórias aflige minha mente confusa.

– Onde estão meus pais? – pergunto desesperada – Onde eu estou?

– Fique calma! Está tudo bem! – a mulher, de cerca de 30 anos diz e começa a caminhar em minha direção.

Eu me contraio contra a parede e tento reorganizar meus pensamentos, então me lembro, estou em ARGOS e a partir de agora não sou mais Aya Lane, sou esta tal de Rachel. Foco assume minha mente e eu decido continuar a parecer confusa, deslocada no tempo.

– O que está acontecendo? – questiono fingindo confusão enquanto a mulher se aproxima cada vez mais de mim.

– Eu sou a Doutora Haynes! Venha comigo, nós vamos cuidar de você! – ela diz calma enquanto estende a mão para que eu a pegue.

Eu o faço e começo a segui-la. O homem grisalho me estende um robe branco e eu o visto.

– Estamos na Ala de Coma, você esteve em coma durante 17 anos! – Haynes diz delicadamente enquanto saímos da sala e vamos em direção ao elevador, este se encontra parado e de portas abertas esperando por nós.

Eu permaneço em silencio, atrelada a meu papel de garota confusa. Adentramos o elevador e ela continua a falar.

– Vamos lhe resignar um médico e este ira lhe explicar tudo o que precisa saber! – ela pausa brevemente e as portas do elevador se fecham – Em breve seu cérebro ira se adaptar aos estímulos áudio visuais aos quais estamos expondo você desde que entrou em coma, para que quando acordasse não agisse como uma garotinha de 7 anos!

– Quantos anos eu tenho Doutora Haynes? – tento aparentar confusão.

– Você tem 24 anos Rachel! – ela diz e sorri. O elevador para e as portas se abrem, para minha surpresa Ryan esta parado a nossa frente.

– Este é o Doutor Rarper, ele vai cuidar de você daqui pra frente! Tudo bem? – ela diz e me olha com semblante de preocupação.

Eu simplesmente balanço a cabeça e dou um passo em direção a Ryan, o elevador se fecha atrás de mim.

– Vamos Rachel, há um quarto separado especialmente pra você! – Ryan fala cordial, ele é um bom ator.

– Certo... – murmuro seguindo com o teatro.

Ele coloca a mão direita sobre minhas costas e me guia pelos corredores da Ala Médica até chegarmos a um setor repleto de portas, dentre elas há somente uma aberta e nós vamos em direção a esta. Ao adentrarmos o quarto percebo que ele não é diferente do restante do ambiente, é branco e possui um cheiro estéril de hospital. Há uma pequena poltrona ao lado da porta e a minha frente há uma janela que encontra-se selada por persianas brancas, a minha esquerda há outra porta, provavelmente deve levar ao banheiro, a minha direita há uma cama acoplada a parede, esta aparenta ser confortável.

– Pode se deitar se quiser! – Ryan diz cordial e eu o faço. A cama é realmente confortável.

Ryan se aproxima de mim e coloca em meu pulso uma espécie de pulseira, em seguida ele liga um monitor que se encontra na parede a qual a cama está acoplada, no monitor são mostrados meus sinais vitais, dentre outros dados que não consigo entender.

– Você vai ficar em observação nos próximos dois dias, eu não vou sempre estar aqui pra te observar, por isso o quarto possui uma câmera! – ele diz e aponta para a porta de entrada do quarto, um pouco mais acima há a câmera da qual ele falou. Isso é uma espécie de aviso velado, não terei minhas reais dúvidas respondidas nos próximos dois dias.

– E depois da observação, o que acontece? – pergunto, a primeira questão sincera que levanto desde que acordei.

– Depois dos dois dias você vai para a casa que seus pais deixaram pra você! – ele responde.

– O que aconteceu com eles? – pergunto voltando ao papel.

Ryan faz uma pausa, como se realmente estivesse prestes a explicar a alguém que seus pais morreram.

– Eles faleceram três anos atrás... Houve uma falha no sistema da atmosfera de ARGOS e algumas pessoas acabaram intoxicadas... – ele fala com pesar e eu vejo no fundo de seus olhos que ele perdeu alguém nesse incidente.

Tento parecer triste e em luto, então não falo mais nada, apenas estampo a melhor cara de tristeza que pude encontrar e me afundo mais na cama.

– Vou buscar algo pra você comer! – Ryan se manifesta após alguns minutos de silencio os quais ele passou mexendo no monitor.

Então ele sai do quarto e fecha a porta atrás de si, e eu me encontro sozinha pela primeira vez desde que cheguei a ARGOS. Devo admitir que aprecio a solidão, passei a aprecia-la, afinal, convivo com ela desde que completei 14 anos e decidi me oferecer ao exército.

A partir de então eu e Jason nos separamos, ele se voluntariou como agente de saúde, assim como nossos pais. Eu tentei dissuadi-lo, mas teimoso como ele era não me deu ouvidos. Passamos os próximos anos nos comunicando apenas por telefonemas e e-mails, Nos encontrávamos de duas em duas semanas, era muito trabalhoso e perigoso nos vermos todo dia já que a interação entre departamentos não era permitida. Os encontros escondidos perduraram por mais 3 anos, e então, por se destacar em seu departamento, Jason foi recrutado para uma das zonas seguras, que nada mais são do que mini cidades completamente isoladas do restante do mundo onde eles clamam trabalharem na resolução dos problemas da humanidade. Como eu era da área militar não fui recrutada, pois isso só se fazia acima de 20 anos de idade.

Eu tentei acompanha-lo, mas, digamos que não deu muito certo. Depois disso nosso contato se resumiu ao meio virtual, e a frequência caiu de todo dia para no máximo uma vez por semana. Isso aconteceu por minha causa, Jason ainda tinha fé em mim e tentava me contatar sempre, mas eu me mantive reclusa por muito tempo e me arrependo amargamente disto. Dois anos depois de sua ida para a zona segura, ele foi levado para ARGOS, Jason foi o último a ser levado. Nós praticamente perdemos contato. Mas de tempos em tempos ele me enviava algum dinheiro, e muito raramente conseguíamos conversar por uma linha clandestina que Jason criou, afinal, o contato com a terra era estritamente proibido. Ele não precisava mais de mim pra cuidar dele, sabia se virar, ou pelo menos foi o que eu pensei.

– Não é a melhor comida em ARGOS, mas por enquanto vai servir! – Jason surge através da porta segurando uma bandeja e me tirando de meus devaneios.

– Obrigada! – digo em real agradecimento, estou faminta.

Ele deposita a bandeja em meu colo e eu a ataco imediatamente enquanto ele se senta na poltrona a meu lado. Começo bebendo um pouco do copo de suco de uva e então como as três torradas com uma geleia sem gosto, por fim, como o pequenino pedaço de bolo de cenoura e termino de beber o suco.

– Não é tão ruim! – digo após limpar meus lábios no guardanapo que se encontrava na bandeja.

– Gentileza sua, a comida daqui é horrível, tanto para funcionários quanto para pacientes! – ele diz risonho, eu sorrio levemente – Você precisa descansar!

– Eu estive dormindo nos últimos 17 anos Doutor Rarper! – digo incrédula com seu conselho.

– Confie em mim, seu corpo precisa descansar verdadeiramente! – ele diz e se levanta – Se precisar de mim basta pressionar isso, a qualquer hora! – ele finaliza e me entrega um pequeno cilindro prateado.

– Certo! – digo e me acomodo ainda mais na cama enquanto ele se despede e deixa o quarto.

Ryan está certo, eu preciso descansar, preciso de um sono sem lembranças amedrontadoras, um sono pacifico para recarregar as energias e então começar a planejar meus próximos movimentos.

Concedo-me uma folga e fecho os olhos ávida por um descanso, não preciso esperar muito, em poucos segundos o sono vem até mim e eu começo a usufrui-lo.

∞ ∞ ∞

Remexo-me na cama tentando achar uma posição mais confortável para então voltar a meu sono tranquilo. Passei as últimas 15 horas tentando montar um plano plausível, mas não há nada que eu possa idealizar sem saber mais detalhes sobre minhas restrições como Rachel Hale. Sendo assim restam-me apenas três opções, “desfrutar” o luto pela morte de meu irmão, remoer os detalhes sombrios de meu mais recente flashback ou dormir. Obviamente prefiro a última possibilidade.

Apesar de ansiar pela minha volta ao mundo do inconsciente, a sensação de estar deitada sobre algo tão macio é estranha, como se eu não pertencesse a essa realidade. Sinto uma estranha nostalgia em relação a minha antiga cama, a qual era absurdamente dura comparada a essa, isso sem mencionar a profunda cratera que ela possuía. O resultado do desconforto que sinto são breves momentos de inconsciência seguidos por intermináveis momentos de entediante consciência.

Abro os olhos desistindo da ideia de dormir e então percebo que não estou sozinha. Meus músculos se retesam e os pelos de meu corpo se eriçam em reação a surpresa. Há um jovem homem a minha esquerda, provavelmente da mesma idade de Ryan, ele, que a poucos segundos encontrava-se deitado desleixadamente sobre a poltrona do quarto da um salto se assustando com o meu recente despertar.

Eu me sento desconfortavelmente na cama e fito-o confusa. Certamente ele não é da Ala Médica, afinal não está trajando roupas brancas e sim uma jeans de lavagem escura e uma camisa preta sobre a qual se encontra uma jaqueta de couro da mesma cor. Seus olhos castanhos mel me encaram como se ele esperasse por algo, por uma reação diferenciada da minha parte.

– Pode voltar a dormir se quiser... – ele murmura se ajeitando na poltrona.

– Ah... – murmuro e me recosto sobre a cabeceira da cama – Você vai ficar me encarando se eu fizer isso não vai?

– Certamente! – ele diz sem hesitar e contrai os lábios em uma espécie bizarra, porém charmosa de sorriso.

– Acho que vou ficar acordada então... – digo e cruzo os braços sob meu tórax inconformada com o fato de não ter notado sua presença antes.

Mais alguns instantes de observação mutua se transcorrem até que ele quebra a via de mão dupla ao se levantar. Ele passa a mão sob o cabelo castanho escuro que se recupera de uma provável raspagem.

Depois de encarar o chão com muita determinação ele volta seu olhar para mim.

– Não... Vai... Dizer nada? – ele pergunta como se isso fosse lógico.

– Considerando o fato de que você adentrou sorrateiramente o meu quarto, você é quem deve dizer algo! Mais especificamente quem é você e o que faz aqui! – digo inconformada.

– Uh... Ah... – ele parece não saber por onde começar enquanto me encara com olhos arregalados. Deixo um sorriso escapar em reação a seu comportamento – Não me olhe assim! Você... É...

– Suas palavras supostamente deveriam fazer sentido? – questiono-o interrompendo sua sentença desajeitada.

Ele respira fundo e se senta novamente na poltrona.

– Não se lembra de mim Rach? – pergunta, agora sua voz assume um tom mais sério.

– Eu deveria? – pergunto completamente pasma com a atual situação. Aparentemente Walker estava errado, alguém conhece Rachel Hale.