Notas iniciais
Disclaimer: Infelizmente TWILIGHT não me pertence, mas essa fanfic sim. Por favor, respeitem! .

Capítulo dezenove – Passado

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“O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.”
Mario Quintana -

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Passado é o tipo de ideia que sempre tentamos nos esquivar, esquecer. Apesar de ser a principal ligação com o presente e futuro, do qual sem ele não podemos definir quem somos. Sem ele nossos objetivos, nossas razões, nossa vida ficaria sem sentido algum, por isto a sua importância. O nosso passado é o que nos torna pessoas melhores, que tornam as pessoas fortes, batalhadoras que somos. São as feridas das batalhas enfrentadas no passado que deixa as pessoas preparadas pelos infortúnios que podem acontecer no presente e no futuro.

O passado é tão importante que muitos não conseguem se desvencilhar dele, sempre agarrando-se a migalhas, arrumando desculpas para tentar reprisar determinado fato que lhe aconteceu antes; implorando para que aquele tempo volte e permaneça para sempre. Outros muitos, entretanto, tendem a ter um gosto amargo do passado. Para estes o passado é cheio de arrependimentos, mágoas e erros cometidos, que dia após dia tentam esquecer aquilo que passou e que consideram o maior erro de suas vidas.

Renée Dwyer se encaixa neste segundo grupo de pessoas, as que se arrependem do seu passado, que não consegue se perdoar pelo erro que cometera. Ainda mais quando o erro estava tão vivo, tão presente no seu dia a dia.

Aquela noite, fora uma daquelas noites em que seu passado tão vivo veio assombrá-la, culpando-a, martirizando-a pelo seu erro. Um erro cometido há mais de 34 anos. Nem mesmo os pequenos pontos alaranjados da aurora conseguiam aquecer o seu espírito naquela manhã, que marcara a noite insone. A mentira, a omissão com que conviveu todos esses anos a sufocava, a incomodava como há muito não incomodava, ela sabia que cedo ou tarde toda a sua omissão seria revelada, e mais uma vez a montanha de arrependimentos a sufocaria. Desta vez, ela tinha quase certeza que não aguentaria o baque. Desta vez as consequências da revelação de seu passado trariam seriam esmagadoras.

Ah, o arrependimento.

Tão silencioso e malicioso, arrastando-se como uma cobra venenosa, tentando se esquivar, se disfarçar, apenas esperando o momento exato para dar o bote. Arrependimentos era o veneno corrosivo que mata pouco a pouco a alma daquele que se arrepende de seu passado, de seus erros.

Renée era cheia de arrependimentos.

Tanto que sempre que o seu passado vinha a assombrá-la, começava pela mesma cena: aquela noite chuvosa, tão comum em Forks. Charlie havia ido a Aberdeen ajudar o departamento local na caçada de um criminoso, a luz na pequena casa onde viviam estava piscando constantemente, da mesma maneira que os raios cruzavam o céu negro da pequena cidade.

Ela odiava ficar sozinha. O barulho da chuva, o uivo do vento entre as frestas minúsculas da casa eram ensurdecedores, bem como os raios e os trovões que pareciam balançar a pequena casa, ameaçando arrancá-la.

Renée estava tentando assistir a uma reprise do Saturday Night Live, quando uma batida na porta lhe assustou mais do que os raios e trovões daquela noite. Achando que fosse Charlie – que mais uma vez esquecera a chave, a mulher correu até a porta.

– Charlie? – perguntou com a voz fraca, mas esperançosa.

– Sou eu Renée, Aro. – respondeu o homem com a voz entrecortada por causa do frio que parecia congelar seus ossos na chuva gélida de janeiro.

Aro Volturi, era primo de Charlie, Renée o havia conhecido há alguns meses no casamento deles. Apesar de ser mais velho que Charlie e até mesmo Renée, Aro era um homem elegante, atraente. Seus vastos cabelos castanhos, seu rosto anguloso, o queixo quadrado chamava a atenção. Seus olhos castanhos eram grandes e transmitiam uma confiança extraordinária, bem como uma máscara de perigo, de ilícito, do ilegal. Charlie havia lhe contado que o primo estava envolvido com criminosos em Chicago, mas para Charlie isso parecia ser algo de momento, algo passageiro, mas a jovem Renée Swan conseguira ler muitíssimo bem o homem.

Em meados da década de 70, Aro já estava construindo seu império criminoso, conseguindo o respeito e a ajuda de todos os criminosos pequenos de Chicago. Aro com seus 30 e poucos anos estava a passos de tornar-se o “dono” de Chicago, seu poder criminoso na cidade estava muito bem estabelecido e enraizado. Afinal, o homem era a personificação do gangster americano, tantas vezes retratado nos filmes.

Renée, obviamente, não sabia de todo o poder criminoso de Aro, mas tinha um instinto forte a respeito dele, mas evidentemente a bela, porém extremamente inocente ruiva de 21 anos de idade sabia que seria rude pedir para que o primo de seu marido voltasse depois, quando Charlie estivesse em casa e por isso concordou em deixa-lo entrar.

Charlie era um homem bonito, Aro nem tanto. Contudo, o segundo tinha um ar galanteador e conquistador que era muito fácil se envolver diante da sua conversa, do poder que emanava, e num papo regado a vodca – única bebida alcoólica da pequena residência – Renée pouco a pouco se viu rendida pelo primo de seu marido. Flertes viam e iam com facilidade, olhares marotos, toques descuidados.

A ruiva sequer pensou ou considerou o que estava acontecendo, que implicações aquela noite poderiam inserir para o resto da sua vida. Tanto que quando Aro aproximou vagarosamente e capturou seus lábios aos delas em um beijo cheio de desejo, a jovem Renée Swan deixou-se consumir pela aura misteriosa daquele homem.

A chuva batia forte contra as janelas da pequena casa, o vento uivava pelas minúsculas frestas, somente o brilho alaranjado da lareira ilumina seus corpos nus, enquanto o casal consumia o mais vil ato de traição.

Quando Renée acordou na manhã seguinte não encontrou nenhum sinal de Aro, e por muitos dias considerou que a tal noite com o primo de seu marido foi apenas uma fantasia de sua fértil imaginação, entretanto, Aro, como excelente manipulador das situações três meses após a noite resolveu lembrar Renée do momento inapropriado que haviam passado juntos.

Fotos. Inúmeras delas, de uma Renée nua nos braços de Aro. Ela, obviamente, não se recordava delas, mas elas existiam e era um fato inquestionável do que havia acontecido entre eles.

Ela queimara todas as fotografias, mas mesmo assim ela sabia que ainda existia cópias delas, afinal se Aro estava a chantageando ele ainda teria que ter uma salvaguarda. Neste mesmo dia Renée descobriu algo que mudaria completamente a sua vida: ela estava grávida. Inicialmente tinha certeza que aquela criança era um fruto do seu casamento com Charlie, contudo pouco a pouco começou a ter dúvidas com relação à paternidade.

Em 1977, Isabella nasceu e Renée mesmo amando e idolatrando a sua pequena menina ainda tinha dúvidas, ela era ou não filha de Charlie? Charlie que desde que soubera da gravidez da esposa estimou e amou a criança.

Seus cabelos e olhos castanhos eram demasiadamente parecidos aos de Charlie, contudo os de Aro também eram muito parecidos com os de Charlie. Havia muito de Charlie e Aro em Isabella, e toda vez que Renée admirava a garota a dúvida sobre a paternidade lhe afligia.

Fora anos depois quando Isabella já tinha quase 8 anos, depois de juntar muito dinheiro Renée tentou a sorte nestes exames de DNA que estavam se tornando moda naquela época. Foi caro, extremamente caro, mas ela conseguiu realizar o exame, porém, o resultado deste foi mais que uma confirmação, foi uma prova de que seu erro estaria sempre vivo.

Isabella Marie Swan não era filha biológica de Charlie Swan, mas sim de Aro Volturi.

Não foi fácil viver com essa verdade. A cumplicidade o amor entre Charlie e Isabella era de pai e filha, mas era evidente na pequena menina muitas características de seu verdadeiro pai: sua obstinação, a maneira de manipular, seu ar maquiavélico, tudo o que muitos poderiam enumerar como características de uma menina forte, líder, na verdade era o sangue de Aro falando.

Renée odiava isso, ela se odiava por ter sido tão ingênua e, deixado Aro a seduzir. Seu maior erro a aterrorizava todos os dias através da face angelical de Isabella.

Pouco a pouco a ruiva começou a se afastar da filha e do marido, enquanto Isabella e Charlie tornavam-se muito mais próximos. O divórcio veio como uma consequência natural depois de tanto distanciamento, Isabella que já tinha uma maturidade impressionante para uma menina de 11 anos escolheu ficar com o seu pai em Forks, enquanto Renée foi-se embora para o Arizona. A mulher nunca se lastimou por deixar a filha, pois olhar para Isabella era como uma lembrança, uma memória daquela noite, um fato concreto daquele que era o seu maior erro do passado.

Erro que ainda culpava-se por tê-lo cometido.

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Renée estava tão perdida nas lembranças amargas de seu passado que sequer notou a elegante Mercedes preta que parou em frente a sua casa.

Edward conseguira resolver tudo o que tinha no Capitólio antes de se aventurar a atravessar o país e confrontar a sua sogra. O seu relacionamento com Isabella de fato estava fatigado, entretanto agora ele tinha a obrigação de salvaguardar a vida da morena, lutar pelos seus interesses, pelos menos para os próximos 6 meses do qual ela carregara o filho dele em sua barriga, e por isso ele prometeu a si mesmo buscar uma explicação para a origem de sua esposa, afinal, se o sangue que corria nas veias de Isabella era sangue de criminoso, esse sangue também iria correr em seu filho.

Ele sabia que enfrentar Renée Dwyer não seria tarefa fácil, a mulher deve ter tido muito trabalho em esconder por 33 anos a origem da filha. Ele queria saber o motivo deste segredo e obviamente conseguir uma vantagem com isso, uma vantagem que lhe colocaria frente a frente com o homem que era o pai de sua esposa e o nêmeses de sua família: Aro Volturi.

Não era nem 8 da manhã quando a batida na porta trouxe Renée de volta a realidade, ela estava tão perdida em pensamentos, remoendo seus erros, suas mágoas, seus arrependimentos que demorou bons segundos para compreender o chamado da porta.

Apertando o seu robe em torno do corpo caminhou a passos vacilantes até a entrada, vislumbrando pela primeira vez o imponente carro preto. Foi uma surpresa inestimável ver o seu genro Edward Cullen ali, em carne e osso na porta de sua casa.

– Edward? – questionou reflexivamente. – O que você está fazendo aqui? Aconteceu algo com Isabella? – perguntou cheia de preocupação a ruiva.

O político sorriu enviesado retirando seus óculos escuros que cobriam seus orbes esmeraldas.

– Isabella está excelente Renée, eu tive que vir a Flórida para resolver algumas questões senatoriais e resolvi esticar até Jacksonville para conhecer melhor a minha sogra já que no casamento tivemos tão pouco tempo para conversar, espero não estar atrapalhando-a, sei que está absurdamente cedo ainda. – enumerou eloquentemente o político.

– Oh Edward, sem problema algum! Estava acordada há algum tempo já. – sorriu compassiva.

– Sei como é. Tenho mais noites insones do que outra coisa. – sorriu torto. – Morro de inveja de Isabella, ela pode cair o mundo que dificilmente irá acordar, sono pesado e constante. – murmurou conspiratório para a sogra.

– Sim, ela sempre teve um sono pesado, desde bebê. Charlie poderia fazer o barulho que fosse que nunca a acordaria. – sorriu saudosa. – Isabella era um bebê incrível.

Edward sorriu amplamente para a mulher.

– Oh Edward! Onde estão meus modos, por favor, entre, vou preparar um café para nós.

O poderoso homem entrou na pequena casa e admirou tudo a sua volta. Havia apenas uma foto de Isabella, quando esta ainda era criança sobre o rack de entrada, no restante a decoração parecia ser composta necessariamente por itens de viagens.

– Edward, fique a vontade, eu vou... – a mulher apontou para o corredor onde o político supôs que eram os quartos. – trocar de roupa. – Edward apenas assentiu, fazendo-se confortável no sofá.

O Coronel da Força Aérea até que gostava de Renée Dwyer, a mulher era amigável e carinhosa, mas ela escondia um segredo, segredo que ele sabia e usaria isto a seu favor. Afinal, não fora sendo gentil que conquistara o respeito e o poder que tinha.

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Renée preparou um café extraordinário para o marido de sua filha, apesar de não ser tão dedicada à cozinha, um curso de gastronomia feito há alguns anos era sempre posto a prova em ocasiões assim. Pães que a mulher havia feito no dia anterior, biscoitos diversos e algumas compotas, era um verdadeiro banquete, e Edward sendo sempre tão eloquente elogiou e agradeceu profusamente cada detalhe que a ruiva havia lhe proporcionado.

Conforme comiam uma leve conversa se desenrolava. A vida, família, filhos, Washington, Flórida e Chicago. Renée era uma boa ouvinte, e ainda melhor inquisidora, sabendo manter uma conversa interessante sem se tornar cansativa, da mesma maneira que Isabella fazia. Pouco a pouco Edward vislumbrava os trejeitos de sua esposa na mulher a sua frente, e mesmo odiando-se admitir ele não podia negar que a familiaridade era reconfortante.

Até que o tópico voltou-se para a pessoa que os ligava, Isabella.

– E como anda Isabella, Edward, eu quase não falo com ela, mas vejo inúmeras vezes o rosto dela estampando capas de revista e programas na televisão. – perguntou, em seguida sorvendo um grande gole de café.

Edward ponderou as palavras da sogra, ele sabia que ela e Isabella tinham um relacionamento controverso, e bebendo de sua própria xícara de café o político percebeu que não existiria momento ideal para abordar o assunto, que nenhum momento era melhor do que o agora.

– Está excelente, Isabella é extremamente carismática. – elogiou a esposa. – Uma pena que agora ela ficará cada vez mais afastada da mídia. – deu de ombros, bicando um biscoito.

– E por quê? – surpreendeu-se Renée.

– Isabella não lhe contou Renée? – questionou com um falso tom de surpresa, que a mulher ruiva não percebeu.

– Contou o que, Edward? – insistiu a mulher com um sorriso de curiosidade em seu rosto.

– Isabella está grávida Renée, nós seremos pais de uma linda menina ou belo menino. – respondeu cheio de orgulho.

– Oh! Eu serei avó? – perguntou retoricamente. – Me sinto tão feliz por isto, nunca imaginava que Isabella um dia seria mãe, mas essa notícia é incrível! Parabéns, Edward, tenho certeza que está criança será abençoada, e você vai ser um excelente pai, assim como é com seus filhos.

– Obrigado Renée, mas tenho certeza que esta criança também terá muito de você. – a mulher fez uma cara confusa. – Bem, eu vejo muito de Isabella em você Renée, somente por esta nossa conversa, imagino que nosso filho também terá muito de você. – explicitou o político sorvendo mais um gole do seu café.

– Sim... tem... – concordou reticente Renée, mais uma vez imagens da noite em que Isabella fora concebida voltou a sua cabeça.

– O que me faz perguntar sobre o pai de Isabella. – disse Edward tirando Renée dos seus próprios pensamentos e focando sua atenção no genro. – Ela não diz muito sobre ele, apenas que era policial e que veio falecer em serviço...

– Sim, Charlie era um bom homem. – concordou Renée servindo-se de mais um pouco de café. Edward não pode deixar de notar que as mãos da mulher tremiam ligeiramente.

Touché!

– Renée? – questionou curvando-se para frente, ficando mais próxima da mulher. – O que acontece? Por que o nervosismo? Falar sobre o Charlie não é confortável? – perguntou com uma falsa preocupação.

Renée suspirou pesadamente.

– O meu ex-marido foi brutalmente assassinado, Edward. Isabella não sabe todos os detalhes, se soubesse, não sei o que aconteceria com ela, mas o que posso garantir que sua morte não teve nada haver com o serviço no departamento de xerife, sua morte tinha um aspecto muito pessoal. – recitou a mulher.

– Pessoal? Quem teria tanto motivo para assassiná-lo? – questionou. – Desculpe, a intromissão, mas pelo que Isabella me conta Charlie era um homem muito correto e querido por todos.

– Nem todos. – respondeu baixinho, mas Edward ouvira claramente as palavras. O político voltou à posição original na cadeira, encostando suas costas no encosto e cruzou suas pernas, enquanto admirava a mulher, que fitava perdida mais uma vez em pensamentos o líquido negro em sua xícara.

– Será que isto tem haver com o pai biológico de Isabella? – questionou Edward com frialdade.

Renée Dwyer assustou-se com a pergunta e na sua surpresa acabou derramando a xícara de café que correu por toda toalha branca que cobria a mesa. Instintivamente Renée agarrou um guardanapo tentando amenizar o estrago, mas Edward rapidamente colocou as suas mãos sobre as da mulher parando a sua atividade.

Renée fechou seus olhos, contendo as lágrimas que estavam na baía. Suas emoções e arrependimentos já inflamados pela noite insone, somou-se com o desespero de saber que Isabella podia saber do seu segredo, que mais alguém sabia do seu segredo.

– Acalme-se Renée, Isabella não sabe que Aro Volturi é o seu pai biológico. Eu – ele coçou a sua garganta. – descobri, pois pedi uma investigação sobre o passado dela e sobre Aro, e meu investigador acabou fazendo a conexão. – exemplificou.

Renée retirou as mãos sob as de seu genro, caindo-se sobre a cadeira com as mãos em seus olhos.

– É por isto que você está aqui. Para saber sobre Aro. – ponderou Renée muito corretamente.

– Sim. – respondeu Edward sem rodeios.

Por quê?

– Eu preciso saber Renée, eu tenho planos de me tornar presidente em alguns anos, o fato da minha esposa ser filha do chefe do crime organizado da cidade que um dia eu fui Prefeito seria um prato cheio para a oposição, eu não posso ter nada no meu caminho, nada que possa atrapalhar minha candidatura. – expôs concisamente.

– Mas ninguém sabe! Nunca ninguém soube, nem mesmo Aro! – vociferou.

– Será Renée? Você acabou de me dizer que a morte do seu ex-marido não foi um acidente de trabalho, foi pessoal. Aro há muitos anos é conhecido pela sua impetuosidade em Chicago, se Charlie era um homem da lei, correto e principalmente altruísta como você e Isabella descrevem, quem diz que ele não descobriu algo do...

Primo. – completou Renée, inconscientemente.

– Primo – concordou o político. -, e o confrontou? Como membro do exército e do Congresso Americano, consegui mexer alguns pauzinhos e ter acesso ao laudo da perícia sobre a morte de Charlie, Renée, eu vivi uma guerra, eu trabalho com homens impiedosos, sei quando algo é pessoal, a morte de Charlie vai além do pessoal, é uma pura obra de vingança. – contemplou o político.

Renée levantou-se de sua cadeira e começou a andar de um lado para o outro.

– É impossível Aro ter descoberto, ou até mesmo Charlie. Isabella sempre foi muito apegada ao pai, sempre se orgulhando dele e vice-versa. Charlie não suportaria olhar para Isabella se soubesse que ela é de Aro, eu conhecia Charlie muito bem, ele nunca perdoaria tamanha traição. – refutou.

– Renée, você é mãe, a partir do momento que você sabe que está grávida você tem uma ligação com o filho, um pai só tem quando o vê, o pega pela primeira vez no colo. Charlie deve ter sentido essa emoção, afinal, o ditado já diz que pai é aquele quem cria. – pontuou.

– Mas... eu não entendo Edward, o que isto tudo tem haver com você? Esse segredo não veio a tona, e dificilmente virá, mesmo na sua campanha a presidência, qual é a importância de parentesco de Isabella e Aro, Aro não interfere na vida de vocês, não mais...

Fora a vez de Edward levantar-se de sua cadeira, passar a mão por seus cabelos e retirar um cigarro do seu maço, tragando-o profundamente.

– Porque Renée, vocês deixaram isto acontecer! – exclamou retirando um envelope do bolso interno de seu blazer onde fotografias de Isabella e Jacob, em momentos íntimos eram retratados. – Isso é o problema, Renée! Essas fotografias vão de antes do nosso casamento a tarde de ontem Renée, você acha que se eu consegui essas fotos com facilidade a oposição não conseguiria?

– Tudo isso por causa da traição de Isabella? – perguntou atordoada.

– Não Renée, você não vê a situação mais grave, que o Sr. Black e Isabella são...

Irmãos. – completou a ruiva, desabando sobre a cadeira em que antes esteve sentada.

Ela gostava de Jake, e de tanto se afirmar que Isabella era filha de Charlie ela nunca havia considerado o outro lado da moeda. Jacob Black era filho bastardo de Aro, que apesar de nunca assumi-lo juridicamente, fez de tudo para dar uma vida agradável ao rapaz, tanto que Jacob estava sendo treinado pelo próprio Aro para assumir seus negócios quando já não fosse capaz.

– Incesto! – exclamou o político. – Você já imaginou o escândalo que isso renderia?

– O que você está acusando Edward? Que essa criança que Isabella está esperando é fruto do seu relacionamento incestuoso com Jake? – rebateu a ruiva ironicamente.

– Não Renée. Eu confesso que tive essa desconfiança no início, relutei a acreditar que a criança que ela carrega é minha, mas fizemos alguns exames e provaram que eu sou o pai biológico do mesmo. – pontuou tragando mais seu cigarro.

– Então o que isso significa? Por que você se deslocou de Washington aqui para confirmar algo que você já sabia? Para abrir feridas das quais eu convivo diariamente? Você acha que eu gosto da distância que tenho da minha filha? Nosso relacionamento sempre foi prejudicado por esse meu erro do passado, nunca me perdoei por ter deixado Aro me seduzir, por nunca ter sido sincera com Charlie. Eu convivo com essa verdade há 35 anos! Você acha que isso é agradável? Então, por favor, Senador Cullen, seja claro no que consiste essa ameaça, caso contrário é melhor o senhor ir. – vociferou sem titubear Renée.

O político sorriu vitorioso, jogando a ponteira do cigarro no quintal.

– Agora estamos falando a mesma língua Renée. Agora eu vejo de onde veio toda a sagacidade e voracidade de Isabella. – sorriu amplamente, sentando-se na cadeira que estava anteriormente e cruzando suas pernas.

– Eu sei que você sabe que Aro tem algo contra a minha família, e que o grande plano dele ao colocar Isabella no meu caminho é uma forma de me destruir. Eu quero saber o porquê, e depois quero a sua sugestão para acabar com esse temor que Aro causa em meus pais e evidentemente em você.

Renée sorriu sem humor.

– Não é tão fácil. Eu não sei toda a história Edward. A única prova que eu tenho que fora Aro que assassinou Charlie é o meu próprio instinto, nada mais. Só meu instinto não é suficiente. – ponderou derrotada.

– Mas você quer ver o domínio de Aro sobre Isabella acabar, certo? – questionou ansioso.

– Querer, infelizmente, não é poder. – respondeu derrotada.

– Não no meu caso Renée. Se eu quero, eu consigo! – revibrou convencidamente. – Você vai me ajudar?

Renée sorriu em desdenho.

– Eu não sei o que você está pretendendo Edward, mas dificilmente o seu plano dará certo. – expôs contemplativa. – Mas, bem, se é para ver Aro sofrer, porque não? Eu só quero que você me prometa: Isabella nunca saberá a verdade sobre o pai dela, você me promete Edward? – pediu com olhos marejados.

O político considerou aquelas palavras, ele odiava fazer promessas, ainda mais promessas que ele tinha quase certeza que ele não cumpriria, mas visto que tal promessa a frágil mulher a sua frente, seria igual a uma promessa eleitoral ao eleitorado: sem necessidade de cumprimento, ele a fez:

– Eu farei meu melhor para que isso nunca chegue a Isabella. Eu te prometo Renée. – mentiu sem nenhum remorso.

– O que eu tenho que fazer? – pediu a ruiva.

Edward sorriu enviesado.

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Nos dois meses seguintes sob o mando de Edward, Liam Klotz contratou uma equipe para auxiliá-lo na execução do plano que o político havia arquitetado. A frente de uma verdadeira força-tarefa na residência de Renée Dwyer, Liam plantou, escutas, câmeras, uma infinidade de aparelhagem escondida para poder capturar de todos os ângulos o confronto que Renée teria com Aro. Algo que Renée não estava em nada confortável.

Ela inclusive em todos os sessenta dias tentou tirar esse pensamento da cabeça de Edward, que diante de questões senatoriais pouca paciência tinha com a sogra, dando-lhe uma cartada final, ou ela faria ou ele contaria tudo a Isabella.

Era difícil para Renée aceitar este plano, ligar para Aro e pedir para que ele fosse ao seu santuário, sua própria fortaleza longe de seus planos maquiavélicos, era como macular algo que ela orgulhava-se, mas diante da chantagem de Edward, Aro ir até ali era a melhor solução, e claramente o menor de seus problemas. Se ela quisesse proteger Isabella da verdade e, enfim responsabilizar Aro pela morte de Charlie, toda aquela situação era a melhor que podia acontecer.

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Aro Volturi chegou à pequena residência de Renée no meio da tarde – 10 semanas depois daquela manhã em que Renée teve a companhia de Edward -, conduzindo um Audi R8 preto. Seu blazer cinza escuro e camisa azul claro contrastavam com a sua pele ligeiramente queimada do sol. Seu cavanhaque já não era castanho escuro como fora em outros tempos, fios grisalhos pipocavam ali e acolá, o mesmo podia se dizer de seus cabelos. Os olhos castanhos profundos com bolsas sob os mesmos gritavam a personalidade daquele homem: impiedoso, vingativo, perigoso, mas mesmo diante de todos os perigos que emanava de si, Aro Volturi era apenas um homem, e como um homem ele teria um ponto de ruptura, Renée esperava encontrar esse ponto.

A ruiva que estava com seus cabelos meio presos, o vestido longo estampado que esvoaçavam com a suave brisa primaveril, seus olhos azul esverdeados encaravam com meio temor e meio rancor o seu convidado.

– Sabe Renée nunca imaginei que seria convidado para vir até a sua casa, tinha quase certeza que teria que me impor... – divertiu-se Aro caminhando em direção à mulher. – como a força. – riu de deboche. – Devo dizer mais uma vez que a brisa litorânea faz muito bem a você, está tão ou mais bela do que era há mais de 30 anos. – contemplou parando diante da mulher e depois de dar-lhe um sorriso repleto de maldade aproveitou-lhe o ensejo e deu um suave beijo na bochecha da mulher.

Imediatamente Renée resetou com o gesto, Aro sequer notou e continuou a sua caminhada para dentro da casa. Renée lutava internamente, se havia uma pessoa na face da terra que ela desprezava essa pessoa era Aro Volturi. Fechando seus olhos e tomando uma respiração profunda, a ruiva seguiu o caminho que o criminoso havia feito há poucos segundos. Ela tinha uma missão e ela iria completar com sucesso.

– Você deseja beber alguma coisa Aro? – perguntou suavemente. – Água, café, chá... uísque?

O homem estudou a ruiva.

– Uísque cairia bem. – sorriu amigavelmente, sentando-se no sofá, mas não sem antes admirar cada detalhe da pequena sala. – Puro, Renée. – completou quando a mulher ia em direção à cozinha.

Servindo-se de uma dose para o homem e um copo de água para si Renée retornou a sala, onde o seu convidado fazia-se confortável. Confortável demais para o gosto da mulher.

– Sabe o clima do sul é tão mais agradável do que o de Chicago, sempre tão poluído, carregado... não seria difícil se acostumar com esse ar puro, com essa brisa quente, esse sol... é tão fácil tudo isso. – ponderou. – Bem que você me disse que sempre gostou de calor, sol, praia, definitivamente Forks não era para você. Úmido, frio, chuvoso. – replicou divertido.

Renée tomou um longo gole de sua água.

– Nem Chicago é agradável. Barulhenta, poluída... violenta. – pontuou Renée.

Fora a vez de Aro sorriu amargamente.

– Sabe Renée, não pude deixar de notar o boné de basebol em sua mesa – a mulher admirou o boné que Phil, seu vizinho e técnico da liga infantil, a quem ela fez um jantar na noite anterior. Phil havia perdido a esposa a poucos meses, e o filho dele David ainda estava afetado com a perda da mãe, Renée estava tentando ser agradável ao menino, principalmente. – Me pergunto se...

– Se, o quê Aro? – perguntou defensivamente.

Aro sorriu enviesado.

– Se você encontrou alguém que lhe acalente, que te dê a atenção que você merece. – divertiu-se. Renée sorriu forçadamente.

– O amor sempre pode nos encontrar em situações adversas. – respondeu esquivamente a mulher. – E você, Aro? Nunca encontrou a mulher que... deu um sentido diferente a sua vida? – pediu ardilosamente.

– Num passado muito, muito distante. – rebateu.

– E quem seria a sortuda? – insistiu sedutoramente.

Aro riu divertido.

– Como está Isabella? Faz tempo que não ouço notícias suas. – pontuou, não se incomodando nem um pouco de mudar de assunto sem pestanejar. Renée sorriu vitoriosa, era ali que estava o ponto de ruptura, e ela iria explorar.

– Isa está ótima, Aro! Grávida de Edward, não é uma excelente notícia? – perguntou retoricamente. – Mas claro... você já sabia disso, Jake com toda a certeza já havia lhe contado isso, uma vez que ela continua encontrando-se com ela. – completou vitoriosa.

– De fato, eu sabia. – concordou com um sorriso. – Eu sei de tudo. Mas você já sabia disso. – divertiu tomando um gole de sua bebida.

– O que me leva a outra pergunta... – começou reticente Renée curvando-se para frente de onde estava sentada. – Seja sincero Aro, qual foi o motivo que fez você ligar Isabella aos Cullen?

Aro riu debochado.

– O que te faz acreditar que eu tenho algo haver com a aproximação de Isabella e Edward Cullen? – pediu divertido.

Fora a vez de Renée gargalhar debochada.

– Aro, por favor, eu te conheço, e senão conhecesse o fato de Isabella ter me contando isso não deixa dúvidas. – replicou.

Aro fechou seus olhos em fenda e estudou a mulher por alguns segundos. O silêncio que imperou na sala era sufocante e nauseante. O criminoso retirou um chiclete de nicotina do bolso interno de seu blazer e mascou lentamente, Renée apenas aguardou a resposta que ela tinha certeza que iria conseguir do seu convidado.

– Eu conheci a família Cullen em Chicago, muito antes de eles deixarem se consumir, corromper pelo poder que a política fornece. – ele fez uma pausa. – Os Cullen tem muitos inimigos Renée, um passado nada agradável escondido. – ele sorriu. – Muitos esqueletos no armário, esqueletos que fizeram que eles subissem como uma família poderosa na política.

“Anthony Cullen, avô do Senador Edward Cullen, ele era... como posso dizer... influente no cenário criminoso de Chicago, hoje o seu nome está ligado com a política, ele fez muito para apagar a sua imagem de fora da lei, todos lembram como honroso ele foi como Senador, mas Anthony deixou sucessores no seu lugar, eles ainda estão lá em Chicago caminhando pelas sombras para tentar recuperar o que por muitos anos briguei para conseguir, se hoje eu sou o dono de Chicago, foi porque consegui pouco a pouco desmantelar a imagem e a influência que esse maldito nome tem em Chicago!” – exclamou.

A naturalidade que Aro falava sobre o poder que tinha adquirido pelo crime organizado era ao mesmo tempo aterrorizante e atordoante. Fora esse lado ardiloso, mas convincente que ele emanava que a levou a trair Charlie naquela maldita noite.

– Mas o que isso tem haver com Isabella? Edward? Pelo que parece é evidente que não é tão fácil “roubar” a sua cidade de suas mãos, Aro. – replicou com curiosidade.

– De fato Renée, Caius Winter não tem nenhuma chance de conseguir Chicago, mas o problema com os Cullen vai além do domínio criminoso de Chicago, é... – o homem levantou-se e foi até onde a garrafa de uísque estava repousando, onde se serviu de uma generosa dose a virando de uma vez.

– É...? – incentivou Renée, desta vez muito curiosa.

Pessoal, Renée, pessoal. – o criminoso serviu-se de mais uma dose de uísque e voltou ao seu lugar no sofá.

– Como pessoal? Qual é a verdade Aro, eu mereço isso! É a vida da minha filha que você está manipulando a sua vontade? O que está acontecendo? Que problema pessoal é esse com a família Cullen? Que passado é esse que você tenta fugir, esconder? Vamos Aro, me diga! – exclamou a ruiva com propriedade.

Aro tornou a fechar seus olhos em fendas, sorvendo um novo gole de sua bebida.

– Você se recorda qual foi à primeira impressão, a primeira frase que te disse quando te conheci Renée, quando você e Charlie ainda estavam namorando? – perguntou o homem.

Ao ouvir o nome de seu ex-marido morto, Renée trincou seus dentes e fechou seus olhos, pedindo aos céus calma e tolerância.

– O que isso tem haver com os Cullen, Aro?

– Você se lembra? – insistiu. A ruiva tomou uma respiração profunda.

– Que eu te lembrava de alguém que foi muito especial, alguém que foi tirada de você... a força. – repetiu lentamente as palavras que ouvira há quase de 40 anos em Seattle, num restaurante simples. – O que isso tem a ver com Isabella ou Edward, Aro?

– Essa pessoa especial... – ele ponderou suas palavras seguintes. – era Esme Platt, ou como muitos conhecem hoje Esme Cullen.

– Mãe de Edward? – questionou alto.

– Exatamente. – concordou com um aceno. – Esme e eu estávamos quase noivos, quando... Carlisle Cullen veio com aquela postura de filho de político, de homem rico, estudante de medicina e a roubou de mim assim – estalou seus dedos. – num piscar de olhos, Esme nunca me disse que havia terminado, passou a não atender as minhas ligações, ela desapareceu, para três meses depois eu ver a noticia de seu casamento estampado em todos os jornais de Chicago: “Filho do Congressista Anthony Cullen, Carlisle Cullen une-se a Esme Platt em cerimônia intima nos Grandes Lagos”.

– Mas...

– Mas o quê, Renée? Esme era minha, era para ter sido minha, era para termos construído uma família, talvez eu nunca teria seguido o caminho que segui, mas aquele filho da puta impôs o seu dinheiro, o seu nome, a seduziu com propostas vis... a enfeitiçou, tirou ela de mim sem uma palavra, sem um olhar, somente a roubou como se fosse a porra de uma mercadoria. Ele a manipulou! – vociferou irritado.

Renée ponderou suas palavras.

– Aro, não me leve a mal, mas eu só quero entender. – começou temerosa. – Você disse que estavam praticamente noivos, mas tinha um compromisso real?

Aro riu em deboche.

– Eu tinha dado a porra de um anel de diamante para ela! Anel que inclusive ela vire e mexe ainda usa. – Renée surpreendeu-se com essa nova questão. – Por isso que eu digo que Carlisle a usou, a manipulou de alguma forma, acredito que envolveu a sua família, seu pai tinha problemas com apostas, por isso que ela fugiu, sumiu e casou-se com ele! Eu tenho certeza Renée que ela usa aquele maldito anel para mandar uma mensagem para mim, dizer que nunca me esqueceu, que eu ainda sou importante para ela. – ponderou com um olhar maníaco.

Renée considerou aquelas novas informações, ela estivera com Carlisle e Esme, e em nenhum momento pareceu que o loiro havia manipulado alguma situação para casar-se com ela. Afinal Carlisle parecia um homem justo, sensato e altruísta, visivelmente descontente com muitas decisões políticas de seu filho. Ele mesmo fora um vice-presidente querido por todo país pela sua atitude humilde, justa, como poderia um homem que passa a imagem de integridade e fidelidade manipularia o amor? Ela não conseguiria ver isso. Ela não conhecia Carlisle Cullen bem o suficiente, mas ela havia tentando conhecer um pouco da nova família de sua filha nos últimos meses, e por tudo o que leu e viu, definitivamente Carlisle não era assim.

– Aro...

– O que Renée? Vai dizer que estou maluco, que estou vendo coisas onde não existem? – o homem riu secamente. – Nos últimos 44 anos eu ouvi muito isso, até me questionei muito sobre isso. Mas é isso! Ele fez alguma coisa para ela!

– Não Aro, não era isso o que eu iria questioná-lo, mas por que usar Isabella nessa sua vingança sem sentido, ela não tem nada haver com isso! – exclamou. – Por que Aro? Por que sacrificar a felicidade da minha filha na sua vingança?

Minha filha, Renée! – replicou retoricamente.

Aquelas três palavras foram como um verdadeiro tapa na cara de Renée que caiu para trás no sofá e deixou que o copo que segurava com um pouco ainda de água se espatifasse no piso de mogno.

Aro riu ironicamente.

– Qual é Renée, você acha que eu não sabia? Eu sempre soube, porque você acha que eu exigi ser padrinho de Isabella? Cuidei dela todos esses anos? A sua ambição, ganancia, sagacidade, não veio de você ou muito menos de Charlie veio tudo de mim, eu sabia disso desde a primeira vez que coloquei meus olhos nela. Isabella é minha filha, filha querida que nunca me decepcionou, tem dúvidas, mas sempre faz aquilo que eu quero, ela me segue cegamente. – completou maniacamente. – Diferente de qualquer outro dos meus filhos.

Renée ainda estava atordoada com tudo o que ouvira, sua boca abria e fechava completamente estarrecida, em choque por tudo o que estava acontecendo. Seu segredo nunca fora... secreto.

Aro bebeu todo o uísque que continha em seu copo, com um sorriso irônico e vitorioso em seu rosto.

– Até mesmo Charlie sabia desse seu segredo sujo Renée, ou você acha que o distanciamento que começou entre vocês assim que Isabella nasceu foi só por causa da rotina ou da culpa que você se impunha? Charlie sabia da sua traição, e não te perdoava por isso! Ele a culpava por acabar com a confiança. – riu divertido. – Se enterrou no trabalho e tentou, porque tentou, me foder com a polícia de Chicago, Charlie era muito recalcado pela traição. – debochou.

“Eu virei a sua obsessão, ele queria acabar comigo.” – gargalhou com a lembrança. – “Naquele inverno que ele morreu, ele me atraiu a Forks para conversar, foi então que ele me confrontou sobre nós, sobre Isabella, dizendo que tinha provas que me levaria para a cadeia para o resto da minha vida.” – debochou mais uma vez.

– Você o assassinou! Você matou Charlie! – acusou Renée com os olhos arregalados.

– Oh Renée! – exclamou com fingimento.

– Assassino! – gritou à ruiva.

– Sim... já ouvi acusações piores. – deu de ombros. – Quando a vida deixava os olhos de Charlie eu ouvi coisas muito piores. – divertiu-se.

– Assassino! Saia da minha casa agora! Suma da minha vida, da vida da minha filha! Da minha família! – vociferou levantando-se e batendo com os punhos fechados no peito do homem. – Esme fez certo em deixa-lo, você é podre Aro, você não merece compaixão, não merece nada! Você é um assassino! Psicopata! Um...

Mas as palavras morreram, pois a mão esquerda do homem apertou o pescoço da mulher, interrompendo a passagem de ar e as palavras que queria proclamar.

– Não. Ouse. Citar. O. Nome. De. Esme. – disse lentamente. – Ela não é vagabunda como você, uma puta que deu para o primo do seu marido e engravidou, não! Ela foi forçada por Carlisle a casar-se com ele! – a mulher continuava a se debater por ar, lágrimas caiam sobre seus olhos, era um misto de ódio, rancor, indignação, como também pela ausência de ar em seus pulmões.

“Eu verei os Cullen cair, se Isabella, que está amedrontada se recusar, eu tenho Jacob que está salivando para conseguir acabar com os Cullen, em principal Edward, por ter roubado a paixão dele.” – gargalhou, correndo a ponta do seu nariz pelo rosto de Renée. – “Aquele menino otário, fodendo a irmã achando eu ela o ama.” – riu mais uma vez. – “Mas pelo menos sagacidade eu posso dizer que aquele menino herdou de mim, assim como meus outros filhos, além de foder com a ‘esposinha’ do Senador Cullen, está comendo uma das suas amantes, uma prostituta de luxo que adivinha?” – riu em desprezo. – “Odeia Edward Cullen. Leah Jones será derradeiro fim do Edward Cullen, e o começo do declínio de sua família.” – divertiu-se.

Inesperadamente Aro afrouxou seu aperto em torno do pescoço e jogou a mulher sobre o sofá ofegante.

– Entendeu Renée? Eu ganho! Sempre. Se Isabella falhar, eu tenho Jake e a prostituta. Se os dois falharem... bem... – ampliou o seu sorriso. – Eu tenho minha outra garantia.

Renée arregalou seus olhos. Seria Angela a outra garantia? Impossível à morena nunca aceitaria fazer parte dos planos do pai, ela nunca aceitou Aro e sua vida criminosa. Mas Aro era sempre muito convincente, e no mínimo convencera a pobre Angela.

Aro sagazmente notou a expressão no rosto de Renée e entendeu que ela estava pensando na filha mais nova, Angela Weber, mas não havia possibilidade nenhuma dela vislumbrar isso com tanta facilidade, mas naquele momento Aro preferiu não subestimar a mulher a sua frente.

– Diga alguma coisa sobre qualquer coisa que conversamos aqui Renée e você terá o mesmo fim que Charlie! Você não vai atrapalhar a minha vingança, ou acabar com a relação que tenho com Isabella. Ela nunca te suportou Renée, sempre lhe culpou pelo seu divórcio com Charlie, por ser uma mulher relapsa com a filha e vai continuar assim, entendeu? Ouse acabar com o que tenho com minha filha e você vai pagar caro Renée, isso não é uma ameaça, é uma promessa! – e sem mais nenhum comentário deixou a pequena casa.

Renée ainda estava atordoada com os eventos dos últimos minutos. Tudo que ela supunha ser um segredo, nunca fora. A prova de que aquele impiedoso homem havia assassinado Charlie fora comprovada, e ela estava de mãos atadas.

Lágrimas caiam sobre seus olhos desenfreadamente. Pensamentos sobre Charlie, Aro e Isabella a rondavam cheios de culpa e desespero. Todo o seu mundo estava desabando.

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Liam que acompanhava todos os acontecimentos que aconteciam dentro da casa de Renée de uma Van estacionada a alguns quarteirões ficou satisfeito com as revelações que o grande chefe do crime organizado de Chicago fizera, Aro dissera tudo o que Edward queria ouvir e mais além, seria perfeito para sabe-se lá o que o Senador tinha em mente. Contudo, Liam ficou de coração partido pela mulher que chorava copiosamente no sofá de sua sala. Todos os arrependimentos de uma vida estavam transparecidos em seu rosto.

Liam sabia que tudo o que Aro dissera a mulher causaria um dano possivelmente irreparável sobre ela. Ele teria que conversar com Edward uma forma de conter os danos que aquelas revelações causariam em sua sogra. Danos que não seriam poucos.

O alemão pacientemente esperou até que Aro estivesse longe o suficiente da residência de Renée Dwyer, para enfim ir até lá. Nos últimos dois meses apesar da reticencia de Renée com o plano de Edward, a mulher e Liam havia se tornado amigos, ela sempre conversava com ele sobre assuntos diversos, e sempre esses momentos de conversa eram inspiradores para os dois.

Quando entrou na pequena sala da casa onde a ruiva vivia, Liam a encontrou toda encolhida no sofá chorando e murmurando repetidamente o quanto era culpada por todas as desgraças que rodeava a sua vida, como era culpada pela morte de Charlie, como era culpada pela infelicidade de sua filha.

Liam não era um tipo muito sensitivo, mas ver aquela mulher que se mostrara tão forte pelo que ele conhecia, que parecia disposta a enfrentar o mundo daquele jeito, vulnerável, triste, consumida pela culpa, ele enfim compreendeu que por mais que a pessoa se mostre forte, durona por fora, por dentro não passa de um animal assustado, afugentado. Ele compreendeu apenas de vê-la tão fragilizada, que os erros do passado eram aterrorizantes, que a depressão mesmo não aparente a consumia, como consome tantas outras pessoas.

Foi reflexivamente que ele caminhou até ela e a recolheu em seus braços. Tentando reconforta-la, naquele momento que era impossível, mas somente a presença tentando ser suficiente.

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Há quilômetros de Jacksonville, em Washington, Edward andava de um lado para o outro em seu gabinete, cigarros e álcool não eram suficientes para conter a sua ansiedade. Era estranho porque Edward nunca ficara em tamanho estado de ansiedade, mas diante dos eventos que estavam desenrolando na Florida que poderia mudar completamente o seu futuro e virar a mesa a seu favor era impossível não encontrar-se em tal estado.

Quando finalmente seu telefone tocou e a voz de Liam Klotz alou, o político sabia que havia vencido aquela batalha. Renée só não conseguira tirar tudo o que ele queria de Aro, como o próprio criminoso deu corda para si próprio enforcar-se, segundo relatos de Liam.

Porém o que deixou Edward de mau humor fora a preocupação do investigador perante sua sogra. Edward pouco se importava com Renée, afinal a mulher nunca fora tão próxima a Isabella, bem como nunca fora confiável – a prova estava no fato de deixar-se envolver por Aro Volturi, mas compreendendo que ter a ira de Renée só poderia prejudica-lo no futuro, o político pediu que Liam organizasse um encontro com uma celebre psicoterapeuta para a mulher, bem como um encontro dos dois, para que ele pudesse agradecê-la e propor um pagamento por sua ajuda.

Com esses detalhes resolvidos, o político se recompôs e seguiu para sua reunião com o presidente. Edward ao longo dos 12 anos em que vivenciava diariamente as situações no Capitólio, muitas vezes caminhou pelos corredores daquela que é o centro mais importante de poder do país, como do mundo: a Casa Branca, e tantas outras vezes ele conversou com os presidentes, seja o anterior republicano, como o atual democrata, e toda vez que ele fazia aquele caminho, pela extensa galeria de retratos de outros líderes os EUA, ele imaginava o dia que estaria ali, junto a eles, o dia que ele seria o líder do mundo livre.

As ambições políticas de Edward Cullen não tinham limites, tanto que ele sabia que conquistaria o que mais desejava, e esse futuro estava tão próximo que ele conseguia sentir em suas próprias mãos. E aquela reunião com o presidente fora a prova daquilo.

O presidente que tinha grande apreço por Edward, e sabia de suas ambições políticas e de seu passado como Coronel da Força Aérea Americana primeiramente ofereceu ao político o cargo de secretário de defesa, mas gentilmente o político recusou e indicou o nome de seu superior na guerra do golfo: o Comandante George Cahill, que ainda continuava amigo do Senador.

A segunda proposta do presidente que também fora recusada por Edward foi à candidatura do mesmo como Governador de Illinois, mais uma vez, gentilmente o político recusou, e indicou que o partido deveria investir na candidatura do atual vice-governador.

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As semanas seguintes passaram sem nenhum impasse ou problema. As recusas que Edward fizera o presidente não causaram o frisson que muitos imaginavam nos bastidores do capitólio, e corria boatos que o presidente ofereceria ao Senador uma posição mais expressiva na sua campanha de reeleição, afirmando que provavelmente Edward seria o nome certo para vice-presidência.

O Senador quando questionado por jornalistas e outros companheiros do partido sobre essa possível posição recusava-se a responder ou dizer qualquer coisa a respeito. Edward era esperto o suficiente para saber que neste momento apresentar ignorância e humildade seria o melhor que poderia fazer.

Isabella, por sua vez, afastara-se da mídia aparecendo em eventos específicos, e sempre em aparições rápidas. Sua gravidez estava sendo difícil, inclusive de alto risco, tanto que aos 7 meses de gestação pouco ele saia de casa, o que a surpreendia era que Edward estava passando muito tempo em casa, sempre no seu escritório, mas em casa. Sempre que ela perguntava o que ele estava fazendo, o político respondia que estava cuidando de assuntos do Gabinete e da eleição que estava extremamente próxima, apesar de não acreditar inteiramente naquilo, Isabella deixou estar, não porque o fato de Edward estar sempre em casa, mas de parecer que ele estava determinado em fazer o melhor para o bebê que estava vindo, sempre muito preocupado, sempre muito cuidadoso com a jornalista. Era estranho, incompreensível e até mesmo incomodo, mas a morena preferiu não instigar o marido.

A morena estava tão exausta nas últimas semanas que em nada se parecia com a mulher ativa que sempre fora. Naquela tarde ela tentava assistir a um telejornal, mas o movimento contínuo do bebê em sua barriga não a deixava em paz. O desconforto era tanto, que respirar era difícil para ela. Porém, quando uma dor avassaladora a tomou e ela sentiu algo escorrendo por suas pernas e viu pequenas gotas de sangue manchando o tapete de sua sala, ela sabia que algo estava além de errado.

– Edward! – ela gritou com a voz fraca, mas o eco que se faz presente na casa rapidamente chegou até o escritório do político que estava lendo um projeto de lei que entraria para votação no final daquela semana.

Deixando os papeis sobre a mesa, político com passadas rápidas chegou até onde a esposa estava, e quando a viu mais pálida do que normalmente era, com expressão de dor e a mancha de sangue no sofá e tapete, ele compreendeu que estava acontecendo.

– Bella, querida, acalme-se. Nós já vamos para o hospital, mas eu preciso que você respire. – instruiu o político que se ajoelhou ao lado de sua esposa, afastando os seus cabelos do rosto. – Isso, inspira, expira. Agora eu vou te pegar e leva-la até o carro, pode doer, mas eu preciso que você continue respirando, ok? – perguntou. A morena assentiu em concordância.

Notando uma das empregadas da casa próxima a sala, Edward que não sabia o nome da mulher apenas ordenou:

– Pegue um lençol e a bolsa do hospital, agora!

Com movimentos suaves e contidos o político pegou a sua esposa no colo que gemeu de dor e levou ao seu Volvo, que estava estacionado em frente da casa.

O caminho para o hospital o político fez com velocidade e precisão, pois ele sabia que o sangramento e a dor que Isabella estava sentindo com 7 meses de gestação não era normal, e que algo poderia acontecer com ela e o bebê.

A cesárea demorou, o sangramento era complicado, e os médicos apresentaram a preocupação, ainda mais por Isabella ter indicado um quadro anêmico durante a gravidez, mas depois de muita preocupação, e horas de preparação, no meio da madrugada 20 de outubro finalmente o fruto do casamento de Isabella Swan Cullen e Edward Cullen veio ao mundo.

A criança era saudável, apesar de prematura. Contudo, Isabella que não estava nada bem, a pressão na morena caíra e seus batimentos cardíacos estavam erráticos.

Edward pela primeira vez demonstrou preocupação por sua esposa.

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Notas finais
N/A: Oi gente! Tudo bom?! . Primeiro quero pedir desculpas pela demora, mas nas últimas semanas com finalização de semestre, provas na faculdade, provas pra corrigir, notas pra fechar, projetos que precisava concluir não estava conseguindo mesmo escrever, eu tentei, mas falta de tempo e inspiração é uma duplinha bem ordinária, inclusive vou pedir desculpas por esse final fraquinho. . Esse é mais um daqueles capítulos que não estava planejado, mas que acabaram sendo essenciais. Essa história da Renée e do Aro, e o Edward ameaçando ela pode parecer desnecessária, mas juro que vocês vão entender o porque dela no próximo capítulo. São aquele tipo de coisas que odiamos, mas são essenciais. . Agora o baby... vocês apostam em o quê? Menino ou menina? Hein? Hein? E Isabella? Será que esse colapso depois do parto vai gerar algum imprevisto? Tic... tac... tic... tac... . Sei que estamos a passos lentos caminhando pro final, mas se eu não criar um novo capítulo que acho necessário posso dizer que os eventos do prólogo estão próximos, o próximo que terá relação direta com essa história desse capítulo será o estopim para a reviravolta que todo mundo espera. Ai pergunto: quem vai estar comigo até lá? . Sem mais delongas, obrigada por lerem, comentarem, recomendarem, serem vocês! Vocês são demais!! Se isto aqui continua vivo é por causa de vocês!! E como todo mundo já tá careca de saber: qualquer dúvida, crítica, curiosidade, qualquer coisa fiquem a vontade de me questionarem no tumblr da fic: fuckyeahsympathyforthedevil(PONTO)tumblr(PONTO)com/ - este cantinho é para vocês! Ok?! . Obrigada mais uma vez pelo imenso carinho, compreensão e paciência inestimável de vocês comigo. É vocês que me motivam! . Até mais! . Beijos, . Carol. . . . . . GOSTOU OU NÃO, DEIXE-ME SABER. REVIEWS SÃO O COMBUSTÍVEL PARA NOVOS CAPÍTULOS!