Notas iniciais
Oi meus amores, estou de volta, como sempre após uma era não pensem que não me envergonho, mas existem algumas coisas na vida que precisam ser priorizadas, né? Eu peço desculpas e volto a afirmar que isso não interfere na minha dedicação pelas fics! Queria agradecer os reviews de vcs, super lindos, e tbm ao apoio que vcs tem me dado. Olha só eu tô pensando em no último cap fazer uma nota com os dez melhores reviews identificando, na fic onde a pessoa acertou e onde ela se equivocou. Alguns reviews já estão na seleção kkkkk mas ainda tá em tempo de participar. Mas msm que vc não queria participar dessa doideira aí, peço que comente, pq é realmente importante! Boa leitura!

Enquanto arrumava o restante do material que levava para a aula, Freddie verificava a cada cinco minutos a sua caixa de entrada no noteboock que deixara ligado sobre o balcão da cozinha. Eles estava na expectativa de saber a resposta da mensagem que mandara ao advogado solicitando uma visita ao suposto assassino do pai, mas até aquele momento não havia chegado nada. Não fosse talvez pela vontade de antecipar aquela conversa em função dos últimos acontecimentos, ele percebesse que ainda não havia dado tempo sequer do homem ler o email já que Freddie o enviara de madrugada.

Ele estava em casa sozinho, a mãe havia saído há mais ou menos uma hora atrás, cerca de cinco horas da manhã, quando o garoto ainda dormia deixando como de costume, um recado na porta da geladeira, informando onde se encontrava o lanche e o dinheiro para que ele pegasse.

A última coisa que Freddie poderia imaginar há pouco tempo atrás é que um dia sua relação com a mãe chegaria aquele ponto extremo, em que um não confiava no outro que um dia os bilhetes que ela deixava ( que a ele sempre parecera algo sutilmente afetuoso) lhe pareceriam tão vazios como naquele momento.

Quando estava prestes a desligar o computador, o barulho agudo da campainha ressoou pela casa ao que ele correu rapidamente em direção a porta. Ele olhou através do olho mágico e após certa hesitação, acabou abrindo.

–Oi Freddie. –Cumprimentou Arthur.

–Oi.

–Posso entrar?

–É que já estou de saída...

–Não vou demorar. –Disse entrando na casa. –Só queria lhe mostrar uma coisa.

–Está bem. –Concordou fechando a porta. –Mas por favor seja breve.

O homem parou fitando-o profundamente e saltou um suspiro.

–O Charles ainda vai me pagar por ter se juntado a sua mãe para inventar algo assim ao meu respeito.

–O que queria me mostrar? –Perguntou Freddie.

–Isso. –Respondeu atirando uma pasta ao sofá. –Aí se encontra o motivo pelo qual sua mãe foi detida ontem a noite. Ela falsificou toda uma documentação para conseguir retirar um paciente de um hospital psiquiátrico mas acabou sendo descoberta.

O garoto recolheu a pasta e a abriu, deparando-se com um breve relatório assinado pelo detetive que Arthur contratara.

–Mas por que? Eu não entendo...

–Aparentemente ela e o Steven querem retirar um paciente da cidade, mas a clinica não permite por considerar desnecessário e prejudicial ao paciente. Então ela resolveu dar um jeito.

–Eu não sei o que dizer.

–Meu detetive tem avançado bastante Freddie, tenho certeza de que em breve ele trará novas informações sobre esse caso.

Freddie permaneceu em silencio fitando os papéis em suas mãos sem a mínima ideia do que dizer a respeito daquilo.

–Bom, mas eu disse que não ia demorar. –Disse Arthur caminhando alguns passos e detendo-se diante do sobrinho. –Já disse o quanto fiquei triste por não ter me pedido ajuda ontem a noite?

–Eu...

–Vá para a escola Freddie. E se precisar de mim, é só ligar virei o mais rápido que puder.

Após essas últimas palavras, o homem saiu apressadamente, deixando o garoto sozinho com aqueles papéis que o deixaram ainda mais confuso do que antes. Apenas um alerta em sua caixa de mensagens foi capaz de fazê-lo sair do transe em que se encontrava.

Mecanicamente, ele se dirigiu até o computador portátil e, movido pela curiosidade que causara ver o nome “Samantha” como assunto, abriu a mensagem sem nem ao menos perceber que desconhecia aquele endereço de email.

Como poderia ignorar qualquer coisa relacionada a alguém que em pouquíssimo tempo se tornara uma das pessoas mais valiosas em sua vida? Estava certo de que ali haveria algo que lhe proporcionasse o mínimo de conforto, pois assim sentia-se ao mínimo contato com Sam.

Ele passou os olhos rapidamente pelo que havia escrito ali e após alguns instantes de confusão, compreendeu do que se tratava. A principio achou que fosse uma brincadeira, mas a realidade o golpeava conforme ia lendo cada uma daquelas frases.

Gosta mesmo da Samantha? Então afaste-se dela, você a prejudica. Ela tem se afastado dos amigos por sua causa, tem perdido compromissos importantes para cuidar dos seus problemas, tem esquecido de si mesma por só pensar em você. Sabia que recentemente ela perdeu a oportunidade de se apresentar a uma gravadora em Los Angeles por que você se encontrava hospitalizado? Se acha que faz bem a ela, está enganado, você tira-lhe o brilho e impede de ser feliz, portanto se a ama de verdade, não seja egoísta e deixa-a em paz.

Ass.: um amigo.

Ao terminar de ler aquele breve de bilhete, Freddie se encontrava dividido entre um turbilhão de emoções dos quais três se faziam presentes nas lágrimas que deixava cair.

A surpresa por descobrir o quanto vinha se colocando no caminho de alguém a quem só queria o bem.

Uma forte indignação contra si mesmo por ter sido tão insensível a ponto de não perceber nada daquilo.

E uma imensa dor por estar certo de que não havia forma de ficarem juntos sem que ela saísse afetada.

E pra completar, sabia que não teria como fazê-la se afastar de uma vez por todas sem magoa-la de alguma forma, mas era isso ou continuar sendo um empecilho na vida dela, impedindo-a de conquistar seus próprios sonhos. Por mais que lhe custasse caro ter de abrir mão dela, não poderia ser egoísta a ponto de impedi-la de ser feliz.

A mulher penteava os cabelos furiosamente na frente do espelho tentando em vão aliviar a dor que parecia comprimir-lhe o peito todas as vezes em que revirava a pequena caixa verde em cima do guarda-roupas. Ela não notou que já há algum tempo era observada pelo filho, extremamente preocupado com seu estado de espírito desde a noite anterior.

Apenas quando percebeu, durante uma de suas crises de choro, a presença do filho observando-a, Ana se voltou ao garoto e caminhou-se até ele mirando-o carinhosamente.

–Hei, o que houve? –Perguntou ela.

–Eu é que pergunto. –Respondeu o garoto. –Está chorando desde ontem a noite.

–Não é nada, Gibby, agradeço sua preocupação, mas é apenas problemas de mulher.

–O que tem naquela caixa? –Perguntou apontando o objeto sobre o guarda-roupa. –Toda vez que vasculha aquela caixa fica assim, pensa que não percebo?

–São lembranças, Gibby dolorosas demais para compartilhar com quem quer que seja.

–não sou quem quer que seja, sou seu filho, e me preocupo com você.

–Sei disso, mas tem coisas que nem mesmo com um filho, e principalmente com um filho não devem ser comentadas. Vai ter que me desculpar querido.

Ele assentiu contrafeito e deixou o quarto, certo de que a mãe chorava por causa do outro. O outro pelo qual ela se separara do pai, e que após morrer por dividas de drogas, conferira ao pai não apenas um título de corno, como de suspeito de assassino. Não entendia por que as mulheres tinham uma clara tendência a preferir homens que as faziam sofrer e depois reclamavam por estar sofrendo quando elas mesmas optavam pelo sofrimento.

Aborrecido, ele pegou a mochila sobre o sofá e foi para a escola mesmo sendo um pouco cedo. Precisava conversar com alguém e era naquelas horas, sobretudo, que sentia uma imensa falta de Wendy. Havia ido a diversas delegacias procurar ajuda, mas não obtivera êxito. Os pais da menina continuavam a procura-la com a ajuda de detetives, mas cada dia que se somava ao seu desaparecimento parecia fazia as lembranças dela irem se apagando de sua memória e para evitar que sofresse, evitava pensar. Mas não parecia suficiente.

Carly retornava da padaria pensativa, recordando todos os fatos da noite anterior, desde a prisão da senhora Benson até os documentos que encontrara na casa de Missy. Ainda não sabia exatamente o que aquilo tudo aquilo significava, mas quase não lhe restava mais dúvidas quanto a participação do pai da amiga no assassinato do pai de Freddie.

Ela seguia distraída em direção ao prédio lembrando da forma como Missy sempre fora incentivada pela família a namorar Freddie, e embora achasse aquilo estranho, jamais cogitara a possibilidade de haver outra causa para a morte do empresário Benson que não o assalto, mesmo por que havia sido seu pai a cuidar do caso. E desconfiar de outra versão das coisas, a levava a desconfiar do próprio pai e isso a atormentava.

Ela abanou a cabeça afastando aquele pensamento quando chegou diante da rua e se pôs a observar a frente do prédio onde morava enquanto aguardava o sinal fechar.

–Hei, Carly. –Chamou uma voz.

Ele se voltou e deparou-se com Griffin que se aproximava lentamente.

–O que é?

–Nossa, que mal humor. Queria pedir desculpas por ontem, não quis ofendê-la.

–Mas ofendeu, aliás, sua presença já é um insulto pra mim.

–Nesse caso, tenho certeza de que gosta de ser insultada. –Disse baixo ao ouvido da menina.

–Sai... –disse sentindo os pelos da nuca arrepiarem-se. –não chega perto de mim.

–Se não passar lá em casa mais tarde vou te fazer uma visita no seu quarto. –Sussurrou. –Como nos velhos tempos, lembra?

Ele riu do rubor nas faces da garota e se afastou dando uma piscadela.

Carly se esforçava para se manter fria, mas aquele garoto causava sobre ela um efeito indescritível, como se fosse uma droga, tão viciante quanto prejudicial. Não sabia como resistir às investidas dele.

Ao perceber que o sinal já havia fechado, apressou-se em atravessar não sem antes verificar se ainda havia tempo. Anda restavam 20 segundos, e assim sendo, ela tentou cruzar a rua.

Quando alcançou a metade da via, uma Mercedes que se encontrava parada há alguns metros do prédio, acelerou a toda velocidade e a atingiu, arremessando-a longe, provocando um estalo em seu corpo quando o mesmo colidiu com o chão seguido de uma terrível falta de ar. Aos poucos sua visão foi escurecendo sem que nem ao menos conseguisse gritar. A última coisa que conseguiu ouvir foram os gritos desesperados de Griffin correndo em sua direção, mas esses foram se tornando baixos até sucumbir por completo.

A morte nunca parecera tão próxima a ela, que pouco antes de desfalecer por completo, pensou nos pais, em Spencer e nos amigos. Não gostaria que sofressem por sua causa, mas agora parecia não haver solução. Uma lágrima rolou de um dos seus olhos e ela desejou apenas ter prestado mais atenção antes de atravessar sem saber que não haveria cautela que a livrasse daquele horrível acidente.

Ainda não havia escurecido, mas as operações do dia haviam sido abruptamente interrompidas, e aquilo despertara em especial, a curiosidade de uma das “operadoras”. Não que gostasse de ficar dentro de uma sala escura, digitando códigos e abrindo acesso a banco de dados de computadores alheios para ajudar aquela quadrilha, mas Wendy sabia que eles jamais davam folga, e se as estavam mandando para o dormitório mais cedo, algo muito grave havia acontecido.

Enquanto se deixava conduzir por um estrito corredor ao andar de cima, onde ficava o quarto, ela atentou para os dois homens no centro da sala e percebeu a tensão no rosto de um deles.

Quando o jovem rapaz louro que as guiava se distraiu olhando para uma jovem muito bonita que subia, ela esgueirou-se pelas demais meninas que na mesma hora lhe deram cobertura e conseguiu alcançar uma das mesas, sob a qual se escondeu. A escuridão da sala ajudou-a a não ser vista. Com um pouco de dificuldade, ela engatinhou até chegar num ponto onde pode ser ouvir os dois homens que conversavam.

–Então a garota está morta? –Perguntava Davis?

–Foi o que mandaram fazer não é?

–É uma pena. Uma menina tão linda... –Ele riu pensativo. –Mas sabe de uma coisa? Terei prazer em ver a cara do coronel no enterro da filha.

–E o Tomy?

–Volta na semana que vem.

–Bom, nesse caso eu já vou indo. Ainda tenho mais trabalho a fazer.

Davis assentiu e aguardou que o outro deixasse a sala para só então se retirar também. Logo depois, Wendy saiu de onde estava e correu ao dormitório onde o vigia se encontrava sentado diante da porta e se espantou ao vê-la.

–Onde estava?

–No banheiro... –Respondeu fazendo-se de desentendida. –Onde estão todos?

–As operações estão suspensas por hoje. –ele levantou e abriu a porta atrás de si. –Entre aí e fique quieta.

Esforçando-se para conter o desespero, a garota entrou no dormitório onde as demais a esperavam e esperou que o rapaz fechasse a porta.

–E então, sobre o que eles falavam? –Perguntou uma jamaicana mantida ali a meses.

–Eu espero estar enganada. –Respondeu se deixando cair no chão. –Eu realmente espero estar muito enganada.

Quatro dias depois

Na pequena casa localizada no subúrbio da cidade, a televisão ligada num volume extremamente alto exibia o noticiário, no qual passava pela enésima vez o carro que causara o acidente da filha do coronel Shay. Sam assistia comovida o andamento daquelas investigações e se perguntava se aquele acidente teria alguma relação com o que vinha sendo investigado por eles.

–Se fosse uma Pam da vida. –dizia a mãe da menina. –Não estariam tão preocupados em achar culpados para encarcerar.

–Mãe, um pouco de sensibilidade não seria ruim, sabia? –Perguntou Sam. –Mesmo por que a imprensa também não se importa com a Carly, só querem audiência. Mas eu me importo.

Dizendo isso, a garota levantou e foi até o quarto onde pegou a bolsa, o casco e um guarda-chuva.

–Aonde vai? –Perguntou Shelby que estava fazendo uma lição sentada na cama.

–Falar com o Freddie.

–Ele deve estar muito mal não é?

Sam parou diante do espelho, inquietando-se diante daquela pergunta. Mal todos estavam. Ela própria estava e isso para não falar de Spencer, que a principio parecera que iria surtar, mas ninguém havia mudado o comportamento de maneira tão radical o comportamento como Freddie.

Ele parecia distante e impaciente, sobretudo com ela, como se não a quisesse por perto. A princípio, Sam deduzira que aquele estado irritadiço se devia ao fato dele se encontrar abalado pelo que acontecera a amiga, e por ele suspeitar que aquilo tivera relação com tudo o que estava acontecendo em sua vida, mas a forma como ele agia em relação a outras pessoas, nem de longe lembrava o tratamento frio que vinha sendo direcionado a ela.

–É eu acho que está. –Respondeu. –É um dos motivos pelo qual quero falar com ele.

–Tá bem. Se vê o Griffin diz que mandei um abraço.

–Digo sim. Até mais.

–Até.

Ela deixou o quarto e passou novamente por Pam que agora estava sentada no sofá com uma tigela de pipoca na mão mudando distraidamente de um canal para o outro.

–Vou ver o Freddie e volto.

–Já não se pede mais, se avisa. –Respondeu. – Que venha o apocalipse.

–Também te amo.

Enquanto caminhava atentamente pela calçada, Sam se perguntava se Freddie realmente estava em casa, dado o fato de que o relacionamento dele com a mãe piorava a cada dia. Ao pouco que ele lhe dissera até então, a mulher se recusava a conversar com o filho e os segredos em volta dela pareciam só aumentar, intensificando a crise na família.

Por isso, embora sentisse muitas vezes imensa vontade de empreender diversas brigas com Freddie por causa do distanciamento dele, Sam procurava se conter. Não queria sobrecarrega-lo ainda mais. Mas não suportava mais a forma como a relação deles caminhava, e como já havia passado certo tempo desde o ocorrido, achava que já estava na hora de obter alguma explicação para a mudança de Freddie.

Na mesa de reunião, estavam quatro homem com idades e intenções parecidas, mas apenas um levava vantagem sobre todos os demais ali. Michael Cartney, ainda abalado pelo desaparecimento da filha que já durava longas e terríveis semanas, mal conseguia se concentrar na leitura do contrato;

Douglas Roger tinha absoluta certeza de que aquela seria sua chance de sair de uma vez por todas do abismo onde fora jogado pelo noivado frustrado entre o filho e a garota que ele esperava nunca mais ver em sua frente. Tinha investido uma boa quantidade de dinheiro naquele projeto e tinha como pretensão tornar-se em breve o mais poderoso membro daquela pareceria.

Steven Robinson não pretendia deixar os amigos em má situação, mas sua ambição não media as consequências dos seus atos e fazer aqueles homens investirem suas últimas economias numa empresa onde seriam meros funcionários lhe parecia ser uma verdadeira caridade. Achava que o simples fatos deles podem continuar a ostentar uma fortuna que não possuíam mais e continuarem frequentando os ambiente sociais de que faziam parte já lhes era o suficiente. Não tinha culpa se aqueles homens não entendiam nada de negócio, poderia ser pior se ele não intervisse.

Um último homem, sentado de frente para Douglas, observava cada um atentamente e sorriu quando os dois homens finalmente acabaram de assassinar os documentos.

–Senhores. –Disse o homem. –Acabam de fazer o maior negócio de suas vidas.

–Espero que sim. –Afirmou Douglas.

–Agora, apenas para nível de esclarecimentos –Disse Steven animadamente. – estão cientes de que, a partir de agora integram o futuro maior grupo industrial da cidade?

–Sim. –afirmou Michael. –Trabalharei duro para que esse sonho se concretize.

–Se me permitem –Começou Douglas dirigindo-se ao homem a sua frente. –Gostaria de saber do senhor...

–Davis. –Disse sorridente. –Me chame apenas de Davis.

–Em fim, Davis. Tem certeza de que nunca residiu nessa cidade? Seu rosto é estranhamente familiar...

–Nasci e fui criado em Londres, Sr. Roger!

–Douglas. Me chame de Douglas. Aliás, vamos a partir de agora nos tratar apenas pelo primeiro nome, sim? Sinto que esse é o começo de uma longa amizade!

–Inclusive, daqui a duas semanas, farei um jantar aqui em casa! –Anunciou Steven. –Nele, anunciaremos todo os novos rumos tomados pela Robinson Enterprise! Estão todos desde já convocados a comparecerem!

Os três concordaram animados, e seus risos foram ouvidos no como ao lado, onde dois jovens conversavam sobre suas notas. O assunto foi abruptamente modificado ao escutarem os risos estridentes vindos do escritório.

–Missy, o que houve? –Perguntou Jeremy. –Precisa se animar!

–Sente falta da Wendy? –Perguntou subitamente.

–Sim. O que isso tem a...

–Meu pai sempre fala que certas notícias surtem mais efeitos que o próprio fato que quase sempre acaba sendo distorcido...

–O que?

–Acho que está na hora de alguém provar do próprio veneno. –Disse deslizando involuntariamente a mão pelo ventre. –Quer sanduiche?

Após descer do veículo em frente ao prédio de fachada clara elegante, Sam pagou a corrida, perguntando-se por quanto tempo aquele dinheiro do web show duraria se continuasse gastando daquele jeito e em seguida encaminhou-se ao interior do recinto. Não que não quisesse pegar ônibus, mas a forma como Freddie lhe pedia que tivesse mais cautela acabara surtindo efeito sobre ela.

Assim que entrou, avistou Spencer sentado numa cadeira, com uma expressão triste e pensativa. Ele esforçou-se para sorrir ao vê-la mas o resultado foi uma expressão ainda mais triste e comovida.

–Sam! –Ele levantou abraçando-a. –Agradeço por estar vindo todos os dias, mas não é necessário que se desgaste.

–Como você está?

–Bom, dormir num hospital não é muito confortável, mas saber que a Carly está fora de perigo faz isso aqui parecer um cinco estrelas.

–Foi um susto...

–Foi o susto.

–O seu pai conseguiu localizar o motorista?

–Ainda não. Ele desconfia que tenha sido um atentado, planejado para atingi-lo.

–Sério? E você o que acha?

–Que foi apenas um motorista distraído e covarde.

–E o Freddie?

–Ah! Ele está lá no quarto, vamos até a recepção pegar um crachá para que você possa ir até lá.

Carly repousava tranquila sobre a cama há dias e não dava o menor sinal de vida além do movimento do abdômen enquanto respirava. Após ter o pulmão perfurado por uma costela fraturada durante a queda, ela fora levada as pressas para o hospital, e se estava viva naquele momento, devia isso ao trabalho do médico que a atendera, um excelente cirurgião especializado em problemas pulmonares. Ela deixara a UTI 24 horas após a cirurgia bem sucedida e desde então encontrava-se sob efeitos de medicamentos para que permanecesse adormecida, ou não suportaria as dores.

Freddie estava sentado numa cadeira, com os olhos perdidos, sentindo-se de alguma forma culpado pelo que acontecera. O tio o avisara que haviam pessoas perigosas envolvidas nos segredos da sua família, mas ele ignorou o pedido do homem para que não falasse sobre aquilo com ninguém e agora a amiga estava naquela situação.

Sua maior preocupação no momento era com Sam, que não bastasse estar tendo sua vida completamente tomada pelos problemas dele, agora também corria perigo de vida, e tudo por sua causa. Desde que Carly fora atropelada ele vinha, a todo custo, tentando mantê-la afastada, mas Sam se mantinha firme ao seu lado o que só fazia dilacera-lo ainda mais por dentro. Mas ele sabia que mais cedo ou mais tarde, Sam acabaria perdendo a paciência, e o deixaria de vez, ou talvez o colocasse contra a parede exigindo uma explicação. O domínio que ela exercia sobre ele o fazia questionar o que aconteceria se isso visse acontecer.

De repente, ele ouviu vozes no corredor, reconheceu de imediato a de Sam e depois a de Spencer. Olhou de relance para Carly e uma ideia mórbida iluminou-lhe a mente, uma ideia que parecia ser a solução que há dias estivera procurando.

–Hei, onde você vai? –Perguntou a voz de Sam do outro lado da porta.

–Tomar um café, eu já volto. –Respondeu a voz de Spencer.

Hesitante, Freddie levantou e se aproximou da cama de Carly ciente de que estava prestes a fazer o certamente lhe custaria o amor da sua vida, a única pessoa capaz de lhe extrair risos em meio ao inferno que estava vivenciando. Mas era aquilo ou continuar atrapalhando-a, e pior deixando-a em risco pois essa parecia ser a condição de todos próximos aos Bensons. Pensando nisso, ele respirou fundo e tomou sua decisão.

Sam despediu-se de Spencer que no meio do corredor afirmara que precisava tomar café e seguiu até o quarto de Carly. Ela abriu a porta lentamente e teve que fazer um grande esforço para se manter em pé diante da cena que se exibia diante dos seus olhos.

Freddie estava inclinado sobre a cama de Carly, beijando-a nos lábios como se a garota deitada ali fosse a coisa mais importante da sua vida. Ela sentiu as faces esquentarem com fúria enquanto seus dedos se fechavam contra as palmas das mãos, chegando a machuca-la. Quando ele finalmente se ergueu e virou-se para a recém-chegada, limitou-se a dizer falsamente desconcertado:

–Eu posso explicar.

–Isso se explica sozinho. –Disse entre dentes. –Explica o modo como vem me tratando, explica sua frieza, explica tudo. Me faz um favor e se enterra junto com essa aí.

Sam virou as costas aos dois e saiu praticamente correndo pelos corredores do hospital, desviando do caminho pelo qual viera, indo parar em um lugar completamente desconhecido do hospital. Caminhou mais um pouco, sempre adiante não se permitindo retroceder ou mesmo olhar para trás, como se a cena que vira fosse se materializar caso tentasse se voltar.

A dor que sentia era insuportável, não lembrava de já ter sentido algo parecido antes, e de fato jamais sentira. Estava sendo duplamente traída sabe-se Deus há quanto tempo e não podia sequer descarregar toda sua fúria em um dos dois. As lágrimas caiam descontroladamente pelo seu rosto, tornando inútil qualquer tentativa que ela fizesse para contê-las.

Ela caminhava e soluçava e cerrando os punhos enquanto se perguntava em que momento se deixara enganar tão estupidamente a ponto de não ter percebido nada daquilo, de ter confiado naqueles que até pouco tempo atrás eram seus desafetos. Naquele momento pareceu que nada havia mudado, que não havia naquele pouco tempo constituído uma boa relação com os dois, e que pra eles ela continuava sendo apenas uma suburbana que fora fazer um trabalho na casa de um deles. Sentia-se uma intrusa, sem importância alguma na vida de Freddie, ignorando até mesmo tudo o que o garoto confiara a ela, tamanho era o choque em que estava.

De repente, ela esbarrou com violência em um uma enfermeira e ao tentar se desculpar, descobriu que estava diante da última pessoa que queria ver naquele momento.

–O que aconteceu? –Perguntou Marissa.

–Não é da sua conta. –Respondeu ríspida.

–O Freddie percebeu que tipo de garota você é e lhe chutou?

–É. Satisfeita? Agora sai da minha frente!

A mulher não pareceu convencida.

–Samantha não é? –disse impedindo a garota de passar. –Sabe não é a primeira tola apaixonada por alguém superior que eu conheço. Isso nunca acabaria certo.

–É, eu sei.-ela enxugou as lágrimas e a encarou desafiadora. – Sempre aparece uma falsa amiga vadia pra atrapalhar as coisas não é?

A mulher ergueu as sobrancelhas surpresa.

–O que quer dizer?

–Me perguntou o que aconteceu, estou lhe dizendo. –ela empurrou a mulher com violência e passou para o outro lado. –Só faço questão de deixar claro que eu sei me defender. E muito bem. Até.

Notas finais
O cap acaba com a música: Toxicity do System of a Down. Eu nem entendi a letra, mas achei impactante kkkkkkkkkkk

Peço desculpas se não tiver ficado bom!

No prx cap terá momentos Seddie, prometo!!

Amores, me informem dos erros, deixem seus palpites, sugestões eu respondo com prazer!

O nome do cap, remete ao vírus de computador.

A fic já está com a capa permanente!!

Gente, por favor comentem, sim? Preciso saber como a fic está indo povo amado, por favor, acessem suas contas rapidinho e diz o que achou aê!

Amo vcs!