Notas iniciais
Disclaimer: Infelizmente TWILIGHT não me pertence, mas essa fanfic sim. Por favor, respeitem! .

Capítulo dezoito – Paternidade

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“O que o pai calou aparece na boca do filho,
e muitas vezes descobri que o filho era o segredo revelado do pai.”
Friedrich Nietzsche-

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As palavras finais de Edward ecoavam na cabeça de Isabella por aqueles tensos 10 segundos: eu não posso ter filhos... eu não posso ter filhos... eu não posso ter filhos. Era tão incompreensível aquela sentença que nem com toda a sua inteligência a morena conseguia compreender o significado daquilo. Seus próximos passos foram mais instintivos e inconscientes do que qualquer coisa, quando ela se colocou na frente de seu marido impossibilitando que ela a deixasse ali, sozinha, presa por aquelas miseras cinco letras.

– Como você não pode ter filhos, Edward? – exclamou alto. – Isto é ridículo, você tem filhos! Ou vai me dizer que Alec e Jane não são seus? – questionou com um visível toque de sarcasmo na voz.

Edward deu uma longa tragada em seu cigarro, antes de dar uma risada rouca.

– Isabella não seja ridícula, não se faça de burra que isto sequer combina com você. – provocou com o mesmo tom de sarcasmo que ela utilizara. O político deu mais uma tragada em seu cigarro.

Fora a vez de Isabella rir em escarnio.

– Eu que estou sendo ridícula? Quem está dizendo aqui que não pode ter filhos e está me acusando de trair aqui, é você Edward, não eu. – rebateu a morena irritada.

Edward fechou seus olhos em fendas, admirando a irritação de sua esposa, algo que ele nunca vira assim tão evidente. O poderoso homem não podia negar que aquela postura era extremamente atraente, mas por mais que seu desejo estava crescendo dentro de si ele não deixaria transparecer. Deu uma última tragada no cigarro e jogou o filtro no piso da área próximo a porta onde ele estava.

– Isabella, como parece que você esqueceu com quem se casou, vou lhe esclarecer alguns detalhes importantes. – murmurou de maneira calma, mas extremamente cínica. – Você acha que com a vida que eu levo, de uma pessoa que não consegue viver sem sexo, que fode qualquer mulher que cruze o meu caminho – o político viu um brilho de ciúmes nos olhos castanhos da esposa, mas não querendo dar o braço a torcer, mentiu descaradamente. – oh, querida, não se surpreenda que você não seja a única que sente meu pau nos últimos meses, eu continuo mantendo as minhas amantes, e elas conseguem, melhor do que você, me satisfazer. – provocou com um sorriso irônico.

Isabella trincou seus dentes e fechou seus punhos. Suas unhas machucavam a pele de sua mão.

Com a visão da morena furiosa Edward sorriu triunfante.

Touché! Ele ainda sabia colocar qualquer pessoa que o humilhasse no seu lugar de direito: a escória.

– Dito isto, você acha que eu seria idiota de não me proteger? – perguntou retoricamente. –Logo depois que voltei da guerra uma puta tentou dar o golpe da barriga – ele riu com a lembrança. – talvez eu tenha a instigado a abortar, de qualquer maneira eu sabia que não podia passar por aquilo outra vez. Eu já tinha dois filhos perfeitos, não precisava de mais, então, mesmo com a pouca idade e com muitos conselhos médicos dizendo que não deveria fazer isto me submeti a uma vasectomia. – contemplou com um sorriso vitorioso. – Logo, eu não posso ter filhos.

Os olhos de Isabella se arregalaram e depois um ar divertido brilhou nos mesmos. Era como se ela estivesse realmente achando graça daquela conversa tão séria. Edward odiava aquele olhar de divertimento dela, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, as gargalhadas da morena ecoaram pela enorme sala de estar.

– Edward você me diverte! – provocou. – Querido, deixe-me te informar uma coisa, é raro, mas uma vasectomia pode ser revertida naturalmente, ainda mais uma que foi feita há mais de 20 anos. – seu sorriso agora começava a transparecer em suas feições. – Lamento, querido, mas você será pai mais uma vez. – contemplou com um sorriso vitorioso.

Fora a vez de Edward gargalhar diante das palavras de sua esposa, contudo o riso do político não tinha nenhum humor.

– Oh, Isabella, como a sua ingenuidade é torpe. É surpreendente que sendo tão péssima atriz você mesmo assim consegue convencer tanta gente. – divertiu-se. – Você acha que eu iria fazer uma vasectomia há 20 anos e me esquecer dela? Todo ano eu passo por uma reavaliação para ver se tudo continua em ordem, eu não sou tão negligente assim, ao contrário de você; que pelo jeito ficou grávida do seu amante e veio tentar dar o golpe em mim. Uma pena que nós já somos casados e esse golpe se mostrou mais furado do que o Titanic depois de bater no iceberg.

Isabella trincou os dentes diante da frase do esposo. Aquilo não podia ser verdade. Ela estava grávida de apenas 3 meses, mas nesses malditos 3 meses ela só esteve sexualmente com um homem, o que estava na sua frente e que se recusava a acreditar que de alguma maneira ela havia engravidado dele. Não é como se ela quisesse ficar grávida em algum momento na sua vida, mas acontecera, ela tomara todos os cuidados, mas com a sua intensa vida sexual nos últimos meses seria até mesmo impossível um “acidente” não acontecer.

O que de fato veio a acontecer.

Isabella sabia que uma criança nesse momento seria algo complicado de lidar, mas era algo que depois de muito analisar viu como uma apólice de seguros, mesmo tendo certeza que nunca haveria necessidade de reclamá-la. Tanto que quando decidira esperar Edward para lhe contar a novidade, ela sabia que a notícia de uma criança não seria muito bem vinda, ainda mais com os seus futuros planos políticos, mas que em algum momento o político iria aceitar essa criança em suas vidas e iria protegê-la e fazer o possível e o impossível para dar-lhe o melhor da vida, assim como fazia até hoje com seus filhos mais velhos.

Mas diante da tormenta que desenrolara nos últimos 15 minutos, Isabella tinha sérias dúvidas que em um futuro alguma coisa iria mudar.

– Viu? – provocou o político, atraindo o olhar de sua esposa para si. – Até mesmo você concorda que foi pega na sua mentira.

Isabella sentiu seus olhos marejarem, mas ela manteve-se firme, mesmo que um nó se formasse em sua boca e as palavras que disse saíram estranguladas:

– Eu vou provar que esta criança é sua. – ela engoliu com força. – Amanhã mesmo irei pedir um exame de DNA ao meu médico, vou te provar Edward que está criança é sua!

Edward riu sem humor.

– Estarei esperando ansioso o telefonema do laboratório para colher meu DNA, mas peço que telefone para Seth, quero meu advogado em cima de cada detalhe disso, não confio em você Isabella. Afinal, você já provou capaz de seduzir qualquer um para conseguir o que quer. – disse, empurrando a sua esposa que se portava diante da porta para que pudesse passar.

Isabella viu Edward se afastando para onde o seu carro estava estacionado alarmada.

Aonde ele poderia estar indo uma hora dessas?, questionava para si mesma.

– Aonde você vai? – gritou à morena.

Tirando mais um cigarro de seu maço, Edward sorriu para ela enquanto levava a droga a sua boca com um sorriso enviesado.

– Não me espere acordada, Bella. – disse cheio de sarcasmo. – Tenho uma reunião da qual não posso me atrasar. Nós vemos amanhã no jantar beneficente. – provocou entrando em seu carro e acelerando a toda força os motores do Volvo para a saída da propriedade.

A morena bufou irritada, marchando inconformada para o andar de cima, onde recolheu alguns pertences, e organizou algumas coisas e correu pelo mesmo caminho que Edward fizera há poucos minutos. De desaforo ela se recusava a ficar naquela casa imensa e distante sozinha. Se fosse para ficar sozinha ela ficaria no seu lugar de paz, o apartamento que Edward lhe dera, pelo menos ali a solidão não parecia tão sufocante.

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Edward conduziu o seu Volvo em alta velocidade pelas ruas de Washington. Seus pensamentos voavam desesperados, deixando incomodado, e por isto o político fumava um cigarro atrás do outro, buscando na nicotina um conforto que ele não conseguia, algo que em outros tempos angustiantes a cocaína era excepcionalmente eficaz em conseguir anestesiar e reconfortar em momentos desesperadores.

Logo o político viu-se parando no estacionamento de um dos lugares que sentia melhor em toda a cidade, do qual poderia se abrir e receber conselhos sem julgamentos. O Denier Plasir continuava o mesmo de sempre. Suas paredes escuras cobertas por espelhos, a iluminação puxada para tons negros e avermelhados, os sofás de couro e os corpos quase nus deslizando-se por uma gama de clientes bem abastada.

Ao longe Edward vislumbrou seu amigo Emmett, que estava no bar rindo e conversando com um cliente, ao ver Edward aproximando-se o proprietário daquele clube pediu desculpas ao cliente e foi ao encontro do amigo.

– O que está acontecendo? – perguntou alarmado o ex-oficial da Força Aérea. Desde quando Edward e Isabella haviam se assumido, ou até mesmo antes disto, Edward não ia até ali, por isto que a sua presença no Denier era perturbadora para Emmett, sem contar que as feições de Edward aparentavam-se irritadiças e nervosas. Ele conhecia muito bem aquela expressão, e as consequências dela eram sempre as mesmas: necessidade por drogas.

– Ela está me traindo, Emmett. Aquela puta com a qual me casei está me traindo! – exclamou exasperado, recolhendo um copo de uísque que uma das atendentes levava a algum cliente. A ruiva em questão tentou protestar, mas Emmett apenas meneou a cabeça, indicando para que ela pegasse outra dose para o cliente.

– Como você pode ter tanta certeza Edward? O investigador que você colocou no enlaço dela descobriu alguma coisa? – perguntou o moreno inconformado. Ele não conseguia vislumbrar Isabella traindo Edward, ainda mais quando os dois estavam praticamente o tempo todo juntos.

– Porra, Emmett! Ela está grávida! Grávida de outro! – vociferou jogando o copo no chão, do qual estilhaçou atraindo a atenção de vários clientes.

Emmett sorriu compassivo para algumas pessoas.

– Vamos ao meu escritório, Edward. Lá vamos conversar mais a vontade. – ponderou o moreno recolhendo uma garrafa nova de uísque e seguindo o amigo para o seu escritório.

As paredes acinzentadas, os sofás e poltronas de suede cinza chumbo, os tapetes de padrões geométricos preto, cinza e branco, os móveis de laca preta, e as mesas com pés de aço e tampos de vidro; o escritório de Emmett era um contraste excepcional em comparação com o clube, tão claro pelas luzes e candelabros de cristal que pendiam, bem como fotos eróticas em preto e branco de Rosalie – um presente que a loira havia dado ao moreno alguns anos antes.

As fotos não revelavam muito, quem não conhecesse a loira nunca saberia que era ela na foto, mas Edward que conhecia Rosalie a bons anos assim que batera os olhos nas fotos sabia quem era a modelo, caso não soubesse Emmett teria lhe dito poucos minutos depois de admirar as fotos de uma beleza impar.

Entretanto, não eram as curvas deslumbrantes, a pele sedosa, a curva de seus seios ou a boca carnuda de Rosalie que chamava mais atenção naquelas fotos, era um mínimo detalhe que evidenciava sua cintura que chamava atenção, em seu quadril sobre o seu osso ilíaco uma pequena palavra composta por 4 letras na caligrafia do próprio Emmett. Mine, minha. A tatuagem era discreta e singela, mas o significado por trás daquelas palavras – ainda mais para quem sabia que o próprio Emmett tinha tatuado as mesmas palavras na caligrafia de Rosalie -, vislumbrava a paixão e dedicação que tinham um pelo outro.

O próprio Edward um homem que sempre tivera tudo, desejou ter aquilo, receber uma surpresa daquelas: imagens eróticas da mulher que o fascinava, e em sua pele uma marca sua, e somente sua. Ele queria que Isabella tivesse uma tatuagem da qual ele marcaria como sua para sempre.

Isabella.

Traição.

Gravidez.

A lembrança da conversa que tivera com a esposa há pouco mais de uma hora ainda pesava na cabeça do político. Grávida. Como ela poderia ter feito aquilo com ele? Como depois de tudo que passaram, depois de tudo o que ele havia dito a ela, ela ainda tinha a capacidade de traí-lo? O quanto ela ainda mentia para ele?

Edward nunca se sentira tão inconformado em toda a sua vida.

Emmett serviu uma generosa dose de uísque para si mesmo e seu amigo. O político sorveu metade do liquido âmbar em um gole só, para em seguida buscar em seus bolsos o maço de cigarros.

– Por que você tem tanta certeza que Isabella está te traindo, Edward? – pediu Emmett lentamente, acomodando-se em um dos sofás da sala.

O ruivo bufou irritado, mas deu uma longa tragada em seu cigarro antes de responder o amigo.

– Emmett, eu não sou idiota, ok? Acho que você lembra quando voltamos do Golfo uma prostituta qualquer tentou dar o golpe da barriga em mim. – o outro assentiu em concordância. – Com essa situação provando-se um grande infortúnio eu me submeti a uma vasectomia, portanto Emmett eu não posso ter filhos. – concluiu virando o restante do conteúdo âmbar de seu copo.

Emmett contemplou as palavras de Edward.

– Ok, faz sentido. – concordou reticente. – Mas, eu não sou médico Edward, mas já ouvi casos de que após anos uma vasectomia pode ser revertida naturalmente, talvez tenha acontecido... – contudo o político não deixou seu amigo terminar a sentença.

– Não, Emmett! – exclamou, indo até onde estava à garrafa de uísque e lhe servindo uma nova dose. – Eu não sou idiota, todo ano faço um tipo de check-up para ver se está tudo certo com a cirurgia, com a vida que eu levo não posso deixar que as minhas práticas sexuais interfiram na minha carreira, e um filho bastardo só foderia ainda mais as coisas.

– Mas você está casado Edward, não seria um filho bastardo. – contrapôs Emmett.

– Porra! Mas não é meu filho! Essa criança não tem nada meu! Ela me traiu Emmett, é esse o problema: a traição! – vociferou o político.

Emmett contemplou mais uma vez as palavras de Edward. Ele não conhecia Isabella o suficiente, mas ele tinha certeza que ela não era idiota o suficiente para trair Edward e engravidar alegando que o filho era dele. Deveria ter uma explicação para tudo isso.

– Mas o que ela disse, quando você falou que não podia ter filhos?

Edward bufou uma risada.

– Disse que iria provar que esta criança era minha. Ia amanhã mesmo solicitar um DNA, ou algo assim. – respondeu com desdém.

– Mas ela estava perseverante que esta criança é sua, Edward? – pediu incerto.

– O que isto importa Emmett? Esse filho não é meu! Não tem como ser meu! – exclamou.

Emmett sabia que o melhor a fazer era não argumentar com Edward neste estado, mas algo estava muito mal contado nisso tudo. Se a gravidez não fosse de Edward, Isabella nunca faria esse escândalo, não estaria determinada a provar a paternidade.

Isso era mais do que óbvio. Só uma pessoa obtusa, como Edward, não poderia ver que havia muita verdade no argumento de sua esposa.

Edward passou os próximos 40 minutos na sala de Emmett andando de lá para cá, sorvendo todo álcool que podia, bem como consumindo um cigarro atrás do outro. Emmett observava o amigo silenciosamente, ele conhecia Edward bem o suficiente para saber que o político precisava ficar preso com seus pensamentos destrutivos.

Foi quando Emmett depois de quase uma hora ali com Edward se preparava para deixar o seu escritório e voltar ao salão principal que Edward lhe fez uma pergunta que o surpreendeu:

– Onde está Leah?

– Hum... – Emmett ponderou a pergunta. – Com um cliente? – respondeu soando mais como uma pergunta.

– Que cliente? – perguntou Edward com um olhar maníaco.

– Um cara novo, Black... Jacob Black. – o moreno disse aleatoriamente. – Acho que é esse o nome. – deu de ombros.

Com o nome os olhos verdes de Edward se arregalaram de surpresa.

Jacob Black, não seria possível. Ou seria? Além de estar fodendo a sua esposa, esse babaca agora estava fodendo a sua amante?

– Como esse cara é? – questionou com os dentes trincados Edward. Emmett encarou o amigo de sobressalto.

– Hum... moreno, forte, ex-membro do exército. – deu de ombros mais uma vez. – Ele acabou de mudar-se de Chicago. – completou.

Edward sequer notou que ainda estava com o copo de uísque na mão, só fora sentir quando este cedeu em suas mãos ao quebrar.

– Edward! – exclamou Emmett observando o liquido âmbar e o rubro do sangue escorrendo pelos dedos de seu amigo.

– Esse filho de uma puta além de estar fodendo a minha esposa, está fodendo a minha amante? – questionou irritado soltando o copo no chão e procurando algo para secar o sangue. Ao ouvir aquelas palavras Emmett estancou.

– Como é que é? Ele é o amante de Isabella? – contudo Edward não elaborou sua resposta seguindo para um banheiro conjunto onde deixou a água lavar seu ferimento, em seguida enrolou com uma bandagem a mão e sem sequer falar qualquer coisa a Emmett o político deixou o Denier Plasir, ele não conseguia ficar mais ali.

Liam Klotz pode ter seus informantes dizendo claramente que Isabella Swan, ou melhor, Isabella Cullen deixou o corpo de funcionários do The Washington Post, mas algo estava muito estranho. Ou porque outro motivo ela armaria um escândalo de uma gravidez, ou ainda, porque o seu amante e comparsa de tantos anos estaria se envolvendo com a amante dele? Estava claro que um golpe vindo de Isabella, numa tentativa de acabar com a sua carreira estava vindo. Mas se ela achava que ele seria idiota e deixaria isto acontecer, ela estava demasiadamente enganada.

Muito enganada.

Afinal, quem ri por último ri melhor, já se dizia o ditado.

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O motor do Volvo roncava baixinho pelas ruas quase desertas da capital dos Estados Unidos, os pensamentos de Edward voavam para todos os lados com aquela informação que Emmett havia lhe dado e as suas próprias conclusões seguintes. Tudo era possível, Edward sabia que não podia confiar em ninguém, nem em sua própria sombra. Mas será que Isabella seria assim tão cínica a ponto de enganá-lo de tal maneira? A resposta era simples e clara.

Sim. Ela já provara que era uma mulher ambiciosa e traiçoeira.

O político agiu no automático ao entrar na garagem daquele modesto complexo de apartamentos que não visitava há meses. Ele sabia que apenas uma pessoa no mundo não lhe traria problemas, que sequer se envolveria com outra pessoa. Uma pessoa que lhe mostrava gratidão em todos os seus gestos e atitudes, por mais que não soubesse falar quase nenhuma palavra no seu idioma.

Ele bateu na porta e esperou exatos 30 segundos, para então ser recebido por uma belíssima mulher. Seus longos cabelos castanhos claros estavam soltos, largas ondas davam uma suavidade impressionante. Seus olhos azuis tinham um brilho cristalino, da mesma forma que a sua pele clara era lisa como porcelana. Seu corpo estava coberto por uma minúscula camisola de renda e seda rosa claro, Edward podia ver que uma calcinha extremamente pequena cobria o seu sexo.

Ali estava o seu destino: sexo. Sem cobranças, sem filiações.

Heidi encarou o homem que mesmo que não a visse há meses pessoalmente, ainda a mantinha e que ela era eternamente grata. Ela notou que ele continuava incrivelmente lindo, apesar de suas feições irritadas e o forte cheiro de álcool e cigarro que ele exalava.

Apesar de saber muito pouco em inglês, ela havia visto e ouvido sobre o seu recente casamento, do qual ele parecia completamente apaixonado pela esposa, tanto que ela já havia se convencido de que provavelmente nunca mais o veria pessoalmente. Entretanto, mesmo sabendo que a possibilidade de Edward a procurar fosse remota, Heidi continuou se arrumando e esperando por ele todas as noites.

– Edward? – sussurrou com a voz rouca e o com forte sotaque russo para o homem.

– Silêncio. – exigiu o homem, que sem mais nada avançou para a amante que o recebeu de braços abertos e sem dizer mais nada.

Depois de quase um ano apenas tendo sexo com Isabella, Edward deixou se consumir pelo sexo com Heidi. Era bom, mas não era nada comparado com o prazer que podia proporcionar e ter ao lado de sua bela esposa. E o político odiava isso. Tanto que forçou-se a deixar-se esquecer, desligar seus pensamentos das imensas e intensas orbes cor de chocolate que brilhavam de maneira assombrosa por trás de suas pálpebras.

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Isabella que passara a noite insone, ruminando as palavras cheias de maldade de Edward não esperou qualquer pedido de desculpas do marido – que como sempre, eventualmente viria – ligou para o seu advogado, como ele havia instruído. Ela estava tão segura da situação que sequer incomodou-se de falar com Seth Clearwater, quem claramente não a suportava.

As acusações de Edward eram tão torpes, tão vis que ela se sentia mais angustiada quanto todo o episódio de força-la a fazer sexo anal a mais de um ano, evento que eles haviam superado. Acusá-la de traí-lo e somente com a intensão de dar um golpe do baú fora muito pior do ser violentada, pelo menos naquela experiência ela sentiu prazer. Mesmo que odiara admitir.

Ela iria ao inferno se fosse necessário, mas ela iria provar que aquela criança era de Edward, e quando provasse isto exigiria que ele pedisse desculpas de joelhos para ela.

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Seth, que estava voltando de sua corrida matinal surpreendeu-se com a ligação de Isabella. Primeiro tentou se esquivar da história que ela contava, mas depois da morena explicar a situação minimamente detalhada ele concordou em ir com ela para a coleta de material genético do feto e depois acompanhar a coleta de Edward. Contudo, ao desligar a ligação com a jornalista o advogado tinha uma certeza absoluta: aquela criança de alguma forma era filho de Edward, e Isabella usaria tudo que podia para provar isto ou ela não se submeteria a tudo isso.

Isto Seth tinha certeza absoluta.

Ao chegar ao laboratório para a coleta do material genético, Isabella não se surpreendeu ao notar que Seth já a esperava. Apesar de não ser o maior fã de Isabella Swan, ou melhor, Isabella Cullen, Seth Clearwater admirou a bela morena que caminhava com cara fechada e passos decididos em sua direção.

Seus cabelos mais curtos estavam soltos e rigidamente penteados, sua maquiagem apesar de discreta não apresentava nenhuma falha – mal podia se dizer que a jornalista passara a noite insone. O vestido em branco e azul que ela usava evidenciava as suas curvas, e para um bom observador, ou talvez, uma simples impressão, notava-se que o abdômen da morena parecia levemente arredondado. Seus saltos ecoavam pelo piso de mármore, chamando a atenção por onde se passava, afinal, não era todo dia que a esposa de um Senador dos Estados Unidos vinha aquele laboratório e solicitava um exame de DNA com urgência.

– Bom dia Isabella. – saudou Seth, levantando-se de sua cadeira para cumprimentar a recém-chegada. Como sempre o advogado estava elegantemente vestido com um terno preto bem cortado, camisa lavanda e gravata com tons de roxo e preto.

– Que bom você já está aqui Seth, assim não gerará nenhum desconforto. – disse de maneira objetiva a morena. No mesmo instante que o médico aproximava-se para iniciar a coleta.

– Bom dia, Sra. Cullen, é um enorme prazer em recebê-la em nossas instalações. – começou o médico com simpatia e decoro.

A morena encarou os profundos olhos castanhos claros do médico, e com uma voz sem emoção disse:

– Eu prefiro que o senhor sequer converse comigo, não quero que saiam dizendo por aí que paguei o senhor, ou o convenci a me ajudar, no que estão me acusando. – disse rudemente, lançando em seguida um olhar significativo a Seth, que a partir daquela frase teve mais uma vez certeza absoluta de que a morena estava dizendo a verdade. Edward era o pai da criança que Isabella carregava em seu ventre, tanto que optou por intervir, afinal, ele poderia não ser o maior fã de Isabella, mas a família Cullen era um cliente, deste modo ele deveria beneficiar a todos, inclusive Isabella.

– Bom dia, Dr. Roberts, eu sou Seth Clearwater amigo da família Cullen e estou acompanhado a Sra. Cullen a esta consulta. – cumprimentou elogiosamente o advogado.

– Claro, claro. – sorriu amarelo o médico. – Vi que foi solicitado um exame de DNA de um feto, mas para tal procedimento recomenda-se que esteja com no mínimo nove semanas. – pontuou o médico em direção à morena.

– Ótimo! – exclamou a jornalista com um sorriso irônico. – Ainda bem que já estou indo para a décima segunda semana. – declarou, tirando de sua bolsa os resultados do ultrassom feitos no dia anterior.

Seth tentou conter a risada que avançou para os seus lábios, mas foi impossível, recebendo um olhar irritado de Isabella. O advogado somente meneou a cabeça num pedido silencioso de desculpas.

A coleta do material genético necessário foi feita de maneira rápida e eficiente, após algumas perguntas que a morena respondeu com “sins”, “nãos”, “isto é ridículo” e “óbvio que não”, o médico, Dr. Daniel Roberts fez a sua parte, instruindo que o resultado ficaria pronto em 30 dias, e que ele mesmo iria ao Gabinete do Senador Cullen por volta das 16 horas daquele dia para fazer a coleta.

Isabella seguindo a sua teoria de evitar contato com o médico saiu sem agradecer ou despedidas, fazendo com que Seth desculpasse pela morena mais uma vez. Contudo o advogado também fora breve em suas despedidas, pois ele ainda tinha a intenção de trocar uma palavrinha com Isabella.

Felizmente o belo homem a encontrou no estacionamento.

– Isabella! – chamou.

A morena virou-se na direção da voz, mas ao ver quem a chamava optou por ignorar.

– Isabella, espere! – gritou mais uma vez o advogado, correndo para alcançar à morena.

– O que é Seth? Vai me “avisar” – disse fazendo aspas no ar. – que ainda tenho tempo para me retratar e assumir a traição que o Edward afirma que eu cometi? Ou que eu simplesmente faça um aborto e diga que sofri um aborto espontâneo pelo procedimento que acabou de acontecer? Hein? Qual vai ser a sua fala para proteger seu cliente? – inquiriu irritadiça a morena.

– Nenhuma destas acusações Isabella. – respondeu lentamente o advogado. Isabella o encarou confusa. – Não vou negar que não sou o seu fã, na verdade recomendei a Edward em diversas situações que este casamento de vocês era precipitado, mas...

Mas? – incentivou a morena curiosa pelo que um dos poucos amigos de seu marido tinha a falar.

– Eu sei que você está certa. – disse dando de ombros. Isabella o encarou confusa. – Eu não sei como, já que Edward disse que ele “checa” a sua cirurgia todos os anos, mas de alguma maneira, que duvido que a própria medicina um dia possa explicar, esta criança que você está esperando é de Edward, e que é realmente uma lástima que esse momento tão único para uma família, para uma mulher, o seu primeiro filho, você esteja passando por isto. Apesar de tudo, você não merecia isto, e sinto muito que Edward esteja te julgando erroneamente.

As palavras do advogado pesaram na cabeça de Isabella, e conforme as ouvia seus olhos enchiam-se de lágrimas, pois tudo o que o advogado dizia ali com palavras fortes, e até mesmo ofensivas, Seth tinha razão. Aquele era um momento para celebrar, mas Edward havia acabado com tudo aquilo.

– Obrigada Seth. – disse com a voz embargada. – Eu sei o quanto você é leal a Edward e ouvir isto de você é muito gratificante, eu só espero, quer dizer, esperaria isso do Edward, mas eu sei que ele dificilmente dará o braço a torcer. Mesmo depois que sair o resultado deste exame, ele ainda vai continuar achando que enganei alguém, que eu estou traindo-o... ele vai continuar me traindo. – deu de ombros, e sorriu sem emoção. – Nunca vai existir confiança entre nós, porque nunca existiu isto, ou se existiu era tão frágil que uma simples brisa fora suficiente para esvair. Mas de qualquer forma, obrigada pelas suas palavras. – pontuou, antes de enfim entrar no seu carro, e se afastar daquele estacionamento o mais rápido possível.

Seth continuara no mesmo lugar remoendo as palavras ditas pela jornalista. Nunca ele a vira tão fragilizada ou vulnerável como naquele momento. Mesmo sabendo que era quase impossível confiar nas palavras daquela morena, ele acreditou em cada silaba que ela havia dito, pois, se até aquele momento ela não traíra Edward agora era quase certeza que aconteceria. Mais uma vez o seu amigo viveria um casamento de fachada, e mais uma vez ele próprio foi o responsável por seu miserável destino.

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Isabella conduziu o seu carro por horas a fio pelas ruas de Washington. As palavras que Seth havia lhe dito ainda rondavam a sua cabeça de maneiras nada agradáveis, pois Isabella sabia que o advogado a compreendia e lamentava as atitudes de seu amigo, simpatizando-se com ela. Aquele sentimento de pesar que brilhava nos olhos castanhos de Seth eram agonizantes e inquietantes para a morena, tanto que fora inconscientemente que depois de horas andando Isabella estava parada em frente ao seu antigo apartamento, onde ela ainda acreditava que Jacob vivia.

Suas ações eram mais inconscientes do que conscientes, suas pernas iam sem titubear, sem pensar. O porteiro do complexo de edifícios, apesar de não vê-la há meses, simplesmente acenou com a cabeça, enquanto ela continuava o seu caminho ao apartamento que ela viveu por tanto tempo. O elevador ruidoso, o cheiro forte de produtos de limpeza de qualidade duvidosa, o interminável corredor, os pisos limpos, porém encardidos do tempo.

Era uma sensação agridoce, quase uma experiência extracorpórea que Isabella sentia, mas ela sabia o que ela precisava. O que ela queria. E por mais que havia dito palavras grosseiras a Jacob no seu casamento, ele era o único que poderia lhe proporcionar o conforto que precisava naquele momento.

Ao chegar em frente a porta de madeira opaca e escura ela tomou uma respiração profunda. Seus olhos que até então ela não havia percebido estavam marejados, deixando a sua visão turva. Suas mãos tremiam, mas ela foi confiante ao apertar a campainha e esperando a única pessoa com quem ela se sentia segura abrir a porta. Foram os dois minutos mais longos de sua vida, mas quando enfim a porta fora aberta, Isabella respirou aliviada.

Os ombros largos, a pele morena, os cabelos negros revoltos, os profundos olhos castanhos escuros. Tudo em Jacob clamava como casa, como quente; nem mesmo a sua confusão estampada em seu rosto preocupou Isabella. Ali na sua frente estava ele, a única pessoa que ela confiava, a única pessoa que amava ela, mesmo com todos seus defeitos, ali estava a única pessoa que a compreendia.

Jake. – murmurou chorosa, antes de se render aos braços do moreno, que mesmo ainda estando ressentido pelo casamento dela, a recebeu de braços abertos. Ele a amava, ele sempre a receberia da mesma maneira.

Era impossível quantificar quanto tempo eles ficaram ali abraçados em frente à porta de entrada, mas depois de um tempo Jacob a levou até o sofá, e mesmo com uma nova rodada de lágrimas, a morena lhe contou tudo o que estava acontecendo.

Raiva, rancor, ciúmes, indignação, compaixão, carinho, esperança, amor; todos esses sentimentos passaram pela mente de Jacob enquanto ouvia Isabella. Ele ainda acreditava que ela havia cometido o maior erro da sua vida ao se casar com Edward Cullen, mas diante das atuais circunstâncias um divórcio entre os dois só acabaria com a carreira que atualmente ela não tinha mais. Ambos sabiam que quem sairia perdendo ali seria sempre ela. Porém, agora ela tinha uma salvaguarda: o filho que esperava dele, e por mais que ainda não conseguia acreditar que a criança fosse dele, o exame que haviam feito mais cedo, provaria ao contrário.

Era terrível pensar daquela maneira, afinal, seu próprio pai Aro muitas vezes havia dito em alto e bom som que todas as mulheres que engravidaram dele ao longo dos anos fazia aquilo somente como uma apólice de seguros, algo que garantiria o futuro delas. Dinheiro, um teto, um futuro, e mesmo odiando o mesmo destino a única mulher que ele sempre amara, não podia negar que Isabella acabara de se tornar uma dessas mulheres: que se agarrava na estabilidade de criar um filho poderia lhe render.

Era como se o promissor futuro da morena como jornalista política tivesse se esvaindo por suas próprias mãos.

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Seth chegou uma hora mais cedo do combinado com o médico do laboratório ao Gabinete de Edward, ele tinha a intenção de falar com o amigo antes do exame, apesar de ter certeza que nenhuma de suas palavras adiantaria alguma coisa. Edward era um homem teimoso e intolerante, se ele já fez a sua mente somente uma prova irrefutável mudaria sua opinião.

Edward recebeu seu amigo de longa data de forma calorosa, o político tinha certeza que o advogado iria lhe dizer como Isabella havia manipulado a todos no laboratório, ou então como ela recusou a fazer o exame, sequer aparecendo para fazê-lo. Contudo, nenhuma das suspeitas veio, Seth foi categórico em sua sentença:

– Esta criança é sua, Edward. – antes que o político começasse a protestar o outro levantou a mão pedindo silêncio. – Eu não sei como, pois eu sei que uma vasectomia dificilmente é revertida, ainda mais uma que tem check-up anualmente, mas aconteceu Edward. E por mais que você continue com essa cara de impossível, e que não é de maneira alguma seu, quero que considere a possibilidade de ser pai novamente, por isto vai acontecer novamente meu amigo.

Edward encarou atentamente Seth por longos minutos.

– Como ela conseguiu fazer com que você acreditasse nisso? Você nunca confiou nela, ou acreditou em qualquer coisa que ela disse, como você acredita nisso? – questionou defensivamente.

Seth suspirou, ele sabia que Edward seria resoluto, nunca acreditaria.

– Eu estive com ela esta manhã, e se fosse mentira ela nunca teria agido da maneira que agiu. Sequer deu bom dia ao médico que faria o exame, sendo categórica em afirmar que não quer nada interferindo no julgamento dele, que não quer ser acusada de manipular resultados.

– E quem diz que outra pessoa não irá manipular? – questionou o político, no mesmo instante que a porta se abria e o médico Daniel Roberts entrava por ela.

– Porque a única pessoa que irá manusear esse material sou eu, Senador. Não há nenhuma maneira de manipulá-lo a seu favor. – disse estendendo a mão para cumprimentar o político. – Dr. Daniel Roberts, geneticista e proprietário dos laboratórios Genes.

O político o encarou por alguns segundos.

– Assim espero Dr. Roberts. – pontuou.

A coleta de material genético de Edward foi rápida e sem delongas. O médico respondeu algumas perguntas sobre o teste que o político tinha, bem como a efetividade do resultado em fetos. Satisfeito com a resposta, o médico disse que aprontaria o exame para o mais breve possível.

Quando o médico deixou os dois amigos novamente sozinhos, Seth não esperou para questionar:

– Você ainda acha que ela está mentindo?

Edward limitou-se a sorrir enviesado. Ele já tinha feito a sua mente, e dificilmente conseguiriam provar ao contrário. Era óbvio que esse exame de DNA provaria a mentira dela, agora só cabia uma dúvida: o que ele faria? Acabaria de vez com esse casamento, desmascarando Isabella? Exigiria um aborto? Ou criaria essa criança bastarda como sua?

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Pelos próximos 25 dias, Edward e Isabella limitavam-se a se encontrar quando havia eventos que necessitava da presença dos dois. Se antes eles agiam como um casal recém-casado e apaixonado, agora agiam como um casal com uma casamento fatigado e mantido sob aparências. Todos notavam isto, mas ninguém ousava comentar. Afinal, ele era um político influente e qualquer comentário que ousasse desafiá-lo poderia causar um grande infortúnio.

Edward continuava pulando de cama em cama a cada noite, Heidi, Leah, e mais algumas amantes esporádicas. Isabella tinha o seu refúgio nos braços quentes e bem dispostos de Jacob, que mesmo encontrando-se diariamente com Isabella mantinha seus encontros com Leah, a quem estava encontrando uma excelente companheira e comparsa para os seus próximos passos.

O casamento de Edward e Isabella estava desmoronando diante de seus olhos, e nenhum dos dois se preocupou em tentar consertar qualquer coisa que seja. Parecia uma luta perdida, contudo, quando enfim chegou o dia da entrega do resultado do DNA a Edward, as coisas tomaram um rumo diferente, parecia que tudo estava voltando ao normal.

Ao longo das últimas semanas diante da conversa que tivera com Seth e da garantia do médico ao exame, Edward, com a cabeça mais fria e ponderada, pouco a pouco começou a aceitar o fato que ele poderia ser realmente o pai dessa criança, tanto que quando enfim ele viu a verdade escrita com letras negras no papel branco ele soube que Isabella nunca mentiu para ele, pelo menos não sobre aquilo.

Confuso e atordoado, sua primeira parada fora em seu médico, para confirmar que a sua vasectomia havia sido revertido naturalmente, não fora nenhuma surpresa em descobrir que de fato isto havia acontecido. Edward culpou o médico para não alertá-lo ou observar tal situação, ao mesmo tempo em que se culpou por não ser mais cuidadoso em suas atividades sexuais.

Fora horas mais tarde que enfim Edward foi atrás de Isabella no local que ele tinha certeza onde ela estava: em seu apartamento em downtown. Edward odiava o fato que estava errado e que teria que se humilhar para desculpar-se de suas palavras, mas se havia algo que o político havia aprendido há muitos anos, uma mulher furiosa, era uma mulher vingativa, e por mais que ela não tivesse força suficiente para enfrenta-lo, ela tinha um trunfo imensurável: um filho dele, e se houvesse qualquer negligencia da parte dele sobre essa criança, todo o seu futuro político poderia facilmente ruir.

O melhor era aceitar e desculpar-se, e esperar essa criança com os braços abertos.

Isabella que sabia que não demoraria uma ação de perdão do marido, o esperou sentada confortavelmente sentada no sofá de seu apartamento. O resultado do exame ainda estava fechado sobre a mesa de centro, ela não precisava da confirmação, ela sempre soube o resultado. Aquilo ali somente fora para provar a Edward que ela não estava mentindo para ele, pelo menos não antes de todo aquele fato se desenrolar.

Seus cabelos castanhos estavam soltos e com largas ondas, o brilho da luz iluminava os fios sedosos. O vestido com decote canoa e estampa floral deixava seus ombros em evidencia, a pele clara e cremosa era um verdadeiro convite a Edward para tocar, acariciar, beijar. As pernas, tão sedosas e claras como os ombros estavam cruzadas uma sobre a outra, mostrando suas coxas alvas, mas bem delineadas. Seus pés uma sandália nude em estilo boho com franjas dava uma elegância e descontração a toda a sua postura.

Quando os olhos castanhos de Isabella vislumbrou Edward, a morena sorriu vitoriosa. O terno marrom que ele estava vestindo era elegante, a camisa branca e a gravata cinza eram sofisticadas e impressionantes. Seus cabelos bronzes estavam disciplinadamente bagunçados e seus olhos verdes esmeraldas claros.

O casal olhou um para o outro por longos minutos.

Palavras não ditas, que mesmo se quisessem seriam impossíveis de dizer. Ressentimentos, sentimentos, um fluxo interminável e gigante de sensações, de emoções, pareciam pairar no ar. Magoa, raiva, perdão, desculpas eram ditas pelo olhar que mantinham um no outro. Era como se naquele jogo nenhum estava disposto a dar o braço a torcer. E realmente nenhum estava, porém sabiam que um deveria deixar a sua postura, seu orgulho diminuir e se redimir e todos ali sabiam quem deveria ser.

Edward caminhou lentamente até o sofá onde Isabella ainda estava rigidamente sentada, e ajoelhando-se aos pés de sua esposa, num forçado gesto de humildade o político proferiu as palavras que a jornalista pelos últimos 25 dias esperava ansiosamente ouvir:

– Me desculpe, Bella. – pediu suavemente. – Eu não deveria ter te acusado da maneira que acusei, não deveria ter desconfiado da sua fidelidade. – pontuou com um pesar comedido.

Isabella o encarou nos olhos por longos segundos.

– Você quer essa criança Edward? Ou ela será mais uma desses filhos de políticos que o pai mal sabe a data de aniversário? – perguntou com uma voz frágil.

– Eu quero esta criança, Bella. Afinal essa é o nosso fruto. É nossa criança, eu nunca serei negligente com ela. – tomou uma respiração profunda. – Ou com você. Eu prometo. – jurou acariciando a barriga pouco arredondada da esposa sobre o tecido de seda de seu vestido. Isabella fechou seus olhos saboreando o calor que emanava da mão de seu marido. Não foi surpreendente que em seguida os lábios de Edward estavam tomando os de Isabella com calma e paixão, que logo passou para desesperador, sôfrego e cheio de necessidade.

Era como se todos os obstáculos enfrentados nos últimos dias tivessem esvaído, que toda a culpa, rancor, mágoa, que todo o ressentimento tivesse ido embora para sempre. A paixão crua e feroz que sentiam um pelo outro era manifestada ali por seus lábios e línguas que duelavam uma batalha sem vencedores, que ansiavam por aquele contato, aquela pessoa. O beijo era intenso, apaixonado, urgente, tanto que não foi nenhuma surpresa quando suas roupas começaram a ser descartadas uma por uma, cada peça sendo deixada espalhada pelo piso da sala, e quando ambos estavam nus, a paixão, o desejo sexual que sempre tiveram um pelo outro manifestou-se e deixaram-se levar por ele.

Muito tempo havia se passado desde que os dois estavam juntos tão intimamente. Quase um mês. Era muita saudade, falta, necessidade um pelo outro. Seus gemidos, gritos, palavras sussurradas, seus beijos, seus movimentos sincronizados ou não, tudo era uma sinfonia, uma melodia que era só deles. Pedidos de desculpas, e promessas eram sussurradas, mas mesmo elas sendo tão intensas e cheias de verdade, elas eram efêmeras demais, vorazes demais, passageiras, elas não seriam duradouras, não quando se tratava de fidelidade. Afinal fidelidade já não existia mais naquele casamento. Edward continuaria seus encontros com suas amantes, e Isabella seus encontros com Jacob. Era consensual entre os dois esse fato, eles seriam fiéis um ao outro quando estivessem juntos, carne com carne, mas aquela máxima de que o que os olhos não veem o coração não sente, seria o que regeria a vida conjugal dos dois a partir daquele momento.

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Edward já estava acordada quando as oito e meia da manhã o seu celular começou a tocar com uma ligação. Desvinculando-se dos braços de Isabella, ele foi até o seu telefone, surpreendendo-se com quem ligava para ele. Fazia quase dois meses que ele não tinha notícias de Liam Klotz, ele supunha que encontrar algo sobre Aro Volturi era de extrema complexidade, tanto que não esperava uma ligação de Liam em tão pouco tempo.

– Klotz, você conseguiu tudo o que podia sobre Aro Volturi? – perguntou com otimismo o político.

O alemão que fumava um cigarro tossiu uma risada rouca e irônica.

– Infelizmente não, Senador. Mas o resultado de DNA da sua esposa que eu solicitei ficou pronto. – pontuou com um tom de suspense.

– E? – incentivou Edward.

Liam sorriu enviesado para a sua imagem refletida no vidro de seu carro, e depois encarou o envelope que estava em suas mãos.

– Talvez seja um excelente momento para você fazer uma visita a sua sogra na Flórida, Edward. Tenho certeza que Renée Dwyer terá uma boa explicação sobre a paternidade de sua esposa.

– Paternidade de Isabella? Mas o pai dela está morto há anos. – interviu o político.

– Assim Isabella acredita e Renée confirma, mas não é bem assim, o pai dela está muito vivo e causando muito problemas em Chicago. – divertiu-se o investigador.

Edward ponderou as palavras de Liam, tanto que não questionou, ele simplesmente afirmou:

– Aro é o pai de Isabella. Interessante.

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Notas finais
N/A: Oi gente! Tem alguém por aqui ainda? Sério, tem alguém ainda que lê isso aqui? . Bem, vou pedir milhares de desculpas pela demora, mas juro que minha vida pessoal, ou melhor, a minha vida acadêmica esta uma loucura. Eu achando que esse ano seria mais tranquilo, ledo engano. Tanto que eu nem poderia ter terminado esse capítulo, mas fiz isso por vocês. Tempo é uma coisa que me falta ultimamente. . Esse capítulo foi sem brincadeira, muito, mais muito difícil de escrever. Eu comecei ele há 4 meses e não ia pra frente. Escrevi e rescrevi algumas partes, mas não ficava satisfeita. Confesso que ainda não estou, mas é o que o meu tempo, minha inspiração e meus dedos conseguiram fazer, espero que agradem vocês. Esse capítulo era para ser gigantesco, pois no meus planos iniciais o próximo também faria parte deste, mas decidi dividi-los para a estória ficar mais digerível, espero que vocês também concordem. . E aí está o grande mistério da Renée: Aro é o pai da Bella, e agora o que Edward vai fazer com essa informação? Como Isabella vai reagir com ela? Muitas mudanças virão em breve, aguardem e verão... . A fic esta caminhando para o seu final, mas quando ela de fato terminará, eu não faço ideia. Acho difícil eu terminar antes da Copa. É gente, sou péssima com prazos, acho que vocês já notaram! UIHAIUSHIAUHSUIHAS . Sem mais delongas, obrigada por lerem, comentarem, recomendarem, serem vocês! Vocês são demais!! Se isto aqui continua vivo é por causa de vocês!! E como todo mundo já tá careca de saber: qualquer dúvida, crítica, curiosidade, qualquer coisa fiquem a vontade de me questionarem no tumblr da fic: fuckyeahsympathyforthedevil(PONTO)tumblr(PONTO)com/ - este cantinho é para vocês! Ok?! . Obrigada mais uma vez pelo imenso carinho, compreensão e paciência inestimável de vocês comigo. É vocês que me motivam! . Até mais! . Beijos, . Carol. . . . . . GOSTOU OU NÃO, DEIXE-ME SABER. REVIEWS SÃO O COMBUSTÍVEL PARA NOVOS CAPÍTULOS!