Conexões Ilícitas
17 Enlace
Notas iniciais
Capítulo dezesseis – Enlace
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“O matrimônio é uma experiência,
e cada experiência tem o seu preço.”
– Oscar Wilde-
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É de esperar que o dia mais aguardado na vida de uma mulher é o dia do seu casamento. Naquele momento, marcado por algumas horas é onde os sonhos de uma vida inteira se tornam realidade, e a esperança de um futuro junto com o homem de sua vida, aquele que se escolheu, inicia.
Isabella teve estes sonhos na sua vida, assim como qualquer outra menina, adolescente. Como qualquer outra mulher.
Em sua infância, ela, sonhava com o príncipe em um cavalo branco tomando-a para si, e vivendo para todo o sempre o seu próprio conto de fadas. Em sua adolescência, onde começou a conhecer a sua sexualidade e com todos os hormônios explodindo, Isabella ainda sonhava com o dia que ela caminharia em um belo vestido branco em direção ao altar, onde o homem que ela havia escolhido que a conheceria por completo estaria esperando por ela com olhos cheios de uma paixão inexplicável.
Mesmo não acreditando mais naqueles sonhos de contos de fada, ou na idealização adolescente do que seria um casamento, Isabella ainda idealizava o seu próprio casamento, claro, nos últimos anos ela se policiou para evitar pensar no assunto, ou mesmo sonhar com ele, mas as imagens dela vestindo um belíssimo vestido branco, caminhando pelo longo hall enquanto a macha nupcial entoava ao fundo, indo em direção ao homem da sua vida, aquele que ela havia escolhido o homem perfeito, ainda tomava um pouco seus pensamentos.
Isabella quando jovem imaginava-se casando com um príncipe, como o da Branca de Neve e da Cinderela, mas após a adolescência onde vislumbrou o divórcio de seus pais, uma lembrança nada agradável para jornalista, por conta das brigas, discussões e intermináveis indecisões, ela parou de acreditar naquela instituição. Durante a sua breve vida adulta Isabella acreditou que o casamento não era para ela, que o máximo que ela viveria seria uma relação estável com alguém. Jacob provavelmente.
Jake.
Após o breve encontro dos dois há algumas semanas a jornalista foi tomada por um sentimento de culpa. Culpa nunca fora presente em Isabella, e tanto que aquela culpa não era por seguir o plano, ou por deixar Jacob chateado com o casamento. Era uma culpa diferente, estrangeira. Uma culpa que ela evitava pensar, porque sua voz soava exatamente como o seu futuro marido, Edward Cullen, deixando o gosto extremamente amargo em sua boca.
Edward Cullen. Senador Cullen.
A morena nem mesmo no seu mais ambicioso plano imaginou-se realmente se casando com Edward Cullen, na verdade, sabendo o pouco que ela sabia sobre ele, Isabella realmente suspeitava que ele fosse descobrir todo o seu plano antes do derradeiro final. Entretanto, as situações pouco a pouco foram mudando, sem a sua autorização, ou melhor, sem seu controle. A cada dia ela se via mais e mais envolvida com aquele poderoso e rico homem. O conforto, o luxo, o dinheiro, as relações, o poder que circundava Edward e toda a sua família era sedutor, e foi em meio este enorme emaranhado de desejos e ânsias pessoais que Isabella acabou seduzida.
Porém, pouco a pouco todos os seus planos e desejos anteriores de se envolver com o Senador Cullen pareciam superficiais e pífios. Com Edward, Isabella descobriu que poderia ter mais, que ela merecia mais, que o céu era um limite muito brando para se alcançar, ela poderia alcançar as estrelas, o sol, mas isso só ao lado de Edward. Ser uma primeira dama, como claramente o seu futuro reservava era muito mais importando do que um prêmio Pulitzer. Como primeira dama ela seria conhecida no mundo inteiro, não somente em uma comunidade especifica, como a do jornalismo. Como primeira dama ela seria lembrada. E num futuro distante ser possivelmente imortalizada no cinema.
As recompensas por se tornar a senhora Edward Cullen eram grandes demais. Ultrapassavam seus sonhos. Era... inestimável.
Valeria então a pena abandonar seus desejos de adolescente, de tornar-se uma das melhores jornalistas do país, para tornar-se a nova senhora Cullen, a futura primeira dama do país mais poderoso do mundo?
Não.
A resposta viera na voz rouca, profunda e cheia de decepção de seu padrinho Aro Volturi. Isabella sabia que Aro tinha um plano especifico contra a família Cullen, e que a sua participação era apenas um minúsculo ponto, mas o que seria que Aro tanto ansiava com isso tudo? Por que de repente a pessoa que mais apoiava o seu casamento com Edward Cullen passou a considera-lo um erro? Por que o fato dela desistir dos planos que haviam formulado há mais de um ano era um erro? Realmente importava o que Aro pensava?
Não. Definitivamente não.
Era isso. Ela seguiria o caminho que tanto a sua razão quanto a sua emoção estavam lhe indicando.
– Isabella, conseguimos as flores. As peônias, as hortênsias e as rosas brancas chegaram. A decoração irá ficar divina! – exclamou Corin O’Donnell, o planejador de casamentos que Isabella contratou. – Suzane, da floricultura, pediu para darmos uma passada lá para confirmar o design da decoração! Oh Deus! Uma semana para o casamento do século! – tornou a exclamar extremamente animado.
Corin era um homem bonito, seus cabelos curtos e lisos, penteados para o lado de um tom suave de castanho e seus belíssimos olhos azuis, eram de deslumbrar qualquer mulher. Se ele gostasse delas de outra forma que não fossem clientes e amigas. Gay assumido Corin O’Donnell era um dos melhores, senão o melhor planejador de casamentos da costa oeste, tendo em seu currículo o planejamento de casamentos de celebridades, políticos, socialites, dentre festas e bailes privados ou não tão privados. Corin era o melhor no que fazia, sempre acertando certeiramente o que seu cliente gostaria em seu grande dia.
E com Isabella, Corin havia acertado tudo, cada detalhe da maneira que ela gostaria. Alguns dos seus desejos eram quase impossíveis de realizar, mas sendo a noiva do Senador Edward Cullen, e futura madrasta do prefeito de Washington, nenhum dos seus desejos mais ousados eram impossíveis de realização. Aquele casamento seria o casamento do século.
Vestindo o seu blazer esportivo bem cortado, Corin continuava a falar sobre as flores e a decoração do local da cerimônia e da recepção, mas o planejador mal notou que a sua cliente sequer ouvia o que ele dizia, claramente perdida em pensamentos. Entretanto quando não ouviu resposta da jornalista, Corin procurou saber o que estava acontecendo com ela.
O planejador encarou a bela mulher ao seu lado, visivelmente perdida em pensamentos. Seus longos cabelos castanhos com cachos largos emoldurava seu rosto em formato de coração. Sua pele pálida tinha um brilho acetinado, mas nada exagerado. Seus profundos olhos castanhos se destacavam pela maquiagem bem delineada em seu contorno. Seu vestido de padrões quadriculados em preto e bege marcava suas curvas. Seus sapatos de saltos altos davam uma elegância impar a sua postura. Isabella era uma mulher linda, e Corin não tinha dúvida, sem contar que ela daria uma belíssima primeira dama, uma que se equiparia com Jackie Kennedy.
Porém tinha algo em Isabella que chamava mais a atenção de Corin do que simplesmente a sua beleza, persistência e inteligência. Ele já havia trabalhado com todos os tipos de noivas, neuróticas, tranquilas, preocupadas, indiferentes, animadas, excitadas, ansiosas, mas nenhuma era sequer parecida com Isabella Swan. Ela estava envolvida em cada detalhe que decidia, cada decisão dele necessitava de sua anuência, facilmente ela poderia passar por uma noiva preocupada, neurótica e focada, entretanto mesmo cuidando de cada detalhe pessoalmente Isabella parecia tão... indiferente, perdida em seus próprios pensamentos. E mais uma vez ela estava claramente perdida em pensamentos.
– Isabella? – chamou Corin delicadamente. – Isabella? – repetiu o planejador, desta vez estalando seus dedos em frente ao rosto da morena.
– Oh! Oi... Corin. Sim, sim, eu concordo com você luzes de brilho marfim ficaram perfeitas. – falou a morena aleatoriamente.
Corin sorriu amavelmente para a sua cliente.
– Isabella, Darling, nós decidimos esta questão da iluminação na semana passada. – pontuou. – E querida, eu sei como planejar um casamento é desgastante, e você claramente está cansada e ansiosa para o seu grande dia, porque não vá para casa descansar que os últimos detalhes eu cuido? Se acontecer alguma coisa eu te ligo imediatamente. O que você pensa?
Isabella ponderou as palavras de Corin, enquanto encarava o rosto do planejador.
– Você está certo Corin, planejar esse casamento é cansativo demais. Um descanso me cairia extremamente bem. – sorriu amavelmente. – Você ficará bem? Realmente não precisa da minha ajuda em nada?
– Isabella, Darling, eu faço isto há anos, eu consigo me cuidar por algum tempo. – divertiu-se Corin, dando uma piscadela a morena.
Isabella sorriu amplamente para o belo homem.
– Ok... vou seguir o seu conselho Corin, obrigada por isso. – agradeceu, dando um breve adeus ao planejador, antes de seguir o caminho para onde seu carro estava estacionado.
Dentro do calor de seu carro, Isabella pensou em seu próximo passo. De repente tão claro que até mesmo surpreendeu-se ela sabia onde deveria ir, e ligando o seu carro ela seguiu para um endereço que há algum tempo não ia.
O Washington Post continuava o mesmo de sempre, seus salões de mármore bem limpos, suas saletas divididas por vidros, as mesas de compensado cinza cheias de papeis, algumas edições do jornal espalhadas por aí. Jornalistas trabalhavam incansavelmente na edição do jornal de amanhã, mas Isabella nunca se importou com nenhum de seus colegas de trabalho, e definitivamente não seria hoje que ela se importaria. Continuando o seu caminho até a sala de Riley Biers para uma reunião urgente. Os seus saltos ecoavam pelo mármore.
Quando chegou a sala de Riley, Isabella sorriu para Irina que a encarava com uma expressão confusa e surpresa – afinal Isabella nunca vinha aos escritórios em dias da semana, principalmente no meio do expediente e também com roupas que ela usava claramente no escritório do Senador. Alguma coisa estava acontecendo, afinal na sala de Riley já estava o diretor geral do jornal: Stefan Graham Pulitzer.
Sem precisar dizer nada Riley já havia compreendido o motivo da reunião que Isabella marcou.
– Boa tarde, senhorita Swan. – cumprimentou Stefan.
– Isabella. – disse Riley. A morena sorriu para os dois.
– Boa tarde, senhor Pulitzer. Riley. – cumprimentou com um assentimento.
– Acredito que esta reunião é sobre a sua demissão? – pontuou Stefan. – Com o seu eminente casamento com o Senador Cullen, acredito que a sua presença no nosso jornal, e principalmente escrevendo sobre política tornará insustentável, correto?
– Isabella, eu sei que você sempre teve ambições jornalísticas, se você quiser continuar o seu trabalho aqui posso remanejá-la para outra sessão, talvez sobre na sessão de cultura, crítica, culinária, sessão editorial? – pontuou Riley. – Mas claro, é a sua decisão é o que importa. Saiba que a sua presença no nosso jornal nos últimos meses escrevendo sobre o pseudônimo de Royce King foi revigorante, um sopro de mudança no nosso jornal.
– Obrigada Riley, pelas gentis palavras e pela oferta de remanejamento. Mas tenho que concordar com o Senhor Pulitzer, tornando-se a esposa do Senador Cullen e escrevendo, mesmo que anonimamente parece tão inapropriado. A minha presença aqui no Post só não é mais... adequada. – suspirou dando de ombros. – A oportunidade que vocês me deram aqui, foi um aprendizado inestimável, eu sinto quase... – sorriu sem emoção. – ingrata por abandonar o barco assim sem cumprir o que me foi determinado.
– Isabella, a sua presença em nosso jornal nos últimos meses foi mais do que esperávamos. A sua contribuição com a verdade política do nosso país foi inestimável. Você cumpriu mais do que o determinado, você nos deu além. E é por isto que estamos aceitando a sua demissão, sem prejudica-la. Você trouxe um novo ar a nossa empresa, e seremos gratos a você. – pontuou Stefan.
– Obrigada Senhor Pulitzer. Riley. A compreensão de vocês neste momento é algo inexplicável. Obrigada por tudo. Por tudo mesmo, o aprendizado que tive neste período é... impossível de colocar em palavras. Obrigada. – declamou comovida a jornalista.
Após mais algumas palavras e Isabella assinou os documentos da sua demissão, e com votos de um excelente casamento a morena deixou os dois e seguiu seu caminho pela grande sala dividida em cubículos deixando uma parte de sua vida para trás, entretanto antes de chegar ao hall onde ficava o elevador, o seu ex-amante James Collins vestindo calças jeans pretas e camisa cinza aproximou-se dela.
– Ora, ora, se não é a futura senhora Edward Cullen. – pontuou cheio de sarcasmo. – O que devemos a honra de tê-la aqui? Aposto que nossas acomodações são simplórias perto da grandiosidade do gabinete do Senador.
– Olá James. – cumprimentou Isabella com indiferença.
– Oh! Ela ainda lembra quem eu sou. Que milagre! – divertiu-se.
A morena suspirou pesadamente, mas determinada em ignorar James o máximo que podia.
– Sabe, Isabella, você decepcionou muitos aqui que contavam com a sua matéria denunciando o Senador, mas olha que incrível você não fez nada disso e vai se casar com ele! Não é uma belíssima história de amor? Vejo a matéria de capa: “Jornalista infiltrada apaixona-se pelo Senador Cullen e vivem um belo romance que os levará aos salões da Casa Branca”, não é uma bela história? – provocou.
– O que você quer, James? – perguntou irritadiça. James sorriu vitorioso, conseguindo enfim a atenção da jornalista.
– Eu quero a maldita matéria que você se comprometeu a escrever! – o loiro agarrou o braço de Isabella com força. – Eu não vou perder o meu Pulitzer de denunciar o Senador Edward Cullen por todos os seus crimes por causa de uma vagabunda que está se achando a Cinderela. Eu quero tudo sobre o Senador! – exclamou apertando ainda mais o braço da morena.
– Eu não te devo nada! – vociferou a morena, tentando se livrar do aperto do jornalista.
– Ah, deve! Se deve! Você assinou um contrato determinando que iria desmascarar o Senador Cullen, e eu quero o que é meu de direito, eu quero as provas para garantir o meu lugar nesta situação, o único que conseguiu desvendar Edward Cullen! – exclamou alto e com urgência.
– Não! Eu não sou mais uma funcionária do Washington Post infiltrada no gabinete do Senador. Eu não te devo nada! Nunca devi! – exclamou finalmente se livrando do aperto de James.
– Sua vagabunda... – começou o loiro, mas antes de continuar a sua frase sendo interrompido por Stefan Graham Pulitzer, que vinha caminhando na direção dos dois jornalistas.
– Oh Isabella, que bom que ainda te encontrei no prédio, queria lhe entregar uma pequena lembrança pelo tempo que você nos prestou serviço e pelo seu casamento. Está no meu escritório. – disse o homem, enfim notando a posição agressiva de James para a mulher. – Algum problema Collins? – inquiriu diretamente a James de quem não gostava nem um pouco, mas que não podia negar que era um jornalista excepcional.
– Não, senhor Pulitzer, estou apenas dando os parabéns a Isabella pelo casamento.
– Oh! Acredito que você já a parabenizou, porque não volte para a sua estação, estou curioso para ler a sua reportagem sobre o Senador Martin.
– Claro... – concordou reticente. – Estou finalizando. Bom... boa tarde Isabella. Senhor Pulitzer. – e com um aceno de cabeça o jornalista deixou os dois seguirem o seu caminho para o escritório do diretor geral do Post.
James sentia-se ligeiramente humilhado por Stefan e Isabella, mas ele prometeu para si mesmo que isto não ficaria assim, ele iria se vingar de Isabella Swan e do Senador Edward Cullen. Ah... ele iria, ou não se chamava James Collins.
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Após a breve conversa com Stefan Pulitzer em seu escritório onde o empresário lhe presenteou com um belo vaso de cristal, Isabella seguiu para a saída do prédio, distraída com o grande pacote branco adornado com uma fita negra, não percebeu que mais uma vez Liam Klotz, que já havia descoberto a sua ligação com o Washington Post, estava registrando sua saída, bem como buscando qual a intensidade da presença da morena com o jornal.
A cada dia a sua investigação sobre Isabella Swan tornava-se mais e mais interessante.
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Em seu apartamento Isabella optou-se por tomar um longo banho de banheira, para relaxar e deixar todas as suas preocupações, seus pensamentos e sua ansiedade esquivar-se pela água quente e perfumada. Todavia, seus pensamentos continuavam seguindo a mesma rota que estava nos últimos dias: sua relação com Edward, seus sentimentos, Jake, Aro... era um rodamoinho dessas questões que a deixava mais e mais sufocada. Ela não conseguia compreender porque todas essas duvidas, essa confusão, essa culpa que se espalhava como um veneno a cada nova expiração. Seus pensamentos a consumiram e a exauriram tanto que Isabella acabou adormecendo na banheira, despertando somente quando Edward chegou ao apartamento já no começo da noite.
O político sabia que algo estava perturbando a sua noiva nas últimas semanas, contudo ele sabia que não cabia a si questioná-la o que estava acontecendo, pois se ela quisesse que ele soubesse ela diria a ele, e outra, se fosse algo mais indiscreto Liam Klotz mostraria a ele assim que sua investigação estiver completa, que segundo o alemão seria nos próximos dias.
Edward estava ansioso para descobrir o que tanto Isabella escondia, e se, de fato, ela tinha alguma ligação com Aro Volturi. Algo que ele torcia intimamente para que não tivesse.
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A semana que antecedia o suntuoso casamento de Isabella Swan e do Senador Edward Cullen passou num piscar de olhos. Cada mínimo detalhe estava pronto, Corin O’Donnell havia feito um trabalho espetacular, realizando cada desejo que parecia impossível de Isabella. O clima para o dia era outro ponto positivo. O vento gelado e a chuva constante que caíra por toda a semana havia se extinguido, e o calor do início da primavera era demasiadamente agradável e esperado.
A noiva havia seguido cedo para o SPA onde passaria o dia tendo o seu dia de noiva, com todos os mimos e paparicos que ela merecia em seu grande dia. Edward, por sua vez, fez uma parada em seu Gabinete pela manhã para resolver alguns assuntos pendentes e ter algumas reuniões antes de sua semana de folga por conta do casamento.
O político estava ansioso e impaciente, não só pelo o casamento que aconteceria em algumas horas, mas também pelo silêncio de Liam Klotz que no início da semana lhe disse que antes do enlace ele teria todas as respostas que Edward necessitava. Foi tentando apaziguar a sua ansiedade que Edward marcou um almoço com Seth Clearwater, seu advogado e amigo.
Seth ainda não estava convencido que o amigo estava fazendo um bom negócio casando-se com Isabella Swan tão rapidamente. Mal fazia seis meses que o divórcio com Tanya havia sido oficializado, e para o advogado seria mais prudente o amigo conhecer melhor a sua noiva, bem como aguardar mais um tempo do divórcio, contudo, Edward nunca fora conhecido por sua paciência, e esse casamento apressado era prova disso. Toda vez que Seth dizia que Edward deveria conhecer melhor Isabella, o político se esquivava da questão afirmando que ele já sabia tudo sobre ela.
Seth sabia que Edward estava lhe escondendo algo, algo muito grande, e ele odiava o fato de seu amigo, e principalmente cliente não estar lhe contando toda a verdade. Como advogado, Seth exigia sempre a completa honestidade com seu cliente, algo que Edward sempre cumpriu, mesmo sobre as coisas terríveis de seu passado ele havia se aberto ao amigo, por isto que essa falta de comunicação neste momento era sufocantemente avassaladora.
Após o breve almoço, Edward seguiu para a sua casa em North Brentwood para pegar o seu terno de casamento e seguir para o hotel onde seria a cerimônia e a recepção de seu casamento. Apesar da aparência tranquila que ele transparecia, Edward estava nervoso e ansioso. Era uma ansiedade tão estranha, era como se as suas entranhas o estivesses se contorcendo e sufocando-o por dentro. Edward nunca havia sentido isso antes, era uma sensação incomoda e perigosa.
Fora faltando uns 30 minutos para o horário que estava marcado o início da cerimônia, onde Edward estava prestes a colocar a sua gravata quando uma batida forte na porta o surpreendeu. O político pensou em ignorar a batida, mas quando ela começou a ficar mais forte e insistente Edward por fim decidiu atender a porta. Edward realmente surpreendeu-se em encontrar Liam Klotz com sua barba ruiva curta cobrindo o seu rosto.
– Klotz. – falou Edward com um leve tom de perplexidade.
– Cullen. – cumprimentou com um aceno. – Posso? – pediu indicando com a cabeça o espaçoso quarto em que o político estava.
– Claro. – começou afastando da porta para que o alemão pudesse entrar. – Claro. – repetiu tentando se recuperar de sua surpresa.
Liam observou o quarto. Vislumbrou o blazer estilo smoking cinza que Edward usaria em seu casamento sobre uma cadeira, a gravata que ele tentava colocar sobre a cama, suas abotoaduras de ouro e ônix em sua caixa preta sobre a mesa de cabeceira, bem como o belo par de alianças em ouro branco repousando em sua caixa de veludo. Pela janela do quarto Liam observava a preparação dos últimos detalhes do lugar onde ocorreria a cerimônia de casamento que davam pelo lago Tridal Bassin, onde o memorial Thomas Jefferson se erguia com suntuosidade diante das centenas de árvores de cerejeira completamente floridas.
– Vejo que está tudo pronto para o grande casamento.
– Não esperava você hoje, Liam.
Os dois homens disseram juntos. Edward notara o leve tom de sarcasmo de Liam, mas decidira ignorar apenas focando seus olhos sobre a pasta que o alemão estava carregando. O investigador observou que Edward estava ansioso e impaciente para saber tudo o que ele descobrira.
– Eu avisei Edward que até o final da semana eu teria o parecer total para você. – pontuou Liam. – Ontem infelizmente eu tive um problema de caráter pessoal, por isto não consegui reunir a você. – explicou esticando a pasta de papel pardo ao político.
– Eu não estou com o restante do pagamento aqui Liam, se você ficar mais algumas horas na cidade posso lhe entregar o restante do montante.
– Edward – começou Liam. – eu não fiz isto somente pelo dinheiro, quando me disse o nome de sua noiva eu sabia que havia uma ligação com... Aro Volturi.
Edward abriu a pasta e começou a passar os olhos pelos papeis que estavam ali, fotos, dados, documentos, tudo comprovava as mentiras da mulher que ele iria se unir em alguns minutos. Traição, enganos, falsas informações.
O político trincou os dentes e fechou a pasta.
– Obrigado Liam. – declamou andando até o criado mudo onde começou a colocar as suas abotoaduras.
Liam Klotz estava completamente confuso com a reação do Senador Edward Cullen. Ele conhecia Edward bem o suficiente para saber que algo da magnitude que ele havia descoberto sobre Isabella era o suficiente para acabar com a faceta de frialdade, desinteresse e inexpressividade do político. Contudo o que ele estava apresentando naquele momento era o mesmo Edward que mostrava a todos, um Edward Cullen: frio, calculista, cínico, perigoso, contido, e acima de tudo vingativo, aquele não era apenas o Senador Edward Cullen, um político poderoso que conseguira todo o poder que tinha pela sua postura e ações, aquele era o Coronel Edward Cullen, um homem que não se comovera a cometer crimes contra civis no período que esteve na guerra, àquele era o homem que não se importava com ninguém apenas com si próprio. Aquele homem que torturava inimigos e civis apenas por puro prazer. Aquele era o Edward Cullen que muitos dos adversários, aliados, amigos e inimigos temiam, aquele era Edward Cullen em sua própria essência.
– Edward, o que você vai fazer? – pediu Liam, já prevendo uma estratégia para cobrir os rastos que o Senador poderia deixar para trás e que atrapalharia todo o seu futuro político. Afinal, se ele quisesse o lugar que era de Jason Jenks, ele precisava estar a postos para fazer qualquer coisa.
– No momento – disse olhando para o seu relógio de pulso. – terminar de me arrumar e recepcionar meus convidados. É meu casamento, Klotz. – declamou amarrando a sua gravata com um nó elegante e charmoso.
– Você acha que é uma boa ideia? Edward, Isabella não é quem você pensava. Ela trabalhava como jornalista infiltrada do Post em seu Gabinete. Ela mantém uma relação sexual com outro homem, provavelmente um cúmplice. E se não bastasse ela é sobrinha de Aro Volturi, alguém que odeia a sua família. – enumerou Liam. – Pense Edward! Tem certeza que você quer seguir com esta loucura? – inquiriu; seu diploma em Psicologia estava dando o tom ao seu discurso, algo que ele se recusava a usar com toda a sua força para os seus clientes. No tipo de trabalho que fazia Liam Klotz sabia que não deveria se envolver, mas na situação era quase impossível. Eram muitas coincidências para ignorar.
– Liam – começou Edward. – se eu desistir deste casamento agora, tudo ficará pior. Eu não posso agir com impulsividade, quando agia assim no Golfo, eu quase fodi com toda a minha vida. – declarou retirando um cigarro de seu maço e ascendo-o em seguida, dando um longo trago. – Eu não posso cometer um erro que pôde colocar toda a minha carreira, tudo o que venho construindo nos últimos 20 anos por água a baixo. Eu preciso agir com cautela, preciso pensar os meus próximos passos, não posso agir apenas movido pela emoção. Tem que ser uma vingança calculada. – declamou dando mais um trago em seu cigarro.
– Então você irá manter esse casamento de fachada, até a sua vingança? O que você planeja Edward? Matá-la e dizer que foi um acidente? Edward, Aro Volturi não vai aceitar que um acidente com a sua querida sobrinha. Jenks com certeza já contou tudo a Aro, ele sabe tudo o que você fez no passado, e se algo acontecer com Isabella ele vai se vingar. – declamou.
– Você acha que eu não sei? – gritou Edward em tom de finalidade. – Esse filho de uma puta quase fodeu com a minha família no passado, e claramente planejou tudo isso para compensar o erro do passado, ele quer levar o nome da minha família na lama, eu não posso permitir isso! – declarou finalizando o seu cigarro com seu último trago.
– Ok, compreendi Edward. – suspirou Liam, retomando a sua faceta impassível. – Se você vai continuar com... qual seja o plano que você tenha, você precisa se acalmar. Você deve agir como o homem apaixonado que você agiu nos últimos meses, Edward. Você precisa vestir essa máscara e ficar com ela até que... que seja, até que você decida dar um jeito nesta situação. – o alemão encarou o rosto do político. – Edward, você vai precisar ser um excelente ator nesta situação...
– Klotz eu sou um político. Eu atuo todos os dias. – riu sem humor. – Eu sei ser um bom ator.
Liam sorriu sarcasticamente. Definitivamente Edward era um excelente ator.
– Mas eu preciso que você fique de sobreaviso. Descubra tudo o que você puder sobre Aro Volturi – Edward observou que Liam iria protestar, mas ergueu o seu braço impedindo. – você é a única pessoa neste país que pode descobrir qualquer coisa sobre esse homem. E... também quero saber quem é Jacob Black, tudo o que se tem que saber sobre esse pedaço de merda! – vociferou. – Eu pago o preço que for para descobrir tudo isso. Eu vou acabar com esses dois. – pontuou andando pelo quarto e retirando mais um cigarro de seu maço, tragando-o com força após de aceso.
– E Isabella? O que você pensa em fazer com estas informações? – questionou o investigador indicando com a cabeça a pasta que o político ainda segurava.
– Com Isabella Swan eu lido. Ela gosta do poder, da fortuna, do luxo, olha esse casamento – disse com sarcasmo indicando o local da cerimônia com a mão. – ela vai fazer qualquer coisa para conseguir chegar ao lugar mais alto, ou você vai dizer que largar o emprego dos sonhos no Post não é a prova de que a ambição de ser primeira dama é maior do que a sua fidelidade a... – riu em escárnio. – a família. Ela vai me entregar Aro Volturi em uma bandeja de prata. Observe Liam. – divertiu-se.
Os dois homens ficaram em silêncio por um longo tempo. Edward fumando o seu cigarro e Liam observando os convidados da cerimônia tomando seus lugares nas cadeiras dispostas. Após o fim de seu cigarro, Edward terminou de se arrumar colocando o par de alianças no bolso interno de seu smoking.
– Edward acredito que está na hora de você descer e agir como o noivo perfeito. – divertiu-se Liam. – Parabéns pelo... casamento.
– Claro. Obrigado Liam. – agradeceu o político. – Nos falamos em breve. – declamou finalmente saindo do quarto de hotel em direção ao ato que seria mais um casamento seu. Mais uma vez uma farsa.
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Isabella estava nervosa. Andava de lá para cá no roupão branco do hotel. Ela estava impaciente, nervosa, ansiosa e temerosa. Era um misto de emoções que a deixava sufocada. Ela fumava um cigarro atrás do outro, assim como consumia champanhe. Ela estava tentando recuperar a sua compostura, mas cada vez que olhava pela janela e via os convidados tomando os seus lugares nas cadeiras da cerimônia mais ela ficava aflita. Era um pressentimento estranho o que ela estava sentido. Não era nem agradável, nem ruim, era simplesmente estranho.
Uma suave batida na porta a assustou.
Suspirando pesadamente a morena seguiu para abri-la, aonde uma das funcionárias de Corin, Samantha veio a ajudar terminar de se vestir.
– Ansiosa Isabella? – perguntou Samantha.
– Nah. – respondeu Isabella com a voz trêmula e virando a sua décima taça de champanhe. Samantha riu.
– Vai ser um belo casamento Isabella, irá dar tudo certo. – tentou acalmar a assistente, retocando o rímel e blush da maquiagem da noiva.
– Sim... vai ser um belo casamento. – respondeu reticente a morena colocando seus sapatos brancos altos e em seguida entrando no belo vestido com a ajuda de Samantha.
A assistente ajudava Isabella a não deixar que o forro do vestido ficasse marcado no cetim branco quando uma nova batida na porta ressoou por todo quarto.
– Só um momento. – pediu Isabella, orientando Samantha a abrir a porta. A morena arrumava seus seios no vestido antes de se fechar o zíper quando ouviu a voz de uma pessoa que ela não esperava ouvir, uma pessoa que fazia anos que não via.
– Eu sou Renée, mãe da Isabella. – apresentou-se a bela mulher de cinquenta e poucos anos, de longos cabelos ruivos, pele clara e olhos azuis esverdeados, caminhando em direção ao quarto onde a sua filha estava vestindo-se para o casamento.
Isabella encarou a sua mãe. Renée pouco havia mudado nos últimos anos, parecendo mais uma irmã da morena do que a sua própria mãe. Seu elegante vestido longo azul com pequenos pontos de brilho bronzeado fazia um belo conjunto com seus brincos, bracelete e anel bronze e com pedras de quartzo, turmalina e topázio em tons de marrom e bronze. Suas sandálias e bolsa de mão eram bronze fosco. Seus cabelos ruivos estavam presos em um elegante coque, dando-lhe um ar sofisticado e elegante.
– Samantha, pode ir. Minha... mãe termina de me ajudar arrumar. – disse Isabella com um tom de cinismo.
– Ok. – concordou reticente a assistente. – Você se lembra como o Cameron pediu para anexar o véu? – perguntou incerta.
– Pode deixar querida Samantha, eu já trabalhei em um salão de beleza, eu sei como colocar um véu. – sorriu amorosamente Renée. Isabella não conseguiu conter-se em rolar seus olhos.
– Dessa forma então... – ponderou Samantha. – Fico aguardando as duas no saguão principal.
Enquanto Samantha preparava-se para deixar o quarto, Isabella e Renée encararam uma a outra. A morena nunca tivera uma relação muito agradável com sua mãe, ainda lhe doía muito o fato dela divorciar-se de seu pai e sumir no mundo mandando apenas um cartão nos seus aniversários e natais por quase uma década. Por sua vez Renée ainda não conseguia perdoar-se por deixar Isabella para trás, principalmente após a morte de Charlie fazendo com que Aro a criasse, moldasse a sua cabeça conforme seus interesses. Ela nunca se perdoaria por isto.
– Será que você pode fechar o zíper, mamãe? – pediu Isabella com um sorriso forçado para a sua mãe, no mesmo instante em que Samantha deixava o quarto.
– Você está linda Isabella. – elogiou Renée fechando o zíper do vestido e passando as mãos por seus ombros. Ao sentir o toque de sua mãe, Isabella afastou-se imediatamente como se o toque das mãos de sua mãe fossem espinhos.
– O que você está fazendo aqui? – exigiu Isabella. Renée se surpreendeu com a pergunta de sua filha, mas a sua perturbação se esvaiu em poucos segundos.
– É o seu casamento Isabella, eu como a sua mãe tenho que estar aqui. No casamento da minha filha! – exclamou com ligeira indignação.
A jornalista riu sem humor.
– Como se um dia você já se importou comigo, sua filha. – divertiu-se Isabella, afastando-se em direção a janela onde observou as cadeiras da cerimônia quase completas.
– Não me faça de vilã, Isa. Eu acarretei o desejo de Charlie, eu não a deixei porque não queria você comigo, mas porque ele não conseguiria viver sem você. Acho que você já é adulta o suficiente para compreender esta situação. – rebateu a ruiva. – E está mais do que na hora de você parar de ser assim Isa... amarga, rancorosa.
– Agora eu sou a amarga, a rancorosa? – divertiu-se Isabella, afastando-se da janela indo até onde o seu véu estava e tentando encaixá-lo no local onde o cabelereiro, Cameron, havia dito que deveria colocar.
– Aro nunca foi uma boa influência, Isa. – Renée mudou o tom da questão. Observando a luta de sua filha caminhou até onde ela estava retirando o véu de suas mãos e encaixando com perfeição no local onde deveria estar. – O seu amargor e rancor é contagioso, envenena a todos a sua volta.
Isabella virou e encarou a sua mãe após ela encaixar o véu no lugar.
– Esse casamento é obra de Aro, não é Isa? Eu não sei o que ele tem contra a família Cullen, mas ele sempre teve uma raiva, uma mágoa estranha sobre esta família, esse casamento é um estratagema dele, não? – questionou Renée com cautela, mas uma verdadeira preocupação sobre o futuro de sua filha.
– Lógico que Aro não tem nada a ver com isso! – exclamou Isabella. – Edward e eu nos apaixonamos um pelo outro, nós nos compreendemos, entendemos um ao outro. É...
– Amor? – completou Renée com descrença. – Tem certeza que você está apaixonada por Edward Cullen, Isa? E Jake? Será que você não o vê mais? – pediu com desconfiança.
A jornalista fechou seus olhos e respirou profundamente.
– Eu tenho que ir. Meus convidados e meu noivo me esperam. – disse retocando o brilho em seus lábios, e colocando os seus brincos de diamante.
– Você ainda está com Jake, não é Isa? Tome cuidado com isso, Edward Cullen não é um homem que aceita uma traição como esta, e se ele descobrir algo muito ruim pode acontecer com vocês dois. – avisou Renée, enquanto Isabella agarrou o seu buque de peônias e rosas brancas.
– Eu não estou vendo mais Jake. – disse afastando-se em direção à porta. – E eu conheço Edward, você acha que eu não sei como ele agiria se descobrisse alguma traição? Eu vi como ele reagiu quando descobriu a traição de sua ex-esposa. – esclareceu Isabella.
Renée surpreendeu-se com a resposta de sua filha. Mas não disse nada a ajudando a sair do quarto. As duas mulheres ficaram em silêncio por todo o caminho do elevador, fora quando chegara ao térreo a mais velha finalmente disse:
– Espero que você esteja certa Isa. – murmurou finalmente deixando a morena sozinha no elevador.
Isabella respirou profundamente e fez o seu caminho onde rapidamente encontrou Corin e sua assistente Samantha. De longe Isabella observou a decoração da cerimônia.
Cadeiras tom um toque renascentista de pátina branca e estofados cinza claros, eram separados no centro por uma passarela de tijolos acinzentados. Arranjos florais que eram um misto de hortênsias, peônias e rosas brancas adornavam o caminho, o gazebo onde o ministro se encontrava era de colunas de mármore e cúpula de ferro abobadada era adornada, galhos secos, tules brancos e as flores que tinham por toda a decoração adornava todo o gazebo, que completava a sua suntuosidade com um enorme candelabro de cristal preso ao teto abobado por um grosso pedaço de tule. Era simples, mas elegante conforme toda a decoração que ela havia escolhido meticulosamente.
O fundo com os monumentos de Washington, o Tridal Bassin que brilhava com o pôr-do-sol era emoldurado pelas centenas arvores de cerejeira que estavam completamente floridas com suas pequenas flores brancas. Era um cenário perfeito, de conto de fadas.
Edward fazia o caminho até o gazebo com um belo sorriso em seu rosto anguloso, o seu smoking cinza era um complemento adequado à decoração. Após a entrada de Edward, a morena observou os filhos dele, Jane e Alec, que seriam os padrinhos avançarem. Alec como o pai vestia smoking cinza, enquanto Jane estava deslumbrante em um vestido prateado tomara que caia com bordados ornamentais na frente. Seus cabelos loiros avermelhados estavam presos em um coque bagunçado em sua nuca. Jane havia escolhido o seu vestido com a anuência de Isabella, e a morena podia ver como todo o conjunto finalmente ficou belíssimo.
Finalmente a harpa começou a entonar suavemente a marcha nupcial, respirando profundamente Isabella começou a caminhar em direção a seu futuro marido. Seu vestido tomara que caia branco abraçava todas as suas curvas, deixando-a alongada e deslumbrante. A renda que cobria o corpete até o topo de suas coxas dava um ar sofisticado, bem como o pedaço de cetim, antes de mais uma vez a renda tomar lugar e se abrir em uma saia estilo sereia alternando grandes camadas de tule e renda. Suas costas eram cobertas pelo detalhe de renda que deixava a sua pele clara a mostra.
Isabella Swan era uma das noivas mais belas já vista por Corin. Seus cabelos presos em um elegante e sofisticado coque em sua nuca, onde era preso por um belo arranjo de diamante em formato de folha de onde já se saia o véu estilo birdcage cobrindo apenas seus olhos. O conjunto era sofisticado e impressionante.
Edward estava hipnotizado pela beleza de Isabella, o político sabia que a morena ficaria linda de noiva, mas ele nunca imaginou que ela ficaria tão deslumbrante. Sua pele clara brilhava diante da luz alaranjada do por do sol, seu sorriso contido era dado a todos com simpatia e agradecimento por sua presença, mas era o seu olhar, seus belos e profundos olhos castanhos que brilhavam emocionados e apaixonados em direção a ele que o deixou completamente sem palavras.
Após as descobertas que havia feito na última hora, Edward estava disposto a agir com Isabella como sempre agia com todos: frieza, indiferença, cinismo, arrogância, até mesmo um pouco de crueldade, mas toda a vontade que o havia consumindo se esvaiu ao olhar naquele belo rosto em forma de coração.
Pela primeira vez Edward sentiu algo dentro de si que nunca havia sentido antes. Um sentimento estrangeiro, mas forte, como um incêndio que consumia tudo a sua volta em brasas e largas labaredas de fogo, beijando e tornando tudo a sua volta em cinzas. Seu coração palpitava velozmente, por um breve segundo o político considerou que estivesse tendo um ataque cardíaco, mas logo percebeu que seu coração, assim como sua respiração, sua pulsação, seu cérebro estava querendo dizer algo que nos últimos meses estava ali, na sua frente e da qual ignorou, não deu importância.
Edward forçou sua memória a lembrar de quando este sentimento estranho começou a surgir, sensações como necessidade, ausência, urgência, fervor, saudade e desculpas o consumiram, e então, a lembrança veio com força: o primeiro beijo que compartilharam, quando ele depois de um ato hediondo contra aquela bela mulher que caminhava até si, ansiando a sua presença, seu perfume, seu cheiro, sua pele, implorou o seu perdão. A impulsividade daquele momento, a necessidade de partilhar um beijo algo que ele não fazia há tantos anos era tão grande que ele não conseguira evitar.
Entretanto, não era só impulsividade, a ânsia do perdão, era algo a mais. Algo que Edward nunca havia sentido nem por seus filhos, nem por seus pais, nem por Tanya, nem por qualquer outra mulher ou pessoa da face da Terra, ele havia sentido aquilo somente por uma pessoa. E ela caminhava até onde ele a esperava.
Isabella Swan.
Amor.
O peso desta pequena palavra afundou nos pensamentos de Edward. Instantaneamente ele sentiu-se paralisado, atordoado, aterrorizado. Como podia ele, sabendo tudo o que sabia sobre ela, como podia ele sendo o Senador Cullen se curvar por um sentimento tão inverossímil, tão passível de deixar quem o sentisse vulnerável. Ele se recusava a se sentir vulnerável.
Edward Cullen não podia amar ninguém. Amar alguém é tornar-se vulnerável, e tornar-se vulnerável é a ruína para qualquer pessoa.
Ele tentou controlar toda essa angústia que ansiava sair de dentro de si. Respirando profundamente e tentando acalmar sua respiração e pulsação Edward vestiu seu melhor sorriso torto e aguardou a sua futura esposa chegar até ele.
A cerimônia fora belíssima, apesar de que nem Edward, muito menos Isabella conseguiam concentrar-se nela. O político ainda remoía a sua conclusão de que ele possivelmente amava Isabella. Ela remoía a pergunta de sua mãe: “Tem certeza de que você está apaixonada por Edward Cullen?”, fora somente no momento do derradeiro ‘sim’ que a jornalista chegou a uma resposta a pergunta de Renée.
– Sim. – respondeu tanto para o ministro da cerimônia, quanto para seus pensamentos.
Isabella Swan, agora Isabella Cullen, estava completamente apaixonada por Edward Cullen.
A morena sentiu tudo a sua volta girar, sua visão ficar turva e o rosto anguloso de Edward desfocar-se, mas com uma respiração profunda ela ordenou-se para que de recompusesse, afinal, não seria algo tão terrível ela estar apaixonada por seu próprio marido, isto só tornaria as coisas mais fáceis para o futuro na Casa Branca que os reservava.
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A recepção assim como a cerimônia estava linda. Branco, cinza prateado e cristais compunham a decoração. Edward e Isabella Cullen era um casal apaixonado que atraía a atenção de todos, seja pelos olhares roubados quando achavam que ninguém estava observando, ou pelas demonstrações de afeto tão incomuns para qualquer um dos dois. Aquilo não era um ato, nenhum deles estava dando o melhor desempenho de sua vida, eles apenas estavam sendo eles próprios, sem máscaras, sem interesses, sem intenções, sem nada. Aquelas duas pessoas eram Edward e Isabella, que se não houvesse todo o contexto de poder, ambição, manipulação, cinismo, era assim que o casal seria: apaixonado, preocupado com o interesse um do outro.
Seth que estava sentado em uma mesa junto a alguns colegas de faculdade dele e de Edward observava a interação do casal. O advogado não conseguia compreender que jogo o político estava jogando, e Isabella, era mais do que nunca um enigma.
Outra pessoa que observava o casal era Victoria Collins, que viera sem o marido e estava sentada com alguns membros do Gabinete de Edward. Victoria havia considerado aquele dia como um dia de luto para ela, por isto que a ruiva optara por usar preto com detalhes em prata. A antropóloga admirava todos os detalhes, cada interação do casal, mas o que mais a incomodava era que eles pareciam apaixonados. Não algo forçado e mecânico como era Edward e Tanya, ou até mesmo com Isabella algum tempo atrás, desta vez a interação do casal era natural e fácil.
Lágrimas de inveja, rancor e ódio marejavam seus olhos. Seus dentes trincaram em nervoso. Ela não podia acreditar que o feitiço tinha virado contra a feiticeira. Que a sua intenção de vigiar Isabella, de ficar com Edward como a sua esposa havia acabado... o sonho de uma vida estava desmoronando na sua frente. Para conter as lágrimas que estavam prestes a cair Victoria levantou-se com rapidez e seguiu para o banheiro para se recompor.
Não muito longe de Victoria, estava Emmett McCarty e a sua esposa Rosalie Hale McCarty que também observava o casal. Emmett que era um dos amigos mais próximos de Edward estava feliz por seu casamento. Ele não estava presente na cerimônia de união com Tanya, mas pelo que ouvira antes nunca o casal pareceu apaixonado ou entrosado, ao contrário do que se parecia com Isabella.
Rosalie que era prima de Tanya e estava presente no casamento da prima com o político também observava atentamente o casal. Havia uma leveza, uma naturalidade tão incomum, mas ao mesmo tempo tão forte. Era uma conexão que somente casais apaixonados – algo que ela aprendera ao longo de sua carreira como advogada de família – conseguiam passar. Ali em seu vestido tomara que caia cheio de recortes vermelho, a loira que nunca teve qualquer simpatia por Edward torcia para que o político fosse feliz neste mais novo matrimônio. Parecia que Isabella realmente era a mulher de sua vida.
Edward e Isabella caminhavam entre seus convidados parando vez ou outra para cumprimentarem e receberem os parabéns pelo enlace. Quando chegaram à mesa dos pais do noivo Carlisle e Esme sorriam amplamente para o casal. Carlisle que estava observando os dois ficou surpreso com a paixão, o amor que passavam pelos seus olhares, gestos e carícias trocadas. Toda a sua insegurança e desconfiança com a noiva de seu filho se esquivou diante daquela demonstração de paixão que a morena depositava ao político. Era inebriante.
Esme também estava atordoada com as atitudes do casal. Em seu belo vestido que tinha a parte de cima em dourado e a saia em verde esmeralda lhe dava um ar sofisticado à bela e elegante mulher. Esme que nunca escondeu a sua desaprovação a Tanya; estava encantada com Isabella, na jornalista, a esposa de Carlisle via uma mulher forte, independente, inteligente, a mulher perfeita para estar ao lado de seu filho no futuro de sua carreira.
Durante a conversa animada com Carlisle e Esme, que falavam como a cerimônia e a recepção estavam lindas, foi quando uma Alice animada acompanhada de seu marido Jasper caminhava a passadas largas até os quatro.
Em seu vestido de mangas longas azul acinzentado com detalhes dourados, Alice estava com um sorriso amplo em seu rosto o que era igual ao de seu marido. Esme observou atentamente a sua filha que há tempos não demonstrava genuína animação, ainda mais com as suas constantes decepções em conseguir gerar uma criança.
– Oh! Edward, Isabella o casamento de vocês foi lindo! Estou tão feliz por vocês! – exclamou a psicóloga abraçando o seu irmão e cunhada.
– Obrigada Alice. – agradeceu a jornalista.
– Alice – começou Edward. – você não está só feliz por causa do meu casamento, o que está acontecendo minha irmã? – questionou curioso. Sempre fora impressionante a capacidade que os dois irmãos tinha de “ler” um ao outro. Quando eram crianças pareciam saber o que o outro pensava apenas com um olhar. E pelo que parecia esta capacidade não havia diminuído ao longo dos anos.
Alice ampliou o seu sorriso olhando para o seu marido.
– Jasper e eu temos excelentes noticias!
– Oh meu Deus! – exclamou Esme imitando o sorriso de sua filha.
– Sim mamãe, conseguimos a guarda provisória no processo de adoção do pequeno George. – explicou à morena.
– Oh Al, estou tão feliz por ser uma avó outra vez! – animou-se Esme.
– Mas você não será avó de apenas mais uma criança mãe. – divertiu-se.
Carlisle arregalou seus olhos surpreso, mas fora Edward quem expressou os pensamentos do pai.
– O implante deu certo? – questionou o Senador.
– Sim, Edward! – exclamou animada e emocionada Alice.
– Quando foi isso filha, por que não nos contou nada? – pediu Carlisle a filha.
– Ah papai, nós estávamos com medo. – disse indicando ela e o marido. – Foram tantas tentativas frustradas que não estávamos tão positivos sobre, mas depois que passou o primeiro trimestre...
– Você está de 3 meses? – perguntou Esme, acariciando a barriga ainda invisível da filha.
– Sim mãe, desculpa, mas...
– Nós entendemos Al, e estamos felizes por você. – completou Carlisle. – Mas está tudo bem com o bebê, você pode ficar de salto, com roupas apertadas. Não deveria estar de repouso? – perguntou com uma clara preocupação de médico, por saber da dificuldade da filha de engravidar.
– Carlisle, Alice está ótima! – assegurou Jasper.
– Papai, hoje é o casamento do meu irmão. Eu não perderia isto por nada, e meu médico disse que posso participar de eventos assim, desde que não me canse muito, mas... eu estou tão animada pelo bebê, pelo pequeno George, por Edward e Isabella. – sorriu abraçando seu irmão e cunhada mais uma vez. – Estou cheia de felicidade hoje.
– E você está brilhando, Alice. Parabéns pelas notícias. – parabenizou Isabella.
– Oh, Isabella, para você também. Você está gloriosa, o casamento está lindo! – elogiou.
Os seis continuaram a falar, até que Isabella observou uma movimentação no canto da recepção, Angela parecia falar com alguém nervosamente e Renée caminhava em direção onde ela estava, desculpando-se da família de seu esposo, a morena desfilou até onde sua mãe e Angela, com seu belo vestido de cetim preto e branco falava com ninguém mais, ninguém menos que Jacob.
Os olhos do moreno se arregalaram com a chegada de Isabella. Sua amante e paixão estava deslumbrante vestida de noiva, era uma lástima que não era o seu casamento com ela.
– Jake, o que você está fazendo aqui? – perguntou com urgência Isabella, lançando um olhar para onde Edward estava.
– Eu precisava ver você Isa. – respondeu o moreno. Seu olhar vidrado indicava que o moreno estava alcoolizado.
– Jacob, você não está bem. Está chamando a atenção. É melhor você ir. – declamou Angela visivelmente preocupada com o estado do meio-irmão.
– Não! – exclamou o ex-membro do exército americano. – Preciso falar com a Isa.
Renée ponderou a cena. Pela breve conversa que tivera com a filha antes da cerimônia de casamento, Isabella e Jacob não estavam mais se vendo, e pelo visto, tal rompimento não fora tão bem recebido pelo rapaz como havia sido pela filha.
– Angela e eu ficaremos de olho para não chamar a atenção para vocês dois, mas tem que ser uma conversa rápida. Certo Jake? Isa? – explicou Renée aos dois.
– Obrigado Renée. – agradeceu Jacob. Angela e Renée se afastaram o suficiente para não ouvir a conversa dos dois, mas não muito para que pudessem disfarçar se necessário.
– O que você está fazendo aqui Jake? – tornou a perguntar Isabella.
– Você está linda Isa. Como eu queria que fosse o nosso casamento hoje. Eu não te soltaria por nada. – elogiou com um suspiro apaixonado o rapaz.
– O que você está fazendo aqui Jake? – Isabella repetiu a pergunta inflexível.
– Eu vim te ver Isa!
– Por quê?
– Porque não consigo viver sem você Isa, eu... vamos fugir Isa, você não precisa ficar presa neste casamento, fingindo esse vida que não é sua. Eu posso te dar tudo o que ele te dá. Joias, carros, dinheiro. – ponderou o moreno agarrando as mãos femininas de Isabella.
– Não é tão simples Jake. Eu não posso...
– Você ainda me ama? – pediu com urgência.
Isabella hesitou.
– Jake... – mas o rapaz já havia compreendido a hesitação de sua amada, ele conhecia Isabella bem o suficiente.
– Você está apaixonada por ele? Você o ama? – perguntou com lágrimas dançando em seus olhos castanhos escuros.
– Jake... – começou Isabella com um fio de voz, mas antes que ela pudesse continuar a sua frase a voz profunda e calorosa de Edward encheu todo o salão.
– Boa noite a todos. Obrigado por estarem aqui. Eu gostaria de fazer um brinde a minha esposa... Bella querida onde você está? – pediu o político olhando exatamente na direção onde a sua esposa conversava com seu amante. Edward sabia disso, por isto inventou este brinde, movido pelo sentimento de possessividade, ciúmes da bela morena.
– Bella? – repetiu Jacob. – Ele te chama de Bella? Você não deixa ninguém chama-la assim! Como você pôde? – acusou o moreno.
Renée veio ao auxílio da filha.
– Isa você deve ir. – pontuou a ruiva segurando a mão de sua filha e a empurrando em direção onde Edward estava. – Você também deve ir Jake. Embora, Isabella está com Edward agora. Por favor, vá.
– Jacob, por favor. – implorou Angela. Finalmente com um olhar perdido e derrotado o moreno deixou as duas mulheres e o amor de sua vida para trás sumindo no meio da escuridão.
O discurso de Edward esbanjava uma paixão e um amor por sua esposa. Emocionando e deixando uma Isabella estonteada diante das palavras do político. Ela não esperava tal discurso apaixonado dele. Cheio de carinho Edward falava suas qualidades, suas pequenas atitudes, seus trejeitos, cada mínimo detalhe da sua personalidade. Personalidade que ela havia vestido desde quando se envolvera com ele. Uma mentira.
Suas lágrimas sufocadas na garganta eram pela emoção, mas também por suas dolorosas mentiras. Ela não sabia se conseguiria viver assim para o resto de seus dias. Era tortuoso demais. Tanto que nem após o discurso finalizado de Edward, Isabella conseguiu conter essa angústia dentro de si. Essa dúbia personalidade, essas decisões equivocadas que havia tomado. Ela não conseguira comer, mal percebia as coisas ao seu redor. Ela estava agindo no automático.
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Fora após o jantar ter sido servido que um convidado, não exatamente presente na lista de convidados apareceu na entrada do salão. Renée fora a primeira a vê-lo, olhando-se espantada para a direção da porta e desculpando-se das outras pessoas em sua mesa seguiu em direção à entrada. A próxima pessoa que o viu fora Angela, que também ficou surpresa saindo às pressas da mesa que estava dividindo com a família Cullen e seguindo o caminho que Renée fizera há pouco. Carlisle ficou intrigado com a súbita saída de Angela da animada conversa que estavam tendo sobre arte, em um primeiro momento o presidente do partido dos Democratas achou que estava tendo uma impressão, mas depois ficou mais claro quem era o indesejado convidado, ele trincou seus dentes.
Mesmo distraída Isabella percebeu Edward endurecer ao seu lado e focar seu olhar em direção à porta onde sua mãe e Angela falavam com alguém. Ali estava à última pessoa que ela esperava ver naquele dia, em seu casamento diante de todo clã Cullen. Ali estava ninguém mais, ninguém menos que Aro Volturi.
Isabella engoliu em seco e fechou seus olhos. Se ela saísse do lado de Edward novamente iria chamar a atenção para si e para o indesejado convidado. Os Cullen evidentemente não ficariam nem um pouco satisfeitos em ver o chefe do crime organizado de sua cidade de origem, Chicago, ali. Isabella precisava agir rápido, e torcer para que Renée e Angela conseguisse reverter à situação.
– Querido, o que você acha de dançarmos um pouco? – pediu Isabella carinhosamente a Edward. O político sorriu torto para a morena.
– Claro. – respondeu dando um beijo suave no rosto de Isabella e ajudando-o a levantar e indo ao centro do salão.
Enquanto todos ficavam deslumbrados pela dança do casal, longe dos olhares curiosos Renée e Angela se aproximavam de Aro que apesar de estar sendo hostilizado pelo olhar das duas mulheres não se incomodou, seu olhar continuava arrogante e desinteressado.
– Pai, o que você está fazendo aqui? – questionou Angela com um leve tom de pânico.
– Aro. – disse Renée com a cara fechada.
– Renée. – disse o criminoso ignorando a pergunta de sua filha.
Fazia anos que Renée não via Aro, mas em pouco havia mudando na última década. Ele continuava sendo o homem inescrupuloso, maligno, cínico, rancoroso e perigoso que sempre fora. Marcado por suas decisões terríveis, pelos seus atos criminosos, e principalmente pela morte de seu primo, seu ex-marido Charlie Swan.
– Angela, querida, pode deixar que eu converso com o seu pai. Vá ficar com Alec, antes que a sua presença aqui chame muito a atenção. – pediu Renée sem desviar o olhar do rosto do criminoso.
– Claro. – concordou reticente. Afastando-se do casal.
Quando Angela estava numa distância considerável, a mãe de Isabella virou-se para Aro:
– O que você está fazendo aqui? – perguntou sem qualquer inflexão na voz. Aro sorriu em escárnio.
– Renée, querida, você sabe que eu tenho todo o direito de estar aqui. – rebateu com um sorriso arrogante.
– Aro você já meteu a minha filha entre a família Cullen, sabendo que eles te odeiam. O que você quer? Acabar com a felicidade da Isabella? Ela está tão feliz com Edward, tão viva, tão apaixonada.
– Apaixonada? – divertiu-se Aro. – Isabella não se apaixona, a não ser pelo poder e pelo dinheiro.
– Não ouse falar assim da minha filha! – exclamou Renée aproximando o seu rosto do criminoso. – Está na hora de você ir, mandarei a Isa os seus parabéns ao casamento.
Aro estudou a ruiva a sua frente.
– Os anos estão te fazendo bem Renée, ainda se parece à mesma bela mulher que frequentava a minha cama há alguns anos. – pontuou com escárnio.
Renée trincou seu maxilar e estendeu a sua mão para desferir um tapa contra o rosto de Aro, mas o criminoso segurou o seu braço com força.
– Eu sei o seu segredo Renée, eu sempre soube. Não pense que você me enganou por um segundo. Até mesmo Charlie sabia, porque você acha que ele insistiu em ficar com Isabella depois do divórcio? – declamou com frieza.
– Senhora está acontecendo alguma coisa? – questionou um segurança aproximando-se de onde Aro segurava o braço de Renée. Diante da recente plateia o gângster soltou o braço de sua ex-amante.
– Não, não, foi apenas um engano. Esse senhor já estava de saída. – respondeu Renée sem tirar os olhos de Aro que sorria em puro deboche.
– Mande minhas parabenizações ao casal. Que eles sejam muito felizes. – divertiu-se Aro. – Enquanto durar. – completou afastando-se da entrada e sumindo no saguão do hotel.
Quando Aro já não era mais visto Renée soltou um suspiro pesado. Sua cabeça pulsava, doía diante das palavras do breve encontro com Aro Volturi. Ela não podia acreditar. Não. Seu maior segredo. Ela pressentia que essa verdade viria à tona logo e seria um verdadeiro pesadelo.
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O restante da recepção passou em intercorrências. Pouco a pouco os convidados foram dando seus adeuses e indo-se embora. Edward e Isabella estavam cansados e ansiosos pelas breves férias que iria tirar em Bora Bora, o destino da lua de mel.
Apesar das informações que tinha sobre sua esposa, Edward manteve estas para si. Optando por aproveitar os primeiros dias de casado, aproveitar enquanto podia desse sentimento que ele estava sentindo pela bela e apaixonante senhora Edward Cullen. Isabella, ou sua Bella, como ele a chamava a cada dia o conquistava mais na paradisíaca ilha da Polinésia Francesa. Seus mínimos biquínis, seu carinho, sua paixão, sua constante sedução a ele, era de enlouquecer qualquer homem, de deixa-lo perdidamente apaixonado.
O casal estava vivendo a todo o vapor os primeiros dias de uma paixão, de serem casados. O sexo entre eles, que parecia impossível melhorar, estava a cada dia mais impressionante naqueles 10 dias eles se amaram de todas as formas possíveis e impossíveis. Cheios de paixão, desejo, amor. Nenhum dos dois havia amado alguém, feito amor, apenas sexo, e esse novo ato os consumia e os deixava ainda mais impressionados e apaixonados.
Entretanto no voo de retorno aos Estados Unidos, Edward sabia que não poderia mais ignorar o que sabia sobre a sua esposa. Seu passado, suas traições, suas alianças tinham que ser esclarecidas para ele. Ele observou a sua esposa adormecida ao seu lado, intimamente Edward torcia para que Isabella tivesse excelentes explicações a dar a ele, porque ele não gostaria de viver mais uma vez um casamento de fachada, cheio de mentira e agonia.
Quando já estavam na enorme mansão do Senador o Chateau des Reves onde viveriam a partir daquele dia, Edward analisou uma esbaforida Isabella com todas as suas bagagens.
– Bella, querida, sente-se eu gostaria de falar com você. – pediu educadamente.
– Edward, agora? Estou tão exausta do voo, ele foi tão longo. – bocejou a jornalista.
– É inadiável. Precisamos conversar. Eu preciso te perguntar.
– Perguntar? Perguntar sobre o quê? – questionou confusa a morena.
Edward admirou a sua esposa, Isabella Cullen, dona de uma beleza e elegância, que desde que adotara o seu nome há pouco mais de 10 dias parecia ter se multiplicado. Suas roupas traziam uma postura distinta. O jeans creme era caro, a blusa de seda estampada com motivos florais, seus cabelos com ondas suaves emoldurando o belo rosto. Os belos olhos castanhos brilhando sobre a suave maquiagem.
– Pergunte, Edward, o que é? – pediu ansiosa.
– Eu preciso que você me diga tudo.
– Tudo? – inquiriu à morena. – Tudo o que Edward, você está me confundin-
Mas ela não precisou continuar a sua frase, Edward colocou sobre a mesa de centro a sua pergunta, fotos, informações, tudo que havia para saber sobre ela. Suas intenções, seu passado, suas ligações, seus casos. Jake, Aro, James, Washington Post, tudo o que havia para saber de sua vida estava ali diante dela naquela pasta de papel pardo.
– Eu preciso saber Bella, o que nós, esse casamento significa para você?
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