Notas iniciais
Sei que desde a era glacial estou anunciando o final da fic, mas em fim as coisas não tem saido como eu planejo nunca sai na verdade... Em fim espero que vc não tenham abandonado a fic por causa da minha demora ocasionada pela minha falta de tempo eu sigo escrevendo essa e meu mundo e vc! Em fim, obrigada pelos comentário e pela recomendação de Dociel. Espero que gostem do cap, acho que mais dois e a gente diz adeus, só garanto que não passaremos de 40!

Ainda muito abalada com o que vira no hospital, e sem deixar de se perguntar, um segundo que fosse por que se deixara envolver justo com aquele garoto, Sam seguia até a sua casa a passos lentos. Não tinha disposição para andar e a vontade que sentia era de se deixar cair na calçada e chorar até que seus olhos não suportassem mais. Mas ela seguia caminhando, ainda que lentamente, segurando as lágrimas como podia, pois detestava chorar na frente dos outros, exibir suas fraquezas.

Era difícil acreditar que aquilo estava acontecendo, por mais que o acidente pudesse ter abalado a Freddie, o que ele fizera não era justificável, era uma prova de que ele nunca a amou de verdade, mas que sabia fingir muito bem o que indicava um grande desvio de caráter dele. E ainda havia Carly. Não era possível saber até onde ela tinha culpa naquilo, ou mesmo se tinha, e não poder ir até ela para perguntar não melhorava as coisas.

No momento em que se aproximava de casa, uma cena no mínimo estranha fez Sam apressar os passos em direção a um carro que estava parado ali.

–SAAM! –Gritou Shelby saindo de casa com um cachorro nas mãos.

Ela então passou a correr em direção ao carro e viu que dentro estava Brad, que provavelmente pegara o carro da mãe sem a autorização dela como já fizera outras vezes para sair com os amigos. Mas agora não havia alegria nem empolgação, ele tinha o semblante carregado e Shelby parecia em pânico, aproximando-se com alguma coisa agonizante no colo.

–Sam o Spike está muito mal estamos indo atrás de ajuda!

Sem dizer absolutamente nada, Sam tomou o cãozinho nos braços e entrou no carro sendo seguida pela amiga. O animal chorava baixinho e respirava com dificuldade, mas ainda assim soltou um ruído de satisfação ao perceber a presença da menina. Sam percebeu que ele não sobreviveria ao que quer que tivesse sido feito com ele e sentiu que naquele momento não poderia conter as lágrimas.

Não deixou de notar, entretanto que ha alguns metros perto do veículo um homem os observava a distancia, e embora ela não pudesse ver o seu rosto, envolto pelas sombras noturnas conseguiu vislumbrar algumas parte do seu corpo iluminada pela luz de um poste, dentre elas o seu braço onde havia uma enorme tatuagem que consistia num desenho de uma serpente.

Nenhum dos três sabia exatamente onde levar o animal, mesmo por que achavam difícil que houvesse alguma coisa a fazer dado o estado de Spike. Sam então se lembrou de um lugar onde talvez conseguissem ajuda. Chegaram em menos de quinze minutos, o local estava completamente vazio como era de costume no horário, exceto pelo dono que colocava alguns filhotes de gato dentro de uma caixa de papelão.

–Senhor Benson! –Chamou Sam. –Por favor, o meu cãozinho...

Arthur levantou o rosto e se surpreendeu ao ver a garota em sua frente com um animal já morto nos braços. Ela aparentemente ainda não havia percebido, ele não sabia qual seria a forma certa de dizer, então tudo o que fez foi tirar o cachorro dos braços dela e coloca-lo em cima do balcão onde os dois puderam observar que ele não grunhia nem chorava mais. Também já não respirava.

Ela cobriu o rosto com as mãos e chorou, triste e assustada com aquela atrocidade, se perguntando que tipo de pessoa tinha coragem de matar um ser indefeso. Chorou por ter perdido duas coisas tão importantes em uma só noite, por estar se sentindo ameaçada e principalmente por saber que nunca mais ouviria os latidos de Spike quando chegasse em casa. Sentiu os braços do homem se fecharam em volta dos seus ombros e se deixou levar para outra parte da loja onde ele a fez sentar sobre uma cadeira alta e macia.

–Sam, sei que é triste. –Disse ele. –Mas não havia mais nada que pudesse ser feito.

–Eu sei. –Disse um pouco mais tranquila. –Percebi isso no carro. Mas eu quis tentar e o senhor é o único veterinário que conheço e que poderia me ajudar a uma hora dessas.

–Quer me contar o que houve?

Ela o encarou nos olhos e logo desviou o olhar, assustada com a semelhança entre ele e Freddie.

–Eu não sei. Estava chegando em casa quando minha amiga me encontrou na rua e me contou. Ela me disse que saiu por algumas horas e quando chegou ele já estava passando mal, então ela ligou pra outro amigo e ele disse que o melhor era buscar ajuda.

–Vou verificar o que houve depois, está bem?

–Eu agradeço. –Disse levantando. –Desculpe o incomodo senhor Benson.

–Não é incomodo nenhum, e onde a senhorita pensa que vai? Precisa se acalmar primeiro, com quem você veio?

–Com dois amigos, eles devem estar me esperando.

–São os que estão próximos a um carro vermelho?

–Sim.

–Do jeito que estavam não acho que será um problema para eles aguardarem um pouco. Vou buscar um copo d’água pra você. –Disse afastando-se –Fique aqui, quero lhe perguntar algumas coisas.

Ela assentiu e o observou sumir por uma porta atrás do balcão. Ela olhou de relance pela janela e viu, por uma brecha da cortina do que Arthur falava. Brad e Shelby estavam extremamente próximos e de mãos dadas, encostados ao carro enquanto conversavam baixo. Talvez fosse mesmo uma boa ideia deixa-los a sós mais um pouco.

Em poucos minutos, Arthur retornou com uma bandeja contendo um copo de água, uma cafeteira, duas xícaras e um prato com biscoitos.

–Pra que tudo isso? –Perguntou intrigada.

–Acho que consigo alguns pontos com meu sobrinho tratando a namorada dele bem. –Disse rindo. –Brincadeira. Gosto de você, sinto muito pelo que aconteceu ao Spike.

Ela aceitou o copo de água que ele serviu e bebeu em poucos segundos.

–Mais calma? –Perguntou.

–Acho que sim.

–Então vamos comer, não sei se o Freddie lhe falou sobre minhas habilidades culinárias ou se vai ser uma surpresa pra você. Se bem que ele também não fica atrás...

–Pode parar de falar do Freddie? –Perguntou impacientemente. –Pois se todas as características dele foram herdadas do senhor creio que seja a última pessoa em quem eu posso confiar!

Ele a fitou surpreso e depois serviu o café nas duas xícaras.

–Ódio. –disse. –Irmão do amor. Preocupante seria se não lhe causasse absolutamente nada ouvir falar dele, por que a indiferença sim é um problema e eu não gostaria que fosse indiferente ao meu sobrinho Sam, por que ele gosta muito de você.

–Não sabe o que está dizendo.

–Tá eu não sei, é melhor lancharmos. –Disse antes de beber todo o café da xícara de uma só vez. –Me envolver em briga de casal já me custou caro demais e eu ainda não aprendi. É que as vezes, tudo o que queremos é o bem das pessoas que amamos e...

–Eu entendo. –Disse ela. –Me desculpe, não quis ser grosseira é que o Freddie e eu não temos mais nada um com o outro, só isso.

–Hm... Está bem então. O que gostaria de fazer quando terminasse o colégio?

–Cantar. É meu sonho, tenho me preparado pra isso e pretendo lutar até conseguir.

–É verdade você tem uma banda, a Purple. –Ele refletiu por um tempo. – Ouvi dizer que canta muito bem.

Ela sorriu desconcertada.

–Quando estivermos tocando em lugares mais agradáveis, convidarei o senhor para nos ver. –Disse levantando. –Bom senhor Benson, se me der licença eu realmente preciso ir. Obrigada por tudo.

–Não tem de quê. –Respondeu. –Espere um instante, embrulharei os biscoitos para que comam no caminho.

–Está bem, obrigada. -Respondeu sentindo-se um pouco melhor.

Mais uma vez ela o observou sumir pela porta e correu os olhos pelo local. Dessa vez chamou-lhe atenção um envelope azul com a logo Play&Back sobre uma cadeira que estava há alguns metros dali. Num impulso, ela foi até o envelope e o abriu deparando-se com extratos de saques altíssimos que haviam sido feito na conta da propriedade.

–Não devia mexer no que não é da sua conta.

Ela se virou assustada, deixando cair o envelope e os papéis que haviam ali dentro.

–Veja só isso –disse o homem pondo-se a recolher os papéis –Um homem não pode ter um pouco de sossego numa sexta-feira a noite, não lembro qual foi a última vez que sai com alguém...

–Está retirando dinheiro da conta do Freddie?

–Achei que não quisesse falar dele. –Disse erguendo-se –Sei que gosta dele Sam, mas acredite, eu também. Não, calma eu gosto de uma forma diferente, ok? Ele é todo o seu, o que eu quero dizer é que... Só faço o que é melhor pro meu sobrinho e é só o que posso dizer.

–O senhor precisa contar a ele. -Disse firme.

–Sam, está em choque pelo que houve, é melhor que vá pra casa. -Ele pôs o envelope sobre o balcão e apanhou um pacote. -Aqui, leve os biscoitos...

–Não, obrigada. Ingerir coisas oferecidas por alguém que mal conheço é a última coisa que pretendo fazer hoje.

–Não lembra que já bebeu a água? –Perguntou sério rindo logo depois. –Desculpe, não resisti.

Ele pegou o pacote de biscoitos e retirou um de dentro devorando-o em seguida.

–Isso está realmente muito bom. –Disse sentando onde antes estava o envelope. –É uma pena que não queira, mas se já disse tudo, creio que seja melhor ir pra casa.

–É. -Concordou. -Tenha uma boa noite e... Obrigada. Acho.

–Hei, Sam. -Chamou-a quando já alcançava a porta.

Ela se virou em silencio esperando por algum tipo de ataque mas ele continuava no mesmo lugar.

–Por favor não conte nada ao Freddie. -Pediu. -É só o que peço.

–Até senhor Benson.

Disse deixando a loja rapidamente, sem saber o que dizer de tudo aquilo

Na manhã seguinte, Freddie levantou cedo e aguardou que a mãe deixasse o apartamento para só então entrar em contato com o advogado. Obteve a mesma resposta que vinha obtendo até então, que Crawelt exigia saber qual o assunto que Freddie queria tratar com ele antes de recebê-lo, mas não apenas por não querer dizer, mas também por não saber ao certo o que queria daquele homem, Freddie se via num beco sem saída. Aquela altura, não sabia se quer se valeria a pena conversar com quem quer que fosse, estava farto de conversas, de pessoas contando histórias a sua maneira o que não lhe permitia a compreensão do que precisava saber.

–Diga a ele que não é a celebridade que pensa que é e que se não quiser falar comigo, não insita mais. –Disse. –É a minha última palavra senhor Thomson, obrigado por tudo.

Ele desligou o telefone e foi até o quarto onde pegou o computador e dirigiu-se ao apartamento da frente. Tocou a campainha e aguardou que alguém atendesse.

–Olá Freddie! –Cumprimentou Spencer.

–Bom dia Spencer, como vai a Carly?

–Bem, graças a Deus. –Respondeu abrindo o caminho para o garoto passar. – Tem melhorado a cada dia.

–Fico feliz em saber. Spencer, poderia me deixar ir até o sótão verificar o material do web show?

–Claro! Ainda estão trabalhando nisso?

–Não. Quer dizer há muito tempo não gravamos mais nada, mas tenho enviado o que já havíamos feito. Mas não quero tomar o seu tempo, parece que já estava de saída...

–Pra ser sincero, de fato ultimamente não tenho tido muito tempo, essa foi a primeira noite que dormir em casa! Mas já vou voltar pra perto da Carly.

–Acho bonita a forma como você cuida da Carly.

–Como poderia ser diferente, ela só se mete em confusão... –Disse sorrindo. –Um descuido e ela nos dá um susto desses, quer saber não importa o quanto ela reclame, vou proibi-la de sair de casa sozinha!

–Vou querer assistir a essa conversa. –Disse Freddie encaminhado-se às escadas.

–Acho bom mesmo que veja e aprenda como lidar com mulheres difíceis, ou melhor, com mulheres por que todas são difíceis a sua namorada não é uma exceção. Ontem quando chegou no hospital era uma, depois era outra e hoje...

–Spencer me desculpe, mas prefiro não falar sobre isso... Eu preciso verificar os equipamentos agora, também estou com pouco tempo...

–Claro, fique a vontade eu já estou de saída. Mas ainda sobre a Sam...

–Spencer depois conversamos, você está com pressa. –Disse enquanto subia as escadas –Mais tarde passo no hospital.

–Tudo bem, até mais então.

Freddie o observou pegar o casaco sobre o sofá e vesti-lo rapidamente e sair logo em seguida.

Um silêncio incômodo seguiu-se ao barulho da porta se fechando fazendo com que Freddie se sentisse mais sozinho do que nunca. A verdade é que tinha ido até ali reunir o que havia conseguido até então, pois temia que fazendo isso no quarto pudesse ser visto pela mãe. Assim que chegou ao sótão, ligou o computador sentou-se no chão e reuniu as anotações que vinha fazendo até então acerca de tudo o que sabia.

Primeiramente havia um assalto com características de retaliação, uma caixa com a cobra de brinquedo que indicava uma possível traição que o pai havia sofrido ou cometido, uma grande empresa por trás de uma pequena loja de fachada, os direitos de uso de códigos de segurança, e um grupo de amigos extremamente suspeitos. Fora isso haviam as relações complicadas que Frederik Benson havia construído ao longo de sua vida: com mulheres, amigos e o próprio irmão além da conduta duvidosa de alguns desses outros.

–Deus... -Murmurou. -O que significa tudo isso?

–Menos do que você merece. -Respondeu uma voz.

Ele virou-se sobressaltado e deparou-se com uma garota loira com longos cabelos cacheados encarando-o. Usava um vestido preto na altura dos joelhos e com mangas compridas que iam até a metade das suas mãos.

–Sam, o que faz aqui? –Perguntou levantando-se.

–Essa casa por acaso é sua pra que eu tenha que dizer o que faço ou deixo de fazer aqui?

Ela se aproximou em silêncio e sentou em um puff próximo ao garoto que mesmo confuso não deixou lançar um breve olhar as pernas dela.

–Eu espero não estar atrapalhando você. -Disse ela. -Sei o quanto isso tudo deve estar sendo difícil pra você ainda mais depois do que aconteceu com a Carly...

–Sam, eu...

–Poupe-me de qualquer desculpa, Freddie nenhum de nós dois tem tempo pra isso.

–Não, não é desculpa. Eu só... -Ele se deteve levantando. -Não quero falar sobre ontem, não há o que falar você tem o direito de me odiar pelo que viu.

–Você não nega o sangue, Fredward Benson. Acho que a coisa mais honesta que já me disse foi que se divertiu ficando com uma suburbana como eu.

–Espera, aquilo foi outro momento, você...

–É eu sei tinha ridicularizado toda a sua família postando o vídeo de casamento dos seus pais na internet. -Ela fitou o nada pensativa. -Mas parece que não mudou muita coisa de lá pra cá, não é?

–O que veio fazer aqui, Sam?

–Nossa sua aversão a mim voltou com tanta força assim? –Perguntou num tom sarcástico.

Ele se manteve em silencio fitando-a. Sabia que mais um pouco e ela acabaria arrancando dele o que bem entendesse sem nem sequer perguntar, e o que ela queria era uma explicação pelo que vira e isso ele não podia fazer, era possível que ela se negasse a se manter afastada.

–o Spencer me deixou entrar. -Disse ela. -Vim pegar umas coisas minhas que ficaram aqui, .

–Entendo. Mas é que não quero mais que se envolva nos meus problemas, não temos mais nada um com outro.

–Eu decido no que eu devo ou não me envolver. -Respondeu friamente. -Já tinha dito que ia te ajudar, não vou permitir que sua falta de caráter me influencie negativamente.

–De que diabos está falando? -Perguntou alarmado. -Pra começo de história não deveria nem estar aqui, deveria estar em casa, em segurança!

Sam lançou a Freddie um olhar carregado de ironia e sorriu ajeitando a franja.

–Ele se preocupa comigo, Deus, acho que vou chorar!

Freddie levantou impaciente e deu alguns passos pelo sótão passando as mãos pelos cabelos antes de se voltar a garota encarando-a sério.

–Ok, Sam o que quer?

–Garoto você por acaso acha que vai descobrir o que está acontecendo se isolando do mundo? Chega a ser ingenuidade da sua parte! Sozinho você fica fraco e é disso que precisam Freddie. Você não confia mais na sua família, nem nos seus amigos, não aceita ajuda acha que pode ir muito longe assim?

Ele desviou o olhar pensativo buscando as palavras certas, mas não as encontrou. Sabia que ela estava certa, a solidão era o que mais vinha lhe atormentando nos últimos dias, mas como não se isolar quando todos que eram próximos a ele, pareciam estar correndo risco?

–Ontem quando... -Ela hesitou antes de prosseguir. -Em fim, ontem eu encontrei o seu tio e fiquei pensando...

–Pensando no que? –Perguntou confuso.

Ela levantou aproximando-se e o empurrou fazendo-o colidir com uma cadeira onde caiu sentado.

–Em tudo, Freddie pense um pouco é muita coisa ao mesmo tempo em que tudo se resume ao seu pai... Ou a você.

–Vejo duas possibilidades em meio a isso tudo: A ambição de alguém que quer a loja ou os códigos... Ou alguém movido por fatores emocionais, problemas que teve com seu pai e que talvez... De alguma forma tenham sido passados pra você.

–Não entendo... -Murmurou.

–Nem eu. -Disse sentando-se na ponta da mesa. -ontem estava pensando numa coisa, daí cheguei aqui e... Enquanto procurava minhas coisas achei esse papel nas coisas da Carly.

Ela retirou uma folha de caderno pequeno do bolso do vestido e entregou ao garoto que o pegou e leu rapidamente o seu conteúdo. Tratava-se de um rascunho, cuja letra ele reconheceu como sendo de Carly. Dentre outros fatos do seu dia, ela relatava ali naquela folha, o que encontrara na casa de Missy na noite anterior ao atropelo: Um relatório secreto no qual alguém descrevia seus planos de enriquecer a qualquer custo.

–Acha que... -Começou ele.

–Não sabemos se foi ele, apenas ele. Com certeza ele não está sozinho nisso então você também não pode ficar. O Brad me disse que você tem tentado falar com o pai dele e me perguntou por que. Eu disse que não sabia, mas ele se ofereceu para leva-lo até ele amanhã.

–Ah é e por que ele faria isso? –Perguntou incomodado.

–Não sei. –Disse desviando o olhar. -Você vai ter que perguntar a ele, eu fiquei tão surpresa quanto você. Mas ainda que eu soubesse, eu não sei se te contaria, sabe como eu me senti ao ficar sabendo disso por ele e não por você? Qual o seu problema comigo hem?

–Sam, entenda precisa ficar longe disso...

–"Sam precisa ficar longe disso" Parece um disco quebrado. -Disse impaciente. -Olha só Freddie eu tenho que ir, se você vai falar com o Brad ou com o pai dele é uma decisão sua, apenas quero que saiba que... Eu estou com você.

Ele a fitou surpreso e após refletir por alguns segundos, ele levantou aproximado-se. Ela fez menção de se levantar, mas ele a deteve segurando suas mãos.

–Sam, por favor saia de Seattle –Pediu. –Sei que é pedir muito, mas é por sua segurança agradeço tudo o que fez e tem feito, mas... Eu fui infiel, não mereço nada disso.

Por alguns segundos pareceu a Freddie que ela havia ficado tocadas com aquelas palavras, mantendo um intenso contato visual com ele mas aquele clima romântico logo foi quebrado quando ela o puxou agressivamente pela gola da blusa fazendo com que ele a encarasse mais de perto, tão perto que eles podiam sentir a respiração um do outro.

–Então quer que eu vá embora? –Perguntou parecendo irritada. –Estou comovida com essa sua preocupação comigo... Ou seria apenas mais uma demonstração de sua covardia, da sua hesitação em não saber o que quer de verdade?

–Sam não é...

Antes que ele pudesse terminar, ela colou os lábios aos dele e mesmo sem entender o que aquilo significava, Freddie a abraçou pela cintura e sugou-lhe os lábios com avidez revelando todo o desejo que sentia. Ele a imprensou contra a mesa, deixando a sentada e colocou-se entre as pernas dela deslizando as mãos até elas, quase no mesmo instante sentiu as mãos dela deslizarem aos seus cabelos, puxando-os ao ponto dele sentir dor. Mas foi a forma como ela aumentou a intensidade com que o beijava que o fez interromper todos os movimentos abruptamente.

Ela o empurrou com força e levantou da mesa afastando-se com uma expressão completamente vazia.

–Viu? Não sabe o que quer. Não se preocupe, vou ficar longe de você sei que quer estar livre quando a Carly acordar.

–Sam...

–Quando essa sua fase complicada passar, vai desejar que volte, por que é só por causa dela que estou sendo tão boazinha. -Afirmou. -E acredite, vou fazer o possível pra que ela passe pra que eu mesma possa dar o que você merece. Nunca vou te perdoar, Freddie.

Em frente ao hospital havia dois homens vestidos de pretos observando atentamente o movimento em torno do hospital, um deles usou o rádio para comunicar alguma coisa assim que Griffin se aproximou e o garoto teve a certeza de que aquele homem o conhecia e de que sabiam o que ele estava fazendo ali, e ele concluiu que isso se devia ao fato de serem homens do coronel Shay que como era sabido por quase todos na cidade, montara um forte esquema de segurança em torno do hospital.

Ao chegar a recepção do hospital, Griffin se sentiu constrangido ao chegar ao hospital e encontrar Amanda Shay conversando com uma enfermeira na recepção, e até pensou em voltar mas se manteve firme e dirigiu-se até a mulher e perguntando por sua filha.

–Ela está bem. -Respondeu. -Obrigada por se importar.

–Eu gostaria de vê-la. Por favor.

–Sua mãe sabe que está aqui?

–Não senhora Shay, gostaria que entendesse que ela é uma pessoa e eu sou outra, é a ela que a senhora conhece não a mim.

A mulher deu as costas a ele e após dizer alguma coisa a recepcionista virou-se com um crachá que foi entregue ao garoto.

–Quarto 312. -Disse — Não demore muito ela pode sentir sua presença e se aborrecer.

Ele assentiu e pegou o crachá rapidamente e enquanto o colocava, encaminhou-se em direção ao corredor que dava acesso aos quartos antes que a mulher mudasse de ideia.

Ao entrar no quarto foi que Griffin entendeu por que a mulher o deixou entrar tão facilmente. Sabia que por motivos de segurança ficava sempre alguém de confiança dentro do quarto, mas esperava que Spencer estivesse ali, já que o vira saindo do prédio pela manhã, sua surpresa ao encontrar o coronel sentado numa poltrona ao lado de Carly conseguiu se sobrepor ao que sentiu ao ver a mãe da menina na chegada do hospital.

–Bom dia senhor Shay. -Disse timidamente.

–Coronel Shay, rapaz. -Respondeu rispidamente. -Deveria saber tratar uma autoridade.

–Me desculpe. -Disse aproximando-se. -E-eu vim ver a...

–A Carly? -Interrompeu. -Que surpresa, pensei que tivesse vindo ver a mim.

O homem levantou e caminhou até o garoto com uma expressão severa.

–Quero que saiba que não há um único centímetro desse quarto que não esteja sendo monitorado. -Disse entre dentes. -Nunca vou entender o que a Carly vê num sujeito como você.

Dizendo isso ele passou pelo garoto empurrando-o e saiu do quarto fechando a porta devagar.

Griffin aproximou-se da cama e fitou a menina deitada ali sentindo um forte aperto no coração ao vê-la daquele jeito. Ele segurou a mão dela delicadamente e deixou que duas lágrimas lhe rolassem pela face ao lembrando de tudo pelo que passara desde que ela sofrera ao acidente. Ainda podia ouvir o terrível barulho do carro chocando-se contra a garota, o grito das pessoas que estavam por perto, incluindo o seu. Lembrava que ao ver os olhos dela se fechando, tivera a certeza de que eles não voltariam mais a se abrir e vê-la daquele jeito, ainda de olhos fechados lhe causava uma forte angústia.

Ele tocou-lhe a face gentilmente e quase no mesmo instante sentiu uma leve pressão em seus dedos. Um sorriso involuntário invadiu os lábios dele ao ver um par de olhos negros fitando-o por alguns segundos e fecharem-se logo depois.

–Acabou seu tempo, rapaz pode se retirar –Disse o coronel entrando.

–Ela está acordada. Ela abriu os olhos, por favor, deixe-me ficar!

O homem se aproximou da cama empurrando o garoto novamente.

–Ela não pode acordar, vai sentir dor. Carly? –chamou.

A menina não se mexeu.

–Deve ter sido impressão sua. De qualquer forma é melhor chamar a enfermeira...

O homem apertou um botão na proteção lateral da cama e em poucos segundos duas mulheres entraram no quarto e após o homem explicar o que aconteceu, as duas se puseram a examinar a menina.

–Ela está perfeitamente bem. –Disse uma delas. –O rapaz deve ter se impressionado, isso é normal.

Griffin pensou em protestar, mas não querendo contrariar ninguém permaneceu em silencio como se concordasse com o que aquela mulher dizia. Quando as enfermeiras saíram, ele se aproximou de Carly e sussurrou alguma coisa ao seu ouvido saindo logo em seguida lançando um breve aceno ao coronel que parecia se controlar para não atirar o garoto pela janela.

Na saída, Griffin viu Amanda e Marissa conversando e percebeu que as duas o olharam de um modo estranho quando ele passou por elas, virando os rostos quando o menino as encarou. Não entendia o porque daquela rixa entre as duas mulheres com sua mãe, mas estava certo de que não deixaria mais que o quer que houvesse entre elas ou seja lá quem fosse se pusesse entre ele e Carly, nem que pra isso tivesse que raptar a menina quando ela estivesse boa. Agora mais do que nunca tinha certeza de que a amava e estava disposto a enfrentar qualquer coisa para ficar com ela.

A tigela de Spike ainda se encontrava na varanda, vazia e solitária destacando a tristeza que se encontrava dentro daquela casa. Era difícil acreditar que o que até o dia anterior latia e corria de um lado para o outro agora estava morto por um ato de estrema maldade.

Ao sair para colocar o lixo na rua, Sam pensou em jogar fora aquela tigela, mas mal conseguia encara-la e acabou retrocedendo. Ela ainda não sabia se havia feito a coisa certa ao omitir de Freddie o que acontecera a Spike e o que descobrira do tio dele, mas por mais que se odiasse por isso, preocupava-se demais com o psicológico do garoto e achava que por enquanto algumas coisas não precisavam ser ditas, mas que tinha de ficar perto dele, e essa talvez fosse a aparte mais difícil.

Beija-lo fora algo que nem mesmo ela compreendia por que fizera, e por mais que evitasse pensar naquilo volta e meia lhe vinha a mente a ideia de lutar por ele, algo que nunca havia feito nem jamais imaginou-se fazendo, e isso z fazia odiar cada vez mais o garoto.

Tentando afastar aqueles pensamentos, Sam pôs o lixo no cesto da rua e se encaminhou vagarosamente até a sua casa enquanto observava o pouco movimento de pessoas que havia na rua. Ela chutou com força uma latinha azul que surgiu em sua frente, afirmando a si mesma que quando tudo ficasse bem, faria a mesma coisa com Freddie e um pouco mais, e talvez também com Carly mas seus pensamentos vingativos foram abruptamente interrompidos pela freada barulhenta de um carro. Ela voltou-se na direção do barulho e avistou dois homens saindo de dentro do carro e aproximar-se. Ela pensou em sair dali, mas como reconheceu a outra que estranhamente usava uma peruca loura, permaneceu ali e acenou. Seu pior erro.

–Olá, Sam como vai?

–Bem, e a senhora?

–Melhor agora. -Respondeu aproximando-se mais. -Quero que venha comigo a um lugar.

–A essa hora? Aconteceu alguma coisa com o Grffin?

–Meu filho está ótimo e vai ficar ainda em breve. Sabe Sam devia ter me ouvido quando eu disse que nada lhe aconteceria se você não se envolvesse com o garoto Benson. Agora você é o ponto fraco dele e meu respectivo passaporte para o triunfo. –ela se aproximou ainda mais. – Grite, chore, esperneei ou apenas pisque e sua linda mãezinha sofrerá. Ela está com um dos meus rapazes agora, acha mesmo que ele gosta dela, acredita?

Sam sentia como se chão estivesse se abrindo sob os seus pés, tamanha era sua surpresa, e por mais que tentasse não conseguia entender o que estava acontecendo ali.

–Então... -A menina mal conseguia falar. -Esse tempo todo, fingindo ser minha amiga, você...

–É a vida! -Disse. -Mas não se preocupe só preciso de você pra controlar o menino, depois estará livre. Agora pare de falar e entre na droga daquele carro, não quero ser vista nesse lugar pavoroso!

Em silencio, Sam caminhou até o carro e entrou mais confusa que apavorada. Olívia entrou logo depois e sentou ao lado da menina observando-a atentamente. Sam tentava se mostrar tranquila, mas a verdade e que estava começando a sentir raiva daquela mulher, de se deixado enganar por ela. Mas não era aquilo tão desprovido de sentido dada a forma como Griffin sempre pareceu saber coisas que pra ele não deviam ter qualquer importância, isso pra não falar dos problemas entre ele e Carly, causados pela mãe dele.

–O que vai dizer a minha família? –Perguntou ela. –Acho que sentirão minha falta.

A mulher riu.

–Será mais fácil sobreviver se não fizer perguntas. -Respondeu voltando-se ao condutor logo em seguida. -Você, acelere a porcaria desse carro!

Era mais uma manhã fria e cinzenta em que Freddie se via caminhando sozinho com suas incertezas, ainda pior que a anterior quando acordara sentindo o peso na consciência pelo que fizera com Sam no hospital. Agora havia a lembrança de sua demonstração de fraqueza, agarrando-a daquele quando deveria tentar afasta-la de todas as formas possíveis ainda mais depois dela ter dito que continuava disposta a ajudar. Mas sabia que não importava quantas vezes tivesse que passar por aquilo, sua reação seria a mesma, nem mesmo sabia como a deixara ir sem prende-la nos braços e dizer o quanto amava. Diferente do que ele imaginou, não seria fácil obter o perdão dela quando tudo acabasse, e o pior de tudo era o fato dela continuar em uma situação de risco, envolvida com pessoas cujo grau de periculosidade se revelava maior a cada dia.

Enquanto caminhava em direção a lanchonete Freddie refletia sobre o que estava prestes a fazer e concluiu que seu desespero era realmente grande a ponto de aceitar a ajuda de alguém que sempre considerou um inimigo e que podia estar se aproveitando da situação para se aproximar de Sam. Mas a verdade é que recusar o que lhe fora proposto também poderia ser visto como uma atitude arrogante de alguém ainda a avesso a pessoas do subúrbio o que poderia magoar ainda mais a loira.

Mas acima de tudo, Freddie desejava por fim aquela situação e estava disposto a fazer o que fosse preciso para que isso acontecesse. E além disso, frente a tudo o que estava acontecendo, Brad não podia mais ser considerado a pessoa mais repulsiva que ele conhecia.

Assim que entrou na lanchonete, viu o garoto no balcão bebendo alguma coisa. Ele acenou para o recém chegado que se aproximou cautelosamente.

–Olá. -Cumprimentou Brad.

–Como vai? -Perguntou Freddie.

–Bem obrigado. Fiquei surpreso quando soube que queria falar com o meu pai, e se me permite, achei estranho ele ter recusado...

–Por que?

–Você nunca nos fez mal algum. -Disse dando de ombros. -Mas é melhor irmos andando não quero tomar o seu tempo.

–Só uma coisa... Brad. -Disse Freddie. -Por que está fazendo isso?

–Hã... -As bochechas dele tornaram-se rubras. -Bom você pode achar ridículo mas acho que ajudando você deixo claro que não gosto da Sam... Preciso que alguém perceba isso.

Freddie desviou o olhar processando aquela situação e só então se deu conta de que não estava em frente a um filho de ladrão, mas de um garoto que exatamente como ele tinha sua imagem construída através do reflexo de outras pessoas, mas que na verdade não passava de um garoto comum, passando pelas melhores e pelas piores emoções inerentes aquela época da vida.

–Bom, podemos ir então? -Perguntou Brad. -Ou quer pensar melhor sobre isso? É bom que saiba desde já que como está indo comigo, não haverá aquele vidro entre vocês.

Após alguns segundos de hesitação, Freddie olhou de relance para a janela e viu, que em meio as enormes nuvens cinzas havia uma pequena dispersão através do qual alguns raios solares conseguiam passar levando um fiasco de luz a uma parte da cidade. Ele encarou o outro garoto e informou sua decisão.

Os dois se dirigiram caminhando a penitenciária que ficava localizada a alguns quarteirões, como a rua estava movimentada Freddie não viu problemas nisso. Sentia-se estranho por estar andando com o filho do homem que até então era considerado o responsável pela morte do seu pai, mas o tempo todo mantinha seus pensamentos na necessidade imediata de por fim a situação em que estava vivendo, cercado de segredos e deixando em risco todos os que se aproximavam dele.

Quando chegaram a penitenciária da cidade, os portões de ferro, os muros com cercas elétricas e os guardas fortemente armados nas torres fizeram com que Freddie se sentisse um pouco apreensivo, mas de alguma forma ele também se sentiu muito próximo de descobrir algo que o levaria a verdade. Eles passaram por três recepções, cada uma separada por grades e pequenos corredores, e por fim chegaram a sala onde foram revistados. Freddie não teve problema por ser menor de idade, pois tinha conseguido que o tio assinasse, a contra gosto, uma autorização prévia até que o advogado agendasse a visita. Quanto a sua mãe, esta certamente infantaria se sonhasse com aquilo.

Ele sentia uma pontada culpa por estar traindo a confiança dela aquele ponto, mas não via outra solução, já que ela mesmo o privava da verdade.

Por fim, os dois foram conduzidos a uma sala repleta de mesas e cadeira onde os detentos recebiam suas visitas. Numa mesa localizada no canto da sala, sentado palitando dentes, Freddie viu o homem que até então apenas vira em jornais e noticiários, o mesmo que aprendera a odiar com todas as forças e que naquele momento parecia ser, contraditoriamente, sua única fonte de informação. No momento em que os olhos dos dois se cruzaram, Freddie achou que entraria em pânico, mas para sua surpresa, se manteve tranquilo, e depois surpreso. Havia medo nos olhos do homem quando ele avistou o garoto ao lado do filho.

Quando pensava em se aproximar, Freddie sentiu alguém se esbarrar nele com força colocando alguma coisa entre os seus dedos. Ele olhou para os lados mas o homem se afastava rapidamente e a voz de Brad lhe apressando o fez se voltar ao papel onde havia uma mensagem que o fez sair apressadamente dali.

Notas finais
Parabens pra vc que teve saco pra ler tudo e desculpe se não ficou bom, eu me esforcei muuuito mas achei que ficou sem ação, quero mais ação pro final, e vcs? Ha, claro comentem sobre o que acharam das revelações e se já¡ tem palpite sobre quem esta por trás de tudo. Gente por favor comentem mesmo que não tenham gostado, podem inclusive me esculachar pela demora,a hora é essa, o importante é saber que tem gente lendo, que não perco tempo escrevendo as fics! Avisem erros, tá?? É isso gente obrigada e até 2014! Brincadeira logo eu to de volta! Bjos!