Conexões Ilícitas
18 Mentiras
Notas iniciais
Capítulo dezessete – Mentiras
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“Quanto maior a mentira,
maior é a chance de ela ser acreditada.”
– Adolf Hitler-
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Isabella sentiu seu sangue gelar. Não só gelar, ela sentiu um medo, um temor incompreensível. Como se todos os sonhos que havia realizado nas últimas semanas não passasse de um castelo de cartas precariamente construído, que ao bater uma suave brisa o levou para baixo.
Os olhos esmeraldinos de Edward encaravam os castanhos de Isabella com fervor, ansiosos para descobrir o que tudo aquilo significava, o que tudo aquilo era. Aquelas informações ao longo dos últimos dias tinha o deixado inquieto, mas tudo o que passara com Isabella nos primeiros dias de casado era inestimável, era incrível.
Então a pergunta era: será que o que ela dissesse interferiria na relação dos dois? Edward só poderia começar a articular essa ideia depois que ela se abrisse com ele.
O silêncio entre os cônjuges era ensurdecedor. Pesado. Sufocante.
Isabella sabia que não havia para onde fugir. Seus olhos desviaram-se de Edward e encarou a pasta que ele havia jogado sobre a mesa de centro. Seus olhos focaram-se sobre informações específicas. Um bom lugar para começar.
– Esse casamento significa tudo para mim, Edward. Você é tudo para mim! Isto – ela apontou para a bagunça de papéis sobre a mesa. – é um passado. Meu passado. Não me envergonho dele, de jeito nenhum e também nem posso, mas nada disto aqui importa mais. Eu não sou mais esta pessoa. Eu sou sua esposa e é isso que realmente importa! – exclamou com grandes lágrimas brotando por seus olhos.
Edward analisou o semblante de sua esposa. Ele realmente via honestidade em suas palavras, em suas ações, reações. Em seu olhar. Mas aquilo não bastava, ele precisava de mais, e Isabella sabia disto, por isto preferiu ser honesta, quer dizer, o tão honesta quanto podia naquela situação.
– Sei que vendo isto, lendo o que possivelmente diz todos esses papéis posso não parecer uma pessoa de confiança. – ela suspirou. – E talvez eu não seja, mas Edward, eu sou humana, e como qualquer ser humano eu erro, ou melhor, ajo com motivos egoístas.
A expressão do político ganhou um leve tom curioso, mas ele continuou calado. A jornalista preferiu pegar a deixa.
– Minha vida estava uma merda em Chicago, eu trabalhava em um emprego medíocre, tinha uma vida medíocre. Acho que esta é a vida para a grande maioria que termina a faculdade, que apesar do meu currículo brilhante, não conseguia um emprego aceitável. – ela deu de ombros. – Foi quando um colega me disse que havia se inscrito no MBA de Ciências Políticas da George Washington e estava pleiteando uma vaga de estagiário no Post. – Isabella riu sem humor. – Ainda não era o emprego dos sonhos, mas era uma possibilidade de um emprego dos sonhos. Trabalhar no Post sempre fora um sonho de infância, então talvez fosse o momento de realiza-lo. – sorriu com um brilho infantil.
“Apesar de estar trabalhando em um jornaleco de quinta categoria em Chicago, o salário que eu ganhava mal pagava uma quitinete, pior a que eu morava aqui, em Harold Ickes” – os olhos de Edward se arregalaram em surpresa. – “Você foi prefeito de Chicago, sabe o que estou querendo dizer. Harold Ickes não é um dos melhores bairros para se viver em Chicago, mas era o que eu podia pagar.” – deu de ombros.
“Meu padrinho, como você deve saber, Aro Volturi, se propôs a me ajudar com as despesas, me ajudar a alugar um loft em outro lugar, mas eu nunca aceitei, não queria o dinheiro do meu tio assim, ainda mais um dinheiro vindo da forma que vem.” – deu de ombros.
Toda aquela história era uma boa mentira. Isabella sempre morou em Downtown em Chicago, óbvio que não era um apartamento de luxo, ainda mais por causa do seu trabalho no jornal mais sensacionalista e mentiroso da cidade, mas ainda assim, Aro sempre a ajudou, sempre que precisasse – ou não – Aro lhe enviava uma grande soma em dinheiro, por isto que a morena tinha uma vida confortável, boas roupas, calçados excelentes, tratamentos estéticos de alto valor. Não era uma vida de luxo, como a que vivia com Edward nos últimos meses, mas era confortável a sua medida. Entretanto se o político decidisse procurar se realmente ela viveu em Harold Ickes era fácil ver que era verdade, Aro mandava em quase tudo por lá, e Jacob tinha uma propriedade naquele bairro onde consequentemente, Isabella passava muito tempo.
“Toda verdade pode ser manipulada para aquele que está escutando.” – Isabella aprendera cedo aquilo, antes mesmo de ir para a faculdade de jornalismo.
A morena assumiu um olhar culpado e um semblante derrotado, antes de enfim continuar a sua história.
– Eu não gosto do que eu fiz, mas eu precisava vir para Washington, e só Aro poderia me ajudar, foi então que fui até ele e comecei a aceitar o seu dinheiro. – ela encarou os olhos do seu marido. – Por muito tempo, na verdade até poucos meses eu vivia com o dinheiro proveniente do crime organizado. – deu de ombros pesarosa.
– Bella... – começou Edward, mas a morena ergueu um dedo pedindo silêncio de seu marido para que continuasse a sua história.
– Como você sabe, fui aceita no MBA e também consegui o estágio no Washington Post, minha carreira estava começando a decolar, mas então conheci James Collins. – ela suspirou pesadamente. – Eu não me orgulho nada disso, mas James é um homem elegante, atraente, e de alguma forma eu atrai a sua atenção, ele me cortejava, propondo um futuro brilhante para mim, e fui inocente o suficiente para cair na sua conversa. – mentiu mais uma vez a jornalista.
De fato James sentiu atração por Isabella, mas quem buscara um algo a mais, seduzindo-o de uma maneira nada inocente e muito similar a que havia seduzido Edward, fora Isabella. Ela usou o que sabia que tinha de melhor – além de sua inteligência – para agradar o jornalista: sexo. Muito sexo. Apesar de muito difícil de convencer o jornalista, ao contrário do político, pouco a pouco o loiro foi deixando-se cair pelos encantos da bela morena. Logo ela não era apenas mais uma estagiária, ela era a estagiária do incrível jornalista político James Collins.
– Com o tempo James me promoveu, por assim dizer, a sua assistente, e de assistente a enfim ser contratada como jornalista do jornal, por recomendação de James foi fácil. – continuou a morena dizer. Edward que ouvia atentamente todas as meias verdades que ela o dizia, parecia acreditar piamente.
“Foi então que você cruzou o meu caminho Edward.” – disse com um sorriso apaixonado. –“Claro, eu sabia quem você era, apesar de ser bem nova quando você foi prefeito de Chicago eu lembrava de você, lembro-me, inclusive, de ter uma quedinha por você” – divertiu-se a morena. – “te achava lindo, um príncipe encantado, até sonhava em ser a sua princesa.” – Isabella riu com a ironia daquele fato tão verdadeiro, até mesmo Edward a acompanhara naquele divertido comentário. – “De qualquer maneira, James parecia ter um ódio, uma necessidade de descobrir seus podres tão grande que aquilo me deixava intrigada, mas fora só alguns meses antes de nós realmente nos conhecer que fui a Chicago visitar o meu padrinho que ouvi uma conversa de um de seus capangas, um advogado trambiqueiro sobre você.” – pontuou Isabella. Edward surpreendeu-se com aquela informação.
– Jenks? Jason Jenks? – questionou o político. Isabella assentiu. – Filho de uma puta! – exclamou. – O que ele estava dizendo? – exigiu saber.
– Edward... ele estava bêbado, muito bêbado. – rebateu a jornalista.
– Não tão bêbado a ponto de aguçar a sua curiosidade jornalística. – replicou o político irritado.
– Certo. – concordou Isabella reticente. – Jenks dizia para quem quisesse ouvir que você tinha muitos esqueletos escondidos no armário, que ele tinha provas contra você, caso você quisesse demiti-lo, ou nas palavras dele, fodê-lo. Ele poderia provar que você havia pagado um bom dinheiro para que nada afetasse a campanha de Alec, que seu filho era igual a você um assassino frio e calculista.
Edward trincou os dentes.
– Não levei aquela história muito a sério, não é segredo para ninguém do circulo de Aro que Jenks é um mentiroso, interesseiro, e que na verdade ele não tem prova nenhuma sobre ninguém. – Edward a encarou incerto.
– Você tem certeza disto?
– Claro, perguntei a Aro sobre essa história, ele como um bom... um bom criminoso pediu para que algum de seus capangas invadissem o escritório e a casa de Jenks, acredito que deva ter havido até mesmo um pouco de tortura contra ele, mas prefiro ser ignorante sobre isto. De qualquer forma, Jenks contou a verdade de que não tinha nada sobre você, que ele estava blefando porque estava com raiva pela contratação de outro investigador, algo sobre um alemão nazista. – deu de ombros. – De qualquer maneira, os capangas de Aro acharam um nome relacionado ao seu arquivo: Lauren Malory, assumo que pedi a Aro investigar essa mulher. Entenda Edward eu tinha ao alcance das minhas mãos um trunfo jornalístico que poderia me colocar no mapa e...
– Acabar com a minha carreira. – completou a frase de sua esposa. – O meu próprio Watergate. – concluiu referindo-se ao escândalo de corrupção ocorrido na década de 70 durante o governo Nixon. – Um escândalo capaz de minar o nome Cullen.
Isabella acenou com a cabeça.
– Exato. Mas a questão é que Lauren Malory além de ser uma prostituta e uma drogada não sabia absolutamente nada sobre você, ou não se recordava. Mas você sabe como que onde tem fumaça há fogo, foi então que voltei para Washington e comecei a ler tudo sobre você, e tinha algo que fazia muito sentido nessa história maluca, foi então que ouvi James conversando com um amigo dele da revista The New Yorker sobre como era fácil armar uma matéria sobre um político, um escândalo épico, que tive uma ideia. – sorriu pesarosa.
– A de se infiltrar no meu Gabinete? – perguntou ironicamente o político.
– Sim. Mas não era tão simples assim. James quer a sua cabeça numa bandeja de prata há anos, décadas acredito, ele nunca deixaria uma jornalista recém-contratada tomar a história da sua vida. Então consegui fazer que uma denúncia anônima sobre você caísse diretamente no meu colo, exigindo assim que o escritório me confiasse à matéria. Nada mais do que o manipular o acaso. – deu de ombros.
“James então disse que Victoria poderia me colocar como assessora de imprensa infiltrada no seu Gabinete e o resto, você sabe tão bem como eu.” – ela sorriu. – “Nós nos envolvemos sexualmente, eu me apaixonei por você, e você por mim” – deu uma ligeira piscadela para o marido. – “nós nos casamos e eu deixei tudo isto para trás, eu não me importo mais com nada disso. Agora eu sou sua esposa, não mais uma jornalista infiltrada no seu Gabinete, Edward.”
Edward contemplou a história que a sua esposa havia lhe contado, de fato condizia com o que ele havia lido a partir da investigação de Liam. E apesar das inúmeras mentiras que havia os unido agora ele podia ver a sinceridade e a honestidade em Isabella.
Isabella sabia que as suas meias verdades havia convencido Edward, entretanto ela precisaria tomar um cuidado além do normal daqui para frente, se a desconfiança já havia feito o seu caminho por Edward, logo tudo poderia vir abaixo, ela precisaria manter a sua confiança e provar que aquela história era a mais pura verdade.
Contudo, Isabella não esperava de forma alguma a próxima pergunta de seu esposo. A derradeira pergunta que poderia colocar tudo a perder.
– Mas quem é Jacob Black?
Isabella ponderou a pergunta de Edward, pergunta que poderia ter tantas consequências e capaz de fazer um estrago inimaginável, incalculável. Ela havia visto a foto dela beijando Jake 20 dias antes do casamento na frente de seu antigo apartamento, desta maneira não seria qualquer desculpa que convenceria Edward.
– Jake e eu fomos criados praticamente juntos. Ele é meu primo, ou melhor, primo de segundo grau, filho de Aro, e desde muito novo sempre estivemos juntos, com a adolescência nossos hormônios explodiram e acabamos sendo algo a mais, e por muitos anos continuamos sendo algo a mais. Mas nunca foi sério. – se apressou a dizer. – Pelo menos não para mim. Edward eu nunca imaginei que Jacob poderia ter se apaixonado por mim da maneira que ele fez, o dia dessas fotos – ela indicou as fotos dos dois. – eu havia ido até ele dizer que não poderia mais vê-lo, que eu estava apaixonada por você Edward, que iria me casar com você, ser feliz com você, e que ele nunca mais deveria me procurar.
“A conversa não saíra nada bem, nos discutimos muito, e eu sai abalada de lá, foi quando ele me interceptou na frente do edifício e me entregou uma lembrança pelos tempos que passamos juntos e pediu um último beijo.” – mentiu. – “Eu fui fraca Edward, deveria ter dito não, mas... não consegui. Me perdoa Edward, me perdoa por isto meu amor!” – suplicou a morena com os olhos marejados.
– Não há o que perdoar, Bella. – sorriu enviesado. – Mas você tem certeza que está é toda a história?
Isabella sentiu um temor. Ele não poderia estar desconfiado dela. Nunca.
– Claro, Edward, Jake e eu nunca mais nos vimos depois daquele dia. – declamou.
“Até o dia do nosso casamento, do qual ele apareceu.” – pensou consigo mesmo.
– Não sobre Jacob Black, sobre Aro Volturi. – rebateu Edward. – Você não sabe nada mais sobre ele, alguma coisa sobre a minha família? Meus pais? – questionou com a voz suave, mas a intensidade de suas palavras queimava em desespero.
– Sua família? Seus pais? – questionou com um falso ar de surpresa a jornalista. – Aro nunca falou de Esme ou Carlisle, pelo menos não para mim. – mentiu. – Por que tem alguma coisa de seus pais com Aro? – perguntou.
– Nada demais. – deu de ombros o político, avançando-se para onde a sua esposa estava.
Isabella encarou o seu marido. A beleza surpreendente e a forma atlética que ele exibia. Edward era um verdadeiro colírio para os olhos.
– Bella, desculpe-me por questionar tudo isto, mas você sabe, com as minhas ambições políticas eu preciso saber tudo sobre tudo e todos. Inclusive você querida. Eu sabia que você não estava sendo 100% sincera comigo, mas deveria ter sido Bella, eu te aceitaria, eu te amo. – declamou o político puxando sua bela esposa para si e a beijando com fervor.
– Eu também te amo, Edward. – suspirou Isabella afastando-se um pouco dele.
Apesar das declarações serem sinceras para quem as olhava de fora, e até mesmo para o outro, individualmente eles se puniam mentalmente. Isabella por temor por sua vida, Jacob e por Aro, ela sabia que a obsessão de Aro pela família Cullen ainda lhe daria problemas. Edward maturava todas as informações que recebera de sua esposa, ansiando um retorno de Liam sobre Aro Volturi e Jacob Black, o mais rápido possível.
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Após três semanas de casada, Isabella voltou para o seu trabalho no Gabinete de Edward, que havia retornado uma semana antes. Se antes do casamento ela já era respeitada por grande parte dos funcionários, agora o respeito havia se multiplicado. Isabella agora tinha o poder de demitir quem ela quisesse ali, Edward havia dado esse poder para ela.
“Privilégios do sobrenome Cullen.” – muitos diziam.
Quem não havia gostado nenhum pouco ao fato de ter que se reportar a Isabella era Victoria Collins, que via a morena claramente como uma rival, mas querendo manter o seu emprego ao lado do grande amor de sua vida, a ruiva se submetera as vontades da jornalista.
O que não era segredo para ninguém que trabalhava no Gabinete que as comuns e diárias reuniões privadas de Edward e Isabella nada tinham haver com os trabalhos do Senador, mas sim em satisfazer o seu prazer carnal, algo que a sua esposa, pelo que parecia cumpria com eximia eficácia.
Outro fator importante era que Isabella Cullen era a mulher perfeita para um político. Articulada, inteligente, sagaz, linda, sedutora e sabia manipular quem bem fosse pelos seus interesses e os de seu marido. Pouco a pouco a nata política de Washington via nela o espelho de Edward, aquela mulher que seria perfeita para acompanha-lo na sua jornada política. Esposas de outros membros do Congresso ligavam todos os dias à morena pedindo uma reunião particular, almoços, brunches, chás, cafés da tarde, eram comum todos os dias na agenda dela.
Isabella adorava esta atenção. A cada dia ela tinha mais e mais certeza de que fizera a escolha certa. Como jornalista ela poderia sim ser um nome famoso, ser conhecida pelo o que escrevesse, entretanto ela nunca seria um ícone; algo que pouco a pouco ela se tornava. Paparazzis a seguiam, sites de fofoca, moda, comportamento falavam dela. Isabella Cullen era uma celebridade, e ela adorava isto.
Este impulso publicitário que ela recebia da mídia, angariava a cada dia mais fundos para a próxima campanha de Edward a Senador – a última como ele declarava na privacidade de sua casa – e a sua futura campanha a Presidência. Era inquestionável o poder que o casal detinha, tanto que Isabella a pedido de Edward contratou um novo assessor de imprensa para o marido, Samuel Uley, um impressionante jornalista que havia abandonado o seu emprego no New York Times procurando expandir seus horizontes para um novo campo.
Longe das obrigações de assessora do Gabinete, Isabella passou a fazer programas específicos, cuidando de sua imagem, visitando orfanatos, creches, asilos, hospitais, dando palestras, indo a congressos e eventos, inaugurações, inúmeras situações em que ficasse em evidência. Isabella passou a ser a cabo eleitoral de Edward numero um, algo que o político sempre desejou de Tanya e que a loira nunca realizara.
Diante de toda publicidade positiva que Isabella rendera a Edward o político estava radiante, até mesmo suas preocupações com o fato dela estar relacionada com Aro Volturi se extinguiram. Na verdade Edward havia praticamente se esquecido que havia solicitado que Liam Klotz investigasse Jacob Black e Aro Volturi, pois sua esposa estava se mostrando um trunfo magnifico que ele nunca imaginara conseguir. Pouco a pouco o político que já tinha sentimentos pela esposa antes do casamento, viu esses sentimentos se multiplicarem, somados com um orgulho inigualável. Edward via que fizera um bom negócio de unindo com Isabella. Seu avô, Anthony, onde estivesse provavelmente também estaria orgulhoso desta união.
De repente Edward percebeu que o que sentia por Isabella era realmente amor, um amor que ele nunca sentira por nenhuma outra pessoa, somente por si próprio, mas na bela morena que todas as noites adornava a sua cama ele a via como uma igual. Como a única mulher no mundo para ele.
A mulher da sua vida.
Tanto que depois de 3 meses de casados Edward decidiu contar algumas coisas a Isabella, coisas importantes sobre o passado dele.
Por um luxo, do qual podiam pagar, Edward e Isabella mantiveram o apartamento próximo ao Capitólio, e sempre que gostariam de ficarem a sós – sem empregados e os filhos dele podendo aparecer a qualquer momento – seguiam para o apartamento onde tinham a maior intimidade possível.
Naquela noite Edward encomendara um jantar no restaurante preferido de Isabella, il Duomino, um italiano que servia os melhores pratos daquele país, ali no centro dos EUA. Uma boa garrafa de vinho tinto já estava no gelo, apenas esperando a convidada de honra.
E ela veio, 15 minutos mais cedo do horário que dissera a Edward. Seus cabelos castanhos haviam sido cortados recentemente, já não iam até o meio das costas, agora se encontravam um pouco abaixo dos ombros, em um corte moderno e elegante ao mesmo tempo. A sua coloração também havia ganhado fios cor de cobre que brilhavam com o movimento suave em qualquer luz. Sua maquiagem estava perfeita, também pudera, ela vinha chegando de uma tarde com a esposa do vice-presidente. O vestido azul marinho – a cor que Edward mais gostava em sua mulher – contrastava com a sua pele pálida, seus sapatos e bolsa preta davam um ar sofisticado à produção. Entretanto o que brilhava absoluto era o belo anel de casamento que ela usava em seu dedo.
O diamante reluzia na luz florescente do apartamento, Edward sentia-se orgulhoso que a prova de que ela era sua era o que mais aparecia.
– Chegou mais cedo. – disse o político caminhando a largas passadas até onde Isabella estava adentrando o apartamento. O seu blazer preto com camisa grafite e gravata preta, davam um ar imponente ao homem já imponente. O brilho esmeralda de seus olhos refletia a luz branca, esta também lançava sombras em seu cabelo acobreado dando um ar misterioso sobre a sua cor.
Após o suave beijo de boas vindas, Isabella sorrira para o esposo.
– Você me disse que tinha uma surpresa, fiquei curiosa Edward. Terminei o encontro o mais rápido possível. – tornou a beijar os lábios do marido. – Senti tanto a sua falta hoje. – ronronou deslizando suas mãos pequenas pelo largo peitoral do marido sentido seus músculos sobre o linho da camisa.
Edward sorriu enviesado.
– Eu também, mas antes vamos jantar. Tenho algo que quero te contar. – disse enlaçando os dedos de Isabella aos seus e caminhando em direção à mesa ricamente decorada.
Jantaram em relativo silêncio, saboreando o sabor único do risoto de trufas negras, nozes e cogumelo funghi, acompanhado de costeletas de cordeiro à Borgonha. O vinho Merlot casava perfeitamente com a refeição, assim como as trocas de olhares apaixonados. Após o jantar, o casal dividiu um cheesecake de framboesas. Apesar da evidente sensualidade com o alimento, Isabella estava realmente curiosa para saber o que Edward tinha para lhe contar.
– Então... – começou a morena com um sorriso, limpando o canto da boca de Edward que estava com creme de framboesa com seus dedos. – Você disse que tinha algo a me contar, ou será que só queria aguçar a minha curiosidade como uma torturante preliminar. – ronronou a morena que distribuía beijos no maxilar do político.
– Hum... parece interessante, mas eu realmente quero te contar algo. – disse levantando os dois e seguindo para o sofá.
– Okay. – disse lentamente Isabella acomodando-se nos braços do marido no largo sofá.
– Lembra-me quando você me contou que Jenks disse ter provas sobre o meu passado? – questionou com seus olhos focados nos castanhos de Isabella.
– Claro Edward, mas que importância isto tem agora. Estamos tão felizes, amor, já superamos tudo isto, porque reviver? – inquiriu com um biquinho. Edward sorriu.
– Eu quero ser honesto com você Bella. – disse colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
“Quando servi o exército, no Golfo, eu era novo, irresponsável, inconsequente, apesar de já estar casado com Tanya e ter Alec e Jane, mas vivendo naquele horror eu encontrei certo conforto nas drogas, foi estúpido, mas todos usávamos, era como se aquele pó branco nos aliviasse de toda a dor. Eu sei que tanto Emmett quanto Jasper também usaram, era normal naquela situação.” – deu de ombros.
Isabella havia ouvido de Jake, depois que voltara do Afeganistão que as drogas foram uma boa companheira naquele universo terrível, e quando fora para o Iraque, antes da sua deserção novamente elas que deram um conforto.
– Edward, eu não sei muito sobre o exército, mas acredito que isto deva ser comum. – rebateu a morena afagando o rosto de seu marido.
– Sim, infelizmente, Bella, mas a questão não é o uso indiscriminado de drogas, é as consequências dela. Acredito que você já ouvira a brava história de como eu salvei um comboio de alimentos, medicamentos e novos recrutas que chegava a nossa base. – a jornalista acenou positivamente com a cabeça. – A questão é: nunca houve qualquer ataque, eu estava completamente... alucinado, e quando sobrevoava a base vi algumas pessoas, civis, tentando invadir para se proteger, eu simplesmente atirei contra eles, matei todos. – disse com frialdade.
– Edward você estava protegendo seus colegas, a sua base, não tinha como você saber que eram inocentes. – interveio a morena.
Edward riu em escárnio.
– Ao contrário, Bella, eu sabia quem eles eram. Eu senti prazer em matar. Adorei ver o sangue jorrando do corpo daquelas pessoas. Nunca eu imaginei que matar fosse tão... poderoso. Então eu fiz de novo, e de novo, e de novo... não me importava, matava civis, mulheres, crianças, idosos, animais, qualquer coisa que se movimentasse, e adorava aquilo. Em um determinado momento meu superior teve que intervir, dizendo que havia perdido o discernimento que a guerra estava afetando a minha psique. – ele riu. – Muito ao contrário, eu nunca estive mais são em toda minha vida. De qualquer maneira meu avô Anthony, na época já Senador conseguiu mexer seus pauzinhos e toda essa merda foi esquecida, eu voltei para Chicago e comecei a estudar para ser advogado. – suspirou cansado.
“Logo em seguida me tornei prefeito, e mais uma vez me sentia poderoso.” – ele riu sem humor. – “Sempre tive uma necessidade de sexo, uns dizem ser vício, acho que é só conforto, e enquanto todos viviam aqui em Washington e eu em Chicago, era ao lado de prostitutas que me sentia reconfortado. Com as prostitutas voltaram às drogas, e naquele turbilhão algumas ficaram pelo caminho. Overdose, pelo que dizia os relatórios médicos, mais uma intervenção de Anthony Cullen. Eu as matei, por simples prazer, por desejo.” – Isabella sentiu um temor com as palavras de Edward. – “Lauren Malory que você conheceu, inclusive, era a cafetina de muitas prostitutas, meu avô fez um acordo com ela, dinheiro a perder de vista e uma garantia de silêncio, silêncio que pago até hoje, a propósito.” – declarou.
“Meu avó percebeu que as drogas eram perigosas para mim, ele interviu, conseguiu armar um problema com Tanya para que eu me afastasse da prefeitura por dois meses, onde me tratei. Naqueles 60 dias eu percebi que estava me tornando um psicopata, e não queria isto. Foi assim que meu avô me disse que eu poderia infringir a lei de forma menos nociva e destrutiva.” – ele sorriu com a lembrança. – “Corrupção, lavagem de dinheiro, fraudes, roubos, era uma infinidade de delitos, ligações ilícitas que satisfaziam o meu anseio por sei lá o que. Pouco a pouco, comecei a me tornar o político que meu avô sempre quis, e que meu pai sempre temeu.” – riu sem humor.
“Claro que em algum momento o secretário de contas do município e o vice-prefeito descobriram tudo o que eu estava fazendo no período em que comandava a cidade, das prostitutas às falcatruas, então eles precisam ficar calados, dessa vez eu segui os conselhos do meu avô, e num plano bem arquitetado...”
– Os dois foram assassinados durante um assalto, eu me recordo disto. – interveio Isabella.
Edward ponderou suas próximas palavras. Ele sabia que o voto de confiança que estava dando a Isabella era muito grande, apesar de todos aqueles fatos não serem a mais completa verdade, era uma versão resumida desta, e se em algum momento ela decidir revelar uma mísera informação disto tudo seria a ruína dele.
– Eu sabia que tinha que sair de Chicago depois disto, por isso que desisti da reeleição, muitos diziam que o baque de perder meu vice era muito grande, mas fiz aquilo para me proteger. Tanya, eu e as crianças passamos uma temporada na Irlanda depois disto, 18 meses para ser exato, foi a minha punição, eu acho, lá consegui colocar a minha cabeça em ordem, me livrar de alguns vícios. Foi então que comecei a dedicar tudo o que tinha para proteger a minha família, meus filhos, principalmente. Voltei a estudar, e me foquei na carreira política, para assumir o lugar do meu avô no momento oportuno.
“E é isso Bella... eu sou um político. Eu engano para viver. Sou corruto, como você já sabe, pratico fraudes, tenho meus inúmeros laranjas para lavar dinheiro de empresas fantasmas, até mesmo tenho contas na Suíça. Todos os clichês sobre a política é verdade, pelo menos para mim.” – completou abrindo seus braços em um sinal disto é tudo.
O silêncio dominou toda a sala. Isabella encarou os olhos de Edward e apesar de não saber toda a história, acreditou em seu marido, sabia que ele não era perfeito. Ela também não era, entretanto era quem ela queria, e se tinha alguns esqueletos no armário, ela aceitaria, fosse o que fosse.
– Edward, eu não me importo com o seu passado, na verdade nada disso me importa. Seus crimes mais severos já prescreveram, os outros dificilmente serão revelados. Agora somos uma família, cumplices, eu irei te proteger, e você irá me proteger, eu ajudarei a chegar ao lugar mais alto deste país, e é isto que importa. – disse com fervor. – Você será Presidente Edward e, eu estarei ao seu lado te apoiando sempre.
Edward analisou o rosto de Isabella, procurando algum sinal de hesitação.
– Você sabe, que mesmo se um dia nos divorciarmos nunca poderá dizer nada a ninguém, certo? Sobre tudo isso, isso seria o meu fim. – perguntou incerto, e até mesmo um pouco arrependido por ter contado tudo a ela.
– Edward, nunca ninguém saberá sobre isso. – prometeu à morena.
E com esta promessa o casal se rendeu a paixão que os consumia, e o sexo mais uma vez foi incrível entre eles. Parecia mais leve, mais franco, mais sincero.
No dia seguinte Edward deixara Isabella, enquanto se arrumava para o dia de trabalho, ele estava terminando de se barbear quando seu telefone tocou. O número não era identificado, mas ele sabia quem poderia ser.
– Cullen. – disse com um tom baixo.
– Aqui é Klotz. – disse o outro com uma voz profunda.
– Alguma novidade Liam? – inquiriu entediado.
– Eu preciso de uma amostra de DNA da sua esposa. – declarou o investigador.
– E posso saber por quê?
– Estou com uma suspeita, Edward, e se essa suspeita se confirmar você vai querer esse trunfo. – advertiu o alemão. – Tem como você conseguir uma amostra?
– Qual tipo de amostra? – perguntou cansado o político.
– A que você quiser, deixei na portaria do seu edifício um kit de coleta, escolha a que você achar mais fácil. Assim que tiver colhido me ligue. Preciso com urgência. – e sem mais nenhuma palavra o investigador Liam Klotz desligou a chamada.
Edward terminou de se barbear e vestiu uma roupa qualquer somente para buscar o kit. Ele sabia como funcionava um exame de DNA, um fio de cabelo bastava, mas Edward acreditava que não era suficiente, por isso serenamente recolheu um fio de cabelo castanho de Isabella que estava grudado no travesseiro, com uma espécie de cotonete recolheu um pouco de DNA do interior da bochecha da esposa, que dormia profundamente e com a boca aberta, e por último, displicentemente fez um pequeno furo no dedo do pé de Isabella onde recolheu alguns pingos de sangue no papel que era usado para análise.
Após a meticulosa tarefa o político reuniu tudo e guardou em sua pasta, para em seguida terminar de se arrumar. Por mais que tentasse se focar na sua tarefa, Edward não conseguia tirar da cabeça a misteriosa ligação de Liam Klotz. O que seria que ele havia descoberto que poderia ser um trunfo? E que trunfo seria este diante do que ele havia dito ontem a Isabella sobre o seu passado.
Tentando ao máximo não se prender aquela ligação o político seguiu sua rotina normal, com apenas um desvio para entregar a Liam as amostras de DNA. Reuniões com associados, com outros membros do congresso, e até mesmo um telefonema com o Presidente marcara o seu dia.
Quando chegou a sua casa, Edward estava exausto, mas ele sequer se lembrava da ligação de Liam no começo da manhã, entretanto ao ver Isabella sentada no sofá da imensa sala, com um simples vestido florido e olhar perdido o político ficou intrigado. Será que depois de tudo o que ele havia dito, ela decidira que não poderia manter aquele casamento? Lentamente Edward caminhou até a sua esposa, sentando-se ao seu lado.
– Bella, está tudo bem querida? – questionou buscando alguma resposta em seu rosto em formato de coração.
– Edward, eu tenho uma notícia. – disse com a voz ligeiramente pesarosa, mas ainda assim com um fio de felicidade. – Edward, eu sei que nunca conversamos sobre isto, mas de alguma forma aconteceu, não sei como, mas...
– O que aconteceu? O que nunca conversamos? – questionou confuso, vagarosamente Isabella estendeu uma folha de papel ao marido, Edward só precisou uma olhada de relance para saber do que se tratava.
– Edward...
– Impossível! – exclamou levantando.
– Eu estou grávida. – disse com um olhar determinado ao marido.
– Impossível! – tornou a exclamar amassando o exame e jogando sobre o sofá o papel amassado.
– Edward, não é impossível. Nós não nos cuidamos, e nem sempre a pílula é 100% eficaz... – mas o político já se afastara, correndo seus dedos por seu cabelo bagunçado.
– Impossível! – tornou a esbravejar, caminhando pela sala.
– Por que você fica repetindo isto Edward? Não é impossível, principalmente para o tanto de sexo que fazemos! – exclamou irritada a morena.
Edward encarou os olhos castanhos de Isabella com nojo. Ele não podia acreditar que ela ainda o traíra, depois de toda a fidelidade que havia colocado sobre ela, da qual não tocara nenhuma outra mulher nos últimos 10 meses, ela não era tão fiel. Ela mentira para ele sobre seu caso. Um beijo... um beijo uma ova! Era claro que ela estava grávida do maldito primo, do infeliz que ela dizia não ter nada.
– É impossível Isabella – começou dizendo, mas já caminhando para a porta. -, simplesmente porque não posso ter filhos.
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